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Problemløsning

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Hunder   Øyne

5.3.4 Problemløsning

Na tentativa de melhor atender aos objetivos da investigação, optamos por utilizar nessa pesquisa exploratória o método da entrevista para recolher, de forma sistemática, opiniões e reflexões de jornalistas portugueses sobre o Jornalismo de Dados.

Descartamos o modelo de entrevista não-estruturada por ser demasiadamente aberta. Esse tipo de abordagem foge dos objetivos da pesquisa porque busca “compreender o comportamento e experiência humanos (...) Recorrem à observação empírica por considerarem que é em função de instâncias concretas do comportamento humano que se pode reflectir com maior clareza e profundidade sobre a condição humana” (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p. 70).

Por outro lado, também excluímos a opção pela entrevista estruturada porque “a questão fechada encerra numa alternativa intimidante, impõe um esquema e arrisca o erro maximal” (MORIN, 1984, p. 147). O Jornalismo de Dados ainda não possui uma definição e um conjunto de características sedimentadas, seja no campo científico, seja no senso comum para que seja possível trabalhar com um questionário fechado com ampla amostragem.

Diferentemente da entrevista estruturada, a entrevista semi-estruturada destaca o papel do entrevistado, permitindo que este elabore seu discurso, enriquecendo a coleta de dados e tornando possível que novas definições ou interpretações sobre o objeto estudado surjam.

Talvez a diferença mais marcante entre os dois métodos é a maneira em que cada tradição trata suas categorias de análise. A meta quantitativa é isolar e definir as categorias de forma tão precisa quanto possível antes que o estudo seja realizado para, em seguida, determinar, mais uma vez com grande precisão, a relação entre elas. O objectivo qualitativo, por outro lado, é utilizado muitas vezes para isolar e definir as categorias durante o processo de pesquisa. O investigador qualitativo espera a natureza e a definição de categorias de análise para mudar no decorrer de um projeto (Glaser e Strauss, 1965). Para um campo, categorias bem definidas são

25 os meios de investigação, para o outro elas são o objeto de pesquisa. (MCCRACKEN, 1988, p. 17) 28

Por esses motivos, optamos por utilizar como método de investigação a entrevista semi-estruturada. Dessa forma, procuramos permitir que cada entrevistado tenha a liberdade para usar suas próprias palavras - visão de mundo - para responder e se aprofundar em um ou outro tópico que lhe seja mais caro.

O conjunto de perguntas foi elaborado buscando obter o maior número de informação sobre o tema e tentando evitar uma dispersão de dados, uma vez que na entrevista semi-estruturada, como lembra Morin (1984): “o risco maximal de erro situa-se do lado do pesquisador, da sua aptidão para decifrar a mensagem do entrevistado, da sua possibilidade de estabelecer uma comparação, resumindo, de transformar em dados científicos um documento humano bruto”. Outras preocupações que foram levadas em consideração durante a elaboração das perguntas e do preparo antes e durante as entrevistas são resumidas pela pesquisadora Rosália Duarte.

A realização de uma boa entrevista exige: a) que o pesquisador tenha muito bem definidos os objetivos de sua pesquisa (e introjetados — não é suficiente que eles estejam bem definidos apenas “no papel”); b) que ele conheça, com alguma profundidade, o contexto em que pretende realizar sua investigação (a experiência pessoal, conversas com pessoas que participam daquele universo — egos focais/informantes privilegiados —, leitura de estudos precedentes e uma cuidadosa revisão bibliográfica são requisitos fundamentais para a entrada do pesquisador no campo); c) a introjeção, pelo entrevistador, do roteiro da entrevista (fazer uma entrevista “não-válida” com o roteiro é fundamental para evitar “engasgos” no momento da realização das entrevistas válidas); d) segurança e auto-confiança; e) algum nível de informalidade, sem jamais perder de vista os objetivos que levaram a buscar aquele sujeito específico como fonte de material empírico para sua investigação. (DUARTE, 2004, p. 216)

28No original: “Perhaps the most striking difference between the methods is the way in which each

tradition treats its analytics categories. The quantitative goal is to isolate and define categories as precisely as possible before the study is undertaken, and then to determine, again with great precision, the relationship between them. The qualitative goal, on the other hand, is often to isolate and define categories during the process of research. The qualitative investigator expects the nature and definition of analytics categories to change in the course of a project (Glaser and Strauss, 1965). For one field, well defined categories are the means of research, for another they are the object of research.”

26 Tendo em vista o grande número de publicações no país - jornais diários, semanais, revistas, jornais on-line - optamos por centrar nossa análise nos periódicos impressos. Há atualmente nove publicações diárias de âmbito nacional em Portugal (A Bola, Correio da Manhã, Diário de Notícias, i, Jornal de Negócios, Jornal de Notícias, O Jogo, Público, Record). Desses, selecionamos os cinco jornais generalistas: Correio da Manhã, Diário de Notícias, i, Jornal de Notícias e o Público, que vendem, juntos, cerca de 240 mil exemplares diariamente29.

Entendemos que essa amostragem é representativa e, por trabalharem com informações gerais, acreditamos que esses veículos compartilham, em algum nível, o mesmo processo de produção, as mesmas metas e as mesmas dificuldades. Procuramos entrevistar os jornalistas responsáveis pelo gerenciamento do conteúdo on-line em cada jornal, uma vez que esse profissional, via de regra, está em contato com a edição impressa e a on-line, além de participar de conteúdos especiais, como é o caso do Jornalismo de Dados.

Dessa forma, os entrevistados foram: Miguel Martins, subchefe de Redação Multiplataforma do Correio da Manhã e CMTV; Pedro Tadeu, subdirector do Diário de Notícias; Sónia Pinto, editora do ionline; Manuel Molinos, editor executivo-adjunto no Jornal de Notícias; e Simone Duarte, diretora executiva on-line do Público. Os colóquios ocorreram entre 8 de Outubro e 7 de Novembro de 2013. A conversa mais curta durou 15 minutos e a mais longa teve uma hora de duração. As entrevistas aconteceram na sede dos respectivos jornais. A partir dos dados reunidos nas entrevistas tentaremos esboçar o estado da arte do Jornalismo de Dados nos jornais lusos.

As perguntas que nortearam as entrevistas foram: como o(a) sr(a). define Jornalismo de Dados?; Quais características diferenciam o Jornalismo de Dados de outras matérias?; Há reportagens de Jornalismo de Dados no jornal que o sr(a). trabalha?; Se sim, existe uma periodicidade nas matérias desse gênero?; Existe uma equipe dedicada à produção de matérias desse gênero?; O comportamento do leitor muda nessas matérias (elas são mais lidas, mais compartilhadas, o tempo de navegação é maior)?; Quais as vantagens e desvantagens encontradas ao produzir esse

29 Média realizada com os dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação

27 tipo de conteúdo?; O jornal vai investir em mais conteúdo desse gênero?; O(A) sr(a.) poderia citar exemplos de reportagens com Jornalismo de Dados em outros jornais portugueses?

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Capítulo III: Análise e resultado das entrevistas com os editores

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