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Discorrer a respeito das práticas do Serviço Social na saúde é reconhecer a relação bastante intensa e histórica, como Martinelli trata o tema e apresenta os relatos da primeira inserção do assistente social na área.

Foi, porém, que o Dr. Richard Cabot criou o primeiro Serviço Social Médico de que se tem noticia, inserindo-o na estrutura organizacional do Hospital Geral de Massachussets (MARTINELLI, 2002, p. 2).

Ainda de acordo com a autora, a aproximação do Serviço Social à Saúde iniciou-se nos Estados Unidos. Antes disso, no ano de 1880, o assistente social realizava visita domiciliar juntamente com a equipe de saúde para o tratamento da tuberculose.

O surgimento e o desenvolvimento do Serviço Social no Brasil na década de 1930, bem como a ação profissional na área da saúde, mostram alguns caminhos semelhantes.

Dessa forma, a mesma autora apresenta que o Serviço Social insere-se no ambiente hospitalar em 1945 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Desde a inauguração, o referido hospital já contava com a participação de assistentes sociais no quadro de funcionários.

Reconhecendo na ação do Serviço Social valioso instrumento tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento médico-social dos pacientes ambulatoriais ou internados, o Dr. Cabot considerou-o indispensável nas equipes de saúde (MARTINELLI, 2002, p. 2).

Com o grande reconhecimento dos diversos profissionais, o assistente social iniciou seu trabalho na saúde, primeiramente em hospitais, com a demanda de construir um elo da instituição com a família e o usuário, visando a garantir o seu tratamento após a alta, conforme Matos (2013, p. 57) contextualiza a história do Serviço Social na saúde.

Para Bravo (2013, p. 92), as ações profissionais, na época, eram: - Visitas pós-alta aos enfermos;

- Verificação das influências das condições de vida, sociais e econômicas nas enfermidades dos pacientes;

- Explicação à família sobre a natureza da enfermidade e orientação sobre as precauções específicas;

- Obtenção de ajuda financeira para o paciente, por meio das organizações sociais, quando havia necessidade;

Mas, a autora diz que a prática do Serviço Social na saúde, no início de sua sistematização, ocorria sem teoria de suporte. Essa prática se dava por meio de visitas domiciliares e de prestação de auxílios aos usuários, conforme descrito acima.

Posteriormente, as intervenções profissionais eram baseadas no atendimento com a metodologia do Serviço Social de Casos, com o referencial funcionalista. Com o avanço das discussões profissionais quanto à metodologia de trabalho, a assistente social passa a se deparar com uma gama de possibilidades de atuação profissional e com novos referenciais teóricos para embasar a sua prática profissional.

Especificamente, a partir da década de 1970, o Serviço Social brasileiro passou por um importante processo de ruptura com o conservadorismo. O

Movimento de Reconceituação contribuiu para os avanços da atuação profissional, com a aproximação à teoria crítica.

Já os anos de 1980/1990 foram períodos de grandes avanços e direcionamentos aos rumos profissionais. Primeiramente, a Constituição Federal de 1988 regulamentou o direito à saúde por meio da Seguridade Social.

Além disso, a profissão avançou nas discussões acerca dos direitos sociais na área da saúde, pois o assistente social passou a desenvolver funções de caráter educativo e preventivo, pondo em questão a concepção apenas curativa e higienista. Desse modo, exige-se, do assistente social, na área da saúde, sintonia com a realidade como articulação com os movimentos sociais, defesa intransigente dos direitos sociais, além de ações criativas nas quais a educação permanente seja alvo do seu trabalho, ou seja, o profissional deve estar em permanente aprendizado para facilitar a compreensão dos fatos sociais e econômicos na sociedade.

Assim, a profissão estará sintonizada com a sociedade e,consequentemente,será capaz de responder às questões emergentes na sociedade.

A partir daí, a profissão de Serviço Social cresceu, aperfeiçoou-se e continua o trajeto na saúde com avanços e desafios postos pela sociedade.

Entre os avanços, destaca-se a legislação do Sistema Único de Saúde – SUS, que traz os preceitos e o direcionamento acerca da política de saúde. Para o assistente social, é de extrema necessidade obter conhecimentos acerca do tema, mas, principalmente, sistematizar a prática profissional de acordo com a referida legislação, sendo necessário, também, realizar a interlocução entre a teoria e a prática profissional para atingir os objetivos profissionais.

Outro avanço considerável na profissão é o planejamento das ações profissionais, não só da prática, mas o planejamento institucional, o planejamento técnico e o planejamento das estratégias profissionais e as pesquisas, com grandes melhorias na área da saúde.

Também na década de 1980/1990, foram implantados, no Brasil, os programas de residências multiprofissionais, nos quais o Serviço Social está incluso. Além da capacitação continuada específica na área da saúde, proporcionam a preparação dos profissionais para enfrentar os novos desafios.

Martinelli (2002, p. 10) diz que os programas de residências multiprofissionais em diversas áreas representam um avanço para a sociedade, pois os maiores

beneficiados são os usuários que recebem os atendimentos de profissionais qualificados por meio de trabalho nas equipes multiprofissionais e interdisciplinares.

Quanto à realização do trabalho em equipes profissionais, Mioto e Nogueira (2007, p. 282) argumentam que:

As ações profissionais do assistente social no campo da saúde, assim como em outros, não ocorrem de forma isolada, mas se articulam em eixos/processos à medida que se diferenciam ou se aproximam entre si, e particularmente na saúde integram o processo coletivo do trabalho em saúde.

Dessa forma, o assistente social, na área da saúde, possui diversas possibilidades de desenvolver um trabalho integrado com os demais profissionais que compõem a equipe de trabalho.

Assim, como veremos a seguir, o profissional dispõe de referências legais e normativos para a efetivação de sua prática profissional.