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Praksis rundt oppstart av amming i India

5.1 Oppstart av amming

5.1.2 Praksis rundt oppstart av amming i India

A Teologia Inclusiva constitui-se, na verdade, em mais uma modalidade dentro do modus operandi teológico. A mesma tem lutado ardorosamente para ser reconhecida na academia e nos seminários religiosos, assim como já são outras vertentes existentes, como a Teologia Sistemática, Histórica, Bíblica etc. Esta mesma teologia não traz uma nova revelação. Na verdade, ela acredita nos mesmos princípios das demais teologias cristãs, no entanto, este ramo crê que, ao longo da história, o pensamento cristão convencional acabou legitimando diversas desigualdades, seja entre negros, mulheres, até mesmo contra outras culturas.

O ramo inclusivo, portanto, acredita que a mensagem evangélica está para além das diferenças; na verdade, o evangelho é o amor incondicional e uma de suas bases é a crença de que “Deus não faz acepção de pessoas”, conforme é relatado no livro de Atos dos Apóstolos.149 O eixo desta teologia não é a homossexualidade em si, na verdade, o que constitui sua base teológica é a ideia de acolhimento, a inclusão. Através de uma análise com base em métodos consagrados e legítimos do meio teológico é que pesquisadores e estudiosos dessa vertente tentam mostrar que a Hermenêutica faz parte de uma realidade social, em vista disso, carrega elementos ideológicos. Por diversas vezes, interpretações com base em uma

148 No próximo capítulo, o conteúdo das entrevistas será mais bem elucidado.

149 BÍBLIA, N.T. Atos dos Apóstolos. Português. BÍBLIA SAGRADA. Nova Bíblia Viva. São Paulo: Ed.

ideologia patriarcal funcionam como mola propulsora para construção de uma visão religiosa

reducionista e preconceituosa, de acordo com os defensores do ramo inclusivo150.

Logo, tais estudiosos trazem um questionamento acerca do modo em que os livros tidos como sagrados para um determinado grupo (neste caso a bíblia) podem estar sendo interpretados, convidando os religiosos a refletirem a partir de uma ótica inclusiva a possibilidade de ampliar o horizonte de percepção para a inclusão de segmentos historicamente marginalizados como é o caso, em específico, dos homossexuais (FEITOSA, S/A).

Além da ideia de que Deus não faz acepção de pessoas, já foi ressaltado nesta dissertação que o ramo inclusivo nasceu dentro da tradição protestante cuja base está no tripé: somente a fé, somente a graça e somente as escrituras. A Teologia da Justificação por meio da graça e fé se constitui enquanto um dos pilares da fé cristã reformada. A teologia e as igrejas inclusivas não fazem diferente, no entanto, utilizam este paradigma protestante para justificar a ideia de que a salvação não é merecida, não é conquistada, não advém de ações e comportamento humano (tampouco o comportamento homossexual), mas é sim um dom gratuito de Deus, conquistado por Cristo na cruz151. O fiel precisa crer no sacrifício de Jesus, crer que foi salvo mediante a graça redentora de Deus. Deste modo, o segmento inclusivo chega a indagar-se sobre se a salvação depende única e exclusivamente da graça de Deus, por qual razão muitas denominações cristãs afirmam que homossexuais não herdarão o reino dos céus? (MUSSKOPF, 2003).

A Igreja Missionária Inclusiva tem como base todas as características doutrinárias referidas acima, entretanto, as mesmas não estavam postas de forma tão clara no discurso da liderança, no primeiro momento de transição da CCNE para IMI. Este discurso mais doutrinal, bíblico, como a liderança chama, tornou-se efetivamente mais presente no período que culminou com a ascensão de um dos membros, Tom, que tinha acabado de integrar-se, ao

grupo, no mês de agosto152 de 2013, sendo promovido em outubro ao cargo de pastor. Nos

bastidores da igreja, um conflito estava presente e era demonstrável em alguns posicionamentos do pastor Benjamin. Em algumas pregações o mesmo afirmou que estava substituindo a pregação que deveria estar sendo efetivada pelo presbítero Josué, que, não

150

Este ponto foi mais bem discutido no capítulo 02 do presente trabalho.

151 Algumas passagens para legitimar essa crença da justificação mediante a graça e a fé podem ser encontradas

na bíblia cristã em Efésios 2,8; Efésios 1,7; Romanos 3,24; Gálatas 1,15; Tito 3,7.

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dando justificativa alguma, tinha faltado ao culto. Todas as vezes que isso ocorria, Benjamin exprimia, com uma feição contida aparentando raiva: “Deus sabe de todas as coisas!”.

Em meio a essa suposta displicência do presbítero Josué, o pastor sentia-se cada vez mais sozinho em seu ministério. Até mesmo o diácono Scott tinha deixado de frequentar a igreja por não estar satisfeito com as atitudes de Josué. De todo modo, as arrecadações financeiras da igreja continuavam em baixa, preocupando cada vez mais a liderança que precisava de alguma forma manter o local, já que o aluguel do prédio era pago pelo diácono Scott, restando, ainda, outras despesas. A falta de presença nos cultos por muitos, o descompromisso com as cerimônias, forçou a liderança a entrar em um profícuo processo reflexivo. Através da observação participante pude perceber que a igreja ficou com duas opções: ou seria fechada ou teria que passar por reformas contundentes. A segunda opção acabou sendo a escolhida.

A situação de Josué se agravou após a “descoberta” de possíveis comportamentos, avaliados pela cúpula da igreja, como imorais. Segundo Benjamin, Josué possuía problemas com o álcool. Quando se sentia sozinho - já que era solteiro e sempre morou só desde que veio viver em Maceió - apelava para o uso abusivo de bebidas alcoólicas. De acordo com o pastor presidente, alguns fiéis já tinham comentado ao religioso que estas tendências contrariavam a mensagem do evangelho e até mesmo o próprio discurso do presbítero em cultos passados. Além do mais, relatou-se que Josué estava fazendo apologia ao álcool em

suas publicações do facebook153

:

A liderança da igreja precisa de uma postura, porque a bíblia diz: se você quer ser líder, se você quer ser bispo, seja irrepreensível. Até porque eu sei que as outras igrejas vão me atacar e se eles “me atacar” com respaldo, eles vão ter direito, então eles não podem ter respaldo pra me atacar. Nós somos uma igreja para cristãos protestantes, não para homossexuais. Para homossexuais cristãos! (Pastor Benjamin) Diante do fato, Benjamin, já farto das supostas ausências do presbítero e dos escândalos em torno do seu nome, resolveu tomar uma decisão: afastá-lo por tempo indeterminado de suas funções eclesiástica como forma de provocá-lo à reflexão de seus atos. O afastamento foi realizado por meio de uma conversa pessoal. Aceitando a medida, Josué permaneceu distante da igreja. Com o passar dos dias, novos boatos começaram a surgir, contendas, conversas paralelas, possíveis persuasões de Josué a outros membros no sentido de

153 Após ter ouvido tais acusações, cheguei a visualizar as postagens do Josué em sua própria conta do facebook.

Por algumas vezes o presbítero tinha postado fotos juntamente com algumas garrafas de bebidas. A exibição das mesmas foi compreendida, por alguns da igreja, como apologia ao álcool.

incitar à desordem. Diante, mais uma vez, desses “vai-e-vem” de informações, o pastor Benjamin resolveu tomar atitude mais drástica. Declarou, em um dos cultos, a desvinculação do presbítero Josué. Ao término da cerimônia, o pastor pediu que quem se sentisse membro da igreja que permanecesse no templo, pois daria uma informação de interesse a quem de fato se considerasse um cristão IMI. Com um semblante sério, proferiu um discurso um tanto ansioso, colocando para fora todas as razões pelos quais Josué tinha sido “excomungado” da igreja:

Já chegando ao fim do culto, após o ato de dar a benção apostólica a toda igreja, Benjamin resolveu fazer um comunicado de grande importância para todos. No templo estavam presentes: o pastor, David, do ministério de louvor, e mais dois membros. De repente, Benjamin, em um tom estressado, afirmou que Josué tinha sido afastado da igreja por incitar à rebelião, não cumprir com suas atividades no púlpito, não manter comportamento moral condizente com sua função eclesiástica. Em meio a esta declaração, a igreja permaneceu em silêncio. O pastor, com um discurso inflamado, continuou dizendo que por várias vezes tinha “passado a mão” na cabeça de Josué, por amá-lo. Chegou até mesmo a ter problemas no seu casamento com o diácono Scott. Todavia, o “mal”, agora, estava sendo cortado pela raiz.

Continuou o pastor afirmando que a igreja tinha um nome a zelar, que na verdade, o maior respeito não é nem com a igreja em si, mas a Jesus Cristo. Ainda, salientou que quem quiser fazer parte da igreja, de agora em diante, teria que manter uma postura cristã. Aquele que não concordasse com a igreja, as portas estariam abertas. Ninguém seria obrigado a permanecer na comunidade. Benjamin conduziu sua fala por quase 20 minutos e finalizou que não iria admitir críticas à liderança, pois a autoridade deveria ser respeitada e não questionada. Fofocas, contendas, mentiras, todas elas seriam extirpadas, pois não era assim que vivia a primeira comunidade de cristãos (DIÁRIO DE CAMPO, 24 de outubro de 2013).

Essa experiência faz lembrar as palavras de Mendonça (2008):

A Confissão de Fé, sendo a última instância da ortodoxia e da disciplina, encerra em si o princípio da autoridade. É a partir dela que se julga a fidelidade dos adeptos à igreja. A negação implícita ou explícita da confissão equivale à excomunhão da Igreja, uma vez que ela encerra sua razão de ser como instituição. Não importa que a teologia explícita e vivida seja de outra natureza; a razão de ser e a autoridade eclesiástica constituem-se no sistema teológico social que pode ser invocado pela ortodoxia. De modo que a ambiguidade continua, uma vez que os adeptos não são julgados pelos padrões da fé que vivem, mas por um sistema fechado e, às vezes, desconhecido para a maioria deles (MENDONÇA, 2008, p. 326).

Ou seja, o presbítero acabou sendo avaliado por seus atos que ofendiam um corpo doutrinário que já vinha sendo organizado neste segundo momento da igreja. Quando o pastor afirma que por muitas vezes foi tolerante com o presbítero – “passando a mão em sua cabeça” - acaba por dizer que em algum momento da igreja, quando havia uma maior maleabilidade doutrinal – provavelmente - toleráveis eram os “desvios” de Josué. E o fazia por uma questão de amizade. Todavia, à igreja “possui um nome a zelar”; a mesma está acima até mesmo do

próprio pastor. Portanto, o presbítero foi punido em nome da igreja e para resguardar a ortodoxia da mesma. Mais uma vez, a ideia durkheimiana de coesão faz-se presente. Aquilo

que causa a anomia no grupo – o comportamento de Josué – precisava ser limpo,

“desinfetado”, para não “contaminar” as outras “ovelhas coloridas”.

De todo modo, os novos rumos da Igreja Missionária Inclusiva não estavam deixando Josué satisfeito. Cada vez mais a igreja se assemelhava a uma comunidade convencional, em sua opinião. A ideia da sacralidade do espaço, da necessidade de haver uma congregação de fato, de uma moralidade rigorosa, contrapunha ao espírito de liberdade que Josué acreditava ter o Evangelho de Cristo. Após seu afastamento, o ex-presbítero não quis comentar o assunto, alertando-me que deixou a igreja sob condições nada amigáveis. Uma das últimas estratégias foi procurá-lo, mais uma vez, como fiz de início, por meio do facebook. A única coisa que o mesmo deixou claro foi154: “Ser cristão, não depende de templo/ ideologia/ dogma/ doutrina. Ser Cristão é ter consciência do que foi a mensagem do Cristo”.

Após a saída de Josué, a IMI começou todo um trabalho no seu grupo no facebook

para “orientar” sobre os “perigos” da crença de que o cristão por si só bastaria155. Diversos

foram os sermões em formas de postagens, tanto por parte de Benjamin quanto do Tom, acerca da necessidade da congregação. No fim, o discurso visava “demonstrar” a heresia da ideia de Josué, de que o cristão estava para além do espaço físico do templo.