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Primer screens for SARS-CoV-2 orf1ab gene, MSA_T1 and MSA_T2

PART IV Final validation of the SHERLOCK platform

3.11.1 Primer screens for SARS-CoV-2 orf1ab gene, MSA_T1 and MSA_T2

O ensino, como meio do processo didático, não deve pretender controlar de maneira absoluta o desenvolvimento desse processo. A relação didática é uma relação ‘aberta’. À medida que o ensino de Matemática se organiza para tentar ‘fechar’ essa relação, provoca um empobrecimento da aprendizagem matemática dos alunos.

(Yves Chevallard)

O ser humano não vive isolado, mantém naturalmente relações com seus semelhantes, sejam superficiais ou não.

As relações existentes entre as pessoas em um determinado contexto estabelecem as características do mesmo, ou seja, um ambiente permeado por relações conflitantes torna-o difícil, dificultando a convivência entre as pessoas ali participantes, como também inviabilizando o andamento das atividades nele pretendidas. Sendo assim, as relações entre as pessoas que compõem um ambiente necessitam ser e estar harmoniosamente acordadas entre seus membros.

Em uma instituição escolar, ou sala de aula, a situação não é diferente. O aspecto relacional entre professores e alunos determina o andamento, o desenvolvimento e o rendimento das aulas. No que compete à disciplina de Matemática, este aspecto é relativamente forte. E o que se ouve com muita freqüência por parte dos alunos é a correspondência mútua: não gostar da matéria e não gostar do professor. Parece que o professor de Matemática está predestinado a não ser querido por seus alunos, o que dificulta a relação entre ambos, logo afetando a aprendizagem da respectiva disciplina.

Essa situação é evidenciada pelo professor Lins (2004) quando relata um estudo realizado por Célia Hoyles (do Institute of Education, University of London) em meados de 1980, o qual constatou que a Matemática em relação às outras disciplinas destaca-se pelo aspecto gostar do professor e gostar da disciplina. Anos depois, tentando entender melhor o resultado do estudo, Lins percebe algo que talvez permita compreender ‘o não gostar do professor e o não gostar da matéria’.

Refere-se ao fato da Matemática ter sido, embora muitas vezes ainda é, concebida como:

se existisse apenas dentro da escola, e como conseqüência, todo o contato que se tinha com ela era através daquele professor ou professora, fazendo acentuar marcadamente o efeito de aceitação ou rejeição da matéria associado a gostar ou não do professor. (LINS, 2004, p.93)

Decorre então, que um dos aspectos que vem a contribuir para um melhor relacionamento entre professor de Matemática e alunos é buscar a Matemática no cotidiano, evidenciar sua contextualização existente no dia-a-dia, estabelecendo a conexão entre Matemática escolar e Matemática da vida, tornando a primeira utilizável na segunda.

No entanto, este processo exige tempo, requer o transcorrer de muitas aulas, meses e, principalmente, a mudança de postura no relacionamento professor/aluno, a fim de superar o mal-estar existente na relação professor de Matemática e aluno.

Estabelecer um elo afetivo entre os participantes desse componente curricular exige do professor uma capacidade de negociação com os alunos a respeito do movimento das aulas. Isto significa dizer que a partir do momento em que professor e aluno estabelecem os aspectos que nortearão as aulas, independentes dos conteúdos, se dá início ao rompimento da barreira que os separa, melhorando a relação entre ambos. A esta negociação que regula as interações entre alunos e professores e que não depende do conteúdo em estudo chama-se contrato pedagógico, fazendo parte este de um contrato mais geral, o contrato escolar, do qual não nos ocupamos aqui.

O contrato pedagógico é fundamentado basicamente na relação professor/aluno e suas ‘cláusulas’ são negociáveis, combináveis e explícitas. Por exemplo: O professor pode ‘ensinar’ 100 vezes se o aluno precisar, mas só se ‘ensina’ quem se deixa ‘ensinar’... O aluno precisa querer aprender, necessita fazer sua parte. Logo, o referido contrato suscita direito e deveres recíprocos.

Assim, o contrato pedagógico segundo Chevallard:

Regula os aspectos gerais que afetam o ambiente de estudo, isto é, os aspectos não-específicos da obra a ser estudada. O contrato pedagógico se parece com o sistema operacional de um computador – que seria a escola – no sentido de que possibilita o funcionamento de diferentes programas – os contratos didáticos - que permitem a realização de tarefas específicas de estudo. Assim, por exemplo, o contrato pedagógico exige do aluno uma

confiança total no professor, nas decisões que ele toma, e um respeito à sua autoridade. Ao mesmo tempo, também exigem do professor uma atenção e responsabilidade especiais em relação ao aluno e às suas condições de trabalho. (2001, p.204).

As cláusulas do contrato pedagógico, estabelecidas conjuntamente entre as partes, podem ser em relação à avaliação, como esta será ou poderá ser; em relação à forma de acompanhamento das atividades; quanto à distribuição do tempo em sala de aula e outras.

O relacionamento em sala de aula torna-se aberto, rompe-se a barreira entre seus membros, conseqüentemente com a Matemática, uma vez que o contrato pedagógico permite que o aluno exponha suas inseguranças, dúvidas e ansiedades, principalmente em relação à utilidade e necessidade de se aprender Matemática. Expostos os conflitos interiores, o professor pode estimular discussões sobre a função da Matemática na sociedade, suas aplicações em diferentes setores, carreiras, despertando no aluno o interesse em aprender Matemática.

Através das ações discutidas e decididas em conjunto é permitido ao professor reconhecer os motivos dos estudantes gostarem ou não de Matemática e, ainda, suas expectativas e desejos em relação à disciplina.

Possibilita, também, que o professor coloque o seu toque pessoal na relação, proporcionando ao aluno conhecer os desejos do professor em relação a eles. Assim, o professor pode influenciar as atitudes dos alunos através das suas, tornando o clima de sala de aula amistoso, de melhor aceitação em relação ao professor de Matemática e, por extensão, para com a disciplina.

Portanto, o contrato pedagógico permite a infiltração da afetividade na relação professor/aluno, onde o não gostar de Matemática, estendido ao não gostar do professor, passa a ser gostar do professor, logo da Matemática, ou até entendê- la mesmo sem gostar dela.

O contrato pedagógico funciona como meio para a afetividade poder se manifestar e tornar a Matemática mais próxima ao aluno, visto que as interações professor/aluno promovem no estudante o surgimento ou aumento da autoconfiança, pois o aluno sente o apoio do professor durante o processo ensino-aprendizagem.

Certamente isso não ocorre de imediato, requer paciência e determinação do docente, a fim de realmente fazer valer e funcionar o contrato pedagógico,

respondendo às expectativas tanto dos alunos como as do professor envolvido no processo.