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Presentasjon og analyse av Brastad-materiale fra Saltstraum-området

SALTSTRAOM-LOICALITETENE

5.2. S. Oppsummering av jamføringa av typologiske element i preboreale funn fra Nord-Norge

5.3.1. Presentasjon og analyse av Brastad-materiale fra Saltstraum-området

A primeira reunião do ano coincide com a chegada de um novo comandante na 17ª CPM. Todos os participantes apresentam-se a ele, que, em seguida, também se apresenta, falando de dificuldades em termos de escassez de recursos humanos e logísticos, num discurso que será mantido, em todas as demais reuniões observadas, pelos representantes da PMMG no Consep. Ele queixa-se dos governantes, observando que “do Estado não é preciso esperar nada”. Explica que se empenhará na solução do problema do Bairro Serrano, que não deveria

pertencer à 17ª CPM, pois seu antecessor, “que tem facilidade com o geoprocessamento”, acha melhor que fique na 9a CPM, pois, além de ser distante, “o lugar não é flor que se cheire”.

Pelos dados coletados na entrevista individual pode-se dizer que, ao falar da facilidade de seu antecessor com as IEG, o atual comandante da PM está, indiretamente, referindo-se à sua própria dificuldade. Na seqüência das reuniões verifica-se que essa limitação vai interferir na evolução das discussões do Consep e, até mesmo, na interação do comandante com os conselheiros representantes da comunidade. Pressionado a trazer as IEG sobre as ocorrências policiais na região, inclusive pela Secretaria de Defesa Social (SEDS) nas reuniões das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP)31, ele chegou a substituir um de seus assessores e, só depois disso, pôde trazer esse conjunto de informações e gráficos para as reuniões.

Alegando a necessidade de uma renovação, “já que muitos moradores nem sabem o que é o Consep”, o Pcom 09 comunicou que estava se desligando do cargo de secretário. Ele levantou dois assuntos na reunião: a prisão de pessoas, muitas vezes honestas, por porte ilegal de armas e a ocupação de uma área do condomínio onde reside por moradores de rua.

No primeiro caso, o delegado esclareceu o episódio, dizendo-lhe que a PM havia sido chamada porque um agente penitenciário estava andando, ostensivamente, no interior de um shopping center, com uma arma particular e sem registro. Ele disse que “nesse caso é cana mesmo”. O Pcom 09 agradeceu e pareceu aceitar os esclarecimentos.

No segundo, ele queixou-se de pessoas, “inclusive um carroceiro, que a prefeitura cadastrou”, que ocuparam uma área vaga do Conjunto Santa Terezinha, onde ele mora, que “a prefeitura não deixa cercar”. O presidente do conselho o fez lembrar-se de que o representante da prefeitura já lhe havia pedido que encaminhasse o problema por escrito à Administração Regional da Prefeitura de Belo Horizonte (AR-PMBH), esclarecendo, entretanto, que o terreno é da comunidade, e não do conjunto. O Pcom 09 alegou que jogaram pedra na janela de um morador do conjunto, e o presidente do Consep respondeu-lhe: “Porque

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As AISP ou Áreas Integradas de Segurança Pública começaram a funcionar durante a pesquisa. São áreas geográficas que dividem a cidade, fazendo coincidir as jurisdições da PMMG e da Polícia Civil de forma a obter um trabalho mais coordenado e cooperativo das duas instituições. Ao Consep 17 corresponde atualmente a AISP 23, integrada pela 17a CPM e pela 16a Delegacia Distrital.

são covardes e covarde tem que levar pau, porque já chamei para se organizarem e tiveram medo. O conjunto é o coração do bairro e se o conjunto se organiza o bairro segue”.

O Pcom 08 comentou que as pessoas não podiam pensar apenas em si mesmas, e o delegado complementou explicando que “quando todos conversam, a criminalidade é menor” e que “em bairros novos, onde as pessoas não se conhecem, os níveis aumentam, pois a comunidade não fez laços de amizade”, concluindo: “onde não há participação comunitária a criminalidade é maior”.

Passou-se a discutir os rumores de que alguns traficantes de drogas teriam dado ordens para que o comércio não abrisse, o que assustou a comunidade do bairro, fazendo com que muitos alunos não fossem à escola naquele dia. Verdadeira ou falsa, a informação ou rumor, que tomou forma de uma notícia, circulou pelo bairro e teve seus efeitos. No Consep, entretanto, foi discutida, interpretada e elaborada pelo grupo, com auxílio das autoridades, de maneira tal que o medo diminuiu, chegando-se à conclusão de que, muito provavelmente, se tratava apenas de um boato.

O delegado explicou que “o sucesso da operação policial exige sigilo” e que “haverá uma operação integrada para diminuir isso aí”. Prosseguiu dizendo que o grande trunfo do mentiroso é justamente fazer com que acreditem na mentira dele. Observou que não se pode dar credibilidade a essas notícias, pois corre-se o risco de aumentar o nível de insegurança. Esclareceu, finalmente, que acionou viaturas descaracterizadas e que já existe um trabalho investigativo em curso, com o qual “a comunidade pode colaborar prestando informações”.

Nesse episódio, observa-se a estreita relação entre a informação e o contexto onde ela ocorre, pois, mesmo mantendo sigilo sobre informações acerca das operações em curso, ou seja, aparentemente negando informações, o delegado conseguiu dar uma resposta às questões levantadas, de um modo satisfatório. Isso quer dizer que é possível informar sem entrar em detalhes sigilosos e é o contexto que vai possibilitar a prestação de uma informação, mesmo com omissão de outra que, compreensivelmente, contextualmente, deve ser preservada. Quase sempre, o delegado procurava colocar-se de uma maneira pedagógica e educativa nas reuniões. Ele mostrava paciência, confiança e firmeza nesse tipo de esforço explicativo, usando sua autoridade/credibilidade (capital simbólico) e aproveitando as situações para reforçar a necessidade de estreitamento de laços entre os moradores da região. Ele usou o

contexto para reforçar informações e transmitir seus conhecimentos e suas convicções sobre a segurança pública, chamando a comunidade à participação.

Pode-se dizer, então, de uma “atitude informacional” básica: ele assume, preferencialmente, a tarefa de prover informações e vê o Consep, principalmente, como um receptor/usuário de informações, ao contrário dos representantes da PMMG que tendem a adotar, como poderá ser visto, uma postura de buscar informações, indicativa de que vêem o Consep, preferencialmente, como uma fonte de informações.

O presidente do Consep disse aos conselheiros que se recusou a dar entrevistas à imprensa sobre o assunto porque não participa de “fofocas”. Para ele, a notícia partiu de “uma meia dúzia de pessoas que querem infernizar a vida do bairro”. Relatou ainda que um morador, que foi até à polícia para informar sobre o “toque de recolher”, só soube dizer que “foi uma dona da escola” que lhe havia dito. Ou seja, não dispunha de informações. Para ele, no entanto, um morador que concedeu uma entrevista ao jornal sobre o assunto disse “muito bem”: “aqui não é uma favela, é um bairro”.

O Pcom 05 perguntou ao comandante sobre a possibilidade do uso de câmaras (olho vivo) eletrônicas para auxiliar a vigilância na região. O comandante respondeu que são muito caras e que as iniciativas que vêm sendo desenvolvidas em Belo Horizonte têm sido financiadas pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL). Complementou dizendo que, além disso, o secretário-adjunto quer estender esse serviço ao interior, havendo nisso todo um viés político-eleitoreiro. Ele, no entanto, achava que deveria começar pelos bairros de Belo Horizonte, mas, nesse caso, vai ser necessário captar recursos alternativos, ou seja, da comunidade.

É interessante notar que o termo político será, quase que exclusivamente, utilizado nas reuniões do Consep e, até mesmo na fala dos entrevistados, para referir-se a um viés. O termo assumirá uma conotação sempre pejorativa, ligada a desvio, politicagem interesseira, astuciosa, eleitoreira, e nunca em sentido mais elevado como, por exemplo, arte de bem governar, conjunto de objetivos que guiam as ações de governo ou como uma estratégia salutar de negociação e trabalho.

O Pcom 04 observou, em tom de agradecimento que, quando “apertaram” o policiamento no Bairro Santa Terezinha, os agressores passaram a agir no Bairro Bandeirantes II e, por isso, pediu para que o policiamento ostensivo fosse melhorado “no lado de lá”. O pedido foi atendido. O Pcom 07 informou que jovens estão tomando cerveja até de madrugada num barzinho conhecido do Bairro Santa Terezinha e aconselhou à polícia ir até lá para conversar com o dono do bar.

São essas pequenas informações que parecem sustentar o Consep e animar as pessoas. Com apoio das entrevistas individuais pode-se dizer que elas são úteis para o policiamento e fazem os moradores sentirem-se importantes para sua comunidade. Provavelmente é a esse tipo de informação que o comandante se refere quando diz na sua entrevista individual:

Em verdade, o morador reivindica segurança de uma maneira geral. O morador não faz sugestões de ordem tática. O que é que eu chamo de sugestões de ordem tática? O morador, normalmente, não diz quantos policiais militares serão necessários para serem lançados naquele local. (...) o que ele reivindica, em síntese, é a expressão de serviço de segurança pública de qualidade. Então, sob este prisma, a informação dele é importante para que eu, como comandante de companhia e sob o ângulo da polícia comunitária, consiga alocar o meu recurso de maneira mais apropriada, seja satisfazendo quem é o meu cliente, seja atendendo a minha percepção tática (Pmil 01).

No relato pode-se perceber um momento no qual a PM assume na reunião um papel de receptora de informações da comunidade. A passagem ilustra como a “informação em movimento” pode ser caracterizada como comunicação da experiência concreta de vida no bairro. Ela é construída a partir de uma subjetividade e de uma cultura local. O Pcom 07, que trabalha no posto de saúde e na creche comunitária, identifica situações de risco potencial de uma perspectiva que reflete as preocupações das mães. Ao trazer, portanto, essa informação incorpora outros olhares e atende a diferentes demandas. A comunidade, através de alguns membros do Consep, pode, então, comunicar à PM suas experiências, sentimentos, anseios, confiando em algum tipo de ação por parte da autoridade policial. Esta, por sua vez, pela contribuição do Consep, tem a oportunidade de aliar à sua técnica o sentimento da população.

6.1.2 Segunda reunião ou diversidade, movimento, acúmulo e rejeição de informações: