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2.4 Precautionary and Participatory Approaches

2.4.2 Precautionary Approaches

A proposta para construção da amostragem levou em consideração a legislação para o mercado de trabalho, tendo em vista que os empregados têm como referência a idade de dezoito anos. Assim, a amostragem foi inicialmente definida com base na idade (15 a 17 anos), que é uma faixa etária trabalhada pelas instituições de pesquisa social que, também, consideram a idade de 18 anos para o mercado de trabalho, e por considerar que cursar informática constitui uma preparação para o primeiro emprego. Essas foram as variáveis utilizadas para definir o critério amostral a partir do universo de pesquisa, em que se utilizou a variante do procedimento básico da amostragem aleatória simples – a amostragem sistemática, para os alunos de 2006 e a amostragem por acessibilidade para os alunos de 2009.

Quanto ao quadro profissional, foram considerados os 04 professores envolvidos com o processo, mais o coordenador, pois respondem pelo programa social de inclusão digital.

Dessa forma, a pesquisa aconteceu em um campo – Ribeirão das Neves – escolhido por meio dos critérios apresentados no tópico anterior, devido às suas características históricossociais. Além disso, o espaço delimitado foi o Centro Vocacional Tecnológico Henfil, uma vez que responde às “questões de interesse do estudo e também das condições de acesso e

permanência no campo e disponibilidade dos sujeitos”.

O município de Ribeirão das Neves apresenta um dos menores IDH da RMBH e o CVT Henfil corresponde, no município, ao único Programa desenvolvido pelas três esferas públicas.

No CVT Henfil, a amostra de 2009 foi escolhida dentro do grupo de alunos que buscam cursar Informática para o mercado de trabalho, com disponibilidade de 140 vagas, voltado para pessoas que procuram uma formação para o primeiro emprego e manuseio das ferramentas tecnológicas. Das 140 vagas preenchidas, 53 alunos correspondem à faixa etária desejada entre 15 e 17 anos, conforme Tabela 1.

A seleção da amostragem foi aleatória para os 239 ex-alunos de 2006, sorteando seis ex- alunos, sendo três do ensino fundamental, um de cada idade: 18, 19 e 20 anos e, sendo três do

ensino médio havendo, também, um de cada idade: 18, 19 e 20 anos. Eles estariam com idades entre 15 e 17 anos durante o curso em 2006.

O sistema de sorteio seguiu o que sugere a literatura para amostragem aleatória simples, com números únicos para cada aluno e um sorteio por meio da função aleatório, na qual se utilizou do software Excel mediante a função =INT(ALEATÓRIO()*46)+1.

TABELA 2

Dados do Sorteio Aleatório

Idade12 Grau de Escolaridade Sorteio Aleatório13 15 Ensino Fundamental 415 16 428 17 476 15 Ensino Médio 517 16 585 17 678

Fonte: Documentos e fichas de inscrição de 2006 do CVT Henfil.

Quanto aos seis alunos no momento da pesquisa, pertenciam ao grupo referente a 2009, com idades entre 15 e 17 anos e cursando Informática para o mercado de trabalho. Esses estudantes foram selecionados com base na amostragem por acessibilidade. Isso, devido à facilidade de acesso aos alunos os quais foram observados durante o curso.

O curso Informática para o mercado de trabalho ou primeiro emprego, disponibilizado durante o primeiro semestre de 2009 possuía turma com aproximadamente 8 alunos, devido ao número de computadores funcionando em cada sala. Assim, a turma de fácil aproximação foi selecionada para ser observada durante o período do curso, sendo ela de segunda e quarta- feira no horário das 16:00 às 17:20 horas.

Desse modo, passou-se a frequentar, com os norteamentos previstos para a observação participante, as aulas ministradas durante o primeiro semestre nessa turma no CVT Henfil, onde foi de extrema importância o período de observação. Assim, fazer uso da etnografia para

“cobrir a totalidade de todos os aspectos – social, cultural e psicológico” da turma, como

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Idade considerada para o ano de 2006.

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sugere Malinowski (1984) foi riquíssimo para o entendimento do processo o qual estavam inseridos professores e alunos do CVT Henfil.

Quanto aos seis ex-alunos, que frequentaram o CVT Henfil em 2006, a seleção aleatória nos retornou dados para um primeiro contato e marcação de entrevistas.

No entanto, faz-se necessário ressaltar que o acesso aos participantes apresentou diversas dificuldades, desde dados incorretos ou alterados: números de telefone, endereço de rua entre outros, às questões sociais: o selecionado trabalhava e não disponibilizava de horário para a entrevista; não possuía condições de se deslocar para participar da entrevista; não diponibilizava de tempo naquele momento, preferindo colocar-se à disposição para futuras entrevistas.

Tais fatos permitem-nos inferir que em razão da violência presente em qualquer horário do dia as pessoas têm medo de se deslocar pelo bairro e/ou desinteresse por algo que não lhes proporcionará grandes transformações, ou pelo menos transformações fáceis de enxergar. Acresce a estes ainda o fato de não se obter retorno financeiro; desconfiança por desconhecer completamente a intenção do programa de inclusão e do pesquisador em questão; e outras razões desconhecidas à observação do pesquisador.

Essas dificuldades levaram-nos a realizar apenas 03 entrevistas com os ex-alunos, que frequentaram o curso em 2006. Somando-se a essas entrevistas, foram realizadas as 06 entrevistas com os alunos de 2009 e, ainda, uma entrevista (debate direcionado sobre o programa social de inclusão digital) em grupo com os 04 professores em face da dificuldade de horários disponíveis dos profissionais.

A equipe profissional demonstrou interesse pela pesquisa dispondo-se sempre a auxiliar, mas a demanda de serviços a serem realizadas por ela no CVT Henfil fazia com que essa se ocupasse dos seus afazeres, tomando inclusive tempo extra.

Para operacionalizar a metodologia de pesquisa, buscou-se executar algumas técnicas de pesquisa em uma abordagem etnográfica, de forma multimetodológica, em que o intuito era de se coletarem informações que nos aproximassem o máximo possível da realidade pesquisada.

Essas técnicas foram:

□ Observação Participante (processo pelo qual se mantém a presença do observador numa situação social, com a finalidade de realizar uma investigação científica),

nas aulas, de introdução à informática, ministradas durante o primeiro semestre de 2009, estando o pesquisador presente nos dias da semana de segunda e quarta no período de 02 de março à 06 de julho;

□ Entrevista Individual Semi-Estruturada (combina perguntas fechadas e abertas, nas quais o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador). Foram entrevistados 06

alunos, que frequentaram o primeiro semestre de 2009, e 03 alunos, que frequentaram o curso durante o ano de 2006, mais os 04 professores, por meio de um formato de debate/entrevista com estes, os quais apresentaram suas idéias sobre o programa social e ações para inclusão, quando reunidos com o pesquisador em uma sala disponibilizada no próprio CVT Henfil;

□ Questionários aplicados aos alunos do projeto de inclusão digital do CVT Henfil,

que frequentaram o primeiro semestre de 2009;

□ Análise Documental;

Logo, o resultado foram as 09 entrevistas, sendo 06 alunos de 2009 e 03 alunos de 2006, e a aplicação dos questionários que atingiram especificamente a 45% dos alunos frequentes no curso de informática para o primeiro emprego, somando-se aproximadamente 100 pessoas. O critério para aplicação do questionário levou em consideração os alunos desse curso e que eram frequentes às aulas. Portanto, foram respondidos 45 questionários dentre os 100 aplicados. O que corresponde, ainda, a 20% dos alunos frequentes em todos os cursos, no primeiro semestre de 2009, somando-se aproximadamente 245 pessoas, conforme informado pela Secretaria do CVT Henfil (com base na lista de chamada diária dos professores). Isso, mais a entrevista com os 04 professores.

Cabe ressaltar que o número de frequentes se fez menor do que o de matriculados, no início do curso, apresentando-nos um quadro de evasão durante o curso, motivada por vários fatores

como a conquista de emprego, mudanças de horários de trabalho ou escola ou, ainda, dificuldades quanto ao deslocamento.

Assim, o pesquisador integrou-se ao grupo de estudantes do CVT Henfil e pode acompanhar o desenrolar das atividades de ensino ali presentes. Esse período de observação participante tornou-se de extrema importância para a aplicação dos questionários e das entrevistas semiestruturadas. O período para realização da pesquisa de campo foi de abril a dezembro de 2009. Cabe ressaltar aqui que o processo de transcrição das entrevistas se fez gratificante.

Desse modo, a pretensão de mensurar variáveis sociais com o intuito de responder ao problema de pesquisa esbarrou na sua própria condição de pesquisa social complexa. No entanto, as informações obtidas, a partir dos questionários e entrevistas aplicados, foram importantes para o desenvolvimento da pesquisa, quantitativa e qualitativa, com a análise do contexto e os resultados das entrevistas e questionários, a serem apresentados no próximo capítulo.

Revelação do subúrbio14

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do Mundo. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 165. Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro,

vendo o subúrbio passar. O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa, com medo de não repararmos suficientemente em suas luzes que mal têm tempo de brilhar. A noite come o subúrbio e logo o devolve, ele reage, luta, se esforça, até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais e à noite só existe a tristeza do Brasil.

6 REALIDADE E DINÂMICA DO CVT HENFIL: AS