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6. Sampling

6.5. Implementing Sampling Procedures

A EaD é um campo relativamente novo, vem sendo explorada por disponibilizar uma série de ambientes virtuais e metodologias que integram conteúdos e ao exigir que seus usuários tenham domínio dos recursos advindos das tecnologias da informação, demonstra (mesmo que aparente) que o ensino- aprendizagem acontece de duas formas: a primeira passa a ideia do senso comum, já descrita no início dessa pesquisa – “professores e alunos da EaD são fracos e nada sabem”; a segunda transmite, principalmente aos docentes que atuam nessa modalidade, a noção de que o ensino interdisciplinar ocorre naturalmente, não é preciso forçar nada, pois a autonomia é a base dessa modalidade. Acredita-se que o segundo pensamento está envolto em uma teia de discursos, nos quais autores discorrem, uns contrários aos outros, sobre os conceitos tanto de interdisciplinaridade quanto de autonomia.

Diante disso, procurou-se saber o que efetivamente os professores, em sua prática pedagógica, veem como desafios para desenvolver a pesquisa interdisciplinar na EaD.

Dentre as questões respondidas encontra-se (P5) evidenciando que a

“medida em que os conteúdos das demais disciplinas vão sendo expostos, demonstro aos alunos que elas são importantes para compor o referencial teórico. [...] tento incutir a necessidade de se buscar formas de interação com as demais disciplinas. Entretanto, isto não é por si só, interdisciplinar. Busco a superação da disciplinaridade”.

Não muito distante de (P5), (P6) discorre sobre as aproximações “entre-disciplinas” que procura fazer com seus alunos, para isso se vale de

entrevistas, filmes, discussões entre turmas a fim de que tanto uns quanto outros vejam a necessidade do todo. Por sua vez (P7) evidencia que para acontecer a interdisciplinaridade é necessário que o professor, antes, desenvolva atitudes grupais, pois, assim, a construção do conhecimento poderão atingir o todo e, por sua vez, desenvolver no sujeito o sentido de autonomia.

Tal colocação fez com que se retomasse o segundo conceito a ser investigado neste item, a acepção de autonomia na perspectiva das tecnologias da informação e da comunicação, aplicadas à educação a distância, presentes na prática da pesquisa em EaD no processo transformador.

Entre os respondentes é interessante observar o posicionamento de (P5) que conseguiu sintetizar a ideia de praticamente todos os investigados. Esse professor se reporta à visão de Freire ao indicar que o conhecimento só faz sentido quando conduz o aprendiz à autonomia de seu próprio ser. Complementa seu pensamento afirmando que a prática da pesquisa na EaD procura

“transformar o aluno em ator do seu próprio desenvolvimento, no protagonista de seu futuro e não mais como um mero coadjuvante ou alienado da sociedade [...]”.

Continua sua reflexão, destacando que

“qualquer tipo de ensino deveria, em princípio, buscar a autonomia do ser. Isto exige muita leitura, embora os alunos de EaD leiam pouco, ainda lêem mais do que o aluno do presencial”.

Acredita-se que o desafio enfrentado pelo aluno da EaD fica claro, nas primeiras aulas, quando os docentes orientam que sem a leitura constante e sua própria vontade de superar algumas barreiras, como as aulas reais em ambientes virtuais, não o fazem um excluído no processo de transformação, ao contrário

“o fato de não haver o contato face-a-face não significa que a relação seja impessoal ou fria, o processo dialogal existe, mesmo que fique ainda a desejar”. (P5)

Com isso, continua (P5) indicando que para se chegar à autonomia:

“vale ainda ressaltar que o famoso Relatório Delors, documento publicado no Brasil com o título: “Educação: um tesouro a descobrir”, apresenta a concepção educacional que pressupõe uma definição baseada nos quatro pilares que dão sustentabilidade a qualquer modelo pedagógico: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a conviver. Tudo isto leva à autonomia” (P5).

Chama a atenção nesta pesquisa, a concepção de dois dos entrevistados que, aparentemente, se mostram “confusos” ao indicar que a pesquisa em EaD por si só já exige e é o próprio processo transformador. E ao se posicionar (P4) afirma que

“o aluno na EAD precisa necessariamente ser autônomo. Precisa por si só, aprender a aprender”.

Enquanto (P2) acredita que

“a autonomia é o verdadeiro objetivo da EaD, pois precisa fazer com que o estudante se tornem capazes para resolver seus problemas e suas dúvidas sozinhos”.

Essas “falas” perpassam pela primeira e terceira das dimensões apontadas por Contreras (2002). No primeiro caso, Contreras demonstra a visão limitada do professor que age segundo a racionalidade técnica, enquanto que na terceira concepção, o autor evidencia estar o professor sempre sujeito às imposições de determinados grupos sociais, entre eles o próprio currículo escolar.

Nesse contexto, encontra-se a metodologia aplicada na EaD, pois acredita-se que, geralmente, as mesmas valorizam a exposição de temas sequenciais nos ambientes virtuais de aprendizagem, priorizam o cumprimento dos conteúdos programáticos e as interfaces entre as disciplinas. Frente a essa afirmação, procurou-se saber qual o tipo de pesquisa utilizada na formação pedagógica do educador em EaD.

Surpreendentemente as respostas se fizeram breves e diretas, conforme o indicado por (P7) “Pesquisa qualitativa” ou (P5) que indica a “pesquisa-ação e alguns princípios da linha „aprender a aprender para apreender‟”. (P8) indica utilizar mais as “Pesquisas Exploratórias”.

No entanto, um momento conflitante e polêmico entre os respondentes foi observado; não há um conceito presente do que é tipo de pesquisa, em especial as utilizadas na EaD, pois resposta como a de (P1) é clara nesta pespectiva:

“a pesquisa individual, com buscas textuais em periódicos, internet são bastante utilizadas. O material sob forma de apostila é sempre um referencial, mas, não deve ser adotado de forma exclusiva”.

De modo não muito distante, encontra-se (P4), o qual descreve que utiliza o tipo de

“Pesquisa que parte da nossa própria prática e que está aliada a pesquisa teórica”.

“pesquisa que saí do monopólio do saber para uma construção coletiva do conhecimento, do isolamento individual para os trabalhos em equipes interdisciplinares e, ainda, da autoridade para a parceria”.

As últimas respostas podem indicar uma influência do novo modo de pensar educação, do querer fazer uma educação mais real e mais presente no ensino virtual (EaD), mas podem, também, mostrar o conflito pessoal dos docentes, foco deste estudo, em identificar o significado das mudanças que podem ocorrer na educação, advindas do uso de diferentes tipos de pesquisa.