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CHAPTER 8 APPENDICES

8.1 A PPENDIX 1 I NTERVIEW G UIDE

A locomoção sobre degraus constitui uma situação diferente do andar no plano. Isso se deve, principalmente à própria estrutura do degrau. Adicionalmente, a dimensão dos degraus é variável, como na maioria dos ônibus que possuem degraus altos, diferentes dos existentes em edificações. Além disso, nem sempre o ônibus pára próximo à calçada para reduzir a altura do último degrau até o solo.

Para este estudo foi construída uma escada que pudesse simular variações de altura como as encontradas durante o acesso a ônibus urbanos. Quando os participantes se confrontaram com alturas diferentes na transição degrau-solo, algumas alterações no comportamento locomotor ocorreram. Estas alterações foram observadas nas estratégias comportamentais (posicionamento dos pés no último degrau e utilização dos membros superiores), variáveis cinéticas (pico do componente vertical da força de reação do solo e taxa de crescimento) e variáveis cinemáticas (velocidade horizontal do tornozelo e do joelho, velocidade vertical do joelho e do quadril, duração da descida e das fases relativas de apoio e oscilação). Estes resultados confirmam parcialmente uma das hipóteses deste estudo, ou seja, que a altura entre o último degrau e o solo influencia o comportamento locomotor de indivíduos.

Degraus mais altos levam à geração de picos de força vertical maiores, assim como a taxa de crescimento desta força também é maior; em conjunto, é aumentada a velocidade vertical das articulações do joelho e quadril, além de uma maior fase de oscilação na transição degrau-solo. Estas alterações podem contribuir para um aumento na instabilidade da locomoção. Frente a esta situação, os indivíduos utilizam algumas estratégias para maior controle e segurança, como o posicionamento lateral dos pés nos degraus, a utilização dos corrimãos, maior tempo de descida, maior fase de apoio nos degraus superiores, menor fase de apoio no último degrau e menor velocidade horizontal do tornozelo e do joelho.

Comportamentos semelhantes de algumas variáveis são encontrados em outras tarefas locomotoras frente ao aumento da complexidade. Durante a subida de degraus, com o incremento da altura do degrau verificam-se aumentos na força vertical de reação do solo, tempo de apoio, tempo de oscilação e, conseqüentemente, no tempo total de subida (ROESLER, MARTINS, PIMENTEL, BONA & ROESLER, 2002). Durante o andar no plano, PATLA e RIETDYK (1993), estudando a locomoção de adultos jovens, constataram que o aumento da altura do obstáculo a ser ultrapassado provoca aumentos da força de reação vertical do solo, da velocidade vertical do quadril e da fase de oscilação, durante a ultrapassagem.

Com relação à força de reação vertical, na tarefa de descer degraus, observam-se picos aumentados desta variável bem como da taxa de crescimento em comparação com o andar no plano (LOBO DA COSTA, 1995; CRHISTINA & CAVANAGH, 2002). As magnitudes dos picos de reação do solo obtidas neste estudo foram semelhantes às encontradas por ROESLER, MARTINS, PIMENTEL, BONA e ROESLER (2001), em escadas de 30 e 40 cm, na ordem de 2,1 e 2,5 vezes o peso corporal, respectivamente. Os mesmos autores também relatam o aumento da taxa de crescimento em função da altura do degrau. A aumento destas duas variáveis indica níveis significativos de sobrecarga em relação ao peso corporal, o que exige do membro de apoio mecanismos de controle para suportar a força de grande magnitude e com rápido crescimento (LOBO DA COSTA, 1995). Os dados encontrados neste estudo indicam que a carga suportada aumenta ainda mais com degraus de grandes dimensões, sugerindo que esta variável é um parâmetro a ser levado em consideração no planejamento de degraus em limites adequados, para que não ocorram sobrecargas abusivas sobre o sistema locomotor.

Durante a aterrissagem, velocidades horizontais elevadas do membro inferior somadas com a pequena área de contato do pé com solo, aumentam as chances de escorregar (TEMPLER, 1992; PATLA & RIETDYK,1993). Para evitar acidentes deste tipo, ocorre uma maior redução da velocidade no pé do que no quadril. Por outro lado, a velocidade vertical do membro inferior tem pouca relação com escorregões; entretanto, magnitudes maiores favorecem a ocorrência de maior força de reação do solo e acarretam sobrecarga no membro, podendo resultar em lesões após muitas repetições do movimento (PATLA & RIETDYK, 1993).

Interessantemente, ROESLER et al. (2001), evidenciaram que a fase de duplo apoio do andar não existiu para alguns sujeitos em degraus com alturas de 50 e 60 cm, concluindo, então, que degraus de grandes alturas causam alterações nos padrões do andar, aumentando a sobrecarga em relação ao peso corporal. No presente estudo também ocorreram tentativas em que não foi identificada esta fase, o que leva a considerar que a descida dos degraus se tratou mais de um salto do que de um passo. O desaparecimento da fase de duplo apoio, que corresponde à fase de acomodação da carga, com o aumento da altura do degrau,

levanta a questão de que as fases do descer degraus, descritas por McFADYEN e WINTER (1988), ocorrem até um certo limite de altura de degraus. Certamente, este limite também deve estar relacionado com as características antropométricas do indivíduo, que influenciam uma confortável locomoção sobre degraus, conforme já observado em vários estudos (WARREN, 1984; MEEUWSEN, 1991; KONCZAK et al., 1992).

O maior tempo na fase de balanço durante o descer degrau se deve ao maior deslocamento do membro inferior dois degraus abaixo (LOBO DA COSTA, 1995). Na locomoção sobre obstáculos, a duração da fase de balanço aumenta juntamente com a altura do obstáculo a ser ultrapassado durante a locomoção em função do aumento da trajetória a ser percorrida pelo membro (PATLA & RIETDYK, 1993). No presente estudo, o aumento do tempo na fase de balanço foi observado durante a locomoção no último degrau em função da maior altura do mesmo, que é explicado pelo maior deslocamento do membro para ultrapassar o degrau mais alto.

Analisando o tempo em termos relativos, verifica-se que alterações na altura do último degrau até o solo influenciam as fases de oscilação e apoio já nos degraus superiores. O aumento na altura do último degrau leva a uma diminuição da fase de oscilação nos degraus superiores. Tal fato pode estar relacionado à necessidade de atingir o apoio mais cedo, visto que este membro será o primeiro a transpor o degrau de maior altura, permitindo assim maior tempo para preparação da descida com fase de apoio maior. LOBO DA COSTA (1995) não identificou diferenças na duração porcentual das fases de oscilação e apoio em crianças descendo degraus e andando no plano, mantendo-se a fase de balanço menor do que a fase de apoio. É possível que este maior tempo na fase de apoio favoreça a preparação para a transição degrau-plano disponibilizando maior tempo para um planejamento feedforward para descer o último degrau.

Não obstante a altura do ultimo degrau, a transição degrau-solo constitui uma situação diferente de um descer contínuo de degraus, visto que depois de ultrapassado o último degrau, o indivíduo passa diretamente a realizar a tarefa de andar no plano. Transições realizadas durante a locomoção se mostram influenciadoras no comportamento de algumas variáveis. Por exemplo, o pico de força vertical de reação do solo apresenta-se maior na transição plano-degrau

do que ao longo da descida dos degraus (CRHISTINA & CAVANAGH, 2002). Tais situações de transição degrau-plano e plano-degrau, ainda mostram-se pouco estudadas, entretanto merecem atenção especial, principalmente levando-se em conta que os acidentes costumam ocorrer nos primeiros e nos últimos degraus de uma escadaria (CAVANAGH et al., 1997).

Quando se concentra a atenção no comportamento locomotor no último degrau, pode-se constatar que ocorre o inverso do que acontece nos degraus superiores. Proporcionalmente, a fase de oscilação aumenta juntamente com a altura do degrau. Uma possível explicação seja a necessidade de controlar a descida, com uma ação de frenagem do membro inferior que, com uma fase maior de balanço, pode ser mais eficiente.