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A eleição no Pará para o Governo do Estado, em 2006, teve 6 candidatos no primeiro turno: Ana Júlia Carepa (PT, em coligação com PSB, PTH, PRB e PC do B), Almir Gabriel (PSDB), José Priante (PMDB), Edmílson Rodrigues (PSOL), Atnágoras Lopes (PSTU) e Lena Rayol (PSDC). Existiam 143 municípios no Estado do Pará, em 2006, com eleitores aptos a votar.

Para ilustrar o processo de discussão a respeito de oligarquização da informação e democratização dos mídias, usa-se, como estudo mais profundo, o duelo, no segundo turno das eleições, entre Ana Júlia Carepa, do PT, e Almir Gabriel, do PSDB.

Em um estado de dimensões continentais como o Pará, com 143 municípios, cerca de 7.000.000 de habitantes e regiões bem distintas, torna-se extremamente complexo estudar que possíveis fatores poderiam ter motivado a vitória da candidata do PT, a Senadora Ana Júlia Carepa, sobre o candidato situacionista, o ex-governador por 2 mandatos, Almir Gabriel.

2.3.1 Perfis dos candidatos 2.3.1.1 Ana Júlia Carepa

Ana Júlia Carepa, que completou 52 anos em 2009, nasceu em Belém e é formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Pará. Filha de um engenheiro civil e de uma dona-de-casa, Ana Júlia nasceu em Belém e é a única mulher entre os sete filhos do casal. Iniciou sua trajetória política no movimento estudantil. Na sequência, foi sindicalista, na época em que era bancária. Já assumiu vários cargos públicos: foi vereadora, deputada federal, vice-prefeita e hoje é senadora em segundo mandato. Seu primeiro cargo público foi o de vereadora em Belém, em 1992. Dois anos depois foi eleita deputada federal. Em 1997,

renunciou ao mandato para concorrer à prefeitura, como candidata a vice, ao lado de Edmilson Rodrigues, como candidato a prefeito, na época do PT. Ao lado de Edmilson, foi vice-prefeita da capital e secretária de Urbanismo.

Ana Júlia foi presidente do Centro Acadêmico Livre de Arquitetura da UFPA e, depois de formada, passou a atuar nos movimentos sociais, ajudando a fundar o Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade. Aprovada no Concurso do Banco do Brasil em 1983, também militou no Movimento de Oposição Bancária (MOP) que fortaleceu a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Pará.

Em 2000, voltou à cadeira de vereadora em Belém, sendo a mais votada. Em 2002, voltou ao Senado e de novo é a mais votada, com mais de um milhão de votos. Durante aquela campanha, Ana Júlia sofreu um acidente durante um comício em Parauapebas, interior do Estado. Ana Júlia caiu de um palanque improvisado e teve uma lesão no joelho, que a tirou das ruas durante 15 dias. Mas isso também foi um ponto positivo na campanha, uma vez que a militância do partido se solidarizou e ajudou no cumprimento da agenda da candidata dando apoio a candidatura. Ana Júlia chegou ao governo do Pará depois de disputar todas as eleições municipais e estaduais desde 1992 e de ter exercido vários cargos de destaque no Executivo e no Legislativo.

A candidata Ana Julia (PT) foi eleita para o governo do Pará, derrotando Almir Gabriel (PSDB). Com 100% dos votos apurados, Ana Julia teve 1.673.627 votos, ou 54,93% dos votos válidos.

O candidato tucano derrotado teve 1.373.466 votos, 45,07% dos válidos. Brancos somaram 27.083, 0,86% dos votos válidos, e nulos, 79.849, ou 2,53%.

O candidato do PSDB venceu o primeiro turno com 43,83% dos votos válidos. A candidata do PT, que virou a disputa no segundo turno, havia terminado a eleição do dia 1º de outubro com 37,52%. Ana Júlia Carepa tornou-se a primeira mulher a governar o Pará. Logo após à vitória nas Eleições de 2006, Ana Júlia ressaltou que, em sua opinião, foi um projeto político que venceu, um projeto diferente do que estava administrando o Pará e semelhante ao projeto que venceu no Brasil em 2002 e 2006. Durante a campanha, Ana Júlia Carepa insistiu muito no discurso da mudança. Outra estratégia foi aproximar a imagem de Ana Júlia à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito presidente. No primeiro turno, Lula obteve 1.631.569 votos no Pará, enquanto Ana Júlia conquistou 1.173.079. Ana Júlia entrou na disputa em baixa nas pesquisas e inverteu o jogo no segundo turno com o apoio do PMDB do

ex-governador e senador Jader Barbalho. Sempre houve dúvidas, no entanto, quanto à capacidade da petista de administrar a coalizão eleitoral com o PMDB.

2.3.1.2 Almir Gabriel

O adversário Almir Gabriel, do PSDB, concorreu por uma coligação formada por nada menos do que 14 partidos (coligação União pelo Pará, PP-PTB-PSC-PL-PFL-PAN- PRTB-PHS-PMN-PTC-PV-PSDB-PRONA e PT do B). Também recebeu apoio formal do PPS e do PDT.

Após à derrota para a candidata do PT, Ana Júlia Carepa, Almir José de Oliveira Gabriel, então com 74 anos, saiu da política em 2006. Ele anunciou sua aposentadoria a um grupo de amigos no início de 2007. Deixou Belém e foi morar na cidade de Bertioga, em São Paulo, ao lado de outros familiares – e para fazer também um intenso tratamento de saúde. Em 2009, voltou à capital paraense, para participar do processo pré-eleitoral em relação ao pleito de 2010.

Ex-diretor do Hospital Barros Barreto, na década de 70 do século XX, o médico Almir Gabriel, natural de Castanhal, foi secretário estadual de Saúde no governo Alacid Nunes, no fim da ditadura militar e permaneceu no cargo na gestão do sucessor de Alacid, por manutenção do hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB). A partir daí, foi Prefeito de Belém, nomeado por Jader Barbalho e, em 1986, foi eleito para o Senado da República.

Como senador constituinte, Almir Gabriel foi relator da Ordem Social e participou da implantação no Brasil do Sistema Único de Saúde, o SUS. Foi nessa época que, ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro, José Serra, Sérgio Motta e José Richa, entre outros, fundou o PSDB, o Partido da Social Democracia Brasileira. Um ano depois, em 1989, foi candidato a vice-presidente da República como companheiro de chapa de seu amigo Mário Covas – ambos, à época, eram senadores da República. Em 1990, Almir Gabriel disputou pela primeira vez o governo do Estado, em aliança com o PT. Foi derrotado. Jader Barbalho elegeu-se vencendo por apertada margem de votos o empresário Sahid Xerfan. Quatro anos depois, Almir Gabriel voltava às urnas paraenses, desta vez para ser eleito governador. O candidato do PSDB derrotou o ex-senador, ex-governador e ex-ministro Jarbas Passarinho, a principal liderança política oriunda do golpe militar de 64 no Estado do Pará, que tinha o apoio de Jader Barbalho. Como governador do Estado, Almir Gabriel priorizou sanear a máquina do Estado, com cortes no funcionalismo, dispensando milhares de

servidores contratados sem concurso público e comandou uma gestão austera, que acabou marcada por uma tragédia: o massacre de 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado de Carajás, num confronto armado com tropas da Polícia Militar do Estado. Foi o pior momento da vida de Almir Gabriel. Foi reeleito governador em 1998, vencendo Jader Barbalho, seu ex- aliado político. Almir Gabriel elegeu como sucessor em 2004 seu ex-secretário Especial de Produção, Simão Jatene, depois de uma acirrada disputa com a então deputada estadual Maria do Carmo Martins, do PT.

3 A DEMOCRATIZAÇÃO DAS ESCOLHAS: A ELEIÇÃO DE 2006 NO PARÁ