IV. Presentación de Resultados
4.2 Presentación de gráficas y procesamiento de datos por grado. 9no grado
A presente investigação tem um cariz descritivo e exploratório uma vez que se sustenta na descrição de dados e visa discriminar os fatores que determinam os conceitos que possam estar associados ao fenómeno em estudo.
Do ponto de vista metodológico esta é uma investigação que considera a tipologia do” Estudo de Caso”, sendo este composto por um estudo quantitativo e por um estudo qualitativo.
A escolha da tipologia de estudo referida teve em conta o facto do método descritivo permitir “descrever situações, acontecimentos e feitos” (Sampieri, Collado e Lucio, 2006:100) favorecendo a interpretação e compreensão do fenómeno em estudo isto é, dizer como é que se manifesta determinado fenômeno. Dada a concetualização teórica apontada para esta tipologia de investigação consideramos estar perante aquela que melhor se ajusta à questão de investigação proposta.
Tendo em conta a problemática acima apresentada e sobretudo a questão de partida e os objetivos que nos serviram de fio condutor recorremos a técnicas qualitativas e quantitativas na recolha e análise dos resultados. Ambas têm potencialidades e limitações e registam a vantagem de poderem ser utilizadas em simultâneo, caso tal se mostre necessário no contexto concreto de determinada investigação, como se veio a verificar no decorrer do nosso processo investigativo (Joanna Briggs Institute Reviewers, 2011). Partindo do pressuposto quantitativo e qualitativo como metodologia que sustentou a pesquisa e recolha de dados usamos um instrumento de colheita estruturado, perspetivando observar a natureza da realidade de forma objetiva para conseguir obter uma visão regular e previsível do comportamento em estudo (Johnson & Christensen, 2013).
No entanto, como se veio a verificar necessário aferir acerca da opinião dos profissionais e outras entidades envolvidas na vida social e económica de Jericoacoara, acrescentamos à nossa investigação uma componente qualitativa, elaborando e realizando entrevistas abertas.
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A metodologia quantitativa fundamenta-se pela explicação de um fenómeno através da “colheita de dados numéricos que são analisados com a utilização de métodos matemáticos – em particular a estatística” (Polikinhorne e Donald, 1991:136). Através desta metodologia é possível generalizar conhecimento para que este se torne útil e valioso numa maior variedade de situações (Serapioni, 2000).
Já a metodologia qualitativa, na perspetiva narrativa que se configura como um dos seus instrumentos, “é o processo cognitivo que dá sentido a eventos temporais, identificando- os como partes de um enredo. A estrutura narrativa é usada para organizar eventos em vários tipos de histórias” (Polikinhorne e Donald, 1991:142).
Na metodologia qualitativa de caráter descritivo, o objetivo é descrever uma experiência tal como ela é vivenciada pelas pessoas envolvidas pelo que ela se mostra particularmente adequada ao estudo da experiência humana (Bogdan e Biklen, 1994).
Através da utilização de ambas as metodologias foi possível alargar o campo da investigação ao que é e ao que se pretende, ou seja, aferir acerca de todas as envolventes socioeconómicas que decorrem da transformação de uma pequena e pacata vila piscatória num lugar cada vez mais procurado e apreciado por turistas e dos impactos que a chegada destes têm na vida de cada um dos habitantes nativos e antigos dessa comunidade. 2.3.1. Cuidados na adoção e uso do estudo de caso
Yin (2006) explica o estudo de Caso como sendo uma metodologia que possibilita a análise e a descrição de qualquer fenómeno a que se possa aceder de forma direta, profunda e global. Trata-se de uma metodologia entendida por Bell (1989) como o “guarda-chuva” envolvente e interativo da família dos métodos de pesquisa, o instrumento que permite e favorece o estabelecimento e o estudo das relações que os fatores observados desenvolvem entre si.
Para além das características expostas o estudo de Caso tem elementos que se ajustam aos objetivos acima apresentados para a presente investigação na medida em que permite o levantamento de dados junto de uma personagem, dum pequeno grupo, de uma organização comunidade ou mesmo uma nação (Coutinho, 2004).
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Ponte (2006), refere que o estudo de caso é uma investigação que “se assume como particularística, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspetos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenómeno de interesse” (Ponte 2006:2).
Na condução de um estudo de caso devemos ter em consideração alguns aspetos, que, segundo Dubé e Paré (2003), podem ser divididos em três grupos: planeamento, que compreende aspetos relacionados com a conceção da pesquisa; recolha de dados, a qual abrange o processo de recolha de dados; análise dos dados, na qual se consideram todos os aspetos referentes ao processo de análise de dados.
Na figura 11, podemos encontrar representado o “framework” proposto por esta pesquisa para análise do estudo de caso, basado em Oliveira, Maçada e Goldini (2009). A escolha do tipo de estudo de caso (descritivo, exploratório ou explanatório) deve ser adequada às questões de pesquisa, e o incremento do conhecimento obtido através da pesquisa deve ser compatível com o tipo de estudo de caso inicialmente escolhido.
Figura 11 – Framework para análise do estudo de caso
(Oliveira, Maçada e Goldini, 2009)
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Justificada a escolha metodológica da presente investigação importa referir os aspetos que merecem atenção por parte do investigador quando trabalha com o instrumento de investigação selecionado, uma vez que o estudo de caso, à parte das vantagens acima mencionadas, comporta alguns aspetos negativos tal como o facto de ser um sistema de recolha de dados limitado e com fronteiras e ainda se caracterizar por ser um método que exige a identificação, o mais precisa possível, do objeto a estudar (Coutinho & Chaves, 2002).
Para além destes fatores o Estudo de Caso é de carácter único, específico, diferente e impõe que a investigação decorra em ambiente natural, demandando do investigador especial atenção na medida em que este trabalhará com fontes múltiplas de recolha de dados e vários métodos de levantamento de informações, dados e conhecimentos. Na verdade quanto a metodologia de investigação selecionada é o estudo de Caso “o investigador terá que ter agilidade para manipular corretamente fontes de observação diretas e indiretas, estando habilitado a trabalhar com entrevistas, com questionários, com a recolha e interpretação objetiva de narrativas, com registos de áudio e de vídeo ou mesmo com a observação participada” (Coutinho & Chaves, 2002:224).
2.3.2. Operacionalização do estudo de caso
A primeira etapa ocorreu na fase exploratória entre os dias 12 e 27 de Junho de 2016, realizada com nativos e moradores antigos (residentes na comunidade pelo menos a 15 anos ininterruptamente) na vila de Jericoacoara, fornecendo informações sobre a localidade, o turismo, a atividades profissionais desenvolvidas no local e as impressões sobre os aspetos positivos e negativos decorrentes da atividade turística.
Essas importantes revelações despertaram o desejo do pesquisador em realizar um estudo mais profundo sobre a temática e, para isso, elaborar um diagnóstico do objeto de estudo. A etapa seguinte deteve-se na pesquisa descritiva de campo junto aos nativos e moradores antigos residentes a pelo menos 15 anos ininterruptamente na vila de Jericoacoara. Este estudo foi desenvolvido em duas fases: pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. Na pesquisa bibliográfica, foram incluídas pesquisas e análises de manuais, textos e livros escritos sobre a localidade, enquanto na pesquisa de campo, foram entrevistados os
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nativos e moradores antigos, que residem na localidade à pelo menos 15 anos ininterruptamente, portanto, que puderam acompanhar a implantação da atividade turística durante este período e testemunhar a sua evolução. A pesquisa colheu informações sobre os seguintes aspetos:
● Idade dos entrevistados, sexo, estado civil, grau de instrução, filhos; ● Naturalidade, tempo de residência;
● Emprego/Profissão (antes e depois do turismo);
● Emprego/profissão feminina (antes e depois do turismo); ● Rendimentos antes e depois do turismo;
● Condições de morada; ● Acesso à escola; ● Acesso à saúde;
● Perceção sobre os impactos positivos e negativos do turismo na comunidade.