5. Presupuesto
5.1. Presupuesto del intercambiador geotérmico
Quando iniciamos em uma trajetória de trabalho, que atende aos nossos anseios intelectuais, a nossa satisfação pessoal e realização profissional, sem dúvida, os resultados tendem a ser de crescimento e desenvolvimento. Porém, há momentos em que a carreira se inicia por mera casualidade ou pela perspectiva de melhorias do aspecto econômico. Não parte de um desejo ou uma opção, mas sim, de uma necessidade, seja pessoal ou ambiental, e geralmente ocorre de forma inusitada. Então nos cabe uma pergunta: como cada um dos professores-alunos se tornou professor?
O primeiro relato é de Luis que, como ele próprio diz, se tornou professor de forma surpreendente.
[...] a profissão de professor aconteceu de forma surpreendente. Num domingo à tarde na beira de um campinho de futebol conheci o diretor de uma escola estadual que me perguntou em que eu trabalhava, respondi que era tirador de “tora na mata”, então ele me perguntou se eu queria ser professor, eu disse que nunca tinha pensado nessa possibilidade e não saberia responder naquele momento, então ele disse para eu pensar e se tivesse interesse, ele conseguiria uma vaga de professor. [...] no ano de 1976 com apenas a 8ª série, iniciei a minha carreira de professor (L/28a, ent. abril/04).
Para Freire, “[...] ninguém começa a ser educador numa terça-feira, às quatro horas da tarde. [...] ninguém nasce educador ou marcado para ser educador”. (1991, p. 58). No entanto, na existência de uma possibilidade de mudança e apesar da ausência da formação, que segundo Ponte (1995) incide sobre aquilo em que o professor é carente, professores leigos vão tomando o espaço da sala de aula e vão construindo histórias por todos os cantos do país.
Da mesma forma como se deu o ingresso de Luis na carreira do magistério, ocorreu com Helena,
[...] minha vida de professora começou quase que por acaso, no município onde eu morava não tinha pessoas formadas, ninguém tinha o 2º grau completo. Quando terminei o meu 2º grau em Contabilidade, fui chamada para trabalhar na escola como professora, as turmas eram multisseriada, como eu era a única pessoa com o 2º grau, apesar de não ser em magistério acabei assumindo as turmas. (H/09a, ent. abril/04).
Com Isabela,
[...] a diretora da escola municipal me convidou para dar aula de matemática, pois o professor da turma bebia muito e os alunos ficavam constantemente sem aula, apesar de nunca ter trabalhado como professora, aceitei o convite. (I/13a, ent. jan/05).
E com Mara,
[...] logo que terminei o Magistério comecei a dar aulas, passei onze anos somente trabalhando com 1ª série, depois fui pegando outras turmas, hoje eu já trabalho com turmas de 5ª série. Nunca fiz outra coisa se não dar aula. Apesar de todas as dificuldades encontradas, gosto de dar aulas. (M/20a, ent. maio/04).
O início de uma carreira é sempre marcado pelos primeiros erros. Estes erros são significativos por duas razões: primeiro, porque os erros cometidos no início de carreira são aceitáveis do ponto de vista do amadorismo e segundo, porque os acertos futuros são resultantes da reflexão desses primeiros erros.
Todavia, na profissão de professor, é imprescindível que se reflita sobre a prática, pois, quando o professor se encontra no espaço da sala de aula, na relação direta com o aluno e tende que construir respostas urgentes para as situações complexas que enfrenta, este professor tem como primeiro impacto o reconhecimento de sua inabilidade para o exercício docente. Essa inabilidade pode ocorrer tanto com aqueles que não tem uma formação inicial, quanto com aqueles que saem das academias licenciados, e esse inicio é quase sempre muito doloroso. PONTE et al (1992, p. 01) nos coloca que:
[...] os primeiros anos da profissão docente são cruciais para o desenvolvimento do conhecimento e identidade do professor. Trata-se de um período em que o jovem professor se encontra entregue a si próprio, tendo
que construir formas de lidar com toda uma variedade de papéis profissionais, em condições variadas e, muitas vezes bastante diversas.
Concordo com Ponte, pois passei por essa experiência de forma muito sofrida, pois todo professor em inicio de carreira sente-se só e acaba entrando em conflito com seus medos e por insegurança, guarda esses medos para si, temendo que sua inexperiência o deixe em situação de desvantagem diante dos já experientes ou práticos. No interior dessa angústia existe a necessidade de buscar aprender, conhecer, mas “[...] não se trata de uma simples aquisição de conhecimentos, mas de uma transformação da própria pessoa envolvendo mecanismos psicológicos mais amplos e essa inteiração sujeito-mundo”. (DESTRO, 1995, p. 26).
Essa insegurança fica expressa no relato de Luis.
[...] foi muito difícil ser professor, pois não tinha “queda” para esse trabalho e quando eu me queixava de minhas dificuldades para o diretor da escola, ele dizia que no inicio era assim mesmo, mas ia melhorar conforme eu fosse pegando a prática. (L/28a, ent. abril/04).
O ingresso na profissão de professor nas escolas públicas, em especial no interior do Estado, e mais precisamente nas escolas da zona rural, ocorre sempre sob três situações: primeiro pela carência de profissional habilitado que, de certa forma, conduz à contratação de pessoas sem a devida formação para a sala de aula. Segundo por questões políticas, “[...] os partidos políticos deixaram de ser lugares de doutrina e transformaram-se em “máquinas eleitorais”, orientadas para a participação no poder e nas instituições”, (NÒVOA, 1992, p. 28), ou seja, políticos que fazem campanhas eleitoreiras vendendo vaga para professor. E terceiro pela casualidade, melhor dizendo, o ingresso no sistema de ensino é conseguido através de alguém que é amigo de um outro alguém influente dentro do sistema.
Esses aspectos são comuns e como conseqüência, temos professores que se fizeram professores na experiência prática, ou seja, as situações reais vividas na sala de aula determinaram e conduziram o rumo dessa prática.
Assim, segundo Cavaco (1991), os primeiros anos da profissão de professor é um período sempre descrito pelos professores com grande riqueza de detalhes, expressividade e proximidade emotiva, que emergem dos erros ou dos acertos cometidos em início de carreira.
Portanto, o encontro que não estava marcado com o Magistério, acaba acontecendo, seja de forma surpreendente ou não, o que importa são os resultados decorrentes desse encontro.