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4.1.5.1 Amostras

Na classificação física do milho (Tabela 20), observou-se grande número de amostras fora dos padrões da qualidade estabelecida pela indústria de ração, quanto aos teores de água.

Tabela 20. Determinação da freqüência de amostras de milho coletadas de diferentes regiões do estado de Minas Gerais durante o ano de 2008, abaixo dos padrões de classificação física

Frequência (%) Regiões Teor de água (% b.u.) Matérias estranhas, impurezas e fragmentos (%) Zona da Mataa 77,3 0,0 Triângulo Mineirob 64,4 0,0

Sul e Sudoeste de Minasc 62,7 0,0

Oeste de Minasd 53,1 0,0

Noroeste de Minase 48,6 0,0

Metropolitana de Belo Horizontef 68,2 0,0

Campo das Vertentesg 78,9 0,0

Regiões

Grãos avariados (%)

Grãos ardidos, mofados e brotados (%)

Zona da Mataa 0,0 0,0

Triângulo Mineirob 0,0 0,0

Sul e Sudoeste de Minasc 0,0 0,0

Oeste de Minasd 0,0 0,0

Noroeste de Minase 0,0 0,0

Metropolitana de Belo Horizontef 0,0 0,0

Campo das Vertentesg 0,0 0,0

Número de fornecedores das diferentes regiões do estado de Minas Gerais: a (71), b (23), c (49), d (7), e (16), f (6), g (39). Número total de amostras: a = 213, b = 69, c = 147, d = 21, e = 48, f = 18, g = 117.

Na Figura 32 estão os resultados das análises físicas de classificação de milho, de acordo com as normas descritas por BRASIL (1996) e usadas pela indústria de fabricação de ração. De acordo com os resultados, observou-se que os teores de água do milho, nas diferentes regiões, estiveram acima dos 14,5% b.u., recomendados em BRASIL (1996). Os elevados teores de água, para a maioria dos produtos analisados, podem aumentar os riscos de contaminação por fungos durante as etapas de processamento, principalmente do gênero Aspergillus, Penicillium e

Figura 32. Quantificação dos valores mínimos, médios e máximos da qualidade do milho, pela classificação física, provenientes de diferentes regiões do estado de Minas Gerais, para uso na formulação de rações para aves. Teor de água (% b.u.) (A); matérias estranhas, impurezas e fragmentos (B); grãos avariados (C) e grãos ardidos, mofados e britados (D).

0 2 4 6 8 10

Grãos avariados (%) Campo das Vertentes

Metropolitana de Belo Horizonte Noroeste de Minas Oeste de Minas Sul e Sudoeste de Minas Triângulo Mineiro Zona da Mata R e gi on s ( M G ) C 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 Matérias estranhas, impurezas e fragmentos (%) Campo das Vertentes

Metropolitana de Belo Horizonte Noroeste de Minas Oeste de Minas Sul e Sudoeste de Minas Triângulo Mineiro Zona da Mata B

0 4 8 12 16 20 24 28

Teor de água (%b.u.) Campo das Vertentes

Metropolitana de Belo Noroeste de Minas Oeste de Minas Sul e Sudoeste de Minas Triângulo Mineiro Zona da Mata A

0 2 4 6 8

Grãos ardidos, mofados e brotados (%) Campo das Vertentes

Metropolitana de Belo Horizonte Noroeste de Minas Oeste de Minas Sul e Sudoeste de Minas Triângulo Mineiro Zona da Mata

Valores máximos (%) Valores mínimos (%) Valores médios (%) D

Existem vários estudos que comprovam os riscos de contaminação por fungos nos grãos de milho, dentre eles podemos citar Dilkin et al. (2000) que encontraram contaminações de Aspergillus sp., Fusarium sp. e Penicillium sp., em grãos de milho recém colhidos, com 18% b.u. de teores de água. Por outro lado, o milho colhido com teores de água inferiores a 18% b.u. tende a perder massa seca no campo por respiração segundo Brooker et al. (1992). Além disto, os grãos podem sofrer maiores injúrias dos mecanismos de debulha, gerando trincas no endosperma e escarificações no pericarpo do grão, expondo-o seu conteúdo à ação de fungos e de insetos, com reflexos negativos na potencialidade de armazenamento como, por exemplo, a redução da massa específica e a produção de micotoxinas.

A indústria de ração por sua vez, tem sido ainda mais exigente quanto este aspecto, e vem adotando como padrão interno para os teores de água do milho 12% b.u., tornando o produto mais seguro e livre da maioria das contaminações por microorganismos.

Na classificação física, a soma das matérias estranhas, impurezas e fragmentos foram menores na região da Zona da Mata, com 0,7% e maiores para a região do Noroeste de Minas, com 0,9%. Verificaram-se em algumas amostras, valores mínimos de matérias estranhas, impurezas e fragmentos de 0,3%, para todas as regiões, e valores máximos de 1,4%, para o Oeste de Minas. Observando-se a presença de produtos avariados, a região da Zona da Mata foi a que obteve os menores índices (6,5%), enquanto que a região metropolitana de Belo Horizonte, Oeste de Minas e Noroeste de Minas, os maiores (8,7%). A soma dos ardidos, mofados e brotados foram abaixo de 6,0%, com exceção da região da Zona da Mata, que ficou abaixo de 6,9%.

Os bons resultados da qualidade física do milho para região da Zona da Mata são reflexos da política de qualidade estabelecida pela indústria, em um sistema de integração com os produtores da região. A fábrica de ração por localizar-se nesta mesma região vê vantagens, quanto à qualidade e logística de transporte do milho, e para isto, fornece toda a assistência técnica necessária para a produção, e em troca adquire todo o produto com mais qualidade e a um custo de transporte mais baixo.

A boa classificação física do milho, de acordo com os resultados observados, com exceção dos teores de água, não significa para a indústria de ração qualidade dos seus produtos. Apenas a presença de grãos ardidos já são motivos para a desvalorização comercial e preocupação para a indústria, considerando-se que os

grãos ardidos são reflexos das podridões de espigas causadas no campo, e podem estar infectadas por fungos de diversas espécies.

A presença de fungos nos grãos de milho significa potencialidade para a produção de micotoxinas, tais como aflatoxinas, fumonisinas, zearalenona e toxina T-2, podendo comprometer a qualidade da ração processada e servir como uma ameaça à saúde dos animais. Cada uma dessas toxinas tem características particulares de ação nos animais, atingindo principalmente, fígado, rins, pulmões, baço e intestino. Segundo Tessari e Cardoso (2008), os principais sintomas observados nos plantéis de aves contaminados são: imunossupressão, alteração na função hepática, redução na absorção dos alimentos, redução na eficiência alimentar, despigmentação e empenamento irregular. Os sinais clínicos específicos em aves incluem anorexia, diminuição do ganho de peso, letargia, palidez da crista, barbela, além de sinais nervosos.

Para evitar estes tipos de problemas, é possível que a indústria de ração estabeleça seu padrão referencial que contemple os índices máximos aceitáveis de defeito nos grãos, para os atributos qualitativos que lhe convier, podendo ser mais rigoroso que o observado em portarias de classificação comercial.

4.1.6 Qualidade microbiológica das farinhas de origem animal fornecidas para a