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3. Methodology: A Case-Study Approach

3.6 Ethical Considerations

Com uma campanha financeiramente modesta218, não houve a possibilidade

de realizar a contratação de profissionais que planejassem e executassem um trabalho de campanha eleitoral on-line. As postagens, o monitoramento e o clipping, logo, eram elaborados por militantes que, gratuita e voluntariamente, dividiam-se entre as tarefas da militância e da atuação do candidato na internet219. Maira,

inclusive, é uma dessas militantes que, por idealismo, acumulou diversas funções, durante a campanha.

O gerenciamento das fotos e do blog era feito por Maira e mais duas pessoas, durante o período eleitoral. No caso do Facebook, o compartilhamento de convites,

217 Entrevista realizada em 27/08/2012 com Maira Iara de Farias Ávila, coordenadora da campanha do candidato Érico Corrêa.

218 Os valores não foram revelados pela coordenadora, mas, de acordo com o site wikipoliticos.com.br – ambiente colaborativo de informações sobre política – os valores declarados por Érico Corrêa, em relação ao financiamento para a campanha de 2012, somaram R$ 45.398,50 (recursos de pessoas físicas, R$ 18.600,00; recursos de outros candidatos/comitês, R$ 14.798,50; recursos de pessoas jurídicas, R$ 10.000,00; recursos próprios R$ 2.000,00). Não foram encontrados outros candidatos à prefeitura de Porto Alegre/RS, em 2012, com valores declarados no site referido. As informações estão disponíveis em: <http://wikipoliticos.com.br/p/erico-roni-maslinkiewicz-correa>. Acesso em: 2 novembro 2013.

219 Apenas dois profissionais eram pagos na campanha: um jornalista contratado para escrever os textos e outro para realizar as filmagens e as edições da propaganda eleitoral.

de vídeos e de fotos, na maior parte das vezes, era feito por Maira. Já as postagens, os textos e o aceite e o convite de amigos eram executados pelo próprio candidato. Vale ressaltar que a atualização era feita, geralmente, à noite, através de um computador fixo, após o término das demais atividades de campanha (tanto da parte de Maira, quanto de Érico). Nada era publicado, contudo, sem o consentimento da coordenação geral da campanha - nem mesmo o conteúdo gerado por Érico.

Ao acompanhar um pouco a atuação dos militantes, foi fácil perceber que o trabalho no partido é, em geral, construído coletivamente. Não tão horizontalmente, como descrito anteriormente na campanha de Roberto Robaina, em que os militantes possuem a senha dos sites de redes sociais, mas também, de forma bastante coletiva.

Figura 35 – Comentários no Facebook de Érico Corrêa revelam relação próxima com amigos virtuais (militantes)

Fonte: Perfil pessoal de Érico Corrêa no Facebook

No caso da campanha de Érico, em que é possível perceber a criação -ou a continuação - de uma forte rede entre militantes, nota-se que mesmo o trabalho de fotografar as atividades do candidato torna-se um ato coletivamente construído, graças às possibilidades oferecidas pelos sites de redes sociais. Constatou-se, no entanto, que as potencialidades desses sites não garantem que o trabalho feito em conjunto existirá e nem asseguram que tal espaço seja utilizado: apenas viabilizam que o trabalho coletivo dessa rede, que já existia off-line, passe a existir, também, no ciberespaço.

O que eu acho legal do Face é que é possível ter acesso a tudo que as pessoas compartilham. Por exemplo, se tem uma atividade do Érico, eu e mais outros dois responsáveis pelo blog tiramos fotos. Nós selecionamos as que estão politicamente melhores, dependendo de cada momento político. Mas, com a possibilidade de outros tantos militantes disponibilizarem suas fotos em seus perfis e compartilharem na página do Érico, nós temos à mão muito mais fotos, de vários ângulos e olhares diferentes. O Face é rico no sentido da quantidade de informações, vídeos e fotos – que eu aproveito, inclusive, para colocar no blog (informação verbal)220.

Figura 36 – Álbum compartilhado por Érico Corrêa, em seu perfil no Facebook

Fonte: Facebook de Érico Corrêa221

220 Entrevista realizada em 27/08/2012 com Maira Iara de Farias Ávila, coordenadora da campanha do candidato Érico Corrêa.

Figura 37 – Érico Corrêa é marcado nas fotos de militantes em seus perfis do Facebook

Fonte: Facebook de Érico Corrêa222

Um item curioso observado na campanha de Érico foi que o Facebook, muito mais do que criar um espaço para o contato do candidato com os cidadãos em geral, ou possíveis eleitores, possibilitou o fortalecimento dos laços que já existiam entre os militantes de todo o Rio Grande do Sul. O site se tornou uma ferramenta poderosa para a comunicação interna do partido, sendo utilizado quase que completamente para este fim. A observação é corroborada pelas colocações de Maira, durante a entrevista concedida à autora:

Não recebemos muitas perguntas pelo Face. O que eu percebo é que ele tem auxiliado muito na comunicação com os militantes, especificamente isso (o que já é uma grande coisa). É fantástico porque existe campanha em Canoas, Gravataí e Santa Maria da frente política. E, através do Face, nós conseguimos compartilhar as notícias e mandar material para os companheiros de lá. A rede do Érico cresceu consideralvelmente, por causa

disso, porque os militantes começaram a compartilhar e convidar outras pessoas […] foi crescendo muito (informação verbal)223.

É curioso notar, também, que as possibilidades trazidas pela ferramenta não só virtualizaram uma rede previamente existente de militantes (do externo para o interno) como a fez se expandir e transbordar o ciberespaço (do interno para o externo).

O Facebook foi a primeira ferramenta a ser escolhida pela equipe de campanha, principalmente pela pressão recebida dos veículos de comunicação e dos formadores de opinião que, a todo momento, perguntavam se o candidato possuía um perfil nesse site. Ao longo da campanha, segundo Maira, a ferramenta superou as expectativas, apresentando rápido crescimento no número de amigos e demonstrando alto potencial para a comunicação interna do partido: “é mais dinâmico do que qualquer outra rede” (informação verbal)224, afirmou, entusiasmada, a professora.

Apesar de não ser o centro das atenções, como dito anteriormente, o

Facebook foi a primeira ferramenta a ser incluída na campanha on-line, muito em

função da pressão exercida pelos veículos de comunicação. Sobre isso, Maira falou: Não tem como tu ficares na contramão da tecnologia e da modernidade. Tem que se atualizar. Não tem como as pessoas te perguntarem e tu dizeres que não tem, né? Impossível. Se o Orkut ainda estivesse na moda, seria ele, mas como todo mundo se redeu ao Face […] (informação verbal)225.

Já a segunda ferramenta foi o blog - opção mais economicamente viável que um site e de manuseio e atualização menos complexos, podendo ser administrado pelos próprios militantes226. Para uma campanha em que os responsáveis pelo setor

web não possuem muito conhecimento virtual, notou-se que são imprescindíveis ferramentas de fácil acesso e manuseio, que garantam uma atualização frequente e sem grandes dificuldades. Blogs, portanto, são ótimas alternativas, para casos como o referido.

223 Entrevista realizada em 27/08/2012 com Maira Iara de Farias Ávila, coordenadora da campanha do candidato Érico Corrêa.

224

Entrevista realizada em 27/08/2012 com Maira Iara de Farias Ávila, coordenadora da campanha do candidato Érico Corrêa.

225 Entrevista realizada em 27/08/2012 com Maira Iara de Farias Ávila, coordenadora da campanha do candidato Érico Corrêa.

226 Em eleição anterior, ao invés de um blog foi criado um site. Além de mais oneroso, a atualização era mais lenta, já que dependia da atualização de um profissional.

Uma terceira forma através da qual se nota um crescimento da rede on-line de Érico - que, apesar de não constituir parte principal deste trabalho, vale a pena ser explicitada - é a comunicação através de um mailing de militantes (também articulado por Maira). Todos os cadastrados recebiam, por duas ou três vezes por semana, os links das matérias e das fotos publicadas no blog, além de pedidos para que acessassem o blog. A chamada para o acesso era feita, vez ou outra, também no Facebook, porém, com menos frequência, colocando o blog como ferramenta de destaque na campanha on-line.

Uma das características de se ter uma rede on-line formada, quase que totalmente, por aliados e por militantes, é que pouco se verificam comentários contrários e provocações, por parte dos cidadãos. A exclusão ou o bloqueio de pessoas, portanto, não existiu durante a campanha. No que diz respeito à censura de conteúdos nos sites de relacionamento, curiosamente, aconteceu dentro do próprio partido - e teve a ver com o episódio em que o prefeito José Fortunati salvou uma galinha de ser atropelada.

O fato gerou muito movimento na internet, sendo criado, inclusive, um Tumblr do ocorrido227. Neste momento, militantes do PSTU também criaram e divulgaram no

Facebook um material que criticava a atitude do prefeito, subentendendo que este

se preocupava mais com a galinha do que com a saúde das pessoas.

O banner criado não estava errado, na nossa concepção - ele realmente se preocupou em cuidar do bichinho enquanto as pessoas estavam morrendo de gripe voltando para casa porque os postos de saúde estavam fechados. Mas, politicamente acabava sendo favorável a ele, porque existe uma camada muito grande da sociedade que é protetora dos animais, que vê nele aquele lado humano de salvar o bichinho. Aí isso teve que ser excluído (informação verbal)228.

Maira explicou também que, nesta ocasião, o grupo de coordenação da campanha se reuniu e decidiu que o conteúdo deveria ser deletado. Após o episódio, o controle de conteúdos gerados pelo grupo passou a ser mais rigoroso.