CAPÍTULO IV: PARTE EMPÍRICA
4. Elementos de éxito herramienta web 2.0
4.3.1.2 Proceso de validación del cuestionario
O complexo industrial Albras-Alunorte ocupa uma área de 40 mil hectares, localizada a 15 km da sede do município de Barcarena. Esta área abrange as fábricas Albras-Alunorte, o Porto de Vila do Conde, a subestação da Eletronorte e o núcleo urbano da Vila dos Cabanos. Antes da implantação do complexo Albras-Alunorte, essa área estava originalmente dividida em lotes denominados pelos nativos de “sítios”, nos quais viviam mais de 450 famílias, que desenvolviam uma economia de subsistência caracterizada por atividades de pesca e agrícolas, como a prática da roça itinerante, a produção de
7 O movimento Internacional Situacionista constituiu-se na Europa entre os anos de 1957 a 1972. Teve grande repercussão
nos eventos de 1968, mas com pouca influência no pensamento social brasileiro. O debate contemporâneo acerca do espetáculo emergiu desse movimento através de Guy Debord, que no ano de 1967 lançou A Sociedade do Espetáculo, obra que se tornou referência obrigatória nessa discussão. O termo é utilizado por pesquisadores e cientista de comunicação para explicar determinados espetáculos, ou seja, ações que chamam a atenção do público, quando apresentado pelas mídias. O Greenpeace e os MST utilizam esse tipo de estratégia de comunicação para promover suas ações.
farinha de carvão, a colheita de frutas e a comercialização de seus excedentes em outras áreas, inclusive Belém, para comprar mercadorias não produzidas nos “sítios” (MOURA e MAIA, 1989).
O trabalho nessas comunidades consideradas tradicionais era realizado conjuntamente por membros da família e por amigos. A posse dessa terra até então, era garantida pelo processo de herança. Por isso, a maioria das famílias não possuía títulos ou documento de propriedade, enquanto que o uso da terra assegurava a reprodução das condições de existência dessas famílias. Para efetivar as desapropriações, construir e instalar a fábrica, essas famílias foram indenizadas e posteriormente assentadas em lotes, cujo tamanho é bastante reduzido se forem comparados com os antigos “sítios”.
As desapropriações iniciaram-se em 1979 e foram concluídas em 1983. Os órgãos do Governo responsáveis pelos processos de desapropriação e indenização foram a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Pará (CDI) e posteriormente, a Companhia de Desenvolvimento de Barcarena (CODEBAR), criada pelo governo para esse fim. Neste período, houve um confronto entre a lógica da propriedade privada, amparada pela lei e defendida pelo Estado, e a lógica das populações tradicionais, que têm na terra a fonte de sobrevivência física e de identidade cultural. Nesse confronto, prevaleceu a concepção da terra como meio de valorização do capital.
As terras desapropriadas, em sua grande parte, pertenciam à prelazia, enquanto o restante eram terras devolutas, ocupadas por famílias consideradas legalmente como posseiras. Como as famílias ocupantes das terras devolutas não poderiam ser indenizadas, a regularização das indenizações foi feita mediante a compra das terras, pelo Estado, que as repassou aos posseiros, de modo que estes puderam finalmente receber os valores propostos pelas empresas mineradoras e resolver o problema da legalização de terras (MOURA e MAIA, 1989).
Ainda sem ter um movimento organizado, a reação das famílias tradicionais foi muito limitada. Porém, os técnicos não foram absolutamente passivos diante do que lhes estava sendo imposto. Dessa forma, tiveram que oferecer uma quantia maior para as famílias que resistiram à desapropriação e às indenizações, as quais variavam de acordo com as negociações entre os técnicos e as famílias, pois com a implantação da Albras e com a desapropriação da área, essas famílias tiveram suas antigas formas de organização produtiva desestruturadas, passando da condição de produtores rurais a de trabalhadores livres e à disposição do capital.
Segundo o relatório de Moura e Maia (1989) e a pesquisa de campo com líderes comunitários, a Albras só contratava pessoas que tinham, no mínimo, o primeiro grau de escolaridade concluído. No início da implantação deste projeto, em 1980, segundo dados do Censo demográfico do IBGE, 46% das pessoas acima de cinco anos de idade eram analfabetos e 43% haviam estudado durante menos de cinco anos.
O modo simples e o saber do pequeno produtor rural não foram aproveitados, pois o atual mercado de trabalho exigia outro tipo de mão-de-obra, considerada qualificada. Portanto, dentre as possibilidades oferecidas, os expropriados conseguiram trabalhos temporários nas firmas empreiteiras, responsáveis pela construção da fábrica, do Porto de Vila do Conde e do Núcleo urbano, além da construção de estradas.
A principal característica do trabalho das firmas empreiteiras terceirizadas é o curto período de tempo, que implica um alto nível de rotatividade dos empregados, os quais são obrigados a passar de uma firma para outra, forçando os expropriados, agora, recém-operários, a se adaptar a esta nova realidade.
Esse novo modo de vida implica um novo uso da força de trabalho que determina o assalariamento e a proletarização dos pequenos produtores rurais. A queda da qualidade de vida, o desemprego e os baixos salários representam algumas das dificuldades pelas quais passam as famílias sujeitas ao processo de desapropriação, forçadas a viver nas áreas de assentamento (CASTRO, 1990); (TEIXEIRA & MOURA, 1990).
Não houve forte resistência das famílias, já que não estavam preparadas e nem organizadas para manter seus ideais de valores e direitos, facilitando o trabalho do Estado durante a desocupação da área. Por outro lado, não tinham instrumentos que viabilizassem seus interesses e a inserção social. O único projeto que agia de acordo com os interesses da população era o Mobral, que criou centros comunitários em, 1984, estruturados em diretorias, com presidentes, secretários, tesoureiros etc. Naquele momento, na região, os movimentos sociais ainda não haviam chegado e também não dispunham de meios de comunicação comunitários, o rádio transistor, ainda era o meio de comunicação coletiva.
3.4 CONSTRUÇÃO DAS PRIMEIRAS RELAÇÕES SOCIAIS DAS COMUNIDADES DE