Chapter 2 State of Performance management
2.3 Theoretical overview
2.3.3 Preventive maintenance management
Os objetivos originais do Banco Mundial que foram estabelecidos no seu Convênio Constitutivo incluíam a melhoria da produtividade, do padrão de vida e das condições de trabalho. Porém nos primeiros anos o Banco concentrou suas ações e financiamentos em grandes obras de infra-estrutura, tais como energia, estradas, transporte e indústrias nos países com relativo grau de desenvolvimento. O foco das atividades, portanto, não eram os países com maiores dificuldades de se desenvolverem. A primeira estratégia do Banco Mundial relacionada a pobreza foi a criação da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), em 1961. Com isso, o Banco aumentou os empréstimos para a agricultura e iniciou os empréstimos para a educação.
Na década de 70, conforme Beckmann (1986) o Banco começou a concentrar maiores esforços nas atividades que beneficiariam diretamente ‘os pobres’. Reconheceu-se amplamente que os benefícios do crescimento acelerado ocorrido nas décadas de 50 e 60 tinham produzido relativamente poucos resultados para os povos mais pobres do mundo. Sendo assim, o Banco Mundial começou a emprestar recursos para diversos tipos de projetos que tivessem como foco de ação a expansão do crescimento econômico e a
redução da pobreza. Um dos projetos que se destaca dos demais foi o de expansão nos empréstimos para a agricultura e o desenvolvimento rural, que aumentou a produtividade e a renda de dezenas de milhões de pequenos agricultores.
Ainda na década de 70 a economia mundial enfrentou grandes turbulências e crises causadas pela alta dos preços do petróleo, recessão e a inflação. Com isso, a proporção e o número de pessoas em situação de pobreza absoluta (sem capacidade de ingerir um mínimo aceitável de calorias) no mundo aumentaram. Para o Banco Mundial o progresso no combate à pobreza é virtualmente impossível nos países assolados por crises financeiras e declínio econômico, e pareceu melhor ao Banco perseguir uma política que ajudasse a restaurar o impulso do desenvolvimento. Neste momento de transição de estratégia de atuação, o Banco sofreu fortes críticas, sendo acusado de recuar em sua responsabilidade com relação à pobreza.
No início da década de 80, Beckmann (1986) relata que as parcelas de empréstimos do Banco destinadas a agricultura e ao desenvolvimento rural sofreram uma redução acentuada. Durante os anos de 1984 e 1985 a administração do Banco adotou medidas para intensificar o foco sobre a pobreza. Empenhou-se, portanto, num esforço de duplicar os empréstimos e diversificar suas atividades relacionadas à pobreza. Em 1984, o Banco começou, pela primeira vez, a monitorar sistematicamente sua análise econômica por país e houve um aumento discreto dos estudos sobre a pobreza, principalmente a pobreza dos países da América Latina. Sendo que os primeiros países estudados e monitorados sobre o custo social da recessão e do ajuste fiscal na Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, México e República Dominicana. Assim, em 1985, a parcela de empréstimos que deveria beneficiar os pobres diretamente subiu na maioria das regiões e em todos os setores orientados para a pobreza.
O compromisso do Banco Mundial com a pobreza está explícito nas várias declarações e discursos dos presidentes que passaram pelo Banco, conforme descreve Beckmann (1986).
“A diretoria executiva e a administração do Banco têm coerentemente reafirmado que os objetivos fundamentais são crescimento econômico e redução da pobreza,
sendo que os mesmos permanecem inalterados. As declarações de Robert McNamara (1968-1981) identificaram o Banco com a pobreza. As declarações de A. W. Clausen (1981-1986) ressaltaram a AID 7 e a situação da África Subsaariana, e, sobretudo pediram amplas reformas no comércio, no fluxo de capitais e nas diretrizes econômicas para superar a crise geral no desenvolvimento do início da década de 80”. (BECKMANN, 1986:2)
De acordo com estudos, a principal mudança ocorrida na estratégia de atuação do Banco na ‘redução da pobreza’ foi gerada pelas mudanças das necessidades dos países em desenvolvimento. Desta forma, o Banco Mundial enfatizou a mudança de diretriz tanto nos países industrializados quanto naqueles em desenvolvimento no intuito de reanimar o crescimento, em parte por que o Banco entende que uma condição necessária (embora insuficiente) para um renovado progresso contra a pobreza é o crescimento econômico. O documento divulgado pelo Banco Mundial chamado Relatório sobre Desenvolvimento Mundial 2000/2001 apresenta a estratégia para a redução da pobreza e aponta os objetivos para este período. De acordo com Lima (2003:55) “o objetivo é atingir o desenvolvimento internacional, através da criação de sociedades justas, sem pobreza, que sejam competitivas e produtivas”. Um dos pontos de destaque do relatório “é a promoção da descentralização e do desenvolvimento comunitário. A fundamentação da idéia da descentralização é que ela aproxima as instituições das comunidades e populações pobres, aumentando o controle dos serviços por parte das pessoas que tem direito a recebê-los. Para isso, é preciso que se fortaleça a capacidade local e se transfiram recursos financeiros” diretamente para os beneficiários (LIMA, 2003:55). Esta estratégia passou a ser disseminada nos projetos apoiados pelo Banco. O intuito maior é fortalecer o capital social.
Em um dos trechos do Relatório fica bem claro como o Banco Mundial interpreta a pobreza, bem como as ações entendidas como necessárias para combatê-la.
“A estratégia de ação desenvolvida pelo Banco parte do entendimento que a pobreza é resultado de processos econômicos, políticos e sociais. Deste modo, as sugestões de enfrentamento são no sentido de criar oportunidade na esfera econômica, desenvolver ações que aumentem a autonomia na esfera política e na esfera social a idéia é desenvolver ações ligadas à segurança das populações pobres”. (LIMA, 2003:56)
Ainda Lima (2003) ao analisar o relatório publicado pelo Banco Mundial no ano de 2001, afirma que a estratégia de redução da pobreza está baseada no ideário do capital social, reconhecendo também a importância de outros capitais. As formas de capitais são identificadas pelo autor como capital financeiro, humano, físico e natural, entendo sua ação conjunta importante para a redução da pobreza. Contudo, defende que as outras formas de capital não são suficientes sem o capital social, já que este exerce a função de aglutinador e potencializador dos demais capitais.
Se percebe, a partir da leitura de alguns documentos e relatórios, que o Banco Mundial considera capital social como os sentimentos de admiração, cuidado, preocupação, simpatia, consideração, respeito, senso de obrigação ou confiança entre pessoas e/ou grupos.