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Prinsipp 7 Jobbkvalitet for reiselivsansatte (D7)

6.2  Analyse av standarden for et bærekraftig reisemål og

6.2.7  Prinsipp 7 Jobbkvalitet for reiselivsansatte (D7)

O drama baseia-se na arte como representação; dessa maneira a cena dramática é composta como se estivesse no lugar da vida, falando em nome dela. Nesse sentido, pode-se dizer que o drama é uma narrativa do tipo mimético pois elabora personagens com a função de representar os homens como eles são ou como poderiam ser. Qual a importância da manifestação artística do drama para a vida moderna?34

Para cercar os interesses culturais do drama moderno é preciso compreender o que representam por meio dos personagens. Do ponto de vista do protagonista, repre- sentam “a audácia espiritual do homem que voltava a si depois da ruína da visão de mundo medieval, a audácia de construir, partindo unicamente da reprodução das rela- ções intersubjetivas, a realidade da obra na qual quis se determinar e espelhar. O ho- mem [entra] no drama, por assim dizer, apenas como membro de uma comunidade. A esfera do ‘inter’ lhe [parece] o essencial de sua existência; liberdade e formação, von- tade e decisão, o mais importante de suas determinações. O ‘lugar’ onde ele [alcança] sua realização dramática [é] o ato de decisão. Decidindo-se pelo mundo da comunida- de, seu interior se manifestava e tornava-se presença dramática.”35 A ação que esses

personagens simbolizam é a conquista do sujeito, aquele que “vai a busca de seus objetivos consciente do que quer. É a ação de quem quer e faz. Da pessoa moral, consciente, com caráter. Do ser humano livre”.36 O protagonista do drama simboliza o

ideal de homem concebido na modernidade, é o sujeito da maioridade, o emancipado, aquele que não precisa ser tutelado pois utiliza sua razão crítica para saber o que lhe convém. O protagonista representa, portanto, o ideal de homem moderno.

A mimesis, entendida como um modo de produção, é associada a uma atitude cultural que quer confirmar a existência de uma realidade comum a todos e dotada das mesmas leis e da mesma ordem que nossas convicções impõem ao mundo. É a partir desse principio que os artistas buscam adaptações na linguagem para harmonizar re- presentação e realidade; é dessa forma também que a arte mimética impõe ao artífice não mostrar como realiza sua construção, para que a representação pareça real e o receptor possa ser dominado pela ilusão do referente.37 Como entender isso no fenô-

meno teatral?

(34) SEGOLIN, F. Personagem e Anti-personagem. 2ªed. São Paulo: Olho d’Água, 1999, p.13-34. (35) SZONDI, P. Teoria do drama moderno (1880-1950). São Paulo: Cosac & Naify, 2003, p. 29. (36) PALLOTTINI, R. Introdução à Dramaturgia. São Paulo: Brasiliense, 1983, p.16.

Para se sair da análise literária, pois não é essa a intenção deste trabalho, e direcionar- se para o teatro, é preciso inserir o drama moderno em um tipo de espetáculo que também se quer mimético. Sabe-se que esse tipo de encenação compõe a imagem da cena a partir de um lugar fixo, o cenário, que separa a platéia por uma parede invisível. Mentira, engano, engodo? Não, apenas um jogo muito prazeroso proposto para a cole- tividade. Com esse jogo, quer-se reforçar a necessidade da ilusão de realidade, pois o que se dá em troca ao jogador é o delicioso efeito de identificação. Esse efeito suscita no receptor o êxtase da experiência de distender-se para além do eu ordinário, ofere- cendo àquele uma vivência da idealidade. É o viver na virtualidade consciente de que se está dentro de um jogo; dessa maneira, o drama proporciona alívio.

No caminho da análise freudiana38 pode-se dizer que o herói representa o ideal do

eu narcísico da infância que, maltratado pela vida e pela cultura, ainda vive no sonho do homem adulto. Separado pela realidade o eu e o ideal agora se unificam na figura do herói. O efeito da identificação é, portanto, a experiência desta união que transforma o espectador neste eu idealizado, em uma ilusão que ele vive como se fosse realidade, como se de fato o drama representasse a verdade da vida. Mas de que maneira se consegue esta coincidência entre representação e referente?

Ao aproximar-se do espectador identificado, nota-se que não se está falando do indivíduo sentado na cadeira, mas sim de uma identidade ilusória, uma máscara, um personagem, uma irrealidade, uma idealidade propiciada pelo jogo da arte mimética que, por engenho artístico, transforma aqueles indivíduos comuns no “espectador único”

39, um ser ideal. A experiência estética da identificação é garantida pela metamorfose

do indivíduo sentado na cadeira no sujeito idealizado. Assim, é possível afirmar que, no jogo da identificação, não só o ator mas também os espectadores são transformados em entidades imaginárias.

Segundo Anatol Rosenfeld40,a metamorfose é o fenômeno básico do teatro. Por

trás desse enunciado há uma idéia de humanidade que responde, em parte, à necessi- dade do teatro mimético com seu efeito de identificação no contexto cultural da modernidade. Segundo o crítico, a característica fundamental do homem é desempe- nhar papéis na vida social. Sem a persona o homem não teria face, não teria Ego e por isso não poderia se entender com os outros homens. Nessa perspectiva, o que dife- renciaria o homem do animal é que este “vive maciçamente idêntico a si mesmo, não tem a capacidade do homem de desempenhar papéis, de libertar-se de sua unidade natural, de projetar-se além de si mesmo”.41 Já o homem só se faz humano porque

(38) GUÉNOUN, D. O Teatro é necessário? São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 77-94 – (Col. Debates, 298) (39) Ibidem, p. 125.

(40) ROSENFELD, A. Texto/Contexto. São Paulo: Perspectiva, 1969, p. 21-43 – (Col. Debates,7). (41) Ibidem, p. 40.

adquire um Eu próprio saindo de si, tomando o lugar do outro. Assim, o personagem do drama é o símbolo de uma humanidade que se faz na empatia com o outro. A metamorfose do ator é então a expressão de uma conquista, o símbolo do ato fundante da “humanização” do homem. Tomado nesse sentido, o fenômeno da identificação vivenciado pelo espectador no teatro dramático é muito mais que um entretenimento, é um ritual no sentido de recordar e reviver a experiência universal da distensão do ser. Com a imagem do outro, o ritual da identificação convida o espectador a ir além de si para voltar mais amplo, mais rico, mais definido, segundo Rosenfeld.

Mas algo acontece que o ideal do sujeito não mais parece corresponder à realidade do homem moderno. Nesse sentido, as palavras de Brecht “infeliz o país que precisa de heróis” tornam um enunciado não só político mas também artístico. Diante de tal crise entre a representação do sujeito e a realidade do indivíduo em seu cotidiano, a dramaturgia se bifurca em duas tendências, uma que se pode chamar subjetiva e outra objetiva. Esta última inclui Brecht; a outra é estudada por Anatol Rosenfeld que, com- partilhando da análise crítica de Szondi, mostra na sucessão dos movimentos estéticos (impressionismo, realismo/naturalismo, expressionismo, simbolismo) do início do sé- culo passado uma crescente intervenção de subjetividade nessa dramaturgia, que re- sultará na dissolução ainda mais intensa do modelo do herói na cena. Esse procedi- mento dissolve os contornos dos caracteres dos personagens e seu comportamento, os quais perdem a nitidez, e a conseqüência imediata no fenômeno teatral é o enfra- quecimento do efeito de identificação. Sem o símbolo da unidade do eu idealizado, o indivíduo deixa de ver seu eu espelhado, deixa de metamorfosear-se no espectador idealizado. O jogo do teatro muda.

Mas o que se passa é apenas uma atualização da figura humana ou essa metamor- fose deixa de simbolizar o ato fundante da humanidade?