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3. Lønnskostnadsandeler og markedsmakt

3.3. Prispåslag

Analisando a origem da Pesquisa Qualitativa, fica evidente que esta nasceu da preocupação de entender o “outro”, sua realidade social e as relações que se estabelecem nesse espaço. De acordo com Denzin e Lincoln (2006, p.15 e 16), a origem da pesquisa qualitativa nas disciplinas humanas, em especial na sociologia, por meio do trabalho da Escola de Chicago, nas décadas de 1920 e 1930, está associada ao estudo da vida de grupos humanos; na antropologia, na mesma época, foi usada para traçar os contornos do método de trabalho de campo. Em pouco tempo, a pesquisa qualitativa foi empregada em outras disciplinas das ciências sociais e comportamentais.

Para os mesmos autores, a pesquisa qualitativa é, em si mesma, um campo de investigação. “[...] É atividade situada que localiza o pesquisador no mundo [...]. Envolve uma abordagem naturalista e interpretativa.” (DENZIN; LINCOLN, 2006, p.16). Eles deixam claro que as coisas são estudadas em seus cenários naturais, na tentativa de entender os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem e que cada prática ganha uma visibilidade diferente no mundo, por isso o compromisso em utilizar mais de uma prática interpretativa, com diversidades metodológicas.

Denzin e Lincoln (2006) são adeptos da pesquisa denominada “bricolage”, a construção que sofre mudanças e assume novas formas à medida que diferentes instrumentos são acrescentados, bem como métodos e técnicas de representação e de interpretação, o que assegura uma compreensão em profundidade do fenômeno estudado. Essa pesquisa, que traz em seu cerne uma característica interdisciplinar exige que o pesquisador, mais do que nunca, mantenha a coerência teórica com a inovação epistemológica, conforme alerta Kincheloe e Berry (2007, p. 15).

Nesse tipo de pesquisa, o pesquisador é um bricoleur, aprendendo a extrair conteúdos de disciplinas diferentes. Há que se destacar que esta não é uma tarefa fácil, “demanda que o

bricoleur dedique tempo ao estudo rigoroso de quais abordagens de pesquisa estão à

disposição e como elas podem ser empregadas em relação com os outros métodos” (KINCHELOE; BERRY, 2007, p. 18).

Trata-se de encarar a realidade como uma construção humana, tal qual preconiza o construtivismo, “uma versão do idealismo que enfatiza que o mundo que vivenciamos surge de realidades múltiplas e socialmente construídas” (GIBBS, 2009, p. 22), sem desconsiderar o que existe de comum entre as pessoas e as situações investigadas.

Atualmente, novos paradigmas de pesquisas apontam para a necessidade de uma abordagem que possibilite analisar o objeto em todas as suas dimensões. Há que se ressaltar, de acordo com Chizzotti (2008), a atual discussão em torno da crise dos paradigmas na sociedade contemporânea, na tentativa de provocar uma reflexão epistemológica sobre o estatuto das ciências na atualidade, questionando o determinismo clássico diante de eventos científicos como a relatividade, a robótica, a biotecnologia, entre outros. Segundo o mesmo autor, é preciso fazer um paralelo entre a visão clássica e alienante do mundo e as novas concepções constantes do núcleo central atual, como as noções de desordem, instabilidade e complexidade, que desafiam o pensamento contemporâneo.

Um novo paradigma é anunciado e uma nova racionalidade é necessária para suportar o avanço científico. Uma série de questionamentos são postos pelas ciências cognitivas, a pós- modernidade, a teoria do caos e as teorias sistêmicas, afirma Chizzotti (2008). E, algo que não pode ser ignorado é que “cada paradigma, ou cada perspectiva teórica, adota posturas epistemológicas diferentes em relação à natureza do conhecimento e da realidade” (MORAES; VALENTE, 2008, p. 13).

A fundamentação teórica, portanto, é de suma importância para orientar o pesquisador, atribuindo coerência a sua investigação. Ainda assim, é preciso considerar informações novas e não previstas, que emergem durante o processo de análise. Sobre essa questão, Moraes e Valente (2008) destacam que nossa realidade possui complexidade e indeterminações de onde surgem emergências que precisam ser levadas em consideração.

Da perspectiva de que uma das características da pesquisa qualitativa consiste na enorme quantidade de dados e informações coletados durante o processo de investigação, volume esse que tem aumentado com a possibilidade de acesso a bancos de dados informatizados, sites especializados, periódicos e outros repositórios que surgem a todo instante, o trabalho do pesquisador fica ainda mais difícil, pois quanto maior o volume de informações disponíveis, maior é o desafio diante do que deve ser selecionado. Além disso, ao

defrontar-se com uma vastidão de informação, é fácil deixar-se seduzir não só pelas palavras, mas pelas imagens e links que invadem os textos virtuais.

Uma metodologia capaz de facilitar e agilizar o trabalho do pesquisador, bem como legitimar a pesquisa qualitativa torna-se essencial. Os recursos tecnológicos podem ser um grande aliado nesta árdua, porém sedutora tarefa que atravessa toda a investigação.

A metodologia utilizada neste estudo, portanto, leva em consideração as ponderações postas e inclui o uso de recursos tecnológicos para a depuração dos conceitos, bem como para apoiar a análise dos dados e informações.

Apesar de a introdução deste capítulo ter abordado algumas das características da pesquisa denominada bricolagem, este estudo não adota o termo bricolagem na perspectiva estrita de Lévi-Strauss (1976)7, que o utilizou para descrever padrões característicos do pensamento mitológico.

No estudo em questão o termo está sendo usado para ressaltar a possibilidade de uso de diferentes instrumentos, bem como métodos e técnicas de representação e de interpretação, à medida que novos fatos vão emergindo da análise. Além disso, concorda, também, com a necessidade de o pesquisador atentar-se para a complexidade e as indeterminações do contexto de onde emergem os dados, realizando associações entre eles, a partir de uma postura crítica ante a realidade. Trata-se, apenas, de não descartar o imprevisto e o improviso, as relações entre as diversas áreas do conhecimento, e de não desprezar o uso de um recurso que não fora pré-concebido, se este for essencial para a análise dos dados. Assim, o termo aproxima-se mais daquele utilizado por Denzin e Lincon (2006), que inclui a noção de pesquisador bricoleur.