Com o envelhecimento demográfico e consequente alteração do padrão epidemiológico da sociedade portuguesa, tal como se verificou nos últimos censos populacionais (Instituto Nacional de Estatística (2011), estamos perante uma população cada vez mais idosa, com elevada prevalência de doenças crónicas degenerativas, à qual se adiciona a pluripatologia. Todos estes fatores condicionam
a saúde, a autonomia e independência, bem como a qualidade de vida da população (DGS, 2009). Mas, segundo Sales & Iraci (2007), nem sempre a existência de doença crónica é sinonimo de incapacidade para gerir o dia-a-dia de forma autónoma.
A enfermagem, disciplina que se centra na pessoa, visa perceber as respostas humanas decorrentes da situação de saúde/doença que experienciam. Fatores, como a prevalência da doença crónica com o envelhecimento da população; mudança do foco dos cuidados de saúde centrado na cura para a promoção da saúde; a preocupação em reduzir custos com a saúde que levou a períodos mais curtos de hospitalização e ao surgimento dos cuidados em ambulatório; ao aparecimento de um consumidor mais informado sobre as questões de saúde, a crer tomar decisões sobre os seus cuidados e a melhorar a sua saúde e bem-estar, são de acordo com Dodd & Miaskowski, (2000), formas demonstrativas da influência / importância do autocuidado, dentro do sistema de saúde. Assim, se verifica que os enfermeiros assumem um papel fundamental na resposta às várias necessidades e exigências sociais de autocuidado.
O autocuidado é o princípio fundamental subjacente às intervenções autónomas desenvolvidas por enfermeiros ou em colaboração com outros profissionais de saúde; é a principal preocupação e objetivo, é um componente na reabilitação de doenças crónicas ou em programas de autogestão (Sidani, 2011).
De acordo com a situação de saúde as pessoas são confrontadas com limitações a nível da mobilidade, o que as torna mais suscetíveis a complicações como a insuficiência cardíaca, deterioração articular, condições trombo-embólicas, incapacidade para prevenir a perda funcional e a manutenção das AVDs. Mediante estes fatores a enfermagem de reabilitação tem um papel preponderante, uma vez que, enfermeiro de reabilitação desenvolve um conjunto de intervenções para minimizar estes efeitos. Gu & Vicki (2008) realizaram uma meta-análise para estudar o impacto de um programa de exercício no estado funcional dos idosos, demonstraram ser estatisticamente
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significativos os resultados alcançados por essas pessoas no que respeita à melhoria do desempenho físico. Capacitar as pessoas para a gestão da sua saúde e dos sintomas, na presença de doença crónica é um dos desígnios dos profissionais de enfermagem. Os enfermeiros de reabilitação trabalham com os doentes para atingir o nível máximo de independência funcional e na realização das atividades de vida diária, promovendo o autocuidado e reforçando comportamentos de adaptação positiva (Hoeman, 2000).
A presença regular do enfermeiro de reabilitação junto das pessoas com necessidades de reabilitação e o seu papel de consultadoria com a equipa de saúde é hoje entendida como uma mais- valia. No entanto os constrangimentos financeiros a que o setor da saúde está sujeito, faz com que estes profissionais nem sempre sejam devidamente rentabilizados, para isso muito contribui a falta de definição de uma política de recursos humanos e a existência de normas de orientação sobre a atividade dos enfermeiros de reabilitação, que garantam o acesso atempado aos cuidados de reabilitação, às pessoas que deles necessitam.
Atualmente, nos vários contextos e realidades, onde o enfermeiro especialista em reabilitação intervém é notório o interesse deste, na promoção da qualidade de vida das pessoas. Este ao constituir uma equipa multidisciplinar, desenvolve, com os seus pares e com as pessoas alvo dos seus cuidados, um conjunto de estratégias que visam potenciar os autocuidado, bem como a promoção da qualidade de vida, para que a pessoa se realize a níveis cada vez mais elevados. Assim a presença do enfermeiro de reabilitação junto das pessoas com necessidades, bem como a sua capacidade de consultadoria no seio da equipa, é vista como uma enorme mais-valia (DGS, 2009).
Mediante toda a realizada descrita anteriormente e com base no terceiro enunciado descritivo do regulamento dos padrões de qualidade (Prevenção de complicações) foi elaborado este projeto de melhoria da qualidade dos cuidados especializados em enfermagem de reabilitação, centrado na temática intervenção do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação na pessoa com nível de dependência física, em contexto comunitário.
Para a realização do projeto, desig ado de Rea ilita – Mais “aúde, ais Vida , o planeamento assume-se como uma fase de extrema importância, sendo por isso necessário apresentar algumas considerações teóricas acerca deste. De acordo com Nérici (1987), planear é fu da e tal e te es olher… deter i ar o s ie te e te o urso das aç es, orie ta do-as para
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a realização de o jetivos… pla ear de idir. Já Fer a des 999, p. defi e projeto o o o processo de planeamento e realização de um conjunto articulado de ações com vista a atingir deter i ados o jetivos. Este pro esso e volve u a etodologia e trada a resolução de problemas.
Assim e tendo em conta o que foi exposto anteriormente, define-se como finalidade deste projeto, a promoção da qualidade de vida e prevenção de complicações, na pessoa com dependência em contexto comunitário, que visa dar resposta aos seguintes problemas.
Problema Geral Problemas Parcelares
Elevado número de pessoas com dependência e com
consequente necessidade de cuidados de enfermagem de reabilitação
Elevada taxa de co morbilidades na pessoa com dependência;
Grande número de complicações associadas à dependência;
Impacto elevado da Dependência na pessoa, família e sociedade;
Reabilitação como agente promotor da autonomia e dos autocuidados;
Acompanhamento no pós alta inadequado.
Tendo como base os problemas levantados, bem como a respetiva finalidade, este projeto centra o seu foco da intervenção na pessoa dependente em contexto comunitário. Este foco, consta do Resumo mínimo de Dados e Core Indicadores de Enfermagem e está diretamente relacionado com a intervenção do Enfermeiro especialista em reabilitação na pessoa em situação de dependência.
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