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Várias fontes de antioxidantes naturais são conhecidas e algumas são amplamente encontradas no reino vegetal. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma intensa pesquisa sobre as propriedades antioxidantes de produtos naturais, que pode ser atribuído ao seu conteúdo de substâncias fenólicas. O conhecimento das importantes funções que os antioxidantes desempenham na inibição dos radicais livres resultantes do metabolismo celular, tem motivado o interesse pela análise destes compostos em diversos produtos alimentares. Os estudos realizados tem mostrado que os antioxidantes contribuem para a prevenção de doenças associadas ao envelhecimento, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares e o aparecimento de câncer. Os antioxidantes atuam, também, como conservantes alimentares inibindo reações de oxidação responsáveis pela degradação dos alimentos (Angelo e Jorge, 2007).

Os compostos fenólicos têm despertado grande interesse devido ao seu alto teor nos vegetais e elevado poder antioxidante, capaz de remover radicais livres, quelar íons metálicos com atividade redox, modular a expressão gênica e interagir com mecanismos de sinalização celular; sendo atribuída grande parte de sua bioatividade a estas características. Porém os mecanismos de absorção e metabolismo e teores presentes na dieta podem afetar a eficiência da ação

antioxidante e estes aspectos não estão totalmente esclarecidos (Rhodes, 1996; Soobrattee et al., 2005).

A quantidade de compostos fenólicos totais avaliados com o reagente de Folin-Ciocalteu nas amostras do mel de jandaíra variaram de 1,1 a 1,3 mg GAE/g para as análises do mel puro. O teor de fenólicos totais estão apresentados na Tabela 5.4.

Tabela 5.4. Teor de fenólicos totais e testes antioxidantes em amostras de mel puro de

jandaíra. Mel Puro Fenólicos Totais (mgGAE/g ± SD) DPPH(EC50) mg/mL ABTS(EC50) mg/mL β-caroteno/ ác.linoléico (%O.I T=60min) 10 mg/mL Deoxirribose (EC50) mg/mL 1 1,2±0,0 11,1±0,1 7,1±0,0 54,6±3,2 2,1 ± 0,0 2 1,1±0,0 11,2±0,3 6,1±0,0 51,5±5,1 2,2 ± 0,0 3 1,1±0,1 12,9±0,3 7,0±0,1 58,3±0,5 2,2 ± 0,0 4 1,1±0,1 12,5±0,1 6,7±0,3 48,8±2,8 2,2 ± 0,0 5 1,3±0,3 10,6±0,6 8,1±0,1 55,2±1,5 2,1± 0,0 6 1,3±0,2 10,6±0,1 8,3±0,3 53,7±4,3 2,3 ± 0,0 7 1,3±0,1 10,7±0,3 9,7±0,1 55,3±2,5 2,2 ± 0,0 8 1,3±0,1 10,9±0,0 9,4±0,4 58,4±1,8 2,1 ± 0,0 9 1,2±0,1 12,1±0,0 8,3±0,0 74,6±4,3 2,1 ± 0,0

Análise de variância entre as médias mostraram que não existe diferença significativa entre a quantidade de fenólicos existentes nos méis. Estes méis mostraram 90% de composição do pólen da espécie Mimosa caesalpinifolia.

O conteúdo de fenólicos totais variou de 18 mg/100 g em mel monofloral (laranjeira) a 48 mg/100 g em mel heterofloral (silvestre) coletado pela abelha Apis

melifera. É importante destacar que os méis (silvestre) e (laranjeira) apresentaram

maiores teores de fenóis totais o que correlacionou com as maiores atividades antioxidantes (Lianda, 2009). Em outro trabalho foi analisado o teor de fenólicos totais em amostras de mel de Apis mellifera e Melipona interrupta, e constatou-se que amostra de mel de Apis mellifera apresentava um teor de 15,44 mg EAG/100g e 7,65 mg EAG/100g para o mel da M.interrupta. (Morais et al., 2008) Estes valores são bem menores que o teor de fenólicos apresentados neste estudo.

Quatro métodos diferentes foram utilizados para determinar as propriedades antioxidantes do mel de abelha jandaíra, permitindo-nos obter informações sobre a atividade nas diferentes etapas da reação de oxidação. Os métodos utilizados foram atividade antioxidante com sistema -caroteno/ácido linoléico, ensaio de DPPH,

ABTS•+ e deoxiribose. As amostras apresentaram diferentes graus de capacidade

antioxidante. Todas as amostras de mel exibiram atividade sequestradora de

radicais livres. Como mostrado na Tabela 6, os valores variaram de CE50 10,6-12,9

mg/mL para o mel puro no ensaio com o radical DPPH. Os resultados CE50 para o

ensaio ABTS•+ g/mL, variaram de 6,1 a 9,7 mg/mL.

Os méis analisados apresentaram correlação entre a quantidade de fenólicos totais (X) e a atividade antioxidante (Y) para os três testes. O mel puro apresenta um

coeficiente de correlação de Peason r2=0.62 (DPPH) e r2=0.71 (ABTS) (Figura 5.4).

1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 DPPH 1/CE50 (R2=0.62, p=0,012) ABTS 1/CE50(R2=0.72, p=0,004)

Teor de fenólicos totais (mg GAE/g)

1 /CE 50 (E n s a io D P P H e A B T S )

Figura 5.4 Correlação linear do teor de fenólicos totais em função dos valores de 1/CE50 do

ensaio ABTS e DPPH do mel puro de jandaira

Estes resultados sugerem que 62% e 71% da capacidade antioxidante é devido aos fenólicos existentes no mel. Não houve correlação no teste da deoxirribose com o teor de fenólicos, embora este ensaio tenha apresentado atividade antioxidante variando de 2,1 a 2,3 mg/mL. Estes dados estão de acordo com os observados para o pólen de abelhas em que foi verificada a ausência de

correlação entre a inibição da degradação da deoxiribose e a quantidade de fenólicos (Leja et al., 2005).

Pode-se concluir também que outros compostos presentes no mel puro como óleos voláteis, carotenóides, vitaminas e outros metabólitos contribuem para a atividade antioxidante. Estes resultados com o radical DPPH estão de acordo com Gheldof e Engeseth (2002) que mostrou uma contribuição significante entre a quantidade de fenólicos e a capacidade antioxidante dos méis, mas estes não são os únicos responsáveis. Em um estudo mais recente (Gheldof e Engeseth, 2003)

mostrou também que existe uma forte correlação (R2 = 0.963, p < 0.0001) entre a

capacidade antioxidante do mel e a concentração dos ácidos fenólicos totais.

Entretanto a capacidade antioxidante varia de acordo com a origem floral do mel, possivelmente devido às diferenças nas quantidades de metabólitos secundários e atividades das enzimas (Frankel et al., 1998). As diferenças podem estar relacionadas também com a origem entomologica do mel.

O teste antioxidante com o sistema -caroteno/ácido linoléico também apresentou resultados significativos variou de 48,8 a 74,6 mg/mL, para o mel puro (Tabela 5.4). A oxidação do ácido linoléico geram radicais livres peróxidos devido a abstração dos átomos de hidrogênios a partir dos grupos metilênicos dialílicos do ácido linoléico (Kumaran e Karunakaran, 2006). Os radicais livres então oxidam o - caroteno altamente insaturado. A presença de antioxidantes no mel miniminizam a oxidação do -caroteno pelos hidroperóxidos. Os hidroperóxidos formados neste sistema se decompoem. Entretanto, a velocidade de degradação do -caroteno depende da atividade antioxidante do mel.

Muitos estudos mostram que não existe correlação entre a quantidade de fenólicos e a degradação do -caroteno (Amarowicz et al.,1993; Mariod et al., 2006; Matthaüs, 2002). Esta falta de correlação entre a quantidade de fenólicos foi observada com o mel puro.

A capacidade antioxidante de mel venezuelano de Apis mellifera, Melipona

favosa e Trigona angustula, foi testado em três sistemas oxidativo para testar a

eficácia do mel na captura de ânion superóxido (O2● -), formação de hidroxila (OH ●)

e degradação do radical benzoato. Todas as amostras de mel verdadeiro mostraram maior capacidade antioxidante do que as de mel artificial e do ácido lipóico que foi usado como controle antioxidante leve (Rodriguez, et. al., 2007).

O mel tem um alto potencial como antioxidantes naturais para o potencial medicinal e nutricional. Embora a capacidade antioxidante do mel tem sido testado na maior parte in vitro, também foi encontrado que após o consumo de mel, aumenta a capacidade antioxidante do plasma (Schramm et al., 2003) e no soro sangüíneo (Gheldof et al., 2003). Contudo, esses autores afirmam que o mel pode proteger o homem contra o stress oxidativo sendo considerado um sistema de limpeza natural com uma bioatividade notável.

5.6 Caracterização química por ultravioleta e infravermelho

Os espectros de ultravioleta e infravermelho estão apresentados na Figura 5.5 e 5.6 respectivamente. As amostras de 1 a 8 apresentaram o mesmo perfil botânico, apresentando mais de 90% da espécie vegetal Mimosa caesalpiniifolia (Fabaceae/Mimosoideae). Estas amostras apresentaram perfis químicos similares nos espectros de IV e UV.

Figura 5.6 Espectros de absorção na região do infravermelho das amostras do mel de

jandaíra.

Figura 5.7 Gráfico dos escores obtido pela PCA aplicada aos espectros UV das nove

amostras (em triplicata) de mel.

A amostra 09, com perfil espectroscópico diferente, apresentou predominância da espécie Chamaecrista sp. A análise pela PCA dos dados obtidos por UV indicou que as amostras A1, A4, A6 e A8 possuem maior semelhança, enquanto a amostra A9 apresentou maior discrepância. O perfil dos compostos das amostras

apresentaram similaridade, exceto a amostra 9 que foi coletada em região geográfica diferente.

6 CONCLUSÃO

As análises melissopalinologicas do mel mostraram que a maioria dos méis de jandaíra analisados são monoflorais (a maioria apresentou a espécie Mimosa

caesalpinifolia como pólen dominante), sendo a abelha jandaíra forrageira

específica, muito importante para polinização de espécies nativas.

As análises físico-químicas dos méis mostraram que existe muita diferença entre os méis da jandaíra que é uma abelha nativa e a Apis (comparação com a literatura), principalmente nos dados da acidez e umidade, portanto, existe uma necessidade de se criar um código com os padrões de qualidade observados para o mel das meliponas. Os resultados obtidos contribuirão com a base de dados para definição das normas para o mel das abelhas sem ferrão.

As curvas TMDSC revelaram que as amostras apresentaram um perfil

semelhante, com pico endotérmico próximo a 0 0C que pode está relacionada à

fusão dos cristais de água, seguida de duas decomposições com dois eventos endotérmicos. As curvas TG do mel de jandaíra apresentaram perfis semelhantes com processo de decomposição que envolve quatro etapas que tem início a

temperatura ambiente e termina depois de 500 0C. A análise térmica é uma técnica

adequada para a caracterização térmica do comportamento de méis, podendo ser usada para detectar efeito de adulteração das amostras.

A análise dos espectros de absorção na região do infravermelho do mel in

natura mostrou absorções características de açucares e compostos fenólicos, já os

espectros de ultravioleta indicaram a presença de substâncias conjugadas que podem ser derivados fenólicos. Apenas a amostra 09 apresentou um perfil diferente. Na analise dos componentes principais (PCA) foi verificado uma correlação entre os dados de UV e a origem botânica das amostras. De acordo com os dados obtidos foi verificado que a técnica de infravermelho não é recomendada para caracterizar o mel in natura analisado, pois os mesmos apresentaram perfil espectroscópico semelhante.

Todas as amostras analisadas apresentaram atividade antioxidante em todos os ensaios. Além das atividades medicinais atribuídas para o mel da jandaíra, ainda

existe esta atividade que está associada ao combate de radicais livres causados pelo estresse e em várias outras doenças, incluindo as degenerativas.

Com este estudo foi possível assegurar um padrão de qualidade para o mel de jandaíra associado ao uso como alimento funcional, com propriedades benéficas ao organismo. O que pode conduzir uma valorização do produto junto ao consumidor em virtude do seu uso tradicional como adoçante constituir uma alternativa mais saudável.

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