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Presentasjon av sjanger

A questão de alcançar o Alinhamento entre o Negócio e as TI3 foi primeiramente

documentada nos finais dos anos 70 e esteve no Top 10 dos problemas de gestão das TI desde

3 Na literatura utiliza-se os termos Alinhamento entre o Negócio e as TI, sendo que neste trabalho se vai assumir

que o Alinhamento entre o Negócio e as TI se designa também por Alinhamento de SI. 83% 11% Alinhamento Impacto % de n.º de respostas

1980 até ao ano de 1994, como documentado pela SIM.4 Desde 1994, tem sido a questão

número 1 ou número 2. Todos os anos é realizado um levantamento a organizações sediadas nos EUA que tem classificado o Alinhamento de SI entre as 10 principais preocupações durante vários anos consecutivos, movendo-se da terceira posição em 2010 de volta para a primeira posição em 2011 [Luftman e Ben-Zvi 2011, p. 204], como se pode observar na Tabela 2.

Tabela 2 – Top 10 das Preocupações em GSI entre 2003 e 2011 Adaptado de Luftman e Ben-Zvi [2011, p. 204]

Preocupações da GSI 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Alinhamento entre o negócio e as TI 1 1 1 1 2 1 2 3 1 Agilidade de negócio e velocidade de comercialização 7 5 7 17 13 3 2 2 Reengenharia de processos de negócio 10 10 5 11 15 18 4 5 3 Produtividade de negócio e redução de custos 4 7 1 1 4 Planeamento estratégico de TI 2 4 4 4 8 3 7 6 5 Confiança e eficiência de TI 8 6 4 6 Arquitetura empresarial 8 9 15 15 33 11 11 13 7 Privacidade e segurança 3 3 2 3 6 8 9 9 8 Receita gerada pelas inovações de TI 17 8 7 9 Redução de custo de TI 4 7 5 8 10

Nota: Células com dados em branco indicam que a questão não foi abordada no levantamento ou não foi selecionada

Como pode ser observado na Tabela 3, o alinhamento foi também classificado como uma preocupação principal da Gestão em 2003 e 2004, enquanto que foi classificado em 9º em 1994, 7º em 1990, 5º em 1986 e 7º em 1983. Estes indicadores reforçam então que a questão do alinhamento tem permanecido importante ao longo das duas últimas décadas [Chan e Reich 2007, p. 298].

Também Luftman, em 2003, referiu os resultados de um inquérito que inclui mais de 300 CIOs5 e CEOs6 que revelou a questão do Alinhamento de SI como a prioridade número 1, como

se pode observar na Tabela 3 [Luftman 2003a, p. 1,2].

Tabela 3 – Top 10 das Preocupações de Gestão Adaptado de Luftman [2003a, p. 1]

Posição Preocupações de Gestão

1 Alinhamento entre o negócio e as TI

2 Planeamento estratégico de TI

3 Privacidade e Segurança

4 Atrair, desenvolver e reter profissionais de TI

5 Medir o valor dos investimentos de TI

6 Medir o desempenho da função de TI

7 Velocidade e agilidade

8 Criar uma arquitetura de informação

9 Reduzir a complexidade

10 Reengenharia dos processos de negócio

Ao longo dos últimos anos, os gestores de SI têm-se preocupado com o alinhamento na expetativa que alcançá-lo poderá influenciar positivamente o desempenho do negócio [Belfo e Sousa 2012, p. 1]. Consequentemente, os resultados suportam as proposições de que as organizações que alinham de forma bem-sucedida a sua estratégia do negócio com a sua estratégia de TI vão, então, superar aquelas que não o fazem. Ou seja, o alinhamento leva a uma utilização mais estratégica e focada das TI, que por sua vez, leva a um maior desempenho [Chan et al. 2006, p. 30].

Segundo Belfo e Sousa [2012, p. 1], expressões como ―alinhamento estratégico‖ [Chan et al. 2006; Henderson e Venkatraman 1993], ―ajuste estratégico‖ ou ―integração funcional‖ [Henderson e Venkatraman 1993] e ―alinhamento de SI‖ [Benbya e McKelvey 2006] ou ―alinhamento de TI‖ [Chan e Reich 2007, p. 300; Henderson e Venkatraman 1993] têm sido

5 CIO – Chief Information Officer 6 CEO – Chief Executive Officer

utilizados relativamente ao conceito de alinhamento. Sauer e Yetton [1997] mencionaram que uma das formas de alinhamento tem que ver com as TI a serem geridas tendo em consideração que a missão, objetivos e planos contidos na estratégia do negócio são partilhados e suportados pela estratégia de TI. De forma semelhante, Reich e Benbasat [1996, p. 56] observaram o Alinhamento de SI como a medição de quanto a ―missão, objetivos e planos de TI suportam e são suportados pela missão, objetivos e planos do negócio‖.

Já em 1993, Venkatraman et al. [1993] entendiam que o alinhamento é o grau de ajuste e integração entre a estratégia do negócio, estratégia de TI, infraestrutura do negócio e infraestrutura de TI. Anos mais tarde, Campbell [2005] referiu que o ―alinhamento é o negócio e as TI a trabalharem juntamente para alcançarem uma meta comum‖. De forma semelhante, Chan e Reich [2007, p. 300] referem que existem autores que descrevem o alinhamento utilizando uma analogia com o verbo ―remar‖: ―o alinhamento estratégico é então, quando toda a gente rema na mesma direção‖.

De uma forma mais pormenorizada, Luftman [2000; 2003b, p. 3] referiu que o alinhamento evolui para uma relação onde a função de TI7 e outras funções do negócio adaptam

as suas estratégias juntamente, onde o alcançar do alinhamento é algo de evolutivo e dinâmico que necessita de um forte apoio da gestão de topo, bem como, boas relações de trabalho, forte liderança, estabelecimento apropriado de prioridades, confiança e comunicação eficaz. Outro dos requisitos para alcançar o alinhamento é possuir uma exaustiva compreensão dos ambientes do negócio e ambientes técnicos. Alcançar e manter o alinhamento (entende-se aqui manter de forma continuada) exige focar-se na maximização dos enablers (facilitadores) e minimização dos inhibitors (inibidores) que afetam o alinhamento [Luftman et al. 1999].

No trabalho de Chan e Reich [2007, p. 300] é indicado que muitas das perspetivas não referem visões, estratégias e planos, estruturas essas que são mencionadas em muitas definições académicas de alinhamento, mas o seu significado é claro. No entanto, Bergeron et al. [2004] e Chan et al. [1997] referem que em vez de uma concetualização bivariada de Alinhamento de SI, abordando somente um tipo de alinhamento, a natureza complexa e interrelacionada das relações entre os constructos requer uma abordagem holística. Salienta-se, então, que devido a esta natureza complexa e interrelacionada, a motivação inicial para o alinhamento surgiu, nos princípios dos anos 80, de um foco sob o planeamento estratégico do negócio e um planeamento de TI de longo prazo. De uma perspetiva do negócio, o planeamento

foi caracterizado como um processo top-down e bottom-up, e os planos departamentais (por exemplo, os de TI) foram criados no apoio às estratégias organizacionais. De uma perspetiva de TI, as decisões no hardware e software tiveram tantas implicações de longo prazo que amarra- las aos planos atuais e futuros da unidade organizacional foi uma necessidade prática [Chan e Reich 2007, p. 298].

Reich e Benbasat [1996] observaram a notória falta de coerência da literatura quanto às entidades a alinhar. O reconhecimento progressivo da importância do papel desempenhado pelo Sistema de Informação no apoio à atividade organizacional levou ao aparecimento de métodos de planeamento cuja principal finalidade é assegurar o alinhamento do Sistema de Informação com a organização, sendo na maioria desses métodos o alinhamento operacionalizado através da derivação da estratégia e planos do Sistema de Informação a partir da estratégia e planos do negócio [de Sá-Soares 1998, p. 50].

De facto, não existe uma forma concreta, total e completa de definir o alinhamento. Belfo e Sousa [2012, p. 2] referiram estas várias preocupações quando observam que ―(…) dimensão, critério, categoria, domínio, fator, antecedente, enabler ou inhibitor, é relativamente consensual que o alinhamento de SI tem muitas facetas‖. As questões de integração funcional ou níveis mais estratégicos derivados para níveis mais operacionais, são abordados na literatura do alinhamento de SI. Um dos aspetos comuns do alinhamento é que o mesmo necessita de ser compreendido no desempenho geral do negócio da organização como um resultado do próprio PSI.

Devido a esta falta de coerência na concretização de uma definição do conceito que englobe as suas várias facetas e para melhor se compreender o conceito de alinhamento de SI, vai-se explicitar, de seguida, definições concretas do termo alinhamento presentes em dicionários de referência com o intuito de se realizar uma análise comparativa com o conceito de alinhamento de SI.

Tendo em conta a origem do termo alinhamento, que data dos finais do século XVIII, do francês alignement, derivada do verbo aligner, a primeira pesquisa efetuada sobre o termo alinhamento no dicionário on-line da Porto Editora (Infopedia) [Porto Editora 2012], este é designado como ―ato ou efeito de alinhar‖, ―direção daquilo que se prolonga em fileira‖, ―direção do eixo de uma estrada, canal‖. Porém, existem ainda duas outras definições de alinhamento, provenientes da Mecânica e da Arquitetura que dizem, respetivamente, o seguinte:

―operação de verificação e correção de paralelismo das rodas‖ e ―acerto dos pontos de um terreno ou de uma construção relativamente a uma linha reta‖.

Estas duas últimas definições do termo alinhamento abordam aspetos mais ―físicos‖, mas muito pertinentes no presente contexto. De facto, depreende-se da primeira definição, ―ato ou efeito de alinhar‖, que é necessário abordar o verbo alinhar de modo a que a definição de alinhamento seja totalmente compreendida. De finais do século XVII, do francês aligner, que significa ―em linha‖ e do mesmo dicionário on-line da Porto Editora (Infopedia) [Porto Editora 2012], o verbo alinhar significa ―dispor em linha reta‖, ―marcar o alinhamento de‖. Uma vez mais, uma das definições está relacionada com Mecânica, onde se refere que alinhamento é ―corrigir o paralelismo das rodas de um veículo‖. Na verdade, é interessante mais uma vez observar uma definição mais ―física‖ que neste contexto se mostra bastante pertinente. Outra das definições para o verbo alinhar, reside no facto de o mesmo poder ser interpretado em sentido figurado, ou seja, ―pôr-se no bom caminho‖.

De acordo com as definições do termo alinhamento citadas que se relacionam com Mecânica, metaforicamente assumindo que cada uma das rodas dos veículos seria, respetivamente, o negócio e os SI, pode-se afirmar que a estratégia e planos do negócio terá como paralelo uma outra ―roda‖ constituída pela estratégia e planos de SI. Ou seja, o alinhamento seria operacionalizado através da derivação da estratégia e planos de SI a partir da estratégia e planos do negócio.

Na verdade, assumindo a metáfora do paralelismo das rodas de um veículo para o alinhamento, constrói-se mentalmente uma imagem da verificação e correção do paralelismo das rodas, ou seja, verificação e correção do paralelismo entre a estratégia e planos do negócio e a estratégia e planos de SI. Assume-se, portanto, que corrigir e verificar estão subjacentes ao alinhamento, perspetivando-se uma verificação e correção, que permite assumir que no ―paralelismo das rodas‖ poderá existir desalinhamento. A orquestração das componentes e realidades do sistema tem que considerar a perspetiva do desalinhamento para consequente verificação e correção, diminuindo esse mesmo grau de desalinhamento.

Observou-se, também, a definição do termo alinhamento no Oxford Dictionaries Online [OUP 2012] pretendendo-se analisar uma das definições que refere que o termo alinhamento é uma ―posição de acordo ou aliança‖, onde se salienta o exemplo da ―natureza incerta dos alinhamentos políticos‖. Esta natureza incerta dos alinhamentos políticos encaixa perfeitamente nas ideias chaves que fazem parte do conceito de Alinhamento de SI. A volatilidade das

estratégias, dos objetivos e dos planos organizacionais (tanto de negócio como de SI) é substancial e a mudança tem que ser encarada como algo necessário, que aporta valor e não como algo catastrófico e devastador. Na subsecção 2.1.2 foi realçada a relevância da política nas organizações e como esta afeta o estabelecimento de objetivos e de estratégias destruindo o mito da racionalidade organizacional, ou seja, o mito de uma gestão racional e eficiente, sem interferências e movimentações de interesses, conflitos e lutas de poder que dão forma às atividades organizacionais.

Keen [1981, p. 24] refere que as organizações são complexas e que a mudança é incremental e evolutiva, na qual são evitados e resistidos ―grandes passos‖. Os dados (nas organizações) não são meramente produtos intelectuais, mas sim um recurso político (daí a importância politica no Alinhamento de SI), no qual a sua partilha através de novos SI afeta o interesse de grupos particulares. Keen [1981, p. 31] menciona ainda que o argumento central dos SI é a politica, por vezes, bem maior, que a natureza técnica. A política é o processo onde se alcançam compromissos, ou se constrói algum tipo de apoio, ou se cria momentum para a mudança. Hofstede [1978, p. 459] refere que a essência das situações não cibernéticas é que as mesmas são políticas, pois são decisões baseadas na negociação e julgamento, lidando sobretudo com políticas que possuem valores e normas (e não somente elementos racionais) que são partilhadas por grupos e que variam ao longo do tempo. Isto reforça a natureza incerta dos alinhamentos políticos, pelo que uma das preocupações no alinhamento de SI será a natureza política das organizações e a forma dessa natureza operar.

Do mesmo dicionário Oxford Dictionaries Online [OUP 2012], observou-se o verbo alinhar, sobressaindo a definição ―fornecer apoio a uma pessoa, organização, ou causa‖. De facto, alinhar os SI é fornecer o devido apoio à organização, tanto da perspetiva do negócio como da perspetiva de SI, ou seja, colocar a estratégia e planos do negócio a nortear a estratégia e planos de SI. Portanto, afirma-se que alinhar os SI é colocar a estratégia e planos de SI a suportar a organização e os seus propósitos.

O termo alinhamento foi também observado no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa [ACL 2001, p. 175], onde é perspetivado de várias maneiras. A perspetiva que está mais enquadrada no contexto deste trabalho é definida como ―modo de agir, situando-se em consonância com uma ideologia, um sistema, um grupo….‖. A condição política (de seguimento, de conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões, orientando para suas ações sociais, mas principalmente políticas, onde pelo meio de

persuasão ou dissuasão, se aliena a consciência humana) presente nesta definição do termo alinhamento é, mais uma vez, essencial para compreender o fenómeno do alinhamento de SI. Ou seja, tal como referido anteriormente, a política é o processo onde se alcançam compromissos [Keen 1981, p. 31] e a condição mais importante nos SI é a natureza política que está inerente às pessoas presentes nas organizações [Keen 1981].

Por último, foi observado o termo alinhamento consultando o dicionário do IEEE8 [1997,

p. 23] que define o termo alinhamento como tendo que ver com a atividade de transmissão de dados. Define mais propriamente o termo alinhamento como ―processo de ajuste da pluralidade de componentes do sistema para a inter-relação apropriada‖. O processo de ajuste referido anteriormente poderá ser uma das melhores formas para se perceber o fenómeno do Alinhamento de SI. A sua importância para as organizações está presente nos estudos referidos anteriormente que mostram que o Alinhamento de SI é o problema principal das mesmas e que a sua gestão tem que ser abordada, não somente numa perspetiva técnica, sem uma visão do todo, mas de forma abrangente. Não se pode abordar a questão do alinhamento perspetivando a sua avaliação como algo concreto e firme. Quando se refere o ―processo de ajuste da pluralidade de componentes do sistema‖, depreende-se daqui que sistema, se poderá definir como Sistema de Informação e que o processo de ajuste dos componentes pressupõe a condição de alinhamento na medida em que esse ajuste seja, então, efetivado, tendo em conta que a pluralidade é o fator principal a ser compreendido para que esse processo de ajuste tenha sucesso. O processo de ajuste engloba a mudança que é necessária ocorrer nas organizações, e portanto considera-se importante que a condição política necessária designada de alinhamento não seja um fim em si mesmo, visto que o negócio incorpora sempre mudança, tornando-se por isso um processo cíclico e iterativo na vida das organizações.

Ou seja, assume-se no contexto deste trabalho que alinhar não é o mesmo que ajustar, mas que ajustar pressupõe alinhar. Daqui sobressaem dois conceitos, nomeadamente, alinhamento e ajustamento que se diferenciam, na medida em que o alinhamento é a condição necessária para que o processo de ajuste à mudança possa ocorrer e tenha como resultado o ajustamento do Sistema de Informação da organização.

A pluralidade dos SI foi reconhecida por Belfo e Sousa [2012], quando referem que a característica multidisciplinar dos SI requer que o problema do alinhamento seja interpretado de uma forma multifacetada e holística devido à sua complexidade e contingencialidade, que por

definição é algo que não tem proposições verdadeiras ou falsas. A pluralidade dos SI remete, mais uma vez, para a condição política, pois o número de atores envolvidos na definição dos SI nas organizações é variado, os quais possuem perceções, perspetivas e interesses diferentes, tornando o alinhamento de SI volátil e não determinista. As metáforas presentes na subsecção 2.1.2 sobre a GSI salientam estas várias perceções e perspetivas, tendo que possuir os gestores de SI responsabilidades e competências para as gerir da melhor maneira e com o interesse organizacional e ―público‖ como finalidade primordial.

Da análise comparativa realizada entre o conceito de alinhamento de SI e o termo alinhamento é confirmada a falta de coerência do que é necessário alinhar, porque a própria palavra alinhamento pressupõe uma relação de concordância entre entidades [de Sá-Soares 1998, p. 49]. Ou seja, as várias facetas do alinhamento tornam difícil a sua caracterização. Da definição do conceito presente na literatura assume-se que o mesmo é operacionalizado através da derivação da estratégia e planos do Sistema de Informação a partir da estratégia e planos do negócio. Isto pressupõe um método de planeamento cuja principal finalidade é o alinhamento de SI, o qual é operacionalizado da forma que foi referida, mas o método de planeamento não conduz ao alinhamento per si. No alinhamento de SI atuam várias variáveis, nem sempre definiveis, o que reflete a falta de coerência do conceito de alinhamento de SI presente na literatura. A ideia de que essa falta de coerência será, provavelmente, por falta de método de planeamento é falaciosa visto que como já foi referido, por si só, o método de planeamento não decreta definitivamente o alinhamento.

Segundo de Sá-Soares [1998, p. 53], uma das mensagens veiculada pela literatura sobre o planeamento é a de que um clima de atividade política perturba o mundo organizado do planeamento. O planeamento é apresentado como um exercício apolítico e objetivo que é minado por interesses individuais através da confrontação e conflito. No entanto, a utilização do planeamento introduz, implicitamente, um desvio a favor da mudança incremental, de estratégias genéricas e de metas que podem ser quantificadas. Poderá, assim, gerar resistência política por parte daqueles que defendem mudanças revolucionárias, estratégias criativas ou projetos inovadores. Ou seja, o estabelecimento dos objetivos da organização, as relações entre os planeadores e os gestores de linha que fazem parte do planeamento, podem provocar muita atividade politica, entre os que valorizam a análise e os que valorizam a intuição.

Considera-se, então, que as políticas podem ser definidas como a prossecução de interesses diante recursos escassos, sendo que essa atividade política é caracterizada pelo

conflito que resulta da competição de tais recursos e a resolução de tais conflitos pode ser caracterizado pela negociação e compromisso de acordo com um equilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Existe, portanto, uma dualidade entre intuição e análise, sendo que a gestão pode ser definida como uma atividade ―correta do cérebro‖, pressupondo que as decisões suportadas por análises são defensáveis mesmo que erradas, enquanto que a intuição é inadmissível mesmo que exata [Drummond 1996]. É importante salientar que não são as análises mas sim as politicas que determinam quais são os riscos, ou seja, os gestores de projeto ou até mesmo os gestores de SI, necessitam de ―sensibilidade politica bem como de conhecimentos técnicos‖ [Drummond 1996]. A informação dos decisores não se torna tão importante quanto os limites da sua informação e o potencial da sua intuição, realçando o paradoxo entre informação, análise e controlo, tendo em conta que a arte da gestão é saber quando o controlo está a criar o caos [Drummond 1996]. A questão da atividade política entre os intervenientes organizacionais que querem o futuro do Sistema de Informação que suportará a organização e que dentro da estrutura de controlo assumem as posições de poder das várias partes em negociação [Hofstede 1978, p. 459], reforça a que a abordagem do alinhamento necessite de ser compreendida como a condição política necessária para potenciar o processo de ajuste à mudança de SI.

Decorrente da análise comparativa realizada entre a definição do termo alinhamento e a caracterização do conceito de alinhamento de SI, bem como, da metáfora anterior ―organizações como sistemas políticos‖ (secção 2.1.2) e da definição de SI assumidas no contexto deste trabalho (secção 2.1.1) propõe-se uma nova definição do conceito de alinhamento de SI. Assim, alinhamento de SI define-se como a condição política necessária à potenciação do processo de ajuste9 à mudança de SI. Esse processo necessita de ser perspetivado de forma evolutiva e

dinâmica através de uma visão holística e contingencial. Esta condição política prévia ao processo de ajuste à mudança contempla a intenção de corrigir e verificar discrepâncias de