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IV. Presentación de Resultados

4.3 Presentación de gráficas y procesamiento de datos por grado. 10° grado

“O trabalho de campo visa reunir e organizar um conjunto comprobatório de informações. A coleta de informações e de campo pode exigir negociações prévias para se aceder a dados que dependem da anuência de hierarquias rígidas ou da cooperação das pessoas informantes. “As informações são documentadas, abrangendo qualquer tipo de informação disponível, escrita, oral, gravada, filmada que se preste para fundamentar o relatório do caso que será, por sua vez, objeto de análise crítica pelos informantes” (Chizzotti, 2010:103)

Partindo dos objetivos a que nos propusemos, foram utilizadas diversas fontes e instrumentos de recolha de dados. Assim, relacionamos cada uma destas fontes de dados pela ordem que, a seguir, enunciamos: recolha documental, observação participante, entrevista semiestruturada e inquérito por questionário.

2.4.1. Recolha documental

Trata-se de uma técnica utilizada e fundamental para a realização deste estudo que nos permite detetar divergências e convergências relativamente a algumas atitudes e

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comportamentos registados no momento da entrevista, assim como desfazer dúvidas sobre situações registadas no momento da recolha.

A recolha documental centrou-se no apoio a recursos bibliográficos sobre a região de Jericoacoara, quer nos seus aspetos geográficos, quer nos seus aspetos socioeconómicos, pelo que recorreremos às seguintes entidades e documentos, entre outros:

- Secretaria de Planeamento e Coordenação/Instituto de Pesquisa e Estratégia Económica do Ceará (IPECE), 2016: Perfil Básico Municipal: Jijoca de Jericoacoara. Fortaleza: IPECE, 2016; Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Jijoca de Jericoacoara. Fortaleza: IPECE, 2016, Anuário Estatístico do Ceará 2016. Fortaleza: IPECE, 2016. - Secretaria do Turismo do Estado do Ceará (SETUR,2016): Relatório da Pesquisa: Demanda Turística Via Fortaleza 2015; Estudos turísticos da SETUR: Evolução e competitividade do turismo no Ceará no contexto regional. N.º 15. Fortaleza: SETUR, 2012; Estudos Turísticos da SETUR: O turismo nas comunidades do litoral do Ceará. Fortaleza: SETUR, 2010; Estudos turísticos da SETUR (2011): Uma política estratégica para o desenvolvimento sustentável do Ceará 1995-2020. Fortaleza: SETUR, 2013; Mapas das regiões turísticas do Ceará – SETUR, 2014/2015/2016. Mapa Rodoviário do Ceará (DER,2017).

✓ Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), secção Ceará: Dados Sector Censitário – Município de Jijoca de Jericoacoara – 1991/2000/2010/2016 estimativas

✓ Relatório CAGED - 2016

✓ Universidade Estadual do Ceará (UECE): Núcleo de Geografia Aplicada. Área de Proteção Ambiental “Jericoacoara”. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 1985 ✓ Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA): Instrução

Normativa nº 04, de 15 de Maio de 1992.

✓ Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA): Instrução Normativa nº 04, de 15 de Maio de 1992.

✓ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Plano de Manejo do Parque Nacional de Jericoacoara: Análise da Região Unidade de Conservação - 2016

109 ✓ Câmara Municipal de Jijoca de Jericoacoara ✓ Conselho comunitário de Jericoacoara

2.4.2. Observação participante

Através da observação participante, procurámos proceder a uma análise qualitativa dos cenários de estudo, com o objetivo de entender o contexto em que decorre a ação, ter acesso a fenómenos que habitualmente possam passar despercebidos aos intervenientes, obter informação pertinente em relação à qual os sujeitos possam estar relutantes em referir nos questionários, desenvolver um corpo de conhecimento sobre o terreno da pesquisa que possa constituir um recurso importante para a compreensão e interpretação das situações (Patton, 1980). Na perspetiva de Morse (2007) a Observação Participante, abre a possibilidade ao investigador de captar os comportamentos sociais e culturais dos sujeitos da investigação no momento em que são produzidos, sem recurso a qualquer tipo de mediação. Nestas circunstâncias, o campo de observação é amplo e natural, facto que proporciona ao investigador um verdadeiro contexto de descoberta.

2.4.3. Inquérito por questionário

“O inquérito por questionário é uma técnica de observação em que os dados são recolhidos diretamente pelo investigador ou por aqueles que com ele colaborem, limitando-se as respostas escritas às questões que nele se encontrem definidas” (Maia, 2003:356).

Este instrumento de recolha de dados constitui-se como a técnica mais utilizada no âmbito da investigação sociológica, conforme se referem Pardal e Correa (1995) e Pardal e Lopes (2011). No nosso estudo esta técnica valorizada, devido à quantidade de respostas recolhidas, sendo uma forma de obter dados sistematizados em categorias pré-definidas pelo investigador.

Assim, as intenções que presidem à adoção de um inquérito por questionário remetem, no entender de Cohen e Manion (1994), a descrever as condições naturais de existência

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de um fenómeno; a identificar regularidades ou padrões que justificam a existência dessas condições e a determinar as relações ou conexões existentes entre os eventos específicos. O instrumento de pesquisa foi concebido entre os meses de Dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, de acordo com as contribuições na literatura tais como, Oliveira e Richardson (2008), a Caixa de Ferramentas do Sistema Europeu de Indicadores de Turismo (2013), Deslandes, Gomes, Minayo (2016) que nos permitiu formular questões abertas, fechadas e semifechadas, conducentes à apreensão das perceções dos moradores relativamente aos impactos socioeconómicos, culturais e ambientais do turismo em Jericoacoara.

Tuckman (2000), Moreira e Caleffe (2006) sustentam que os questionários são instrumentos a que os investigadores recorrem para transformar em dados a informação comunicada diretamente por uma pessoa (o sujeito). São, assim, instrumentos destinados a aceder a dimensões internas a uma pessoa, como sejam a informação ou conhecimento que possui, os seus valores, preferências, atitudes ou crenças, ou ainda as suas experiências passadas ou atuais.

Ainda de acordo Tuckman (2000), Moreira e Caleffe (2006), o questionário requer poucos custos e permite abranger um maior número de sujeitos, alargando consideravelmente o tamanho da amostra. Para além disso o questionário tem uma margem de erro que se limita ao próprio instrumento, à forma como se procedeu á sua construção, e à amostra, tendo, por isso uma razoável fidelidade total. Apesar das vantagens expressas importa deixar explícito que este procedimento de recolha de dados não oferece grandes possibilidades de personalizar, questionar ou aprofundar as questões com cada sujeito, e pode resultar numa taxa baixa de resposta. Este facto não se verificou na presente investigação uma vez que foram empreendidas estratégias de aplicação do questionário que favorecem a participação de um maior número possível de respondentes, nomeadamente, a aplicação do questionário de forma direta e individual.

Na construção dos inquéritos, procuramos ter em conta recomendações citadas por Günther, (2003), Del Val e Gutiérrez (2005), entre as quais, privilegiar o recurso a questões fechadas, apresentando a lista das respostas previstas; usar uma linguagem clara, evitando-se diferentes interpretações; contemplar para cada questão um número

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relativamente alargado de alternativas de resposta e inserir outras opções, deixando espaço no questionário para que fossem discriminadas.

Os inquéritos por questionário aplicados versaram sobre os domínios pessoais, sociais económicos, culturais e ambientais.

Depois de redigido o inquérito por questionário, e antes de ser aplicado definitivamente, foi realizado um pré-teste, nos dias 18 a 20 de Fevereiro de 2017, aos moradores da comunidade de Jericoacoara, de forma a testar a eficácia do mesmo. Contactamos 10 moradores e solicitamos que à medida que fossem apresentadas as questões, apresentassem as suas dúvidas, bem como as suas críticas e sugestões. Como resultado desta medida, efetuamos as alterações de forma, necessárias no inquérito por questionário, para facilitar a compreensão das perguntas e para obter resultados que respondiam aos objetivos do estudo. O inquérito é composto de duas partes: a primeira está relacionada com caracterização sociodemográfica e a segunda relativa à perceção dos inquiridos sobre os impactos da implantação do turismo na comunidade.

O inquérito por questionário (apêndice) foi aplicado a uma amostra de moradores nativos e residentes há pelo menos 15 anos ininterruptamente na comunidade de Jericoacoara. Aplicaram-se 183 inquéritos por questionário, já que a população total prevista para este estudo segundo dados preliminares obtidos do ICMBio (2016), Fonteles (2015) e Conselho Comunitário de Jericoacoara (2015), situava-se na ordem das 950 pessoas entre nativos e moradores antigos para o ano de 2000, pois o foco da investigação era comparar a situação anterior e atual dos moradores da comunidade de Jericoacoara com a implantação da atividade turística no local. A fase de aplicação dos respetivos inquéritos deu-se entre os dias 21 de Fevereiro e 11 de Março de 2017. Foi aplicado “um a um”, começando sempre por fazer uma breve apresentação dos objetivos do estudo, salientando a importância da participação do inquirido, apresentando-lhe as garantias do anonimato e que podia, a qualquer momento, dar por terminada a sua participação e o tempo médio de aplicação para cada questionário foi de 20 minutos.

112 2.4.4. Entrevista semiestruturada

No sentido de conhecer as perceções dos atores sociais, e encontrar explicações mais informadas acerca dos impactos socioeconómicos do turismo na comunidade de Jericoacoara, recorreremos ao uso de entrevistas semiestruturadas.

A opção pela aplicação desta técnica justifica-se pela possibilidade de obtenção de informação sobre comportamentos, discursos e acontecimentos observáveis, mas que passam despercebidos pela consciência dos atores; pela flexibilidade em provocar, desenvolver e manter o entrevistado em torno do vivido; pela procura de pontos de consenso e conflito relativamente à perceção de uma problemática.

Segundo Tuckman (2000) a entrevista semiestruturada é um instrumento de auto registo, que, por oposição à observação direta de fenómenos, incorre no levantamento de problemas importantes, entre os quais o autor mencionado destaca a necessidade de se obter a cooperação e anuência de participação do entrevistado e também a necessidade de ter em conta o facto deste sujeito puder não responder a todas as questões colocadas com assertividade.

A fim de desenvolvermos a aplicação desta técnica de recolha de informação, e com vista a contornar os problemas sublinhados por Tuckman (2000), tivemos em conta antes da operacionalização, da entrevista, a definição das características da investigação junto do entrevistado, relativamente aos temas a desenvolver e aos procedimentos a tomar. Foi, ainda, garantido o anonimato do mesmo e a possibilidade de omissão do conteúdo da entrevista sempre que o entrevistado assim o sugere-se mas, tal situação não veio a acontecer.

De acordo com Fortin (1999) a entrevista constitui uma das técnicas mais utilizadas nas metodologias do tipo qualitativo, resultando de um processo de negociação entre o entrevistador e o entrevistado.

No nosso estudo entrevistamos, realizamos um conjunto de cinco entrevistas, a cinco interlocutores diferentes, com conhecimentos acerca da realidade local e, alguns deles, com responsabilidades profissionais que interferem na organização da Vila. Seguindo as recomendações de Costa (2001), dada a heterogeneidade dos entrevistados e tendo

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em conta o facto de se tratar de uma entrevista aberta, as questões colocadas não seguiram um guião pré-definido, tendo, ao invés disso, sido orientadas com base em dois princípios gerais:

● O primeiro era aferir acerca dos impactos positivos e negativos do turismo em Jericoacoara;

● O segundo era recolher a perceção dos participantes com relação ao turismo na vila e em função das suas características profissionais.

Em função dos dados recolhidos levamos a cabo uma análise de conteúdo, empreendida com base no método proposto por Bardin (2011) às questões abertas que componham as entrevistas diretas realizadas junto dos cinco entrevistados e das quais resultou um conjunto de dados que foram agrupados em três áreas temáticas, com suas respetivas categorias, subcategorias e unidade de registro, a saber:

i) Turismo; ii) Necessidades

iii) Infraestruturas básica de desenvolvimento

Este estudo foi desenvolvido durante a fase exploratória, que ocorreu entre os dias 12 e 27 de Junho de 2016.