7.4 Livelihoods after the Bedol Desa Program
7.4.1 The problems encountered
Limitações culturais e religiosas
Algumas características culturais e religiosas de comunidades rurais e periurbanas podem transformar-se em obstáculos à utilização de determinados equipamentos e instalações sanitárias. Assim, importa sempre realizar um estudo, a priori da implementação do equipamento sanitário, para aferir se existe algum impedimento cultural ou religioso que possa conduzir à não utilização do mesmo. A par da implementação da instalação sanitária deverão ser realizadas acções de formação e sensibilização com o objectivo de instruir a população acerca da sua manutenção e operação, bem como deverão ser abordados temas como a higiene e o perigo da propagação de doenças através da água e da falta de higiene.
Tendo em conta a importância do estudo cultural e religioso, e que não é possível estudar todas as religiões e culturas praticadas pelas comunidades rurais e periurbanas existentes no Mundo, destacaram-se os grupos religiosos que reúnem mais praticantes no Mundo: cristãos, muçulmanos e hindus. Importa frisar ainda que diversas comunidades seguem religiões tradicionais, que muitas vezes são aliadas a uma das três doutrinas enunciadas (cristianismo, islamismo e hinduísmo), dificultando a identificação de todos os potenciais obstáculos culturais e religiosos existentes.
Em consonância com a informação recolhida e apresentada na secção 2.9, referem-se de seguida as principais ou mais generalistas limitações, do ponto de vista do utilizador, no que diz respeito aos três grandes grupos populacionais analisados (comunidades rurais e periurbanas cristãs, muçulmanas e hindus).
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Dos três grandes grupos analisados, as comunidades cristãs são as que apresentam menos características limitantes no que concerne ao uso e aceitação de instalações sanitárias. No entanto, estas comunidades apresentam, frequentemente, dificuldade em entender a relação entre doenças e o consumo de água imprópria, atribuindo-lhes por vezes uma explicação espiritual.
Por outro lado, as comunidades muçulmanas e hindus, apresentam maiores limitações perante a aceitação de instalações sanitárias. Ambas sentem repulsa por fezes e urina, devido a impedimento religioso e ambas mostram desagrado, na sua maioria, perante instalações do tipo sanitize-and-reuse e drop-and-store, preferindo sistemas do tipo flush-and-discharge e flush-and- forget. Porém, vários estudos (Coffey et al., 2015; Routray et al., 2015; Uddin et al., 2014) demonstram que diversas comunidades muçulmanas e hindus se encontram dispostas a utilizar sanitários do tipo drop-and-store, desde que não sejam responsáveis pelo esvaziamento do reservatório de águas residuais.
Para facilitar a aceitação de instalações sanitárias por parte destes dois grandes grupos de comunidades, importa prever a existência de repuxos de limpeza anal nos sanitários turcos. A defecação ao ar livre é ainda uma prática bastante enraizada em grande parte das comunidades rurais e periurbanas de países em vias de desenvolvimento, sendo, inclusive, vista como uma forma de “purificação do corpo”. Este comportamento pode representar uma das principais causas de resistência à utilização de instalações sanitárias, pelo que se deverá apostar numa forte sensibilização da população.
Uma das grandes limitações culturais existentes actualmente, principalmente no que diz respeito à recolha de água em zonas rurais e periurbanas de países em vias de desenvolvimento, onde não existe qualquer tipo de sistema de distribuição de água potável, é a desigualdade de géneros.Em países em que a água é um bem escasso, são as mulheres e os adolescentes que desempenham o papel principal no abastecimento doméstico, na gestão e na protecção da água, chegando a deslocar-se a pé até 30 quilómetros para garantir o abastecimento diário de água potável à sua família. Isto ocorre porque a mulher ainda é vista pela maioria das comunidades, em especial pelas menos desenvolvidas, como a responsável pelas tarefas domésticas e pelos cuidados prestados à família.
Segundo o relatório de desenvolvimento humano de 2016 (UNDP, 2016) as mulheres africanas ainda desempenhavam cerca de 71% das tarefas de recolha de água. Quer isto dizer que as mulheres africanas dedicam uma parte considerável do seu tempo de vida a caminhar para recolher água.
É estritamente necessário criar instituições encarregues da gestão e manutenção destes equipamentos/instalações, a par da formação e sensibilização da população para o seu uso correcto e seguro. As escolas são um bom local para iniciar a implementação deste tipo de projectos, visto que os professores geralmente são pessoas receptivas e mais instruídas acerca da importância do abastecimento de água potável, do saneamento e da higiene. Desta forma, o
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processo de implementação e adaptação das crianças e dos jovens é facilitado, iniciando depois uma transição mais simples, no decorrer da disponibilização das instalações e equipamentos à restante comunidade.
Por fim, é importante que a implementação da instalação em estudo seja realizada em zonas centrais às comunidades rurais e periurbanas, a curta distância das habitações, e que reúna condições necessárias para satisfazer as necessidades básicas da população, facilitando a deslocação entre as habitações e a instalação. É relevante que as diferentes actividades relacionadas com o uso de água (sanitários, duches e pontos de recolha de água) estejam próximas umas das outras, por forma a incentivar uma recolha de água com menor desigualdade de géneros. Isto é, uma vez que o homem é obrigado a deslocar-se até à instalação para utilizar o duche ou o sanitário, será mais fácil incentivá-lo à partilha de tarefas no que diz respeito à colecta de água, enquanto as quantidades de água transportadas são grandemente reduzidas. Durante a concepção e implementação da instalação deverão ter-se em conta as informações acima mencionadas. Importa ter em conta que as limitações acima enunciadas resultaram de uma generalização, pelo que deverá sempre realizar-se um estudo cultural prévio em cada situação, para comprovar a viabilidade da utilização real da instalação.