1. Innledning
1.5 Problemstilling
Os questionários 2 (sobre utilização do computador e da Internet) e 3 (sobre letramento digital) demonstram o quanto Raniere está familiarizado com o uso de computadores e Internet, bem como revelam um alto grau de letramento digital. Esses resultados não surpreendem, pois o participante iniciou seus estudos em TI, trabalha na área, usa computadores tanto no ambiente profissional, quanto no ambiente familiar para se comunicar com parentes e amigos, fazer pesquisas na Internet e se divertir.
A familiaridade com o uso de novas tecnologias, bem como o grau elevado de letramento digital de Raniere, são características já resenhadas capazes de promover a ALAD. No entanto, outros aprendentes que não estejam familiarizados com o uso de computadores no EAO podem usufruir dos benefícios da ALAD desde que haja uma preparação para lidar com ambiente online e exista uma linha de comunicação satisfatória, capaz de sanar problemas advindos do uso da tecnologia.
Retomando a análise das respostas de Raniere ao questionário 2, evidenciando o uso computador pelo menos “quase todos os dias” para fins profissionais e educacionais, tanto em casa quanto no trabalho, atribuo isso a dois grandes motivos: a) exigência profissional, já que seu trabalho envolve a comunicação via email e programas de bate-papo; e b) o fato de estar estudando inglês em um curso online. No entanto, ao ser questionado sobre nunca utilizar a Internet para fazer pagamentos de contas ou operações bancárias, Raniere demonstrou desconfiança e alegou estar ciente das falhas de segurança que podem existir já que foi estudante do curso superior de segurança da informação.
O questionário 3 ressalta, de forma ainda mais contundente, o alto grau de letramento digital, pois praticamente todas as respostas indiciam grau máximo de concordância, “concordo totalmente”, exceto por duas: questão 11) Acho os serviços disponíveis online mais práticos e fáceis de usar (…) e 15) Posso me definir como um aficcionado por computadores e tecnologia em geral, cujas respostas foram “concordo parcialmente”. Esse questionário envolve a coleta de dados sobre a habilidade de uso do computador desde operações básicas às mais técnicas e o conforto e familiaridade de uso.
As entrevistas ratificam o alto grau de familiaridade com o uso de computadores e de letramento digital de Raniere. Embora não reconheça a forma como lida com o computador e com a abundância de informações disponíveis na Internet, Raniere age como um aprendente da era digital, demonstrando ser capaz de filtrar as informações e fazer bom uso delas; um dos novos letramentos desenvolvidos a partir do uso intenso de computadores e da Internet (WARSCHAUER, 1999), fundamentais para que o aprendente interaja com falantes nativos também fora do ambiente online.
O gosto pela tecnologia certamente impulsionou Raniere a procurar uma formação na área de tecnologia da informação, levando-o, consequentemente, a trabalhar diante do computador e a fazer uso do mesmo em casa para diversos fins, inclusive lazer, conforme já relatei.
Com relação à língua inglesa, seu primeiro contato aconteceu por intermédio de sua mãe, que possui nível superior (conforme faz questão de frisar) e era funcionária pública. Não sabe precisar a data nem como era o curso exatamente, mas refere-se a um curso de inglês a distância por via postal e uso de revistas como a “Speak Up” e fitas cassetes. Segundo Raniere, “(...) este contato me deu uma impressão de estar descobrindo um novo mundo devido as ilustrações contidas nesta [sic] revista, lembro de uma cidade limpa, taxi amarelo e um cabine telefônica vermelha “ (narrativa de aprendizagem).
Raniere relata, durante a primeira entrevista, que o inglês na escola regular “era inexistente”. Além de não se iniciar o estudo do inglês tão cedo, esta era a única opção de LE à época. Hoje em dia a importância da língua inglesa aumentou exponencialmente, possivelmente por uma demanda de mercado (como favorece a globalização), levando muitas escolas a oferecer LEs já nas séries iniciais104.
Apesar do incentivo de sua mãe para o estudo de LEs, do modelo que ela representava em casa e de ter achado interessante as ilustrações da revista, a ponto de ter marcado sua memória, Raniere jamais procurou estudar inglês ou qualquer outra LE até há pouco tempo, quando registra em sua narrativa de aprendizagem que “surgiu a necessidade devido ao trabalho, deste [sic] de [a] leitura de termos técnicos específicos com palestras e treinamento ministrado por estrangeiros”.
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Hoje em dia algumas escolas chegam a oferecer o contato com LEs desde o berçário, seja como uma estratégia de marketing apenas ou sob a crença de que “quanto antes, melhor”.
Sua busca por um curso de inglês foi uma tentativa de iniciar os estudos com o objetivo de manter sua empregabilidade, ou seja, Raniere demonstra uma preocupação objetiva com sua formação e com o caráter prático do valor que a aprendizagem da língua inglesa tem a agregar a sua experiência profissional. Ao ser questionado sobre sua motivação para continuar no curso, por exemplo, Raniere lembra que:
(...) a empresa privada já é um grande motivador. Hoje, (...) tá MUITO COMPETITIVO. O mercado tá, tá bem competitivo, então você tem que, você tem que tá à, se não estiver à frente, mas pelo menos acompanhando as tendências, né? De, de, de mercado p’ra você se manter trabalhando, se manter eh-eh empregável. (Entrevista 4)
E segue afirmando que aquela época em que teve seu primeiro contato com a língua inglesa por intermédio de sua mãe apenas preenche um campo de suas memórias; é apenas uma recordação, pois a aprendizagem de inglês nunca foi uma obrigação em sua vida, nunca lhe foi imposta. Na verdade, aprender inglês surgiu também como uma necessidade ao se deparar com textos técnicos na área em que trabalha, conduzindo-o a buscar um curso que suprisse sua necessidade de aprendizagem. O diálogo abaixo reproduz o momento de início do CIOE como alternativa aos cursos tradicionais de LE:
Pesquisador: (...) em que momento você iniciou a aprendizagem? Além da escola, naturalmente.
Raniere: ...(pausa longa) um ano atrás. Pesquisador: Tá. Onde você começou a estudar? Raniere: ...Eh... através de um curso online. Pesquisador: Tá, o da Englishtown então, né? Raniere...Isso.
(Entrevista 1)
Raniere atribui seu progresso na aprendizagem a sua disciplina e dedicação às tarefas no CIOE que já somam mais de 100 horas até o momento. Quando questionado a respeito da opinião de terceiros sobre estudar inglês online, Raniere diz que muitos apoiam sua iniativa
[...] quando [a pessoa] conhece o ambiente, pela facilidade, pela interação, eh, há um, um interesse [...], existe comentários que apoiando (...) essa [...], alguns colegas até procuraram fazer inscrições p’ra que também pudesse usufruir do ambiente de educação a distância. (Entrevista 1)
E aproveita a oportunidade para comparar seu desempenho com o de um colega que entrou no CIOE e não obteve o mesmo resultado:
[...] um colega que também entrou no mesmo ambiente p’ra, p’ra fazer o mesmo curso e não conseguiu o mesmo desempenho, devido à dedicação, ao tempo que ele dedicou no ambiente, ao tempo de, de ser, ser feito os exercícios de, das práticas, né? E cumprir com os exercícios, ele num teve, ele num teve o mesmo êxito APESAR de achar que o ambiente é bom, mas talvez não tenha tido uma disciplina p’ra prosseguir e conseguir os mesmos resultados. (Entrevista 1 – grifos meus)
A justificativa para o fracasso do colega na modalidade online de aprendizagem de LEs é a falta de dedicação e disciplina, fatores centrais, como demonstro mais adiante, na concepção de Raniere sobre quais atitudes e características são importantes para uma aprendizagem bem-sucedida em cursos online.
Raniere está bastante satisfeito com a forma como o CIOE permite que ele acompanhe seu desempenho, demonstrando estar bem adaptado ao ambiente. Acrescenta que, apesar de trabalhar diante do computador, conectado à Internet o tempo todo, o uso do computador é sempre um forte apelo motivacional, pois como gosta de frisar, “acaba que você tem, tenta utilizar ele [o computador] p’ra tudo, né?” (Entrevista 2).