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4. Etikk

4.5 Gjengivelse av materiale

A literatura sobre o uso de computadores no ensino/aprendizagem de LEs online, assim como a literatura sobre os estudos de autonomia em ambientes online revelam inúmeras características para o sucesso, tanto da iniciativa institucional de implementação de cursos

online, quanto da aprendizagem por aqueles que se interessam ou encontram nos cursos de

inglês online a possibilidade de concretizarem seu sonho de aprender inglês.

Dentre as condições ou estímulos favoráveis a processos de aprendizagem autônoma no ensino de LE online, ficaram evidentes:

A mobilidade: um dos maiores trunfos do CIOE é a possibilidade de oferecer um curso que permita que o aprendente execute as tarefas em qualquer lugar, em qualquer hora. Essa mobilidade foi ampliada ainda mais com o desenvolvimento de uma aplicação que permite que aprendentes que possuem um iPad possam acessar, de maneira ainda mais prática e conveniente, os recursos do ambiente online. Além dessa implementação, o aprendente pode contar com a possibilidade de baixar conteúdos em PDF para impressão ou visualização

offline no computador.

Raniere reconhece a mobilidade como a grande facilidade dos cursos online de modo geral, principalmente ao se referir às necessidades de profissionais que realizam muitas viagens de negócios ou mudam constantemente de endereço e podem encontrar na modalidade online uma forma de manter-se conectado e produtivo onde quer que esteja, com a mesma qualidade de ensino, o mesmo material e a mesma dinâmica.

A independência: o ambiente do CIOE permite que o aprendente realize suas tarefas online sem que dependa de ninguém. Littlewood (1996) esclarece que o aprendente age com

diferentes níveis de independência em sua vida. Sua observação pode ser trazida para o campo de estudos sobre ensino/aprendizagem de LEs, pois mesmo não sendo o objetivo do CIOE, o estudo independente e isolado, que se aproxima do autodidatismo e do conceito de individualização relatado por Benson (2001), nos estudos sobre autonomia nas décadas de setenta e oitenta, é uma das possibilidades de acesso à aprendizagem, segundo o interesse do aprendente. Atualmente, as discussões sobre independência e autonomia envolvem a aprendizagem sob controle do aprendente, que decide se vai ou não interagir; numa perspectiva de gestão de sua própria aprendizagem por não depender de ninguém, mas não isolada do mundo como atestam Dam (2000), Dickinson (1991), Little (1990) e Sinclair (2008).

A liberdade e o direito de escolha: esses conceitos se interrelacionam quando se

trata de pesquisas sobre autonomia. O CIOE permite que os aprendentes façam inúmeras escolhas ao longo do curso, ampliando as possibilidades de aprendizagem sem interferências de professores, tutores, programas ou outros aprendentes.

Seguindo essa ideia de liberdade de escolha, Raniere ratifica essa linha de raciocínio quando se refere à escolha pelo CIOE como “(...) uma decisão que eu tomei e não precisei consultar ninguém (...)” e no seguinte trecho ilustrativo:

Ah... ter o hobby de tocar nos finais de semana, de gostar de música, de me dedicar à parte musical, até um escape do serviço, é uma coisa que eu faço que… requer um pouco de disciplina, requer marketing, requer uma série de coisas, mas isso pode, talvez, até ser uma das comprovações em relação a escolher o que eu quero pra minha vida. (Entrevista 7 – grifos meus)

E sente-se um aprendente “[c]om liberdade TOTAL!”. Raniere atribui essa liberdade à questão da mobilidade, discutida anteriormente, e ao fato de depender da iniciativa do aprendente em procurar saber como está seu progresso na aprendizagem de inglês, analisando o relatório de desempenho pois

(...) eles TÃO DENTRO DO AMBIENTE DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Isso não fica eh te INCOMODANDO através de EMAILS ou de ALERTAS ou de COBRANÇAS como alguns cursos de... online eh, eh, eh acontecem isso. Então, se você quer saber sua situação, você tem que entrar no ambiente, você tem que abrir a porta, querer, realmente, SABER como tá sua situação. (Entrevista 7)

Essa aparente liberdade, no entanto, vem abaixo se for levado em consideração o questionamento sobre o uso de materiais e a liberdade “vigiada” que estabelecem de forma naturalizada. Por mais que o ambiente do CIOE possibilite que o aprendente eleja que

assuntos e habilidades com as quais irá trabalhar, é o próprio CIOE que disponibiliza todo o material multimodal. Assim sendo, tanto os materiais quanto os professores exercem papel fundamental como fontes ou recursos de aprendizagem, mas se tomados como únicas fontes de recurso para a aprendizagem de LE, o conceito de liberdade na aprendizagem de LE se restringe bastante. Nas palavras de Raniere, por exemplo, fica claro um certo descontentamento com essa característica do curso:

Não, eh… É CLARO que… eu acho, existe a linha-base e não adianta, por mais que eu goste de um assunto (...) É ÓBVIO que, que tem uma linha-base de, de perguntas e respostas, que ela, ela vai servir pra, pra qualquer configuração do curso, que são pré-requisitos que é você saber eh, eh, solicitar, perguntar alguma informação eh… saber pedir uma comida, são coisas de sobrevivência, por mais que eu sete [aportuguesamento] o meu ambiente pra que ele mostre mais características esportivas ou características turísticas, eu vou ter… (...) que passar por, por, por conhecimentos básicos como perguntas de nome, como perguntas sobre endereços, coisas que, que aí a estrutura inicial de vários cursos de inglês. (Entrevista 7 – grifos meus)

A questão que se revela neste momento, no entanto, é a percepção de Raniere em demonstrar um lado positivo da autonomia na aprendizagem de LEs que é a consciência sobre suas necessidades específicas de aprendizagem e o material a que tem acesso, encontrando nas viagens, na imersão em países de LE uma possibilidade de fuga ao método do CIOE.

Outro aspecto interessante é como Raniere condiciona a noção de liberdade à ideia de independênca financeira e não ao conceito de não-dependência seja de materiais didáticos, cursos ou professores. Logo, atrelado à questão financeira, Raniere pensa que sem o dinheiro necessário para adquirir bons livros ou pagar pelos melhores cursos, não se pode usufruir de liberdade para escolher. Do mesmo modo, nem todo o dinheiro do mundo seria capaz de garantir a liberdade do aprendente se por algum outro motivo lhe fosse furtada a opção de escolha.

Você tem uma independência financeira, isto te ajuda, eu acho que é MUITO DETERMINANTE, pra você buscar os melhores cursos, pra você buscar os melhores materiais, pra, pra te proporcionar essa, essa condição de viajar, de ter contato com, com a cultura realmente da da do país daquela língua que você tem interesse, né? Então ah, eh esta, esse ponto ele, ele realmente é-é-é muito importante. Sobre você ter [liberdade] LIBERDADE é-é-é é algo que também VAI de encontro eh talvez seria aí uma condição dum e não de um ou, você teria que ter uma condição financeira, né? Uma autonomia financeira e uma liberdade pra que você consiga fazer isso, porque nada vai te adiantar se você tem TODO o material disponível, TODO o dinheiro que for preciso pra você vivenciar o que precisar naquela língua, conhecer a geografia do local, conhecer eh, ter um contato maior com a língua, ter acesso aos melhores materiais daquela língua, se você não tiver a liberdade pra fazer utilização disso, que se você não tiver COMO utilizar isso, então eu acho que é mais um e aí, tem que ter OS DOIS. U-um só não te adianta tanto. (Entrevista 7)

A responsabilidade: aparentemente este fator é o mais óbvio de todos, pois quem

mais pode ser responsável por sua própria aprendizagem do que o próprio aprendente? Embora a responsabilidade pela aprendizagem nos estudos sobre autonomia não seja algo corriqueiro como simplesmente controlar as datas de pagamento para manter o acesso ao ambiente, Raniere acredita que “as barreiras que nós mesmos criamos” são uma justificativa para as pessoas que, mesmo reconhecendo a importância de uma LE, “optam” por criar impeditivos para iniciar um curso ou se manter nele, evidenciando, dessa forma, o caráter de responsabilidade que cada um deve assumir sobre sua aprendizagem. Também a esse respeito Raniere tem a dizer que se considera

(...) BASTANTE responsável pela minha aprendizagem, eu hã só depende de mim. Se eu me dedico uh um bom tempo, eu creio que eu vou, eu vou tá aprendendo mais, mas CLARO, dentro da minha limitação física dentro das minhas (...) quanto mais EU ME DEDICO, COM CERTEZA, maior resultado terei. (Entrevista 4 – grifos meus)

Vejo que ele, no entanto, não toma as rédeas da aprendizagem, mas segue o ritmo que é capaz de suportar em termos de dedicação e displina.

O monitoramento: o plano de estudos é um acordo de metas que são estabelecidas

pelo aprendente em conjunto com o CIOE e permite que, de acordo com seu desempenho, o aprendente possa comparar sua performance e monitorar sua aprendizagem. São ferramentas que o CIOE fornece e que facilitam o automonitoramento. Se por uma lado essa análise de desempenho é realizada com base nos exercícios e atividades executadas no ambiente do CIOE, não sendo um critério desenvolvido pelo aprendente, por outro lado serve ao mesmo propósito, pois o aprendente só terá acesso a essa ferramenta de monitoramento se assim o desejar, pois terá que entrar no ambiente para verificar seu desempenho.

A automonitoração, ao lado da observação crítica, é uma das características da autonomia do aprendente (DICKINSON, 1991), mas não parece estar presente nos relatos de Raniere, que se satisfaz com o relatório de desempenho, conforme excerto abaixo:

[e]u não crio controles p’ra, p’ra isso, já que o ambiente tem isso aí. Qualquer outro conhecimento, qualquer outra eh-eh interação que eu faço é só como algo a mais, mas todo, todo esse relatório de desempenho... essas coisas todas, eu já configuro o que eu desejo dentro do próprio ambiente. (Entrevista 7)

4.4. MOMENTOS DE ILUMINAÇÃO: A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ONLINE.

O plano de estudos: a definição de metas e objetivos é uma premissa do CIOE,

do aprendente. Como já demonstrei no item 4.2.2., o plano de estudos dá visibilidade para que o aprendente possa monitorar sua aprendizagem ao longo do curso e perceber seu desenvolvimento segundo suas metas.

A partir da definição desse plano de estudos, o CIOE disponibiliza uma enorme gama de recursos em seu ambiente de aprendizagem online para que o aprendente seja bem- sucedido em sua caminhada rumo à aprendizagem de inglês. No entanto, essa “facilidade” pode influenciar o aprendente a não buscar outras alternativas complementares que o ajudem a entender aspectos da língua por encontra tudo pronto em um só ambiente.

A filtragem de conteúdo: ou os “filtros”, como são denominados por Raniere, deve

ser uma preocupação constante do aprendente, pois a Internet possui uma quantidade de informações praticamente ilimitada e cabe ao aprendente em si, discernir o que tem boa procedência e pode agregar valor à aprendizagem daquilo que não tem. Essa percepção crítica é valiosa no processo de desenvolvimento da autonomia, mas que não depende diretamente do CIOE e sim do uso generalizado da Internet como meio de comunicação e fonte de informações.

Interação e conversação são aspectos da vida social, uma vez que a todo instante o

indivíduo se depara com informações em diferentes mídias, interagindo e compartilhando ideias com outros indivíduos como ser social (DAM, 2000; SINCLAIR, 2008), que são fundamentais na aprendizagem de LEs e uma das principais críticas aos cursos de LEs online de modo geral. Mesmo com o desenvolvimento da tecnologia, o que hoje torna possível interações síncronas com áudio e vídeo, a aplicabilidade desses recursos precisa levar em conta o objetivo de aprendizagem, ou seja, é preciso haver uma base teórica que a fundamente.

A grande possibilidade de interação com materiais de qualidade e bem próximos da realidade, com outros aprendentes de todo o mundo e principalmente com professores nativos foi o ponto decisivo para a escolha do CIOE por Raniere, como ele afirma na entrevista 3, mas reconhece que nada substitui a interação face-a-face com um professor

Dedicação e disciplina são dois aspectos que compõem o perfil do aprendente online

que depreendo das entrevistas com Raniere. Na verdade, o ambiente online requer uma participação ativa do aprendente e, como tal, a dedicação às tarefas e a disciplina para encontrar o tempo necessário para os estudos é um fator próprio desse ambiente

extremamente reforçado por Raniere e exaltado como fator preponderante para o sucesso na aprendizagem online.