A inteligência emocional, um olhar e uma reflexão.
Em leituras múltiplas, aqui e ali, de forma solta e isolada, surgiram as expressões inteligência emocional, emoções, emotividade, levando à necessidade de procurar mais.
Neste trabalho analisaram-se posições, depositaram-se emoções, fizeram-se algumas citações, propuseram-se reflexões e criaram-se algumas convicções.
Mais questões e dúvidas que certezas nasceram. Contudo, sobreveio uma “tranquilidade espírito”, pois confirmou-se que o ser humano nasce e morre e que, no entremeio, existe uma vida e uma história única que se desenrola em torno das suas emoções e das dos demais. Sem emoções e sentimentos não há vida plena, nem no corpo nem na mente.
Eduard Punset afirma que, o que a ciência nos permitiu descobrir até hoje, é que “temos vida antes da morte” e, sob este prisma é preciso saber vivê-la, com inteligência emocional. Se o homem tanto procura respostas para a pergunta se há vida para além da morte, porquê não debruça as suas inquietações sobre premissas já confirmadas sobre a vida antes da morte, onde temos sempre presente a emoção? A emoção é certa, absoluta e tem mistérios já resolvidos que nos podem ajudar a viver com mais intensidade.
Tomou-se a liberdade de não expor detalhadamente as diferentes e tão vastas perspetivas que se encontraram sobre emoções e sobre a inteligência emocional, baseadas em exaustivos estudos científicos, clarificados nas palavras de grandes autores que deram o tema a conhecer. Palavras lidas, sobre as quais não se tem a pretensão de um entendimento claro, mas o sentimento de que pequenas luzes se iluminaram em prol do próprio saber. Assumiu-se o propósito de exteriorizar o pensamento e reflexão da autora deste relatório sobre o tema, de uma forma pessoal, à luz de uma razão própria, plena de emoção e sentimento.
Neste tema, encontraram-se convergências entre a filosofia, a sociologia e a neurociência. Entre várias descobertas, surgia uma evidência: no ser humano, a inteligência de maior complexidade e transversalidade, desde a sua condição mais primitiva, é a inteligência emocional.
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Para tentar compreender o “complexo mundo” da inteligência emocional existe uma vontade constante de moldar um corpo com um cérebro, um ser, em constante interação consigo e com as suas experiências e condições coletivas, voltado para a compreensão das emoções, sentimentos emocionais e, consequentemente, a desenhar pensamentos e ações. Uma forma de dialogar com o próprio interior e com o mundo, sobre o entendimento pessoal sobre estas matérias. As ações foram os traçados destas linhas, o reflexo de pensamentos mas, não bastando, tentou-se ao longo do percurso do estágio colocar em prática e duvidar ou confirmar a importância da inteligência emocional no próprio EU, no grupo de estágio, no professor orientador e, sobretudo nos alunos.
Pode afirmar-se que muitas vivencias fizeram acreditar que a inteligência emocional é uma realidade em todo o ser humano, a todo o momento e que pode ser utilizada com vista a um melhor relacionamento interior e com os outros.
A questão fundamental que liderou toda a pesquisa foi descodificar até que ponto a inteligência emocional se pode afirmar como uma realidade e, até que ponto nos condiciona os sentimentos, as atitudes e a razão? Até onde o conhecimento e a consciência de que temos uma inteligência emocional nos poderá levar a moldar sentimentos, pensamentos, crenças e atitudes? Outras questões que se colocam, não menos importantes, revelam-se pertinentes à luz do próprio espirito de educadora, tanto no papel de mãe, como de professora: até onde pode ir e nos pode levar a nossa inteligência emocional se a conhecermos e a explorarmos em prol de um desenvolvimento mais harmonioso como seres individuais e sociais? A confirmar a validade da importância de conhecermos e sabermos lidar com a inteligência emocional, onde fica o papel da educação a esse nível? A inteligência emocional pode ser “ensinada” na teoria e na prática? Desde quando? Desde os primeiros meses de vida? Durante a infância? Na juventude? Ou apenas estamos “preparados” para a assumir como verdade em nós e a explorarmos na fase adulta? Uma última dúvida: o domínio da inteligência emocional pode constituir interesse para o seu ensino específico? Um programa de ensino/treino sobre inteligência emocional pode ser aplicado/utilizado no ensino em geral, transversal a diferentes conteúdos e grupos?
Estas são questões que rondam o pensamento da autora deste relatório em torno da Inteligência emocional, surgindo a cada momento e procurando respostas fundamentadas, uma vez que, como já referido, este trabalho pretende ser uma reflexão sobre a validade e a importância da inteligência emocional no ser humano. Desta forma, com base na leitura e análise de obras acreditadas à luz da ciência, pretendeu-se ter um entendimento relativamente sólido sobre estas matérias e proferir uma reflexão, à luz da própria experiencia humana. Experiências vividas com o próprio EU e com os outros, na multiplicidade de relações pessoais e profissionais desenroladas ao longo da vida. Mais que um ser individual, um ser social, máxima que acompanha a existência e leva a refletir sobre a fundamental importância da inteligência emocional e a sua ação no ser humano, sobretudo
5 nas crianças e jovens que se encontram em permanente construção e que ajudamos a construir enquanto educadores. Eles são no presente, já o futuro da sociedade e da humanidade.
No final deste trabalho, surgiram algumas respostas, inquietações e uma forte motivação para continuar a explorar este tema e, quem sabe, ter-se a ousadia de dar forma a um projeto sobre Inteligência emocional no terreno da educação, com o apoio necessário de quem já domine bem estes conteúdos.