Chapter 6: Role of the Chieftaincy in Post-War Sierra Leone
6.1 Post-War Rehabilitation of the Chieftaincy
As tecnologias CCS descritas anteriormente são relativamente recentes. Seu marco inicial é considerado como sendo o projeto de armazenamento de CO2 do campo
de gás de Sleipner, na Noruega, em 1996. No entanto, desde a década de 1970, muito antes do desabrochar das discussões climáticas atuais, técnicas de captação e armazenamento de CO2 já vinham sendo utilizadas em projetos de larga escala, em
conjunto com a exploração de petróleo e de gás natural. Se consideradas apenas as técnicas de captação do dióxido de carbono, os primórdios das tecnologias CCS remontam pelo menos à década de 1930, quando surge a necessidade de separação do CO2 do gás natural como forma de cumprir as especificações para a venda e uso desse
combustível fóssil (IEA 2016).
Nessa época, no entanto, embora houvesse algumas utilizações de pequena escala do CO2 captado, quase todo o CO2 separado era liberado na atmosfera. O primeiro uso
em larga escala2 ocorreu em 1972, por companhias de petróleo dos Estados Unidos. Em vez de lançar na atmosfera o dióxido de carbono captado em centrais de gás natural em Val Verde, Texas (EUA), essas empresas decidiram transportar o CO2 por dutos até um
campo de petróleo, para sua injeção, de forma a complementar as técnicas de recuperação avançada de petróleo (EOR) em uso no local. Este primeiro projeto de grande escala foi importante por ter servido de fundamento para os projetos futuros, ao ter demonstrado todos os componentes das técnicas de CCS (captação, transporte e armazenamento) e ter iniciado pesquisas sobre essas tecnologias, tanto por empresas interessadas na produção de petróleo como por instituições acadêmicas (IEA 2016).
A experiência de Val Verde convenceu outras empresas do setor de exploração de petróleo sobre a viabilidade das técnicas de EOR por meio da injeção de dióxido de carbono. Desse modo, dois grandes projetos aconteceram nos Estados Unidos: Enid Fertilizer em 1982, cuja fonte de CO2 vinha de centrais de fertilizantes, e Shute Creek em
1986 (com dióxido de carbono de uma planta de processamento de gás natural). O foco desses projetos, no entanto, era a recuperação do petróleo, e não o armazenamento do carbono em si. O primeiro projeto cujo objetivo era o armazenamento dedicado de dióxido de carbono foi em Sleipner em 1996, sendo efetivamente usado para reduzir emissões no Mar do Norte norueguês (IEA 2016).
O projeto de Sleipner se insere no contexto mundial de baixa dos preços do gás e do petróleo de meados da década de 1980 até meados de 2000, o que não favorecia os grandes investimentos necessários a projetos de EOR com injeção de CO2. Nessa
2 Segundo o Global CSS Institute (2019a), projetos de larga escala são aqueles que envolvem a captação,
transporte e armazenamento de dióxido de carbono, numa escala de pelo menos 800 kt anuais de CO2, para
usinas termelétricas a carvão, ou pelo menos 400 kt anuais de CO2 para instalações industriais de outros
conjuntura, em 1991, o governo norueguês introduziu uma taxa para o dióxido de carbono gerado offshore lançado na atmosfera, como forma de reduzir as emissões produzidas em offshore no país. Como a taxa incidiria sobre o dióxido de carbono separado do gás natural da reserva de Sleipner, o operador, Statoil, decidiu captar o dióxido de carbono produzido em plataformas offshore e injetá-lo em camadas geológicas de 700 m de profundidade, contendo arenito poroso preenchido com água salgada (IEAGHG 2014).
Usando a experiência de Sleipner, dois projetos dedicados de armazenamento de CO2 associados ao processamento de gás natural foram desenvolvidos: In Salah, na
Argélia, em 2004 e Snøhvit, na Noruega, em 2008. Ambos contam com sistemas de monitoramento abrangentes do dióxido de carbono armazenado, essenciais para aumentar a confiança sobre a permanência do CO2 armazenado nas estruturas geológicas. As
experiências pioneiras de Sleipner também serviram como guia para a Diretiva Europeia sobre armazenamento geológico de dióxido de carbono, em 2009 (IEA 2016).
Desde 2000, houve novo interesse no uso das CCS aliado às técnicas de EOR. Podem ser citados os projetos de Weyburn-Midale no Canadá, Century Plant, nos Estados Unidos, Utmaniyah, na Arábia Saudita e o projeto da Petrobras no Campo de Lula, no Brasil. A Tabela 2 lista todos os projetos de CCS em operação. O projeto CCS da Represa de Boundary, no Canadá, merece destaque por ser o primeiro projeto de larga escala em que o CO2 é separado dos gases efluentes de uma usina termelétrica. É, também, a
primeira usina a empregar a técnica de pós-combustão para a captação de CO2 em escala
comercial. Ademais, essa associação de geração de energia por combustíveis fósseis e CCS é uma das principais formas de redução de emissões no setor energético, sendo, portanto, um passo importante na direção do cumprimento das metas dos acordos climáticos (IEA 2016).
Tabela 2 – Projetos de CCS de larga escala no mundo atualmente em operação (Global CCS Institute 2019b).
Nome País Data de início
de operação
Fonte de CO2
Capacidade de captação (Mtpa)
Terrell Natural Gas
Processing Plant (antiga Val Verde Natural Gas Plants)
Estados
Unidos 1972
Processamento de
gás natural 0,4 – 0,5
Enid Fertilizer Estados
Unidos 1982
Produção de
fertilizante 0,7
Shute Creek Gas
Processing Plant
Estados
Unidos 1986
Processamento de
gás natural 7,0
Sleipner CO2 Storage Noruega 1996 Processamento de
gás natural 1,0
Great Plains Synfuels
Plant and Weyburn-
Midale
Canadá 2000 Gás natural
sintético 3,0
Snøhvit CO2 Storage Noruega 2008 Processamento de
gás natural 0,7
Century Plant Estados
Unidos 2010
Processamento de
gás natural 8,4
Air Products Steam
Methane Reformer Estados Unidos 2013 Produção de energia 1,0 Coffeyville Gasification Plant Estados Unidos 2013 Produção de fertilizante 1,0
Lost Cabin Gas Plant Estados
Unidos 2013
Processamento de
gás natural 0,9
Petrobras Santos Basin
Pre-Salt Oil Field CCS Brasil 2013
Processamento de
gás natural 1,0
Boundary Dam Carbon
Capture and Storage Canadá 2014
Geração de
energia 1,0
Quest Canadá 2015 Produção de
hidrogênio 1,0 Uthmaniyah CO2-EOR Demonstration Arábia Saudita 2015 Processamento de gás natural 0,8
Abu Dhabi CCS Emirados
Árabes 2016
Produção de ferro
e aço 0,8
Illinois Industrial Carbon Capture and Storage
Estados
Unidos 2017
Produção de
etanol 1,0
Petra Nova Carbon
Capture
Estados
Unidos 2017
Produção de
energia 1,4
CNPC Jilin Oil Field CO2
EOR China 2018
Processamento de
O desenvolvimento das tecnologias CCS não se beneficiou apenas de projetos de grande escala. Um número elevado de projetos menores contribuiu e contribui de modo significativo para o entendimento das tecnologias CCS. Eles incluem: (i) sistemas de testes, que implementam os sistemas em escala de laboratório; (ii) centrais-piloto, que levam em conta todas as considerações operacionais de um projeto real, mas operam em apenas uma fração da escala comercial; e (iii) centrais de demonstração, que testam as tecnologias em escala comercial, já integradas com armazenamento geológico (IEAGHG 2014).
Esses projetos em pequena escala examinam várias técnicas de captação do CO2
em várias indústrias, incluindo as de produção de cimento, ferro e aço. Exemplos incluem o projeto Tomakomai, no Japão, que capta e armazena o CO2 de uma unidade de produção
de hidrogênio, importante para mostrar a viabilidade das CCS no Japão; e o CO2CRC
Otway, na Austrália, o maior projeto de demonstração de armazenamento de CO2 do
mundo (IEA 2016). Um panorama geral de todos os projetos CCS no mundo (desde aqueles que se encontram em fase de concepção até aqueles implementados) encontra-se na Figura 19.
Além destes projetos, nos últimos 10 anos, centros de teste de captação de CO2,
como o Technology Centre Mongstad (Noruega), National Carbon Capture Centre e Sand Carbon Capture Test Facility (Estados Unidos da América), têm desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento das tecnologias de captação por pós-combustão. Depois de validadas na escala de sistemas de testes, essas técnicas podem então ser aplicadas em escala comercial com maior confiabilidade. Outras técnicas de captação também se desenvolveram com o auxílio de projetos em escala menor, como os projetos piloto de Calide (Austrália), Schwarze Pumpe (Alemanha) e Lacq (França) (captação por oxi- combustão), a instalação Dakota Gasification (Estados Unidos da América) e o projeto Kemper County (Estados Unidos da América) IGCC (captação por pré-combustão). Novas técnicas também estão sendo testadas, como os ciclos de CO2 supercrítico,
chemical looping combustion para combustíveis sólidos, separação de CO2 a baixas
temperaturas com adsorventes sólidos e membranas poliméricas na pós-combustão (IEA 2016).
Figura 19 - Projetos CCS no mundo (Global CCS Institute 2019b).
Paralelamente à evolução dos projetos de CCS surgiram várias instituições e programas de pesquisa voltados para o estudo e promoção das tecnologias CCS. Em 1991, foi criado o IEA Greenhouse Gas R&D Programme (IEAGHG), um programa internacional de pesquisa voltado para o estudo de tecnologias que podem diminuir as emissões dos GEE produzidas por combustíveis fósseis, cujo foco atual é quase exclusivamente as tecnologias CCS. A principal instituição sobre o estudo das tecnologias CCS é o Global CCS Institute (GCCSI –Instituto Global de CCS), fundado em 2009, que desenvolve pesquisa sobre os desafios e o potencial das tecnologias CCS, reunindo governos, indústrias, comunidade acadêmica e sociedade civil. Podem também ser citados o Carbon Capture Project, criado em 2000; o Carbon Sequestration Leadership Forum, em 2003; CO2CRC, em 2003; Regional Carbon Sequestration Partnerships, em
2003; CO2GeoNet, em 2004; European Technology Platform for Zero Emissions Fossil
Power Plants, em 2005; e o Clean Energy Ministerial Carbon Capture, Use and Storage (CCUS) Action Group em 2010 (IEAGHG 2014).