1. Introduction
2.4 Presentation of the Interviewed Entrepreneurs
Além dos investimentos tradicionais de PE/VC, também é importante os empreendedores conhecerem duas importantes modalidades para o fi nanciamento de novos negócios, empresas nascentes e projetos empreendedores. Nestas, o empreendedor pode: (i) acessar pessoas com alto patrimônio (high net worth individuals), experiência e espírito empreendedor que podem estar dispostos a apoiá-lo em seu projeto; ou (ii) ser fi nanciado por um grupo de indivíduos para identifi car e adquirir um negócio em um setor onde tenha bastante conhecimento ou uma empresa que ele saiba que tem problemas de gestão e como eles podem ser sanados. São elas, respectivamente, o investimento anjo e a constituição de um search fund.
2.3.2.1. Investidores-Anjo
Os investidores-anjo são, em geral, um grupo de indivíduos com signifi cativo capital disponível, fo- ram ou são executivos de alto escalão ou empreendedores de sucesso com larga experiência executiva, e muitas vezes já passaram eles próprios pelo processo completo de investimento e desinvestimento de
um veículo de PE/VC, e por esta razão podem ser uma excelente fonte de recursos para projetos nascen- tes, que ainda se encontram em uma fase do desenvolvimento onde pouco capital representa um alto impacto no seu amadurecimento. Estes profi ssionais utilizam-se de sua vivência e de suas competências para detectar negócios promissores no mercado que, com o acompanhamento correto, e muitas vezes com uma sequência de rodadas de fi nanciamento, como a entrada posterior de um veículo de PE/VC, podem crescer rápida e substancialmente, gerando retornos elevados para os investidores. Estes anjos contribuem com capital, conhecimento e, acima de tudo, relacionamentos para a empresa investida.
Embora não sejam considerados organizações gestoras, os investidores-anjo são um importante compo- nente da cadeia de valor da indústria de PE/VC, constituindo o elo inicial para os investimentos em empre- sas no estágio de Seed e Startup. Nos Estados Unidos e Canadá, segundo dados de setembro de 2008 da ACA (Angel Capital Association), os 165 grupos de investidores-anjo, totalizando mais de 7.000 membros, investiram em aproximadamente 700 novas empresas por ano, na última década, e possuem atualmente um portfólio mais de 5.000 empresas de capital fechado. A Inglaterra é o país mais maduro da Europa em investimento-anjo e conta com 34 associações e mais de 5.000 investidores. Segundo dados da EBAN (European Business Angel Network), a Europa conta com 297 associações e mais 16.000 investidores-anjo.
Atualmente, existem quatro associações de investidores-anjo constituídas no Brasil: Bahia Anjos (BA), Floripa Angels (SC), Gá- vea Angels (RJ) – a mais antiga, criada em 2002 – e São Paulo Anjos (SP), totalizando 62 associados, 19 profi ssionais de apoio e um capital comprometido de US$ 9 milhões estimado em Junho de 2008, conforme o Gráfi co 2.1. Apesar de essas organizações se apresentarem como tal, cada um dos 62 associados em suas organizações decide in- dividualmente se deseja entrar ou não em uma oportunidade de investimento após as análises e apresentações iniciais em grupo. Desta forma, quando da decisão do inves- timento, estes indivíduos participam direta- mente no capital das empresas seleciona- das. Não existe uma entidade investidora que represente toda a associação como é o
caso das organizações gestoras de PE/VC. Gráfi co 2.1 – Capital Comprometido nas Associações de Investidores-Anjos (Em US$ milhões)17
Algumas novas iniciativas estão surgindo no país no bojo de importantes políticas públicas para desenvolvimento de mais redes de investidores-anjo. A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e a ABDI vêm discutindo e desenvolvendo formas de apoio do Governo Federal no fomento dessa indústria no Brasil. O valor típico dos investimentos dos investidores-anjo no Brasil varia de US$ 50mil a US$ 500mil por empresa, podendo chegar a US$ 1 milhão. Em Junho de 2008, apenas quatro empresas figuravam como investimentos de investidores-anjo ligadas a associações brasi- leiras.18
De acordo com Botelho (2005)19, o investidor-anjo pode desempenhar um importante papel trans-
formando a cultura de negócios no Brasil ao assumir riscos calculados, ao dividir sua experiência com empreendedores que moldarão a trajetória empresarial do século XXI e, o mais importante, ao criar valor a partir do conhecimento.
O Desafi o Brasil, competição de novos negócios criada e liderada pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-EAESP), reuniu, desde 2006, cerca de 350 participantes que submeteram seus planos de negócio à apreciação de avaliadores. O objetivo do projeto é auxiliar o processo de desenvolvimento de empreendimentos com foco em tecnologia e inovação, para que, ao fi nal do processo, os vencedores ten- ham condições de procurar fi nanciamento no mercado com mais possibilidade de sucesso.
Em sua edição de 2009, o Desafi o Brasil inovou ao desenvolver parceria direta com as associações de investi- dores-anjo que, durante o processo de orientação, puderam avaliar criticamente os projetos em desenvolvim- ento para torná-los ainda mais adequados à obtenção de fi nanciamento desta modalidade.
A rede social do Desafi o Brasil é uma rica fonte de informações sobre todo o processo de levantamento de recursos para um empreendedor, incluindo a construção de um plano de negócio em todas as suas etapas e, também, de como ocorre o contato dos empreendedores com possíveis investidores em suas empresas, as perguntas críticas que o empreendedor deve responder, as sessões de orientação (mentoring) dos investidores para a formatação dos negócios dos empreendedores, e exemplos de vídeos com todo esse conteúdo. Acesse o conteúdo em: http://www.desafi obrasil2010.com/
Quadro 2.1 – Investidores-anjo e o Desafi o Brasil
Fonte: GVcepe
2.3.2.2. Search Fund
Um search fund (fundo de busca, em uma tradução literal) é uma modalidade de implantação de projetos empreendedores em que indivíduos (usualmente dois) obtêm o comprometimento de recursos para fi nanciar um pequeno escritório, pesquisas e viagens e identifi car oportunidades (eles se dedicam a busca ou search) e apresentar as selecionadas a um grupo de investidores que bancou este custo fi xo inicial da busca e que inves- tirá, caso aprovada, na oportunidade selecionada pelos gestores do search fund. Este capital inicial aportado pelos investidores que suportam o search fund não toma a forma de um veículo clássico de PE/VC, e muitas
vezes não chega nem a ser aportado mas sim comprometido através de acordo verbal ou de memorando de entendimentos, de forma que o investidor vai liberando recursos de maneira gradual e escalonada, à medida que o time de gestão busca as oportunidades.
Nos Estados Unidos, o search fund é em geral uma modalidade em que um recém graduado ou pós-graduado de escolas de negócios (MBA) levanta um capital mínimo com investidores apenas para cobrir os custos fi xos, inclusive uma modesta remuneração, enquanto buscam uma companhia privada para aquisição com as características e do setor previamente acordado com o investidor. Aos investidores iniciais do search fund é garantido o direito de investir a termos atrativos na rodada seguinte de fi nanciamento da aquisição do negócio. O ciclo de vida de um search fund inclui quatro estágios: captação de recursos (fundraising), procura e aquisição da oportunidade (search), operação do negócio (operating) e saída do investimento (exit). Todavia, os search funds são utilizados primeiramente para fi nanciar o estágio de procura: identifi cação de um negócio, avaliação e negociação das aquisições (daí o nome de search fund). O capital deste veículo é tipicamente levantado junto aos investidores que contribuíram inicialmente, podendo estender a oportunidade a outros investidores, dependendo dos acordos entre as partes.
Os motivos para o sucesso desta modalidade de investimento são principalmente: (i) oferecer a pro- fi ssionais relativamente inexperientes e com recursos limitados um caminho rápido para serem donos e gestores de pequenos negócios, sob orientação de um investidor mais experiente; (ii) gerar retornos fi nanceiros signifi cativos para um pequeno, mas crescente, número de investidores com experiência e capital para avaliar e investir, mas sem a energia necessária para conduzir o dia a dia da operação in- vestida, a qual fi cará a cargo dos jovens responsáveis pelo search fund.
Apesar dos benefícios citados, há poucos search funds levantados a cada ano. A razão para que isso ocorra é que os salários oferecidos por outros potenciais empregadores aos bons profi ssionais recém graduados ou pós-graduados são altos, principalmente quando é levado em conta o pacote de benefí- cios, e a motivação empreendedora deste jovem deve ser muito alta para não ceder à tentação destes atrativos pacotes fi xos como funcionário de grandes empresas, bancos e consultorias.
Nos search funds, assim como na indústria de PE/VC, em geral, o maior retorno do projeto se dá no momento do desinvestimento.
2.4. O Ciclo de PE/VC
A partir de sua constituição, a organização gestora entra no ciclo da indústria de PE/VC que é composto por: captação de recursos (fundraising) para um primeiro fundo de PE/VC, originação e seleção do fl uxo de oportuni- dades (deal fl ow), negociação e estruturação de investimentos (investment), monitoramento e acompanhamento das empresas do portfólio (monitoring) e saída (exit) dos investimentos realizados com recursos do fundo.