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Production risks and safety disclosures in annual report

Chapter 5  Production safety in Rosneft sustainability reporting

5.3  Production risks and safety disclosures in annual report

O presente estudo foi realizado em duas etapas. A primeira refere-se à descrição do perfil sócio-demográfico e clínico-epidemiológico dos portadores de TBMR, matriculados em um Centro de Referência para a Tuberculose do Estado de São Paulo, no período de agosto de 2002 a dezembro de 2009.

A segunda etapa refere-se à apreensão da trajetória percorrida por alguns portadores de TBMR, matriculados nessa mesma Instituição, desde a percepção dos primeiros sinais e sintomas da Tuberculose até a constatação da TBMR, buscando identificar aspectos que podem ter levado a tal desfecho.

Na etapa da descrição do perfil sócio-demográfico e clínico-epidemiológico dos portadores de TBMR, o estudo valeu-se de abordagem quantitativa e é do tipo descritivo, retrospectivo e seccional.

A pesquisa de abordagem quantitativa permite quantificar opiniões e dados, por meio da coleta de informações, assim como pelo emprego de recursos e técnicas estatísticas (Oliveira, 2000).

Conforme o termo indica, a pesquisa descritiva tem como objetivo primordial, a descrição das características de determinada população ou fenômeno (Gil, 2007).

Estudos retrospectivos são investigações nas quais um fenômeno observado no presente é vinculado ao fenômeno ocorrido no passado (Polit, Beck, Hungler, 2004).

Segundo Almeida Filho e Rouquayrol (2002), estudos seccionais ou de corte transversal são investigações que produzem instantâneos da situação de saúde de uma dada população ou comunidade, com base na avaliação individual do estado de

saúde de cada um dos membros do grupo, daí produzindo indicadores globais de saúde para o grupo investigado. Para os autores, tais estudos são de grande utilidade para a realização de diagnósticos comunitários da situação local de saúde.

Voltando ao presente estudo, a segunda etapa efetivou-se segundo abordagem qualitativa, tendo os depoimentos de alguns portadores de TBMR como matéria prima para a apreensão e a análise de aspectos que pudessem estar relacionados à TBMR, referentes à vida dos enfermos e a acessibilidade aos serviços de saúde. A pesquisa de abordagem qualitativa permite incorporar o significado e a intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, tomadas como construções humanas significativas (Minayo, 2004).

Segundo Minayo (2004), é possível, por meio de pesquisa qualitativa, adentrar o mundo dos significados das ações e relações humanas para a compreensão de fenômenos específicos e delimitáveis, e acessar questões complexas inerentes ao objeto de estudo e à expressão da subjetividade do pesquisado.

Minayo (2004, p.15) destaca que:

A saúde enquanto questão humana e existencial é uma problemática compartilhada indistintamente por todos os segmentos sociais. Porém, as condições de vida e de trabalho qualificam de forma diferenciada a maneira pela qual as classes e seus segmentos pensam, sentem e agem a respeito dela. Isso implica que, para todos os grupos, ainda que de forma específica e peculiar, a saúde e a doença envolvem uma complexa interação entre os aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais da condição humana e de atribuição de significados. Pois, saúde e doença exprimem agora e sempre uma relação que perpassa o corpo individual e social, confrontando com as turbulências do ser humano enquanto ser total.

A análise da segunda etapa do estudo foi realizada à luz da Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença, buscando-se, portanto, compreender o processo saúde-doença em sua totalidade, na perspectiva histórica e social. À ela, subjaz o entendimento de que a enfermidade guarda relação com a inserção social dos indivíduos (Breilh, Granda, 1986). Segundo Egry (1996), a forma como cada indivíduo encontra-se inserido no modo de produção e na estrutura social, confere condições materiais peculiares que repercutirão na manifestação da saúde- doença.

Entende-se que os diferentes grupos sociais apresentam diversidade e, ao mesmo tempo, peculiaridade, nos padrões de desgaste e de fortalecimento em relação ao processo saúde-doença, em função, respectivamente, do gasto e da obtenção de energia no processo de reprodução social. Nesse sentido, a saúde-doença se constitui em processo que se manifesta por meio de diferentes fenômenos, cuja frequência e intensidade variam no tempo e no espaço e podem ser expressos nas dimensões: individual ou singular (o processo saúde-doença manifesta-se com variações na frequência e na intensidade entre pessoas e pequenos grupos que se diferenciam entre si por atributos individuais, tais como: sexo, idade, religião, escolaridade, rendimentos); particular (corresponde ao plano da inserção dos indivíduos na sociedade, constituindo grupos sociais, cujo elemento central que determina a inserção social, é o trabalho. Ademais, as manifestações de saúde-doença se expressam através de perfis de morbi-mortalidade peculiares de cada grupo social); e estrutural (o processo saúde-doença manifesta-se através de perfis de morbi- mortalidade peculiares à cada formação social) (Fonseca, Egry, Bertolozzi, 2001).

Dessa forma, o processo saúde-doença é a síntese da totalidade das determinações que operam sobre a qualidade de vida das pessoas e está articulado à estrutura econômica, política e de relações sociais (Queiroz, Egry, 1988). Assim, não é um processo que se restringe ao âmbito individual, tampouco se limita à dimensão biológica do homem, mas expressa, neste nível, as condições coletivas de vida, resultantes das características concretas dos perfis de produção e de consumo e suas conseqüências no viver (Breilh, 1989).

Portanto, buscou-se compreender a TBMR como expressão da inserção social dos indivíduos, levando em conta a forma como vivem e acessam os serviços de saúde.