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Esta Secção tem por finalidade demonstrar as características sociais e econômicas, bem como o nível de desenvolvimento da região do Corredor Seco, através da apresentação de alguns dos principais indicadores dos países que compõem a localidade (indicadores socioeconômicos, ambientais, demográficos e relacionados à saúde). Apesar de o assunto ter sido abordado, em linhas gerais, na Secção anterior, o fornecimento de tais indicadores mostra-se muito relevante para evidenciar, de forma mais objetiva, o contexto social e econômico dos países que fazem parte do Corredor Seco.

Para tanto, optou-se por apresentar os seguintes indicadores, com base nas informações disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019):

• PIB (Produto Interno Bruto) per capita: indicador econômico que analisa o produto interno bruto de cada país (considera o valor de todos os bens e serviços finais

produzidos no território), dividido pela quantidade de habitantes desse mesmo país (Siedenberg, 2003, p. 49)24;

• IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): elaborado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), é um indicador composto para o contexto social, que avalia e compara diferentes aspectos da qualidade de vida dos países, possibilitando uma concepção mais complexa do conceito de desenvolvimento, ou seja, o desenvolvimento humano, uma vez que leva em consideração os aspectos sociais, para além dos econômicos (Siedenberg, 2003), ou seja, também está orientado para variáveis socioeconômicas e políticas. A classificação deste indicador varia de 0 a 1; • Áreas cultivadas: indicador ambiental que demonstra, em termos percentuais, a

quantidade de área cultivada de determinado país, em comparação à sua área total; • População residente em área rural: indicador demográfico que demonstra, em termos

percentuais, a quantidade de habitantes de determinado país que reside na zona rural; • Incidência de subnutrição: indicador relacionado à saúde que demonstra, em termos

percentuais, a quantidade da população subnutrida de determinado país;

A opção por estes indicadores justifica-se, tendo em vista o objeto de análise da presente dissertação (cujo foco recai sobre aspectos ambientais, sociais e econômicos que caracterizam a região), sendo que os mesmos contribuirão para espelhar o contexto de vulnerabilidade em que está inserido o Corredor Seco.

A seguir, serão apresentados os indicadores mencionados acima, para os seguintes países que compõem a região do Corredor Seco (Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua) e também para os Estados Unidos da América (país detentor de um dos melhores indicadores socioeconômicos do continente e que se encontra geograficamente mais próximo do Corredor Seco, sendo um dos principais destinos dos fluxos migratórios)25. As informações são fornecidas

através de representações gráficas (Figuras 8, 9, 10, 11 e 12), para facilitar a comparação entre as regiões. Todos os dados foram coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), o qual agrega conteúdo de diferentes fontes oficiais (referenciadas em cada figura).

24 Importa ressaltar que o PIB per capita é um indicador econômico que reflete a riqueza de um país, mas

não considera o nível de desigualdade de renda de seus habitantes, devendo, portanto, ser analisado em conjunto com outros indicadores sociais e relacionados aos aspectos ambientais, demográficos e de saúde, para que seja possível compreender a conjuntura socioeconômica e o nível de desenvolvimento do país em análise (Siedenberg, 2003).

25 De acordo com informações disponibilizadas pela Organização Internacional para as Migrações, os

Estados Unidos da América continuam a ser o principal país de destino dos migrantes em todo o mundo (IOM, 2019).

Figura 8. Comparação do PIB per capita dos países (EUA, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua), entre os anos 2012 a 2016.

Fonte: National Accounts Main Aggregates Database (2018). United Nations. Disponível em: https://unstats.un.org/unsd/snaama/introduction.asp. Dados obtidos pelo IBGE em agosto de 2018.

Figura 9. IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos países (EUA, El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Honduras), referente ao período de 2013 a 2017.

Fonte: Human Development Reports (2019). United Nations Development Programme. Disponível em: http://hdr.undp.org/en/data. Dados obtidos pelo IBGE em março de 2019.

Figura 10. Percentual de áreas cultivadas em comparação à área total, por país (El Salvador, Guatemala, EUA, Nicarágua e Honduras), entre os anos de 2012 a 2016.

Fonte: FAO Statistics (2019). Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: http://www.fao.org/faostat/en/#data/RL. Dados obtidos pelo IBGE em fevereiro de 2019.

Figura 11. Percentual da população residente em área rural, por país (Guatemala, Honduras, Nicarágua, El Salvador, EUA), no período entre 2014 e 2018.

Fonte: World Urbanization Prospects (2018). United Nations, Population Division. Disponível em: https://esa.un.org/unpd/wup/. Dados obtidos pelo IBGE em agosto de 2018.

Importa ressaltar, como já referenciado anteriormente, que os indicadores, quando analisados de forma isolada, não são suficientes para demonstrar com efetividade a realidade de uma determinada região. É de suma importância, portanto, que os mesmos sejam estudados e averiguados de forma combinada, em conjunto, para que ocorra uma diminuição do risco de interpretações errôneas e, consequentemente, seja possível uma compreensão mais adequada da realidade socioeconômica da localidade.

A partir da análise dos indicadores fornecidos para cada país, é possível perceber, portanto, a fragilidade social e econômica que caracteriza a região em estudo. Como já abordado na Secção anterior, uma grande parte da população que reside no Corredor Seco depende do desenvolvimento das atividades agrícolas para sobreviver (as quais constituem o seu principal meio de subsistência). Este fato vem a ser corroborado pelo indicador demográfico referente à população residente em área rural, o qual demonstra que quase 50% dos habitantes de Guatemala, Honduras e Nicarágua residem nestas regiões.

Soma-se, ainda, o alto índice de insegurança alimentar nestes países, sendo que Nicarágua, Guatemala e Honduras lideram o ranking com, respectivamente, 16,2%, 15,8% e 15,3% da população subnutrida. Estes dados, analisados em conjunto com os indicadores econômico, social e ambiental (PIB per capita, IDH e áreas cultivadas), refletem a vulnerabilidade da região e o potencial que há, no Corredor Seco, para que tal situação se agrave cada vez mais (considerando o desenvolvimento escasso da região e a fragilidade socioeconômica, diante dos impactos decorrentes das alterações climáticas). Cabe, também, destacar, com base no IDH fornecido, a posição relativa ocupada por cada país aqui analisado

Figura 12. Percentual de incidência de subnutrição na população dos países (Nicarágua, Guatemala, Honduras, El Salvador, EUA), no período compreendido entre 2011 a 2017.

Fonte: FAO Statistics (2019a). Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: http://www.fao.org/economic/ess/ess-fs/ess-fadata/en/. Dados obtidos pelo IBGE em fevereiro de 2019.

(no contexto global), o que demonstra o baixo nível de desenvolvimento humano dos países localizados na região do Corredor Seco: enquanto EUA ocupam a 13ª posição, El Salvador ocupa a 121ª, Nicarágua a 124ª, Guatemala a 127ª e Honduras a 133ª (Human Development Reports, 2019a).

Tal situação de vulnerabilidade também foi identificada no estudo desenvolvido por Pais, Silva e Lima (2012), cujo foco se concentrou na avaliação dos indicadores socioeconômicos dos países do continente americano, tendo sido verificados os indicadores de 24 países. Como resultado da pesquisa, no que se refere à classificação de acordo com as condições socioeconômicas, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua ocupam, respectivamente, a 18ª, 20ª, 21ª e 23ª posições, do grupo de 24 países analisados (Pais, Silva, e Lima, 2012, p. 148). Nesse sentido, também importa referenciar que o continente americano (composto pela América do Norte, Central – onde se localiza o Corredor Seco - e do Sul) é considerado hoje uma das regiões com as maiores taxas de desigualdades socioeconômicas do mundo, o que vem a representar altos custos para a sociedade local, a exemplo do aumento da pobreza, da diminuição do crescimento econômico e, consequentemente, da redução dos impactos desse crescimento nas comunidades locais, do aumento dos conflitos pela disputa de recursos e controle dos mesmos e da violência generalizada (Pais, Silva, e Lima, 2012, p. 137).

Isso quer dizer que a região do Corredor Seco, extremamente vulnerável em termos socioeconômicos (como resta comprovado a partir da análise dos indicadores apresentados), está localizada geograficamente próxima a países mais desenvolvidos (como por exemplo os EUA), sendo que tal situação pode representar um importante fator de atração para aqueles que analisam a decisão de migrar, podendo influenciar significativamente no direcionamento dos fluxos migratórios.

Isto posto, tendo sido apresentadas as características geográficas, climáticas e socioeconômicas da região do Corredor Seco, a próxima Subsecção apresentará breves considerações a respeito do risco de desastres na região para, em seguida, serem apresentados os dados quantitativos e qualitativos referentes aos fluxos migratórios.