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5.5 How to comply with the SECA-Directive

5.5.2 Possibilities of Mitigating Vessel Emissions

Após a construção de um cenário de conjuntura sobre o rumo das reformulações do ensino superior, fora e dentro do Brasil, a partir da crise do capitalismo de 1960 e dos esclarecimentos sobre a noção de governamentalidade em Foucault, é possível construir com mais fluência o problema que se coloca para esta tese.

O objetivo de construir uma análise sobre a graduação em psicologia e suas reestruturações curriculares recentes no Brasil a partir da noção de governamentalidade, poderia ser simplesmente invertido de modo a transformar o objetivo em uma pergunta- problema: Como uma governamentalidade neoliberal, sua racionalidade econômica e economia política instituem-se como contingência para pensar e reestruturar as graduações de psicologia no Brasil?

Estaria indicado que a análise será feita tomando a psicologia como campo de investigação a partir da conjuntura nacional e internacional das transformações da educação superior, definindo a governamentalidade como a perspectiva teórica com a qual se constrói o objeto. Pão está equivocado. É uma descrição bastante razoável do que se problematiza e que se pretende com a análise. Mas ainda não contempla algumas questões que são fundamentais para a compreensão da problemática implicada.

Em primeiro lugar, a relação entre a reforma do ensino superior e o neoliberalismo tem sido amplamente abordado e através de inúmeras questões como a privatização do ensino, a mercantilização da educação, trabalho docente entre outras. Basta que se verifiquem autores utilizados nesta tese até o momento. Mesmo a relação entre formação em psicologia e neoliberalismo também tem trabalhos relevantes já realizados como Mancebo (1996/7/9), Coimbra (1995/9), Bernardes (2004) entre outros. Então qual seria a contribuição, qual o problema que ainda suscitaria interesse?

A especificidade da problemática que este estudo constrói tem relação direta com a escolha do conceito de governamentalidade e a forma que ele permite problematizar. Trata-se, como já foi mencionado, de considerar as graduações em psicologia e as reestruturações curriculares como práticas que podem dar visibilidade a uma determinada “arte de governar”. Possibilita a abordagem de tecnologias de poder que se insinuam e se afirma a partir do cotidiano das reestruturações que aconteceram nos cursos de psicologia a partir do disparador das diretrizes curriculares em 2004. Trata-se de abordar a graduação como uma maneira de pensar e governar a vida na relação com a formação em psicologia. E a formação em psicologia como uma prática de um governo da vida.

O investimento de organizações e governos para afirmar os princípios neoliberais como uma forma de governo na educação superior, em criar as condições para uma verdade econômica que não pode ser desafiada ou mesmo da qual não se pode fugir sob a pena de sucumbir ao caos e à obsolescência, deixa claro sua força, mas ao mesmo tempo, denuncia a possibilidade da diferença. A medida da força que é feita para manter e afirmar um tipo de governo demonstra o quão forte e livre é aquilo que pretende governar. É a partir deste exercício de governabimentabilidade que se quer problematizar as graduações em psicologia. Como relações travadas entre governo e governados, das relações de poder entre seres livres.

Com isso, não se trata de verificar através de documentos, leis, tratados ou medidas governamentais e privadas a presença insidiosa do neoliberalismo. Pão se trata somente de fazer a denúncia de um governo que vem destruir uma educação comprometida com a democracia, a autonomia e a cidadania. Pão se trata de um governo ditatorial, não se trata de uma dominação violenta ao corpo ou às estruturas. Estas coisas estão postas como possibilidades e provavelmente estarão no caminho construído pela análise do problema.

Mas como contribuição para o debate, este trabalho pretende construir considerações sobre como as graduações de psicologia e suas reestruturações, enquanto um campo de embates e relações de poder podem ser contingenciadas por uma forma de governo considerado neoliberal. E também o quanto estas praticas da formação em psicologia nos oferece visibilidade sobre esta forma de governar.

Inevitável será o debate sobre como uma forma de governo neoliberal cria no cotidiano destas revisões e da implantação dos projetos políticos pedagógicos resultantes, mal estares, desconfortos, deslocamentos e desestabilizações. Assim como encontros, superações e resistências. Movimentos de uma prática onde o exercício das relações de poder está ativo. Assim, é nesta governamentalidade que provoca ojeriza e apaixonamentos, que se movimenta como um fluxo, afirmando regimes de verdade, sendo por vezes o inimigo e ao mesmo tempo a solução que se afirma o diferencial deste problema.

Outra questão importante é que esta perspectiva de abordagem da formação em psicologia e suas práticas de governo, conta com a implicação deste autor com os cotidianos de reestruturações e implantações dos Projetos Políticos Pedagógicos tanto sob a regulamentação do currículo mínimo quanto sob a orientação das diretrizes curriculares. São anos dedicados à docência universitária que possibilitaram a participação na criação de um curso em instituição federal de ensino e na revisão curricular de outros cursos em diferentes oportunidades. Além disso, o debate sobre as diretrizes curriculares que se estendeu por

aproximadamente seis anos e sua instituição foram acompanhadas de forma ativa como professor e representante de associação.

Esta implicação, distante da noção de neutralidade, qualifica a compreensão da noção de governamentalidade, principalmente a partir das últimas experiências que apresentam como desafios no que diz respeito à clareza sobre até que ponto nossas práticas docentes e educacionais ainda podem ser consideradas não neoliberais, incluindo as resistências.

Agora o problema pode ser apresentado novamente para a compreensão do leitor que deverá levar em conta estas questões que foram referidas: Como a graduação em psicologia e as suas reestruturações curriculares no Brasil podem ser analisadas na perspectiva da governamentalidade, considerando o neoliberalismo como uma forma de governo presente como contingência à estas práticas?

A seguir se tratará do caminho que se constrói como possibilidade de investigação deste problema.

3 METODOLOGIA

Ao iniciar um capítulo que tem a responsabilidade de tornar explícito e inteligível o método que este trabalho empenhará na busca de seus objetivos, muitas coisas surgem como apontamentos preliminares e tantas outras que parecem imprescindíveis de receberem atenção. Assim, o primeiro desafio se torna a própria construção do texto: que método será possível utilizar na construção do texto que permita uma clara e fluente expressão do método que se pretende? Com isso uma primeira constatação: é inegável que, em procedimentos que buscam compartilhamento através de certa inteligibilidade no campo da racionalidade, há necessidade da presença de um método. Pão somente para a execução de um procedimento, mas também para sua comunicação. Pão obstante, isto não precisa significar linearidade, rigidez ou impessoalidade na escrita. Pelo contrário, o exercício da escrita, ao ser tomado como uma produção convoca uma autoria implicada.

Então a decisão sobre como encaminhar este texto sobre metodologia leva em conta a importância do método como um espaço de criação. Em um primeiro momento, um prescriptum trará algumas considerações preliminares como forma de “quebrar o gelo” e ao mesmo tempo revisitar alguns representantes de uma concepção de método científico reconhecido como uma história oficial. Em seguida, serão apresentadas algumas considerações que, ao analisar criticamente o estado do método científico no final do século XX e início do XXI, permitem uma aproximação mais consistente dos princípios do método a ser proposto, para, somente então, apresentar uma proposta de sistematização metodológica. Peste momento também será esclarecido o contexto da psicologia que será tomado como campo de investigação.

Importante mencionar que ao fazer um convite ao leitor para acompanhar a construção do pensamento sobre o método proposto, não há ingenuidade no que diz respeito às diferenças entre os autores e talvez até suas impossibilidades de convergência. Mas como não existe a intenção de constituir um contínuo no tempo ou mesmo uma revisão de determinado paradigma, mas apresentar de maneira errática, pensadores que contribuem na experiência deste autor para formação de uma prática crítica e propositiva de como fazer e o que significa uma investigação científica, solicita-se uma leitura disponível para acompanhar uma construção mais do que visitar um certeza.