O tempo necessário para a execução dos revestimentos em granilite foi de seis dias e os procedimentos realizados são os que seguem:
· 1º dia: execução das argamassas de regularização; · 2º dia: moldagem do granilite nos quadros e cura;
· 3º e 4º dias: cura do granilite;
· 5º dia: procedimentos de polimento e calafetagem; · 6º dia: procedimentos de polimento e acabamento.
Tanto os modelos solidarizados como o dessolidarizado de revestimentos em granilite foram executados sobre uma base de concreto de 100 mm de espessura, executada cinco meses antes da execução dos revestimentos. Nos Quadros II e III esta base estava com a superfície áspera, com reentrâncias, enquanto no Quadro I tinha a superfície lisa.
O primeiro passo na execução dos revestimentos foi a regularização (nivelamento) das bases com o emprego de argamassas. Nos quadros I e III foi utilizado um tipo de argamassa usual nas práticas de execução de regularizações e no Quadro II foi utilizada a argamassa mista de dessolidarização desenvolvida nesta pesquisa.
Nos quadros I e III foi utilizada uma argamassa de regularização de traço 1:2:0,427 (cimento:areia:água) com o mesmo cimento utilizado na argamassa mista (CP V ARI RS) e dois tipos de areia, uma com φmáx = 2,36 mm e outra com φmáx = 0,3 mm em proporções de 70% e 30%, respectivamente, e cujo objetivo foi manter a continuidade do substrato. No Quadro I, antes da execução da regularização aplicou-se uma cola resina sintética, copolímero compatível com o cimento, dita de alto desempenho pelo fabricante, que também proporcionaria excelente aderência das argamassas aos mais diversos substratos, conforme chamada comercial e, que tem sido utilizada pelos usuários na fabricação de pisos em granilite.
Primeiramente todos os quadros foram limpos e foi aspergida água sobre eles, para evitar sucção excessiva de água das argamassas pelo substrato. Realizou-se as regularizações dos quadros I e III com espessuras médias de 30 mm.
Figura 36 - Regularização no Quadro III.
Na sequência foi realizada a regularização no Quadro II com argamassa mista de dessolidarização com espessura média de 30 mm, Figura 37. Nesse quadro constatou-se que, após a aplicação do taliscamento para execução do nivelamento da argamassa, haviam regiões que se encontravam com espessuras menores que 30 mm, porém as espessuras não seriam menores que 15 mm.
Em função da disponibilidade de tempo para a execução dos ensaios, manteve-se essa região com espessura menor pois poderia dar uma ideia do comportamento dessas argamassas quando utilizadas em espessuras menores.
Figura 37 - Regularização do Quadro II com argamassa mista.
Após as regularizações, com as argamassas ainda no estado fresco, os três quadros foram frisados de maneira que a aspereza das superfícies contribuísse para a aderência entre as argamassas de regularização e o granilite. Esse procedimento
de finalização da regularização foi realizado com passadas de vassoura e sua execução no Quadro II é mostrada na Figura 38.
Figura 38 - Finalização da regularização no Quadro II.
No segundo dia de execução do revestimento novamente as superfícies foram limpas e umedecidas. As áreas dos revestimentos foram demarcadas (Figura 39), de modo que estas marcações fossem sobrepostas por juntas de dilatação.
Figura 39 - Delimitação das áreas dos revestimentos.
Após a marcação dos limites dos quadros foram fixadas as juntas de dilatação, neste caso juntas plásticas com altura de 9 mm. Realizou-se esse procedimento com o auxílio de régua metálica, para apoio das juntas, e com o emprego de microconcreto (mesma dosagem do granilite), sendo que nos encontros entre juntas não foi utilizado granilite para fixação, visando melhorar a aderência do granilite de revestimento. Esse procedimento é mostrado na Figura 40.
(a) (b)
(c) (d)
(e)
Figura 40 - Assentamento das juntas de dilatação. (a) assentamento de juntas; (b) detalhe de encontro de juntas em V; (c) encontro de juntas em T; (d) encontro de juntas em X; (e)
Quadro III com as juntas de dilatação delimitando as áreas do revestimento.
Após a fixação das juntas de dilatação foi realizada a limpeza da base para que fossem retirados resíduos da superfície, que podem acarretar desplacamentos no granilite. O procedimento seguinte foi a aspersão de água sobre a superfície para que quando no estado plástico o granilite não perdesse água para o substrato.
Preparada a superfície partiu-se para a moldagem do granilite nos limites das juntas de dilatação. Para a moldagem foi utilizada régua metálica, que auxilia no espalhamento do granilite (Figura 41).
Figura 41 - Moldagem do Quadro I com granilite.
Após moldado e regularizado com régua metálica foi respeitado um tempo de espera de aproximadamente cinco minutos. Após esse tempo foi aspergida água sobre o granilite e foi realizado o acabamento com a desempenadeira de aço. Esses procedimentos são mostrados na Figura 42 e na Figura 43, respectivamente.
Figura 43 - Acabamento do granilite com desempenadeira de aço.
O aspecto final do granilite com o acabamento no estado fresco é mostrado na Figura 44. Esta figura apresenta os três quadros produzidos nesta pesquisa, solidarizados e dessolidarizado.
Figura 44 - Quadros moldados com granilite (estado fresco).
O granilite foi curado com cura úmida fazendo-se a molhagem com água duas vezes por dia durante três dias a contar o dia da execução do revestimento. No
primeiro dia de cura o granilite foi molhado assim que se observou o fim de pega, para que não ocorresse carreamento de material. Após a molhagem o granilite era coberto com lona plástica para que fosse evitada a rápida evaporação da água, com a incidência de ventos e elevadas temperaturas.
Com o granilite com idade de três dias foi iniciado o processo de polimento (com duração de dois dias). Para os polimentos foram utilizadas máquina politriz (polimento com molhagem) e lixadeira (polimento a seco).
Para o polimento inicial foi utilizada uma politriz diamantada, Figura 45 (a), sendo que as superfícies foram durante todo esse polimento molhadas. Após esse procedimento os revestimentos foram lavados com água.
Para o segundo polimento foram trocadas as bases da politriz por pedras de esmeril de grana 60, como mostrado na Figura 45 (b). Durante esse polimento os revestimentos eram molhados com água e se lançava pequena quantidade de areia nas superfícies. A Figura 45 (c) mostra o segundo polimento executado no Quadro I.
(a)
(c) (b)
Figura 45 - Polimento do revestimento. (a) politriz com diamantes soldados em placas de encaixe; (b) politriz com pedras de esmeril de grana 60; (c) segundo polimento no Quadro I.
Depois da execução dos dois polimentos iniciais todo o revestimento foi novamente lavado, Figura 46, e seco.
Figura 46 - Lavagem do revestimento após os primeiros polimentos com politriz.
Com a politriz não é possível polir os cantos dos revestimentos, isso devido às dimensões da máquina. Esse acabamento de cantos, portanto, foi realizado com lixadeira e o primeiro acabamento com lixadeira, etapa posterior a secagem citada acima, foi feito com lixa nº 24 (Figura 47). O polimento com lixadeira é feito a seco, diferentemente do que ocorre no polimento com politriz.
Figura 47 - Polimento de canto com lixadeira – lixa nº 24.
Após o primeiro polimento com lixadeira o revestimento foi lavado com água e seco, para posterior calafetagem da superfície. Para a calafetagem foi preparada
uma pasta de cimento com 70% de cimento comum (cinza) e 30% de cimento branco.
Para a execução da calafetagem a pasta foi espalhada com rodo e posteriormente com desempenadeira de aço, como mostrado na Figura 48 (a) e na Figura 48 (b). O processo seguinte foi polvilhar cimento sobre a pasta e aspergir água.
(a)
(b)
Figura 48 - Calafetagem do revestimento. (a) espalhamento com rodo; (b) espalhamento com desempenadeira de aço.
No quarto dia de idade do granilite foram realizados os polimentos finais e o acabamento da superfície. Neste segundo dia de polimentos o polimento inicial foi feito a seco com lixadeira, dando acabamento aos cantos dos revestimentos, com lixa nº 60. O aspecto de parte do granilite após acabados os cantos é mostrado na Figura 49.
Figura 49 - Detalhe de cantos do revestimento em granilite após polimento com lixadeira – lixa nº 60.
Após o polimento dos cantos o granilite foi polido com politriz com pedras de esmeril de grana 120, Figura 50 (a), e após esse polimento, Figura 50 (b), o revestimento foi lavado com água e seco.
(a) (b)
Figura 50 - Segundo dia de polimentos – polimento com politriz. (a) politriz com pedra de esmeril de grana 120; (b) polimento com pedra de esmeril de grana 120.
O aspecto do revestimento em granilite durante a lavagem com água e depois de finalizados os polimentos é ilustrado na Figura 51.
Figura 51 - Lavagem do Quadro III após o último polimento.
Após a secagem o revestimento foi finalizado com a aplicação de selador e cera, Figura 52, sendo que primeiramente foi aplicado o selador sobre toda a superfície, repetindo-se a aplicação. Após a secagem do selador, aproximadamente 50 minutos, foi aplicada a cera, também com duas aplicações consecutivas.
Figura 52 - Procedimento de aplicação do selador e da cera no revestimento em granilite.
O aspecto do revestimento depois de finalizado o processo de execução é o apresentado na Figura 53. Observando-se que em (a) são mostrados os três quadros instrumentados e em (b) há um detalhe do granilite.
(a)
(b)
Figura 53 - Revestimento em granilite finalizado. (a) modelos em granilite; (b) detalhe do revestimento em granilite.