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Pressure Transient Analysis

3 Well test analysis

3.4 Pressure Transient Analysis

Depois de transcritas as entrevistas, com as anotações e comentários do entrevistador, os dados foram examinados com base na análise de discurso associada à codificação das entrevistas, para uma análise mais acurada dos dados qualitativos.

Orlandi (2005 b) cita Michel Pêcheux como fundador da Escola Francesa de análise de discurso com a teoria de que a linguagem é materializada na ideologia e como esta se manifesta na linguagem. E é no discurso que essa relação ocorre, em uma relação entre o simbólico e o político. A análise do discurso trabalha com a textualização do político e é a partir dela que “se pode compreender como as relações de poder são significadas e simbolizadas” (Courtine, 1982, Orlandi, 2005b).

O objetivo da análise de discurso visa a “a compreensão de como um objeto simbólico produz sentidos, como ele está investido de significância para e por sujeitos” (Orlandi, 2005a, p.26), mostrando que cada análise é única, pois envolve conceitos e categorias diversos de análise, com consequências diretas nos resultados do analista.

Pêcheux critica o fato de que as Ciências Sociais não rompem, mas estão em continuidade com a ideologia que as funda, e questiona a transparência da linguagem sobre a qual se sustentam. “Considera a linguagem como um sistema capaz de ambiguidade e define a discursividade como a inserção dos efeitos materiais da língua na história, incluindo a análise do imaginário na relação dos sujeitos com a linguagem” (Orlandi, 2005b, p.11). Ainda, a autora expõe que Pêcheux não dissocia estrutura e acontecimento, relacionando a linguagem a sua exterioridade - o interdiscurso e o define “como memória discursiva, o já- dito que torna possível todo o dizer”.

Há, então, uma associação ao saber discursivo por parte das pessoas que produz efeito por intermédio da ideologia e inconsciente. E as formações discursivas são o que o sujeito diz em dada situação em dada conjuntura, ligando o dizer com sua exterioridade. As palavras, segundo Pêcheux, não apresentam sentido literal, mas acontecem na formação discursiva que são seu lugar histórico-provisório, i.e., dentro de um contexto específico.

Consequentemente, “toda descrição está exposta ao equívoco da língua: todo enunciado é intrinsecamente suscetível de tornar-se outro, diferente de si mesmo, se deslocar discursivamente de seu sentido para derivar para outro” e é nas relações de metáfora (transferência) que o sentido se produz. Não há, portanto, um sentido em si, preso às palavras (Pêcheux, apud Orlandi, 2005b, p.11). Os efeitos discursivos derivam de uma materialidade específica, mas “articular o “a propósito” das materialidades discursivas acompanha-se de deslocamentos de fronteiras entre as disciplinas”.

Orlandi (2005a) alerta que o próprio analista está envolvido no processo de interpretação pois ela consiste no objeto de estudo em si. Por isso, o analista não está num lugar neutro para averiguação da verdade, mas pode deslocar seu olhar para uma zona intermediária entre interpretação e descrição. Quanto às bases da análise ou “delimitação do corpus”, a questão é o mapeamento das regularidades do processo de produção dos discursos e não o esgotamento dos temas de um discurso. A autora complementa com o fato de que a relação do sujeito e linguagem não é inócua, pois na fala, se toma partido, é a identificação com algo: em toda formação discursiva, materializada na linguagem, há um princípio norteador que é a ideologia.

A etapa de análise e interpretação dos dados foi subsequente à da coleta. Juntamente com a interpretação dos discursos, foi empregada técnica de codificação e interpretação dos materiais de pesquisa através da criação de códigos e categorias, atribuindo significados às informações contidas nas entrevistas.

Pepinsky e Kosack (2007) em paper apresentado na Associação Americana de Ciência Política propõem um padrão de codificação para resolver as questões de codificação pouco ligadas aos conceitos de teorias de ciências sociais. Retomam os clássicos da análise de conceito e lembram que as metodologias de formação das ciências sociais se concentram, além de testes de hipóteses, na construção e validação de conceitos e de inferência causal. E a configuração destes é a codificação. Não há processo padrão que transforme conceitos em variáveis que os analistas possam estudar através de metodologias qualitativas e/ou quantitativas. Os pesquisadores, porém, tornam decisões de codificação implícitas nas pesquisas empíricas de ciências sociais, sejam qualitativas ou quantitativas.

O padrão de codificação, ou coding standard, consiste na estrutura de unificação de ação de codificar variáveis conceituais para pesquisas qualitativas e quantitativas de forma semelhante, baseado em quatro componentes essenciais: “teoria, clareza, generalidade, e replicabilidade” (Pepinsky e Kosack, 2007).

A teoria é a base conceitual de qualquer esquema de codificação e estipula os valores e importância possíveis que uma variável pode tomar, assim como suas razões. Estes dois fatores determinam o que são os fatos sociais observados, mas também a estrutura das variáveis, se contínua, ordinal, nominal ou binária. Trata-se assim do primeiro passo da codificação que é a formulação e definição do que está sendo estudado e medido e de quais valores esta variável pode tomar. Pepinsky e Kosack (2007) fazem a ressalva de que “há espaço livre para um processo interativo de refinamento de definição”.

O componente da clareza refere-se à existência de definições operacionais diretas de valores de uma variável, fundamentadas em fatos empíricos observáveis. Dá uma ordem de importância a quem codifica, pois na prática, muitas das minúcias das decisões de codificação são arbitrárias ou difíceis de justificar de forma apriorística, mas que devem, segundo Pepinsky e Kosack (2007), ser da maneira mais transparente possível.

A generalidade se refere à capacidade do desenho da codificação para extrapolar seus domínios empíricos originais, e em não sendo possível, fornecer razões teóricas claras dos porquês. Há um deslocamento das definições das variáveis, valores e critérios de codificação para as observações, casos e evidências.

A codificação deve vislumbrar a gama de possíveis casos para as variáveis e, dentro do escopo, categorizar todas as instâncias das variáveis. Deve igualmente caracterizar a amostragem a partir da qual os casos são retirados da população, permitindo definir a população de casos e relacioná-la aos casos analisados. O objeto pode ser restrito, mas justificável, ou seja, a especificidade também é fundamental.

Finalmente, o quarto elemento, a replicabilidade, se refere à capacidade de outro pesquisador recriar o desenho da codificação e obter os mesmos resultados, apesar das dificuldades de codificação das variáveis (Pepinsky e Kosack, 2007).