Extraction and Preprocessing
2.1 Preprocessing the Extracted Data from BOB
Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, retrospectivo, comparativo, documental e histórico social, favorecido por uma perspectiva quanti-qualitativa, que se propõe a investigar e analisar a questão da representação política da pessoa idosa nos pleitos eleitorais nacionais implementados junto a República Federativa do Brasil, entre os anos de 1994 à 2006.
Para aquisição dos subsídios a serem utilizados para edificação do presente estudo, foram solicitados formalmente junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dados relacionados à temática aqui investigada, sendo os mesmos classificados enquanto fontes primárias.
Para aquisição de outros dados e informações indispensáveis à edificação da presente produção, também foram investigados subsídios disponibilizados junto aos bancos de dados eletrônicos tanto do TSE, como também da Câmara dos Deputados (C.D.) e do Senado Federal (S.F.), sendo este processo conceituado enquanto mineração de dados.
As fontes secundárias foram constituídas primordialmente de produtos e dispositivos legislativos, livros e manuais especializados e produções acadêmicas dentre outras referências, adquiridas após busca bibliográfica informatizada em base de dados eletrônicos (LILACS®, MEDLINE®, SCIELO®, SABER-USP®, MINERVA-UFRJ®, SBU/LIBIDIG/UNICAMP® e BDTD/IBICT®).
Durante o processo de organização e análise dos dados adquiridos, foram utilizadas as teorias sociológicas do envelhecimento e a teoria do engajamento social, facilitando assim a fundamentação teórica deste estudo e análise de conteúdo por meio da triangulação metodológica da hermenêutica de profundidade (HP) que alia a reflexão histórica ao dado empírico, de forma dialética.
Segundo Thompson (2007, p. 362), a chave desse caminho de reflexão é o que Ricoeur e outros chamaram de “hermenêutica de profundidade” (HP). Nesse caminho Thompson (2007) mostra que as técnicas são escolhidas conforme a própria dinâmica da interação entre pesquisador e o universo dos dados. Em se tratando de dados quantitativos do Tribunal Superior Eleitoral, buscamos decifrar o contexto histórico dos mesmos na interpretação da situação dos idosos candidatos e eleitos conforme várias dimensões que fomos detectando ao longo da pesquisa, como tipo de partido, idade, escolaridade, região e sexo.
A questão chave que orienta a pesquisa, como assinalado nos objetivos é a da relação entre saber, idade e representação política, no contexto da competitividade partidária moderna na democracia.
O recorte histórico instituído neste estudo se constituirá do período temporal de 1994 à 2006, configurando quatro (04) legislaturas, formadas pelos anos de 1994, 1998, 2002 e 2006, efetivando no total dezesseis (16) anos.
Os atores sociais participantes da presente produção serão constituídos pelo universo de candidatos idosos inscritos, que disputaram vaga legislativa e que foram eleitos nos pleitos eleitorais nacionais desenvolvidos no período aqui investigado.
Os candidatos idosos foram divididos nas seguintes variáveis: unidade federativa, cargo político, número da candidatura, nome do candidato, partido político, sexo situação no 1° e 2° turno (eleição ou não), data de nascimento, ocupação, grau de instrução (escolaridade), quantidade de votos, entre outros. Para o cálculo da idade, no momento da eleição, foi considerado o ano comercial (360 dias).
As análises de associação entre as variáveis de estudo foram realizadas com o software SPSS® for Windows em sua versão de número 17.0.
Para maior explicitação do entendimento por estudo exploratório, seguimos Lakatos e Marconi (1991, p. 188), para quem os estudos exploratórios “são investigações de pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos”.
Na definição de estudo descritivo adotamos a expressão de Vanzin e Nery (1998, p. 41) para quem os estudos descritivos se caracterizam por descrever com exatidão os fatos e fenômenos de determinada realidade. Neste sentido, o estudo descritivo pode ser correlacional, quando se estabelecem relações entre variáveis e estudos de casos que tem por objetivo aprofundarem a descrição de determinada realidade (Vanzin & Nery, 1998, p. 41).
Conforme Vitiello (1999, p. 47), os estudos de natureza retrospectiva analisam as conseqüências existentes de um fato já passado, que não pode ser diretamente observado pelo pesquisador. Os grupos são eleitos entre os que tiveram ou usaram ou sofreram determinado fato (grupo de estudo ou GE) e os que não (grupo controle ou GC), guardando-se a maior
homogeneidade possível quando às outras variáveis. È uma seleção observada (VITIELLO, 1999, p. 47).
O método comparativo é usado tanto para a comparação de grupos no presente, no passado, ou entre os existentes e os do passado, quando entre sociedades de iguais ou diferentes estágios de desenvolvimento (LAKATOS & MARCONI, 1991, p. 107).
Conforme sustenta Gil (1995, p. 35), os estudos de natureza comparativa procedem primordialmente “pela investigação de indivíduos, classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades entre eles”.
A abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social (RICHARDSON, 1999, p. 79).
Tanto assim é que existem problemas que podem ser investigados através de uma metodologia quantitativa, e há outros que exigem diferentes enfoques e, conseqüentemente, uma metodologia de conotação qualitativa (RICHARDSON, 1999, p. 79).
Segundo Bardin (1977, p. 118), a categorização, apesar de não ser obrigatória, é utilizada na maioria das análises de conteúdo. Para este pesquisador, a categorização é entendida enquanto:
“... um processo do tipo estruturalista que comporta duas etapas: o inventário (o ato de isolar os elementos) e a classificação que é a divisão de forma organizada dos elementos da mensagem. É em síntese, o ato de recortar, classificar e organizar idéias ou fatos segundo as semelhanças” (BARDIN, 1977, p. 118).
Nesse estudo a escolha dos temas da pesquisa foi de caráter qualitativo na sua dimensão quantitativa, como assinala Minayo (1999, p. 70): “as categorias são empregadas para se estabelecer classificações”, ou ainda “trabalhar com elas significa agrupar elementos, idéias ou expressões em torno de um conceito capaz de abranger tudo isso”. Esta tematização implicou uma tecnologia que, face à inundação de informação consiste na mineração de dados, ou seja,
Data Mining (COELHO apud Witter, 2006, p. 35). Neste sentido, entende-se enquanto mineração
de dados o processo de identificação e extração de conhecimento a partir de grandes bases de dados (COELHO apud Witter, 2006, p. 35), como foram os dados do Sistema Eleitoral referentes às pessoas idosas, o que nunca antes havia sido feito em outras pesquisas.
Em relação ao processo de triangulação e, durante a construção dos estudos de natureza qualitativa, Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998, p. 173), apontam que “as pesquisas qualitativas costumam usar várias maneiras de obter seus dados”, neste sentido, “quando buscamos diferentes maneiras para investigar um mesmo ponto, estamos usando uma forma de triangulação”.
Thompson (2007, p. 363) sustenta que a idéia subjacente à HP é que, na pesquisa social, como em outros campos, o processo de interpretação pode ser, e de fato exige que seja, mediado por uma gama de métodos explanatórios ou “objetivantes”. Em sua concepção, a chave desse caminho de reflexão é o que Ricoeur e outros chamaram de “hermenêutica de profundidade” (THOMPSON, 2007, p.362),
Thompson (2007, p.363) sustenta ainda que, a idéia subjacente à HP é que, na pesquisa social, como em outros campos, o processo de interpretação pode ser, e de fato exige que seja, mediado por uma gama de métodos explanatórios ou “objetivantes”.
A análise da ideologia está também ligada às formas simbólicas relacionadas a contextos sócio-históricos; por conseguinte a análise da ideologia pode ser vista metodologicamente como uma forma particular de HP (THOMPSON, 2007, p.363).
Neste sentido, ao focalizar nossa atenção, porém, nas inter-relações entre significado e poder, nas maneiras pelas quais as formas simbólicas podem ser usadas para estabelecer e sustentar relações de dominação, a análise da ideologia assume um caráter distintivo e crítico (THOMPSON, 2007, p. 363).
Thompson (2007, p. 363) lembra que, “ela levanta novas questões concernentes aos usos das formas simbólicas e às relações entre interpretação, auto-reflexão e crítica”.
Neste bojo a HP configura-se enquanto “um referencial metodológico amplo que compreende três fases ou procedimentos principais”, sendo que “essas fases devem ser vistas não tanto como estágios separados de um método seqüencial, mas antes como dimensões analiticamente distintas de um processo interpretativo complexo” (THOMPSON, 2007, p. 365).