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O universo compreende todas as pessoas, grupos e objectos que partilham as mesmas características e que são definidas pelos critérios para o estudo. Uma amostra é o sub- conjunto de elementos, retirados da população acessível, i.e., a porção da população que está ao alcance do investigador, que são convidados a participar no estudo (Fortin 2000).

116 Desta forma, nesta dissertação, foi definida uma amostragem não-casual (não probabi- lística), dependente da disponibilidade dos respondentes, visto tratar-se de um conjunto de indivíduos com características particulares, não sendo exequível uma recolha de dados extensa a uma população estatisticamente significativa.

A escolha de uma amostragem não-probabilística prende-se com o facto de não existir outra alternativa viável para o presente estudo, tendo limitações em termos temporais, financeiros, materiais e humanos, necessários para a concretização de uma pesquisa com uma amostra probabilística, realizando-se, como tal, uma pesquisa exploratória em que o objectivo principal é a obtenção de conhecimentos sobre o assunto e gerar as questões em estudo. Esta amostra não-probabilistica é uma amostra por conveniên- cia, pois os inquiridos são indivíduos facilmente disponíveis.

Assim, foram estudados 81 indivíduos, junto a estabelecimentos de óptica, na área da Grande Lisboa, que se encontram numa fase inicial da presbiopia (jovens presbitas) ou já presbitas confirmados (com mais de 45 anos de idade), que era o requisito básico para o questionário.

Realizaram-se os questionários, todos os dias da semana, incluindo fins-de-semana, em horários diversos, entre as 10 horas da manhã e as 19 horas e durante os meses de Agosto de 2007 e Novembro de 2007. Foram escolhidas lojas de rua (Avenida da República e Rossio) com grande afluência e lojas de centros comerciais (C.C. Colom- bo; C. C. Oeiras Parque; C. C. Vasco da Gama). O objectivo desta selecção de horário e localização foi tentar abranger diferentes tipos de consumidor.

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3.4.1. A recolha de dados

Foi efectuado um questionário (ver Anexo 2) aos respondentes, que, além dos dados de identificação, apresentava questões que aferiam atitudes e comportamentos do con- sumidor perante a presbiopia, testando as questões de investigação enunciadas na dissertação.

A recolha de dados, a solicitação de participação e a informação acerca do objecto de estudo foram comunicados, ao respondente, verbalmente, não sendo incluída no ques- tionário, uma vez que era o próprio inquiridor a fazer as perguntas e o registo das res- postas no questionário. Desta forma, conseguia-se ultrapassar alguma dúvida decor- rente da interpretação das questões. O questionário utilizado foi elaborado de forma estruturada contendo perguntas com respostas fechadas, solicitando ao respondente a resposta dentro de uma série de opções pré-determinadas, sendo a aplicação do ques- tionário mais rápida, de menor dificuldade e diminuindo o erro de interpretação, tornan- do, consequentemente, mais fácil o tratamento de dados. Foi utilizada a escala de dife- rencial semântico de 7 pontos em todas as questões, excepto na caracterização demo- gráfica. Foi, também, usada uma escala bipolar (-3 a +3) em algumas perguntas que determinam as crenças comportamentais, tal como sugerido por Ajzen (1991). De acordo com este autor, poder-se-iam, também, utilizar escalas de diferencial semânti- co, mas com escalas bipolares conseguem representar-se as avaliações favoráveis com valores positivos e as desfavoráveis com valores negativos. Não existindo escalas ideais para determinar o peso das crenças e as crenças em si, será razoável admitir que, com a escala bipolar, o valor mais baixo da escala representa uma avaliação negativa, enquanto que o valor mais alto uma positiva (Francis, Eccles, Johnston, Wal- ker, Grimshaw, Foy, Kaner, Smith, e Bonetti 2004b). Desta forma, o resultado obtido

118 indica a direcção da atitude. Assim, o alcance de possíveis pontuações, em que o zero é o valor neutro, é fácil de interpretar.

Antes da aplicação do questionário final, foi elaborado um questionário base, com a finalidade de testar a aplicação prática, compreensão por parte dos respondentes e a sua validade. Foi aplicado um pré-teste a 10 indivíduos, que por conveniência faziam parte do círculo de conhecimentos do autor. De uma forma geral o questionário foi bem compreendido pelos respondentes, pelo que não houve necessidade de reformular perguntas, sendo apenas de destacar que se fizeram alguns ajustes à forma como o entrevistador conduzia o entrevistado, durante o questionário, de forma a tornar claro o objecto de estudo e ajudar, sem interferir, nas respostas. Foi, também, elaborado um levantamento qualitativo, em entrevistas individuais a sete pessoas, duas do sexo feminino e cinco do masculino, com cerca de 30 minutos por entrevistas, de forma a identificar quais os itens que surgem quando se levanta a questão da necessidade de usar óculos de ver ao perto. Estas entrevistas, foram realizadas em horário laboral, durante o mês de Julho de 2007, nos locais onde posteriormente se realizaram os questionários. Estes respondentes encontravam-se na faixa etária dos 40 aos 55 anos. O questionário base, que serviu para evidenciar as crenças salientes dos responden- tes, encontra-se no Anexo 1. Durante a entrevista, era requerido aos entrevistados que respondessem de forma aberta às questões. O Quadro 5 apresenta alguns dos itens mais representativos da análise das entrevistas. Estes resultados serviram de input para a realização do questionário final, tal como referido por Francis et al. (2004a) e Ajzen (1991).

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Quadro 5 – Dados relevantes das entrevistas qualitativas

Questões Respostas

Quais acredita serem as vantagens/desvantagens de usar óculos para ler?

“Útil”; “faz-me parecer velho”; “tenho de andar sempre com eles”; “já consigo enfiar uma linha numa agulha”

Existe mais alguma coisa que associe ao ter de usar óculos de ver ao perto?

“Não consigo ler sem eles”; “mostram a minha idade”; “frustração”; “deixei de ter uma visão per- feita”; sem eles não consigo fazer nada”

O que pensam pessoas próximas de si sobre ter de usar óculos de ver ao perto?

“O meu filho diz que pareço mais velha”; “há quem goste”; “o meu marido diz que me ficam bem”; “dizem que envelheci 10 anos”; “pensam que se vejo mal, devo usar”; “que estou a ficar velho” Indique 3 palavras que associe ao facto de usar

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