4. Methods
4.3. Data analyses
4.3.1. Potential spectral indices for burned area mapping in savanna woodlands
Aquando da revisão da literatura verifica-se que a autoestima é um constructo complexo que tem vindo a ser amplamente estudado. São inúmeras as definições deste conceito, porém nem sempre concordantes ou esclarecedoras (Brites, 2010; Guerreiro, 2011), provavelmente associado ao facto de existirem opiniões muito díspares no que respeita à sua concetualização, avaliação e noções que lhe estão subjacentes (Nunes et al., 2009).
No que concerne à origem etimológica da palava autoestima, auto vem do grego
autos, “eu mesmo; por si próprio” e a palavra estima do latim aestimare, “ter afeição a
(alguém ou algo) ou sentir afeição recíproca (Carvalho, 2008).
Segundo Guerreiro (2011, p.14):
“Este constructo começou por ser estudado pelos mais conceituados teóricos conhecidos na Psicologia, como William James, Alfred Adler, George Herbert Mead, e Gordon Allport, embora muitos desses esforços tenham sido considerados infrutíferos por “não serem científicos”. Com o passar do tempo as pesquisas foram sendo mais alargadas, tendo como principal objetivo a medição da autoestima como uma entidade global”.
Para Azevedo & Faria (2004), a autoestima é como o quociente da relação entre a perceção do sucesso (no numerador) e a perceção das expectativas (no denominador), ou seja, quanto mais a pessoa perceciona que o que consegue realizar se aproxima do que esperou de si, melhor se sente consigo própria. Para este autor, a autoestima é, de um modo geral, a avaliação individual que cada pessoa faz sobre si própria (ou à atitude face a).
Coopersmith (1967) considera que a autoestima está relacionada com o modo como a pessoa se avalia a si própria, tendo acrescentado à definição o termo “valor” que, conjuntamente com o termo “avaliação”, são aspetos importantes e que devem ser tidos em conta para a compreensão do conceito.
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Segundo Rosenberg (1979), a autoestima é a atitude global que a pessoa tem em relação a si própria, mas que está associada a um sentimento de valor, ou seja, a autoestima poderá ser uma componente predominantemente afetiva da representação que a pessoa constrói sobre si. Osborne (1996, cit. in Peixoto, 2003, p. 22) também partilha da opinião que a autoestima tem uma componente afetiva ao defini-la como:
“Um sentimento positivo ou negativo, relativamente permanente, sobre si próprio, que pode tornar-se mais ou menos positivo ou negativo à medida que os indivíduos se confrontam e interpretam os sucessos e os falhanços das suas vidas quotidianas”.
De acordo com Rosenberg et al. (1995), existem dois tipos de autoestima, a global e a específica. A autoestima global está relacionada com o bem-estar e a autoestima específica está condicionada a um determinado comportamento (e.g. autoestima académica). Este conceito de autoestima específica está associado à valorização de algo, como por exemplo o desempenho académico e pode influenciar a autoestima global.
Ainda sobre esta temática, Nunes et al. (2009) refere que a noção de estima implica ao mesmo tempo a medida (avaliação) e a valorização (valores). Segundo os autores uma prova de autoavaliação supõe, com efeito, a hipótese de que a pessoa tem a possibilidade de se analisar e medir, nas suas condutas, a presença e a intensidade de sentimentos e de emoções específicas, de julgar, positiva ou negativamente, as suas atitudes, preocupações, atos, potencialidades ou projetos. Esta medida implica a consciência, mais ou menos clara, do valor, positivo ou negativo, do juízo sobre si mesmo.
Para Bednar e Peterson (1995), a autoestima é um sentimento durável e afetivo de valor pessoal, assente em auto perceções precisas. Segundo estes autores, o conceito de autoestima está mais associado ao modo como as pessoas interpretam os feedbacks dos outros, em detrimento do conteúdo dos próprios feedbacks. Ainda assim, é de notar a influência que o meio intrínseco da pessoa possui para estimar os níveis de autoestima, uma vez que, uma pessoa que acredite em si própria e seja detentora de uma autoestima adaptativa tolera eficazmente os feedbacks do exterior.
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Alcántara (2000) afirma que a autoestima é uma atitude pessoal relativamente a si mesmo, que reflete o modo como a própria pessoa, pensa, ama, sente e se comporta, possuindo assim uma componente cognitiva (o autoconceito, ou seja, as ideias e crenças que a pessoa tem de si), uma componente afetiva (a avaliação que a pessoa faz das suas próprias características) e uma componente comportamental (resultado, na ação da dinâmica interna, na procura da estima e do respeito dos outros).
Inicialmente os teóricos classificavam a autoestima como um traço, aparentemente estável e fixo ao longo da vida, posteriormente tem sido preconizada uma conceção mais complexa que contempla a autoestima enquanto estado e não apenas como traço, já que se podem observar flutuações individuais em determinadas situações (Greenier, Kernis & Waschull, 1995).
A autoestima não se limita a um processo cognitivo de descrição de caraterísticas individuais próprias, mas engloba um processo de avaliação das mesmas, de maior ou menor aceitação dos sentimentos decorrentes, e o produto/comportamento que resulta dessa interação. É assim uma construção dinâmica e longitudinal, na medida em que se processa durante todo o desenvolvimento humano e que tem impacto no modo como a pessoa vivencia o que a rodeia (Bednar & Peterson, 1995; Brites, 2010).
Na perspetiva de Oubrayrie, Safont e Tap (1991), a autoestima é frequentemente considerada como a dimensão afetiva da identidade pessoal, o fundamento do julgamento (positivo ou negativo) da autoavaliação. Representa o conjunto de atitudes e sentimentos da pessoa a respeito de si, orientadores das suas reações e do seu comportamento.
É usual referir a autoestima como sendo elevada ou baixa (ou positiva ou negativa), o que resulta de uma autoavaliação na qual o indivíduo se considera na sua globalidade, enquanto objeto de avaliação e não relativamente a qualquer contexto de realização (Peixoto, 2003). As consequências da autoestima dependem da sua grandeza, isto é, enquanto a autoestima positiva favorece as dinâmicas de realização pessoal e de integração interpessoal, com uma função de sustentação identitária e adaptativa, a autoestima negativa desencadeia no indivíduo processos opostos e prejudiciais (Fonseca, Santos, Tap & Vasconcelos, 2004 cit. in Brites, 2010).
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Vários estudos concluíram que a autoestima elevada está fortemente relacionada com as crenças que cada pessoa tem sobre si própria, com efeitos benéficos consequentes, contrariamente à baixa autoestima (Crocker & Park, 2004).
Rosenberg (1979) aponta quatro princípios explicativos do desenvolvimento da autoestima: a forma como o sujeito avalia as suas ações (autoatribuição); as apreciações que o indivíduo pensa que os outros elaboram sobre ele; as comparações que ocorrem nas interações sociais, podendo o indivíduo sair favorecido ou depreciado e a importância e o valor relativos das várias dimensões do autoconceito.
De acordo com Pires (2004 cit. in Nunes et al. 2009), a representação que as pessoas possuem de si próprias, nos vários contextos onde se inserem, é um fator de impacto na forma como vivenciam aquilo que as rodeia. Esta representação integra uma componente avaliativa sustentada no conjunto de experiências vivenciadas subjetivamente.
A importância da autoestima reside no facto dela interferir com o modo como encaramos as situações com as quais nos defrontamos no dia-a-dia. A autoestima impulsiona a atuar, a seguir em frente e motiva para perseguir os objetivos. Mesmo que essa imagem pessoal não corresponda à realidade, a verdade é que orienta as opções e decisões das pessoas (Afonso, 2011).
Uma meta-análise apresentada por Kling et al. (1999) concluiu que há uma associação entre género e autoestima, traduzida na tendência das mulheres para apresentarem valores inferiores de autoestima relativamente aos homens, resultados corroborados por outras investigações (Ponsoda et al., 2008).
Lila (2009) refere no seu estudo que no subgrupo de adolescentes que frequentam o ensino secundário, a autoestima encontra-se correlacionada positivamente com o suporte materno e com o suporte paterno e negativamente com a rejeição/controlo paterno. No subgrupo de estudantes universitários, a autoestima não está relacionada com nenhuma prática parental.
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Resultados de outros estudos revelam ainda que as mulheres separadas parecem também apresentar mais alterações emocionais, níveis mais elevados de stress e uma diminuição da autoestima (Amato, 2000; Garvin, Kalter & Hansell, 1993; Lorenz et al. 1997).