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4. MEDIEPOLITISKE PERSPEKTIV

4.2 Mangfald

Depois de tratar dos bastidores das instituições museológicas analisadas, procurarei neste momento descrever e interpretar as narrativas expositivas construídas no interior de cada sala, cada galeria ou corredores dos três museus ora investigados. Para tanto, me proponho a descrevê-los de tal forma que, por meio dessa descrição, seja possível visualizá-los como se estivéssemos fazendo uma visita aos mesmos. A finalidade desse exercício é entender como não somente pessoas, mas, sobretudo instituições constroem representações acerca do passado no presente. Trata-se também de uma postura, um olhar etnográfico que procura entender essa escrita museológica da história e da cultura.

A Cultura aqui pensada como propõem Geertz (1973) e Sahlins (1990) como representação pautada em signos e significados construídos. Isto posto, entendo as exposições como construções culturais capazes de seduzir e despertar sentidos em

113 quem as concebem e naqueles que as visitam. Vale, pela natureza do trabalho etnográfico, fazer uma incursão sobre o modo como elas são criadas, saber um pouco mais sobre como elas vão tomando forma articulando objetos, conceitos e cenários, sem perder de vista que não são criações diletantes da vida social.

No meu entendimento, as exposições podem partir de uma demanda da sociedade, de um anseio coletivo pela memória ou da vontade individual de um gestor ou de um curador. Em conversa com Armando Queiroz, na condição de artista, curador e gestor de museus, ele ressaltou com muita perspicácia que:

As exposições partem de desejos íntimos que nos provocam, elas são também reveladoras dos nossos desejos. Exposições não são somente respostas da nossa racionalidade, muitas vezes são desejos de agora. O museu foi bom para mim como artista, o museu me deu muito e o que eu mostrei como artista, sendo premiado, foi o meu museu possível. (Abril /2015).

Mesmo considerando a subjetividade que permeia a construção das exposições e das narrativas expositivas, não se pode prescindir de destacar que a museologia contemporânea avançou, se renovou e possui métodos consolidados para instrumentalizar os processos curatoriais. Várias publicações e sites especializados debatem e explicitam os métodos que embasam o trabalho de museólogos, historiadores, antropólogos, dentre outros que atuam no campo dos museus.29 Assim,

há uma metodologia que é basicamente cumprida para a concepção de exposições, o que se quer acentuar aqui é a dimensão da mão humana no sentido de seu processo criativo.

Considerando a dimensão subjetiva da produção de uma exposição, há momentos em que técnicos e gestores discordam da leitura construída. A exemplo

29 Cf: Caderno de diretrizes museológicas: mediação em museus: curadorias, exposições e ação

educativa. Disponível em: www.cultura.mg.gov.br/.../museus. Curadoria e exposições - um campo de diversas profissões disponível em: www.novoscuradores.com.br. Comunicação e mediação cultural. Além de publicações houve um nos últimos 10 anos um aumento significativo dos cursos de museologia no Brasil, o que favoreceu, sobremaneira, a especialização dos técnicos neste campo.

114 disso, a exposição do Museu do Estado do Pará que foi pensada em 2008, tendo como conceito norteador a ornamentação do Palácio, tal qual à época do Governador Augusto Montenegro, foi considerada inadequada pela gestão atual do Museu. O critério elaborado pela Coordenação de Documentação e Pesquisa foi construído da seguinte forma:

O primeiro critério utilizado para a seleção e disposição do mobiliário nos Salões Nobres do Museu do Estado do Pará foi a contextualização histórica, onde privilegiou-se a decoração à época de Augusto Montenegro (1908). Para tanto, ficaram nos salões os móveis que aparecem na iconografia do Álbum do Pará, e que ainda constam no acervo do Museu do Estado do Pará. (Proposta Curatorial do Museu do Estado do Pará. 2008. Fonte: Arquivo Institucional SIM/SECULT)

O processo de construção de uma exposição é precedido minimante por um conceito norteador que poderá contar com: a) a elaboração de um roteiro; b) a pesquisa dos conteúdos para a produção dos textos; c) a pesquisa, identificação e seleção dos objetos e demais elementos que irão compor a exposição; d) a organização espacial dos vários níveis de informação e também destes em módulos temáticos e setores; e) o delineamento do fluxo de visitantes e possíveis circuitos da exposição; f) a apresentação de um projeto de design que integre os diferentes elementos; entre outros.30

A descrição e a interpretação das narrativas expositivas construídas nos museus foram feitas a partir do conhecimento que tenho dos acervos e propostas curatoriais, bem como de imagens ou registros fotográficos feitos no decorrer desta pesquisa, ou ainda registros existentes nos arquivos do SIM. Em alguns casos, optei por fazer registros na tentativa de capturar, por minha própria lente, a visão que tenho dos museus e de suas exposições, não me valendo somente de registros institucionais ou outros que estão disponíveis em diversas páginas, sites e demais redes sociais. Para tanto, por vezes entrei nos museus em dias em que os setores administrativos estavam fechados e somente as áreas expositivas e o setor educativo permaneciam abertos à visitação.

Por fim, as imagens capturadas por mim, os ângulos, a qualidade das imagens nos registros feitos nos museus, são menos um trabalho profissional e mais uma escolha

115 subjetiva, ou até um registro fortuito, mas que enriqueceram, sobremaneira, minha análise sobre esses espaços.

2.5. Narrativa Expositiva do Forte do Presépio: mito de origem