Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados
Nesta parte apresentam-se, de forma estruturada, as evidências obtidas através dos instrumentos de recolha de dados, especificamente, entrevistas e observação. As entrevistas seguiram – como já foi referido - um guião estruturado, de forma a obter respostas diretas às questões integrantes dos guiões.
Seguidamente, apresentam-se os dados obtidos, através de uma tabela, de forma a permitir uma leitura organizada dos mesmos. A tabela em apreço, estrutura-se em três colunas. Na primeira consta a categoria de análise, ou seja, os temas principais, que estão definidos nos objetivos. Na segunda coluna colocam-se evidências recolhidas nas entrevistas e, por fim, na última coluna, regista-se o que foi observado.
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Tabela 2. Síntese dos dados recolhidos nas entrevistas e na observação
Categorias de análise Síntese de dados correspondentes obtidos nas Entrevistas Síntese de dados da Observação Papel da Equipa Local de
Intervenção Precoce
EE1 “Ajudar a criar estratégias e metas a atingir, bem como orientar família e educadores a criar uma rotina de encontro ás suas necessidades”
EE2 “Ajudar nas dificuldades que cada criança apresenta”
EI “O papel da equipa de intervenção precoce é positivo. O que acontece é que como já referi são poucos os técnicos para tantas crianças”; “No que diz respeito à relação existente, existe uma relação de proximidade entre os intervenientes e sempre que seja necessário encontramos momentos para definir estratégias”
AAE ” A equipa de intervenção precoce tem a função de apoiar a criança e de ajudá- la”; “Em relação à relação existente entre a equipa de intervenção precoce, a equipa da sala e a família, no meu caso, existe pouca ou nenhuma relação”
TSEE “Ser profissional de intervenção precoce significa compreender e empatizar com a problemática da criança e com a sua família, dotando a família e os contextos de competências que possam ser promotoras do desenvolvimento da criança. Reforçar as competências da família na forma de lidar com as dificuldades da sua criança, quer em termos reabilitativos, quer em termos emocionais. A ELI de Sesimbra é constituída por profissionais dos três Ministérios (ministério do trabalho e da solidariedade social, o ministério da saúde e o ministério da educação). MTSS (Ministério do trabalho, Solidariedade e Segurança Social) – 1 psicólogo, 1 TSEER (Técnico Superior de Educação Especial e Reabilitação), 1 Terapeuta da Fala e 1 Técnico de política social, todos eles com tempos inteiros. O ministério da educação tem três docentes de educação especial, também eles a tempo inteiro. O ministério da saúde disponibiliza três horas mensais de 1 médico de família, 1 psicólogo, 1 técnico de serviço social e 1 enfermeiro. Por norma, semanalmente a equipa reúne-
- A técnica está presente uma vez por semana para observar as duas crianças.
- Por momentos encontra-se em situação de observação, e noutros momentos está em contacto com as crianças. - A educadora fala com a técnica quando esta chega e quando se vai embora. Houve situações em que a educadora saiu da sala para se reunir com a técnica. - Nunca se observou a técnica a falar com a auxiliar de ação educativa.
- Observou-se um momento em que a família de uma criança estava a combinar uma reunião com a técnica.
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se para a discussão de casos, e regularmente cada responsável de caso discute com o seu parceiro de caso que é atribuído de acordo com as necessidades complementares da criança atendida. Quando uma criança é referenciada, essa referenciação é analisada e distribuída pela equipa de triagem. Esta equipa realiza o primeiro contacto com a família e o elemento referenciador, agendando uma primeira reunião. Nesta reunião esclarece o tipo de pedido formulado, tenta conhecer-se melhor a situação e quais as preocupações da família e de quem referenciou. É também nesta reunião que se dá a conhecer o serviço, o SNIPI (Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância) e a sua forma de funcionamento, e inicia-se o preenchimento do PIIP. Determina-se em conjunto qual o próximo passo de acordo com as necessidades sentidas A ELI procura dotar e apoiar os contextos educativos de práticas inclusivas, reunindo com a regularidade solicitada pela educadora da sala, esta deverá sempre que seja pertinente colaborar e ser parceira na implementação do PIIP. Em relação às limitações que sinto, atualmente deparo-me com uma enorme falta de recursos especializados para dar resposta às necessidades das famílias e suas crianças.”
Educação Inclusiva e
Conceito de inclusão
EE1 “Para mim inclusão, significa que o meu filho tenha as mesmas igualdades de oportunidades na sua vida escolar, e se assim o for, promover-se-á uma educação inclusiva”
EE2 “A inclusão passa pela igualdade de direitos, assim sendo, o meu filho tem tantos direitos como as outras crianças… é importante que os profissionais envolvidos promovam uma educação inclusiva, que deem oportunidade tanto às crianças sem NEE como às crianças com NEE”
EI “Toda a criança deve ter a possibilidade de frequentar uma instituição de ensino pré-escolar independentemente da sua condição. Incluir/inclusão é fazer parte do grupo. A instituição está sem dúvida, apta para a inclusão de crianças com NEE. A educação inclusiva baseia-se no direito de cada criança à educação. Desta forma,
- Verifica-se que existe uma educação inclusiva, não só dentro da sala, como no envolver da Instituição. Não esquecendo que é uma Cerci, e de certa forma, está preparada para receber crianças com NEE.
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tanto as crianças com NEE como as crianças sem NEE têm direito à mesma educação”
AAE “A inclusão de crianças com NEE é importante tanto para a criança como para as outras, pois assim, é uma das formas das crianças ditas “normais” aprenderem a lidar com a diferença”; “Relativamente à educação inclusiva, a sociedade hoje em dia não está preparada para aceitar crianças e mais tarde adultos com NEE. Desta forma, a educação inclusiva visa tentar mudar a mentalidade dos adultos que de certa forma rodeiam a criança com NEE…e os profissionais envolvidos devem ensinar as outras crianças a respeitar os outros, a respeitar as diferenças, e transmitir às crianças que todas têm acesso ao mesmo, e dessa forma, está-se a promover uma educação inclusiva”; “A escola está adaptada para a inclusão de crianças com NEE” TSEE “É essencial e indiscutível os benefícios trazidos pela inclusão de uma criança com NEE, quer para ela quer para todas as outras. Assim se podem passar valores de respeito pela diferença, respeito pela individualidade e solidariedade. O prazer de ajudar e apoiar o desenvolvimento, a capacidade de observar pequenas metas atingidas que são consideradas vitórias de todos.”
Estratégias inclusivas EEI “As estratégias utilizadas deverão ser de acordo com as necessidades, claro que deveremos estar mais atentas e disponíveis para a podermos apoiar, quer seja com materiais quer com “afetos”
AAE “Dependendo da criança as estratégias são alteradas, a única que é a mesma é a aceitação das outras crianças, tentando que estas ajudem dentro das suas capacidades a criança com NEE”
TSEE “As estratégias poderão ser variadas de acordo com as necessidades. Talvez chamar a atenção para a diferença de cada um do grupo seja uma das etapas imprescindíveis em qualquer grupo. O que cada um gosta, o que não gostam, o que
- As atividades estão sempre adaptadas de forma a que as duas crianças com NEE participem.
- Há sempre uma maior atenção no momento da atividade com estas crianças.
- Existe muito apoio.
- Não existe diferenciação entre as crianças.
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preferem fazer, de cor têm o cabelo, os olhos…” durante um momento levarem para a sala os brinquedos que trouxeram de casa, e todas conseguem partilhar, pois já sabem, se não partilharem vão guardar esses mesmos brinquedos. Assim sendo, esta foi uma das estratégias que a educadora utilizou desde o inicio de forma a que as crianças sem NEE emprestassem às crianças com NEE, como o contrário.
- A educadora baseia o seu ensino tanto nas necessidades, como no currículo.
- Os objetivos de aprendizagem são ajustados às necessidades de aprendizagem das crianças.
- A educadora adapta os recursos às crianças, com base nas suas necessidades de aprendizagem e nas suas capacidades.
- Tudo o que é planeado é a pensar nas crianças sem NEE mas também nas crianças com NEE.
Atitudes e ações dos colegas
EI “As crianças ajudam muito, existe um grande espirito de entreajuda”
EE1 “É uma criança sociável, quer sempre brincar com os colegas, e os colegas brincam com ele”
EE2 “A relação que o meu filho estabelece com os colegas é uma relação muito boa, os colegas estão sempre presentes para o ajudar, para brincar com ele”
AAE “As crianças na idade de jardim de infância ou creche são geralmente muito
- Os colegas aceitam as crianças com NEE, de forma natural, sem excluí-las da brincadeira, até pelo contrário, querem sempre brincar com ambas.
- Acontecem alguns momentos de discussão, quando há a preferência pelo mesmo brinquedo, e isso acontece, tanto com as crianças com NEE como as restantes. - As crianças sem NEE ajudam as crianças com NEE a
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prestativas e levam brinquedos para emprestar à criança com NEE, chamam-na para brincar ou tentam adaptar uma brincadeira”
TSEE “Os pares da criança são peças chave no processo de inclusão, as crianças aprendem maioritariamente por modelo e são, como tal, os co-terapeutas perfeitos para intervir juntos da criança. Que, habitualmente aceita melhor as intervenções de um colega em detrimento do adulto.”
comerem, uma vez que estas distraem-se com mais facilidade.
Expectativas da família face ao processo educacional e inclusivo do educando
EE1 “Considero benéfico que o meu filho esteja em classes regulares, na medida de ajudar na sua socialização com as outras crianças, dando a conhecer as regras e normas. A principal função da escola em relação a crianças com NEE é ajudar, sem dúvida, não só o meu filho nas suas tarefas diárias escolares, como ajudar na orientação para criarmos uma melhor rotina familiar. Acho que a escola deveria criar uma sala de exercício físico específico para estas crianças. Considero que o meu filho está incluído na sala”; “Tenho o cuidado de saber diariamente sobre todas as atividades do meu filho, no meu caso, estou sempre presente”; “Com a equipa de intervenção precoce que acompanha o meu filho, tenho o cuidado de falar sempre que tenho alguma consulta da especialidade, mas mesmo quando isso não acontece, tenho feedback do acompanhamento semanal”; “O meu filho tem uma relação de carinho e amizade com a equipa da sala, e verifico o contrário, entre a equipa da sala e o meu filho”
EE2 “Considero benéfico a inclusão de crianças com NEE nas classes regulares, na medida em que a convivência com as outras crianças traz alguma evolução e ajuda no crescimento do meu filho. Acho que a aprendizagem que é proporcionada pela escola é muito boa, tem ajudado bastante em todos os aspetos. A principal função da escola é ajudar a criança no seu crescimento e aprendizagem e fazendo dela uma criança normal como as outras, sem qualquer complexo. A relação que tenho com a escola, é muito positiva, todos os profissionais envolvidos são acessíveis. E sem dúvida alguma, o meu filho está incluindo na sala”; “Estou muito contente e satisfeita
- Presenciou-se vários momentos entre as famílias e a equipa da sala.
- Existe uma relação de partilha, de entreajuda entre as famílias e a equipa da sala.
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com a escola do meu filho”; “Vou à escola por iniciativa própria, mas também sou chamada sempre que necessário, por norma, a minha presença é solicitada sempre que é necessário”; “Com a equipa de intervenção precoce, falo normalmente, uma vez por mês”; “A relação do meu filho com a educadora e com a auxiliar, é muito boa e positiva”
EI “Em relação á minha relação com as famílias, considero que deverá existir momentos de diálogo e partilha frequentes. Da minha experiência existe confiança na minha atividade por parte das famílias das crianças com NEE”
AAE “A relação que estabeleço com a famílias das crianças com NEE, é a mesma, que estabeleço com as outras famílias”
Possíveis estratégias a implementar pelos profissionais para melhorar de futuro, os níveis de inclusão
EI “A maior necessidade que sinto para melhorar o nível de inclusão de uma criança com NEE deve-se ao facto de haver pouco tempo de apoio, mas que passa pelas organizações governamentais/ministério da educação, que apenas colocam uma docente para um número indeterminado de crianças, logo cada criança com NEE, apenas tem uma ou duas horas de apoio semanal. Era uma das estratégias que considero que devia ser posta em prática, ou seja, haver um aumento no apoio a estas crianças por parte da equipa local de intervenção.”
AAE “Mais técnicos de apoio a tempo inteiro”
TSEE “Existem várias… dinâmicas de grupo, jogos de roda, dinamização de histórias de imagem e pouco texto que promovam a inclusão e a diferença”
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3.1. Análise interpretativa dos resultados
Depois de organizados e tratados os dados recolhidos, passa-se à sua análise e discussão.
Educação Inclusiva e Conceito de Inclusão
Assim, em relação ao tema da educação inclusiva e ao conceito de inclusão, são várias as opiniões que se analisaram. Segundo a educadora de infância “toda a criança deve ter a possibilidade de frequentar uma instituição de ensino pré-escolar independentemente da sua condição. Incluir/inclusão é fazer parte do grupo”, a mesma refere que “uma educação inclusiva se baseia no direito de cada criança à educação, desta forma, tanto as crianças com NEE como as crianças sem NEE têm direito à mesma educação”. Os autores Stainback e Stainback (1990, citado por Schwartz, Sandall, Odom, Horn e Beckman, 2007) defendem também que uma escola inclusiva “é um local onde todos têm lugar, são aceites, apoiam e são apoiados pelos seus colegas e outros membros da comunidade escolar, ao mesmo tempo que vêem as suas necessidades educativas serem satisfeitas” (p.17).
Já a auxiliar de ação educativa refere que “a inclusão de crianças com NEE é importante, tanto para a criança com como para as outras, pois assim, é uma das formas das crianças ditas “normais” aprenderem a lidar com a diferença”, explica ainda que “a sociedade hoje em dia não está preparada para aceitar crianças e mais tarde adultos com NEE. Desta forma, a educação inclusiva visa tentar mudar a mentalidade dos adultos que de certa forma rodeiam a criança com NEE”. Salienta também que os profissionais envolvidos devem ensinar as outras crianças a respeitar os outros, a respeitar as diferenças, e transmitir às crianças que todas têm acesso ao mesmo, e dessa forma, está- se a promover uma educação inclusiva para todos.
Também a técnica superior de educação especial refere que a inclusão é muito importante, afirma dizendo que “é essencial e indiscutível os benefícios trazidos pela inclusão de uma criança com NEE, quer para ela quer para todas as outras. Assim se podem passar valores de respeito pela diferença, respeito pela individualidade e solidariedade. O prazer de ajudar e apoiar o desenvolvimento, a capacidade de observar pequenas metas atingidas que são consideradas vitórias de todos.” Segundo o Pediatra Cordeiro (2014) “um amigo é uma segurança, um recurso a um apoio nas brincadeiras, na descoberta do mundo e na vida relacional” (p.392), desta forma, é importante que as crianças com NEE possam ter amigos que lhes proporcionem isso.
Para as profissionais, educação inclusiva passa por ensinar a respeitar e a lidar com as diferenças, bem como o direito de todas as crianças no acesso á educação. Para as encarregadas de educação, inclusão significa que as crianças com NEE tenham as mesmas igualdades de oportunidades na sua vida escolar e referem que é importante que os
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profissionais envolvidos promovam uma educação/escola inclusiva, em que as oportunidades sejam tanto para as crianças sem NEE como para as crianças com NEE.
Relativamente à inclusão de crianças com NEE no ensino regular, todas as profissionais concordaram que deve ser feito, inclusive as encarregadas de educação, quando afirmam que é “benéfico a inclusão de crianças com NEE nas classes regulares, na medida em que a convivência com as outras crianças traz alguma evolução e ajuda no crescimento do meu filho” (EE2); “considero benéfico que o meu filho esteja em classes regulares, na medida de ajudar na sua socialização com as outras crianças, dando a conhecer as regras e normas” (EE1).
Falando-se agora nos dois casos das crianças com NEE, segundo as profissionais e segundo o que foi observado, não existe qualquer problema de inclusão dentro desta sala. Foi possível observar que as crianças com NEE são tratadas de forma igual, realizam as mesmas atividades que as outras crianças, participam em todos os momentos e são bem aceites tanto pelos colegas como pela equipa da sala, e também, pela restante equipa da escola. É de salientar, que durante as atividades existe uma maior supervisão e apoio a estas crianças.
Através dos dados recolhidos, no que se refere à educação inclusiva, é importante referenciar que todos os intervenientes consideram que a inclusão de crianças com NEE tanto é vantajoso para estas como para as restantes, uma vez que aprendem umas com as outras, lidam com as diferenças, visto que todas as crianças são diferentes, cada uma apresenta características próprias, tornando-se assim, enriquecedor e positivo para qualquer criança. Tal como defende Correia (2013) “a filosofia da inclusão traz também vantagens para [as crianças] sem NEE, uma vez que lhes permite perceber que todos somos diferentes e, por conseguinte, que as diferenças individuais devem ser respeitadas e aceites” (p.24). Desta forma, foi possível obter respostas para um dos objetivos estipulados, sendo ele: analisar o conceito de inclusão assumido pelos profissionais implicados.
O papel dos pares na inclusão de crianças com NEE
Seguidamente, foi importante também analisar que atitudes é que os colegas tinham, nos processos de inclusão das crianças com NEE, perante o que se pôde observar, verificou-se que os colegas aceitam as crianças com NEE de forma natural, envolvendo-as nas mesmas brincadeiras, ajudando-os por vezes, quando necessário. As crianças com NEE na hora do almoço e do lanche estão sentadas ao lado das restantes crianças, podendo-se observar que as crianças com NEE distraem-se mais facilmente, demorando mais tempo para comer, e verificou-se que existe sempre uma palavra da criança do lado como por exemplo “queres ajuda? Posso-te dar a comida à boca?”, o que se revelou um aspeto crucial, pois nesses pequenos momentos consegue-se observar a cumplicidade que
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existe. São várias as opiniões das crianças face à inclusão das crianças com NEE, a A1 afirma que “eu sou muito amiga deles”, já a A7 diz que “eu trago os meus brinquedos e empresto-lhes, e quando eles não quiserem mais dão-me”, também o A13 explica que “ele às vezes é mau comigo, não quer brincar comigo, não me empresta, mas eu continuo amigo dele”. A A9 conseguiu referir que “eles são diferentes, porque precisam de mais ajuda e não conseguem fazer tudo o que nós fazemos, mas eu também sou diferente deles, e por isso somos todos diferentes”. Estas foram algumas das opiniões das crianças mais crescidas quando se conversou um pouco sobre a inclusão destas crianças e o ser diferente, uma conversa que surgiu no momento, sentados na manta.
Segundo as profissionais, existe um espirito de entreajuda, as crianças estão sempre prontas para brincar e ajudar as crianças com dificuldades, tal como refere a educadora de infância “as crianças ajudam muito, existe um grande espirito de entreajuda”, também a auxiliar explica que “as crianças na idade de jardim de infância ou creche são geralmente muito prestativas”.
Para a técnica superior de educação especial, os pares são cruciais na inclusão destas crianças, tal como a própria refere “os pares da criança são peças chave no processo de inclusão, as crianças aprendem maioritariamente por modelo e são, como tal, os co- terapeutas perfeitos para intervir juntos da criança. Que, habitualmente aceita melhor as intervenções de um colega em detrimento do adulto.” Também Sprinthall & Sprinthall (1993) defendem o mesmo que a técnica superior de educação especial “a interacção com pares [desempenha] um papel maior no desenvolvimento do que a interacção com adultos” (p.191).
Porém, também as encarregadas de educação, afirmam que existe cumplicidade entre o grupo, e explicam que ambas as crianças estabelecem relações de afetividade, de