Peirce propõe um diagrama tricotômico para representação do signo. Buscamos em seu texto a conceitualização de signo:
Um signo ou representamen é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria, na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez, um signo mais desenvolvido. Ao signo assim criado denomino interpretante do primeiro signo. O signo representa alguma coisa seu objeto. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos, mas com referência a um tipo de idéia que eu, por vezes, denominei fundamento do representamen. ‘Idéia’que deve ser entendida num certo sentido platônico, muito comum no falar cotidiano; refiro-me àquele sentido em que dizemos que um homem relembra o que estava pensando anteriormente, relembra a mesma idéia, e em que, quando um homem continua a pensar alguma coisa, digamos por um décimo de segundo, na medida em que o pensamento continua conforme consigo mesmo durante esse tempo, isto é, a ter um conteúdo similar, é a mesma idéia e não, em cada instante desse intervalo, uma nova idéia. (Peirce, 2003, p.46).
Entendemos o signo como uma relação triádica entre os elementos: o fundamento do signo (representamem), seu objeto e o interpretante. A tríade é criada no e pelo ato de interpretação. Nessa relação, o fundamento do signo determinado pelo objeto na ação de representar algo.
O signo do objeto (representamem), por sua ação criadora, determina o interpretante em referência ao objeto, isto é, uma representação se faz para alguém. Desse modo, o terceiro correlato, interpretante, que foi determinado pelo representamen e pelo objeto, se constitui em um novo signo, num contínuo processo sígnico. Assim, o último signo traz consigo referências dos anteriores.
Segundo Ransdell (1983) a palavra determinação usada por Peirce envolve a observação de uma representação de maneira dinâmica como um ato ou processo de tal ato32. Silveira (2007) descreve os determinantes dos signos a partir dos correlatos escritos por Peirce: em primeiro lugar, que ele é alguma coisa que apresenta aspecto ou modos; em segundo lugar, que representa algo e, em terceiro, que essa representação se faz para alguém33.
2.2.3.1 O Objeto na tricotomia sígnica
O Objeto do Signo, como já correlacionamos, caracteriza-se na função de determinar o signo. Exercendo na tríade o papel do outro ao qual o signo se refere, Peirce (2003) o considera sobre dois aspectos.
O primeiro aspecto define o objeto do signo enquanto contido no signo, denominado por Objeto Imediato do signo. É o objeto34 tal como o próprio signo o representa. É algo interno, está presente no signo.
O segundo aspecto Peirce denomina de Objeto Dinâmico como algo a ser alcançado por meio de experiência, denotada por ele como Colateral. Assim expressa: o Signo não pode exprimir, ele pode apenas indicar, deixando ao intérprete a tarefa de descobri-lo por experiência colateral (Peirce, 2003, p.168).
Welby, L.(1903) explicita a experiência colateral como sendo uma prévia familiaridade com aquilo que o signo denota [...] e não com familiaridade com o sistema de signos.35 Assim, podemos entender que a compreensão do signo para qual a mente produz interpretantes, novos interpretantes ancoram-se, desse modo em experiências colaterais. Tomemos o exemplo, se uma professora aponta para um local e diz “Olhe! Chamamos isso de canteiro”. O espaço constituído não é o objeto desse signo (palavra). E o Signo do canteiro (a palavra canteiro) à qual se refere esta declaração, só é concebido através da experiência
32 Cf. QUEIROZ, João, Semiose segundo C.S. Peirce, 2004 p. 49. 33SILVEIRA, L.F.B. Curso Semiótica Geral 2007. p.31.
34 Objeto para Peirce pode ser considerado coisas (algo material) como também uma entidade mental ou
imaginária (algum pensamento) - Cf. NÖTH, W. Panorama da Semiótica, 1995, p.69.
colateral que proporciona o conhecimento da palavra ‘canteiro’36. Para Denoyel (1999) a representatividade é a correlatividade das coisas que é posta em evidência.
2.2.3.2 O Interpretante na tricotomia sígnica
Na concepção de signo, anteriormente desenvolvida, o Interpretante é determinado pelo Representamem e pelo Objeto através da mediação do signo (representamen). Peirce coloca em atenção outra divisão dos interpretantes. Nessa condição, nomeia o significado resultante de um signo como interpretante do signo (PEIRCE, 1974, p.146).
Peirce, em sua obra, apresenta o interpretante do signo como terceiro correlato, considerando-o como o mais complexo, constituído como o signo que determina uma idéia na mente de uma pessoa37. Assim, o interpretante é o efeito do signo, algo criado na mente do intérprete (CP 8.179)38. Nesse sentido, interpretante não pode ser considerado como uma interpretação particular, singular do signo, mas o efeito é algo criado pelo signo.
Do mesmo modo que o Objeto do Signo foi considerado por Peirce sobre dois aspectos Objeto Dinâmico e Objeto Imediato, também, na relação com o Interpretante, temos: o Interpretante Imediato, o Dinâmico do Signo e, por último, a distinção entre os dois como Interpretante Normal. O Interpretante Dinâmico do signo constitui-se como aquilo que o signo poderá produzir em uma mente interpretadora e o Interpretante Imediato aquilo que o signo produz na mente, Dentre as diversas interpretações que uma mente pensante produz sobre o Objeto, pelos pressupostos teóricos peirceanos, fica compreendido que essas são constituídas de interpretantes gerando o Interpretante Dinâmico do signo. E, a sucessão de interpretantes em busca de uma expressão mais fidedigna do Objeto estudado constituirá o Interpretante Final.
Para Peirce (2003) o Interpretante Final ou Normal não se caracteriza como último e acabado, mas o que proporciona melhor compreensão do fenômeno, para um determinado tempo.
Peirce estabelece a tricotomia dos signos de acordo com as seguintes relações: (a) signo em relação a sim mesmo; (b) signo em ao relação ao Objeto Dinâmico; (c)signo em
36 Exemplo apresentado com base aos referidos exemplos apresentados em PEIRCE, C.S. Semiótica, 2003, p.
160- 163.
37 Peirce define mente como uma função interpretativa de signos de um universo e pessoa como todo e qualquer
sujeito de semiose (CP. 5, 313-314).
relação ao Interpretante Final. Segundo Santaella (2002) essas relações definem a teoria peirceana do signo em teoria da significação, observação e interpretação39.