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Poverty and Prosperity among Sonapur Households

As mudanças tecnológicas têm contribuído de forma significativa com a inclusão do sujeito surdo nos meios sociais, culturais e de aprendizagem ao apresentar estratégias de interação e comunicação inovadoras, criando a possibilidade de fortalecer as conexões entre os surdos (SCHALLENBERGER, 2010; POWER; POWER; HORSTMANSHOF, 2007). A possibilidade de upload de vídeos gerados pelos usuários agora permite que os surdos compartilhem seus vídeos e registrem sua língua e cultura (SCHALLENBERGER, 2010), sendo os vlogs12 e sites como o YouTube13 as mais utilizadas para este

fim.

Para Schallenberger (2010), os surdos sempre fizeram uso da internet e suas tecnologias, desde os seus primórdios. Trabalhos de

12 Vídeo Blog. Site no estilo blog, cujo principal conteúdo são os vídeos. 13http://www.youtube.com

pesquisadores como Festa, Guarinello, Berberian (2013); Melo e Gomes (2013); Machado e Feltes (2010); Schallenberger (2010); Power, Power e Horstmanshof (2007), têm apresentado estudos relativos ao uso das TICs pelas comunidades surdas como ferramenta para criação de comunidades de surdos online. Os estudos são reflexos da evolução das tecnologias, com a Web 2.0,e da melhoria da infraestrutura de acesso à internet, com computadores e velocidades de conexão mais altas.

Embora a adoção das tecnologias pelos surdos seja expressiva, nota-se o longo caminho a ser trilhado quando as tecnologias são avaliadas no que diz respeito à acessibilidade ao surdo. Mesmo com propostas de vlogs e sites como o YouTube, contextos mais complexos demandam um desenvolvimento cuidadoso no que se refere às peculiaridades dos surdos e o uso de conhecimentos relativos à acessibilidade digital. Os ambientes deveriam ser flexíveis para considerar as diferentes habilidades de seus usuários no uso da tecnologia e acesso ao conhecimento (NASR, 2010).

No que diz respeito ao aspecto computacional, as diretrizes e recomendações de desenvolvimento de conteúdos acessíveis para a web, tais como as apresentadas no documento WCAG 2.0 (CALDWELL et al, 2008) têm se mostrado pouco eficientes na promoção da acessibilidade aos surdos. Kelly et al. (2007) apontam que embora impecável em sua forma, o WCAG 2.0 é demasiadamente genérico, funcionando bem apenas para contextos mais simples. De acordo com os pesquisadores, em contextos que exigem análise e interpretação (ex: contextos culturais, artísticos, ambientes colaborativos e de ensino e aprendizagem), as diretrizes deixam a desejar, visto que o desenvolvimento de projetos acessíveis envolve a complexa interrelação entre infraestrutura web, diretrizes de acessibilidade, tecnologias e conteúdos apresentados (HARPER; CHEN, 2012).

Mesmo com políticas públicas e diretrizes internacionais dispondo sobre o assunto, os sites e tecnologias ainda apresentam um caráter predominantemente textual, não apresentando suporte para as Línguas de Sinais e pouco explorando os aspectos da visualidade, tão importantes para os surdos (FELS et al, 2006; FAJARDO; VIGO; SALMERÓN, 2009; NASR, 2010; PIVETTA; SAITO; ULBRICHT, 2014). Neste sentido, buscou-se identificar por meio de revisão narrativa da literatura as dificuldades vivenciadas pelos surdos no uso de ambientes virtuais e as abordagens utilizadas para sobrepô-las.

A literatura tem relatado as barreiras enfrentadas pelos surdos em relação à língua oral em sua modalidade escrita em virtude das diferenças existentes entre as modalidades de comunicação

(ARCOVERDE, 2006; NASR, 2010). A comunidade surda necessita de projetos que promovam sua inclusão e acesso à informação na web (COETZEE; OLIVRIN; VIVIERS, 2009; MARTINS; FILGUEIRAS, 2010) tanto no projeto das interfaces como na seleção de ferramentas de interação e comunicação. Assim, questões relativas às particularidades do modo de comunicação dos surdos para realizar atividades tais como anotações/registros em LS, participação ativa em atividades cooperativas e colaborativas em fórum de discussão, enquetes e votações são fundamentais e impactam sobre a motivação e participação dos usuários surdos nestes ambientes (NASR, 2010; CHOWDRI; PAREL; MAITY, 2012).

Para além das tecnologias disponíveis, a literatura tem relatado dificuldades no que diz respeito à própria língua de sinais. Fotinea e Efthimiou (2008) e Li e Xu (2009) afirmam que as Línguas de Sinais possuem um vocabulário mais restrito, principalmente em domínios de conhecimento específico (que por vezes utilizam termos em outras línguas), e são de característica não uniforme. Corroborando a afirmação, Trindade; Guimarães e García (2013) relatam que ainda são comuns às abordagens que utilizam o recurso de soletração alfabética (datilologia) para palavras ou termos desconhecidos.

Mesmo com o conjunto de desafios apresentados, as tecnologias têm gerado boas perspectivas para os surdos por possibilitarem o desenvolvimento de atividades, interações e propiciarem a acomodação das necessidades individuais (LANG; STEELY, 2003). Além disso, com as tecnologias sociais e os ambientes participativos, apresenta-se a oportunidade de criação dos espaços de interação e práticas discursivas, tão essenciais para a formação da identidade e subjetividade do sujeito surdo.

As pesquisas identificadas por meio da revisão narrativa da literatura adotam uma perspectiva bilíngue, de modo que a língua oral e a língua de sinais coexistam no ambiente (FOTINEA; EFTHIMIOU, 2008; LI; XU, 2009; NASR, 2010; CHOWDRI; PAREL; MAITY; TRINDADE; GUIMARÃES; GARCÍA, 2013). Os autores identificados argumentam que a concepção é benéfica para estimular a interação entre surdos e ouvintes, bem como para propiciar a aprendizagem da língua oral em sua modalidade escrita.

Neste sentido, é importante salientar que, para que os objetivos sejam de fato atingidos, desenvolvedores e responsáveis por implantar ambientes virtuais nas instituições devem estar atentos à dimensão da acessibilidade, visto que o uso deliberado da tecnologia não soluciona todos os problemas. Em relação aos relatos literatura, as recomendações

e propostas de desenvolvimento têm sido predominantemente direcionadas a:

 Adequação do ambiente às particularidades do usuário, adequando o conteúdo seja por meio da inclusão de legendas em vídeos que contenham áudio, agregando vídeos em LS ou gerando equivalentes nesta língua (FOTINEA; EFTHIMIOU, 2008; LI; XU, 2009; CHOWDRI; PAREL; MAITY, 2012; TRINDADE; GUIMARÃES; GARCÍA, 2013).

 Usabilidade de interface, considerando o projeto de ícones, a navegabilidade do sistema incorporando a LS (tanto em vídeo como em signwriting), a existência de feedbacks ao usuário, bem como métodos de registro de informações e/ou opiniões que considerem a modalidade de comunicação dos surdos (tanto em vídeo como em signwriting) (FOTINEA; EFTHIMIOU, 2008; LI; XU, 2009).

 O uso de ferramentas de comunicação (chat, fórum de discussão, videoconferência) e de ferramentas de cooperação e colaboração compartilhadas para a formação de grupos e subgrupos na realização de atividades. As ferramentas listadas nestes grupos foram consideradas relevantes na promoção da motivação e engajamento dos usuários em uma comunidade, bem como para a formação de sua identidade (LI; XU, 2009; NASR, 2010; CHOWDRI; PAREL; MAITY, 2012; TRINDADE; GUIMARÃES; GARCÍA, 2013; CANAL; SÁNCHEZ, 2014).

 Desenvolvimento de meios de compartilhamento de informações, tais como repositórios de dados (LI; XU, 2009; TRINDADE; GUIMARÃES; GARCÍA, 2013)

 Aspectos relacionados ao desenvolvimento e disseminação da própria língua de sinais por meio do desenvolvimento de terminologias e/ou uso de artefatos de apoio linguístico, tais como dicionários, glossários e tradutores automáticos (FOTINEA; EFTHIMIOU, 2008; TRINDADE; GUIMARÃES; GARCÍA, 2013).

A língua de sinais é elemento constituinte da realidade dos sujeitos surdos e assim como está presente em seu cotidiano, no mundo material, deve estar presente nos ambientes virtuais. As pesquisas

identificadas na revisão sistemática relatam a importância da LS nos ambientes virtuais e a importância de fortalecer sua representatividade nestes contextos. Desta forma, funcionalidades que ampliem as possibilidades de comunicação e o compartilhamento de conhecimentos respeitando as características do sujeito surdo se fazem necessárias. Em complemento, apontamentos quanto ao desenvolvimento e/uso de artefatos da LS para a disseminação da língua reforçam o argumento relacionado ao fortalecimento da LS nos contextos digitais.