6.1 Imagem da fonoaudiologia: acerca da profissão e do profissional
As dimensões da imagem da Fonoaudiologia e do fonoaudiólogo serão, em seguida, mostra- das – sob a classificação elaborada por De Toni et al. (2004, 2005). Cabe justificar que será apresentada, em um tópico à parte, a imagem que os stakeholders têm a respeito da relação entre os fonoaudiólogos e os pacientes/clientes, a qual permeia as dimensões funcional, cogni- tiva, simbólica e emocional.
6.1.1 Dimensão funcional da imagem
Por meio da avaliação da dimensão funcional da imagem, foram identificadas as característi- cas tangíveis observadas pelos stakeholders em referência ao profissional de Fonoaudiologia e à profissão. Tais características estão atreladas ao perfil do profissional, ao contexto de traba- lho e ao seu vestuário. Os resultados da pesquisa apontam que, de modo global, não existe uma imagem específica do fonoaudiólogo nem quanto ao contexto de trabalho, nem quanto à sua configuração na escolha de suas vestimentas.
“Olha, o ambiente de trabalho é variado. Então, o fonoaudiólogo atua em clínicas, consultórios, hospitais, escolas. Então não tem como... a maneira de definir é a di- versidade”. (Depoimento de professor de curso de Fonoaudiologia)
“Dentro de uma clínica, de um hospital, branco. Roupa branca, mas numa clínica, numa escola, roupa normal”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiologia) “Tem fonoaudiólogo que vai trabalhar em ambulatório, tem fonoaudiólogo que vai trabalhar dentro de CTI, tem fonoaudiólogo que vai trabalhar, por exemplo, em um consultório com equipamento audiológico, tem outros que vão trabalhar em consul- tório cheio de brinquedo ou cheio de material para terapia. Isso é muito relativo, tem uns que vão trabalhar só com gestão”. (Depoimento de fonoaudiólogo atuante) “Depende do local que ele trabalha. Por exemplo: você trabalhar em uma escola possivelmente ele não vai vestir um uniforme branco, não vai ter um jaleco, vai ter uma roupa normal. Se ele for trabalhar no hospital ele usa um branco com o jaleco”. (Depoimento de fonoaudiólogo atuante)
Cabe destacar, no entanto, que, no tocante à característica do contexto do trabalho, observou- se uma vinculação – repetidas vezes – da importância do cliente/paciente se sentir mais aco- lhido para levar suas questões ao fonoaudiólogo, por meio de um contexto com clima de pro- teção e aconchego – o que é demonstrado pelos depoimentos a seguir.
“Bom, ambiente de trabalho eu acho que ele tem que ser silencioso, fresquinho, lim- po, tranquilo, calmo, bastante aconchegante”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento fonoaudiológico)
“Uma sala mais reservada pra que você precisa conhecer um pouco do seu cliente, do seu paciente e alguns são sigilosos”. (Depoimento de membro do Sindicato de Fonoaudiologia)
“Tem que ser um ambiente aconchegante, acolhedor... não um ambiente que pareça hospital mesmo. Uma clínica que realmente atraia o paciente. Se for para criança, tem que ser um ambiente que atraia a criança, com mais estímulos também lúdicos”. (Depoimento de membro do Conselho Regional de Fonoaudiologia)
“Ambiente claro, tranquilo, tem que ser confortável, aconchegante”. (Depoimento de fisioterapeuta)
A correlação dos dois contextos do fonoaudiólogo – clínica e trabalho – pode ser notada pelas FIG. 8A e 8B. Em 8A, o cliente/paciente coloca em local mais reservado suas questões ao fonoaudiólogo e, em 8B, ele se encontra em uma instalação mais tradicional de mesa e cadeira - sentado e conversando.
8A 8B
FIGURA 8A e 8B - Dimensão funcional da imagem: ambiente de trabalho do fonoaudiólogo Fonte: Dados da pesquisa.
Desenhos desenvolvidos por: (8A) estudante de curso de Fonoaudiologia e (8B) cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia.
Em referência ao vestir-se, os relatos seguintes – bem como os desenhos – espelham a afirma- ção de que, de modo global, não existe uma imagem específica do fonoaudiólogo quanto à sua configuração na escolha de suas vestimentas.
“Tem que ter discrição no atendimento. Até porque você vai sentar com o menino pelo chão, tem que ser roupas confortáveis e roupas discretas. Ai, não sei”. (Depoi- mento de fonoaudiólogo atuante)
“Eu acho que num consultório, às vezes, não é obrigado vestir jaleco, em hospital você já tem que colocar, por questão de biossegurança. Apesar de que num consultó- rio também deveria usar, mas, às vezes, por causa de criança, você não coloca roupa branca porque pode assustar. Então tem que tomar esses cuidados, mas você tem mais liberdade no seu consultório”. (Depoimento de Coordenador de curso de Fono- audiologia)
“Uma roupa clara ou branca. Isso aí não interferiria nada em uma relação de profis- sional e paciente”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
Ainda no tocante ao vestir-se, a imagem do fonoaudiólogo ficou atrelada à do trabalhador do campo da saúde, tanto ao trabalhador que se veste de modo mais clássico, quanto ao que adota um tipo mais livre/personalizado. Em resumo, verificou-se que há, pelo olhar dos entrevista- dos, diferentes modos de vestuários.
“Não como estou hoje. Roupa mais composta, mais social”. (Depoimento de fono- audiólogo atuante)
“Ah, igual médico. Ela vestia roupas brancas”. (Depoimento de cliente/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Básico, calça jeans, que eu sei, uma blusa e jaleco”. (Depoimento de fonoaudiólogo atuante)
Esses diferentes modos de vestuários encontram-se espelhados nas FIG. 9A, 9B, 9C e 9D. A FIG. 9A apresenta uma fonoaudióloga usando um vestido mais solto no corpo, para dar-lhe mais possibilidade de movimentação; 9B mostra um fonoaudiólogo em estilo não formal, ves- tindo calça jeans de boca mais larga, uma blusa sem manga, cabelo solto; em 9C há um fono- audiólogo usando calça, blusa mais sofisticada de gola alta, fechada na frente com botões. E, em 9D, vê-se um fonoaudiólogo com jaleco, associado a um padrão comumente adotado por aqueles que atuam no campo da saúde (VAN KOLCK, 1981).
9A 9B
9C 9D
FIGURA 9A, 9B, 9C, 9D - Dimensão funcional da imagem: estilos de vestimentas do fonoaudiólogo Fonte: Dados da pesquisa.
Desenho desenvolvido por: (9A) cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia, (9B) cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia, (9C) cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia e (9D) fonoaudiólogo atuante.
Em resumo, conseguiu-se observar, por meio dos resultados aqui expostos, que não há uma clareza acerca da dimensão funcional da imagem que os stakeholders têm a respeito da profis- são e do profissional. É possível que essa nebulosidade na construção de uma imagem da pro- fissão esteja atribuída à falta de fatores alcançáveis que marquem a diferença entre os profis- sionais de Fonoaudiologia e a profissão (por exemplo, livre escolha para vestuário, em vez de
uniformidade, contexto de trabalho impreciso, entre outros). A alta tangibilidade do vestuário e um ambiente de trabalho mais definido, poderia levar à formação de uma imagem mais es- pecífica da profissão. Como consequência desse contexto, pode-se mencionar uma possível abertura de canal para inserção dos demais profissionais da área de saúde, que concorrerão, restringirão e, de certo modo, atuarão como prováveis bloqueadores para que a profissão de Fonoaudiologia seja valorizada.
6.1.2 Dimensão cognitiva da imagem
Os valores que os stakeholders apresentam em referência à profissão do fonoaudiólogo, o conhecimento deles sobre as tarefas que este profissional está habilitado a desempenhar, e a maneira como se posicionam em relação à profissão e ao curso de Fonoaudiologia foram os itens buscados pela análise da dimensão cognitiva da imagem. O que se observou, por meio dos resultados, foi que, antes do ingresso, há carência de informação e um julgamento prévio inferiorizado – por parte dos estudantes – a respeito do curso e da profissão de Fonoaudiolo- gia. É o que mostram os depoimentos apresentados abaixo:
“Um curso tranquilo. Eu achava que ia ser um curso fácil. Achava mesmo”. (De- poimento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
“As minhas expectativas eram bem menores do que tá acontecendo agora”. (Depoi- mento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
“Quando eu entrei... na verdade eu me surpreendi. A expectativa que eu tinha era mínima. Eu achava que a Fono fazia isso e isso, pronto. Era pouca a minha expecta- tiva”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
Há, também, um outro foco de desconhecimento. Pode-se considerar, de modo geral, que os estudantes carecem de informações sobre as tarefas desempenhadas pelo fonoaudiólogo, as- sim como sobre a profissão que ele exerce.
“Ele trata todo o distúrbio da comunicação e também na escola, ajudando em todos os problemas de um aluno... E ele trabalha com a voz, trabalha né? com audição, linguagem”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
“Voz, linguagem, fala e tem também agora a disfagia, motricidade orofacial e saúde pública. Então é muito amplo”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiolo- gia)
Vale ressaltar que o curso de Fonoaudiologia é considerado como não satisfatório no quesito de atendimento à preparação dos alunos para o adequado exercício da profissão, nas diferen- tes áreas de atuação no mercado de trabalho, segundo coordenadores e professores de curso e profissionais formados.
“Eu acho que o aluno sai com uma formação básica, mas ele precisa continuar estu- dando, pra ele se sentir mais seguro e se aprofundar nas áreas”. (Depoimento de professor de curso de Fonoaudiologia)
“Não. Acho que falta preparar eles principalmente pro mercado de trabalho. (De- poimento de professor de curso de Fonoaudiologia)
“Eu acho a nossa faculdade é a que mais se aproxima do que deveria. Eu acho que ela peca na questão do consultório particular. O aluno sai com muita visão de hospi- tal, de clínica, mas pouco de consultório. Talvez o aluno de universidade particular tenha o problema contrário”. (Depoimento de Coordenador de curso de Fonoaudio- logia)
“Não tem jeito não. Porque o tempo de graduação é pouco, quatro anos, a Fonoaudi- ologia é muito extensa, sabe? São muitas áreas, são muitos ramos de atuação”. (De- poimento de fonoaudiólogo atuante)
Conforme os exemplos abaixo, pode-se notar – pelas declarações generalistas – o baixo pata- mar de conhecimento, bem como visões fragmentadas sobre a profissão de Fonoaudiologia, incluindo nesse contexto os diversos stakeholders.
“Bom, eu acredito que seja uma reeducação é... igual a gente faz uma dieta, reeduca- ção alimentar. Eu acredito que seja uma reeducação de voz mesmo, né? Uma reedu- cação vocal”. (Depoimento de cliente/paciente potencial para o tratamento de Fono- audiologia)
“Ele reabilita... Ah, difícil demais numerar as áreas, né? Eu acho que trabalha muito voz... talvez na área de otorrino, com aqueles exames de audiometria, né? Na área de neurologia que é o caso do AVC...” (Depoimento de fisioterapeuta)
“Vai tratar da questão da voz, a questão da fala, a questão da deglutição, da mastiga- ção. É eu acho que é isso”. (Depoimento de pedagoga de escola de ensino funda- mental e médio)
“Ele trata todo o distúrbio da comunicação e também na escola, ajudando em todos os problemas de um aluno do ponto de vista fonoaudiológico. E ele trabalha com a voz, trabalha, né? com audição, linguagem”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
“Trata paralisia cerebral, com melhoria da deglutição e sucção, melhora os fone- mas... é... habilitar sindrômicos com problemas de fala e de deglutição”. (Depoimen- to de médico)
É interessante observar, conforme exposto nos exemplos abaixo, que há dificuldade na defini- ção sobre a atividade do profissional até mesmo por aqueles que usufruíram da prestação de serviços de Fonoaudiologia.
“Mexe com dicção, problema de deglutição. Trabalha com a palavra”. (Depoimento de cliente/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Ele identifica problemas da fala, troca de letras, faz avaliação... porque minha filha mesmo teve na escolinha, essa troca de erres, e trata também essa questão da rou- quidão”. (Depoimento de cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia) “Sei que é voz, né? Fala, mente, dicção, né? Respiração, acho que isso”. (Depoimen- to de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
A dificuldade na definição da atividade do fonoaudiólogo e na definição da Fonoaudiologia podem ser notadas por meio da FIG. 10. Como consequência, tem-se uma confusão de papéis e de identidades nesse relacionamento.
“Ah? O que que eu tô fazendo aqui”.
FIGURA 10 - Dimensão cognitiva da imagem: desconhecimento do trabalho do fonoaudiólogo Fonte: Dados da pesquisa.
Desenho desenvolvido por fonoaudiólogo atuante representando o cliente.
Nas declarações abaixo, a imagem do fonoaudiólogo está delineada como alguém que com- preende o problema, o detentor da solução, a pessoa que conhece a questão apresentada – com respaldo em um estudo especializado, apesar da dificuldade na definição da atividade do fo- noaudiólogo, e da Fonoaudiologia, bem como a ausência de distinção entre o paciente/cliente e o fonoaudiólogo.
“É um profissional que é necessário para as dificuldades realmente de fala e que se- ria realmente essencial para o tratamento [...]. Cada caso é um caso. O profissional é quem vai avaliar”. (Depoimento de cliente/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Eu falaria que ela é uma pessoa paciente que ela é alegre, muito alegre, ela conse- guiu o que a gente tava querendo. Alegre, paciente, educada, ela conseguia passar tranquilidade para a criança, conseguia passar tranquilidade. Ela ensina a criança a falar correto e a escrever corretamente.” (Depoimento de cliente/paciente que inter- rompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“É uma coisa assim que não é, que não tá ao nosso alcance. É uma coisa que ele tá ali é mesmo pra te ajudar mesmo”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Que é um profissional, uma pessoa muito boa, prestativa, carinhosa, atenciosa tam- bém. E eu confio em passar essa pessoa pra outras pessoas, que esse profissional vai resolver o problema”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
Assim está representada a imagem do fonoaudiólogo: quem escuta e traz a solução para as questões apresentadas pelo paciente, conforme a FIG. 11.
FIGURA 11 - Dimensão cognitiva da imagem: profissional que ouve e resolve os problemas Fonte: Dados da pesquisa.
Desenho desenvolvido por cliente/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia.
Associar o fonoaudiólogo com o profissional responsável pelo acolhimento dos problemas abordados pelos pacientes/clientes e pela pronta solução – estilo auxiliador para a relação fo- noaudiólogo/cliente – é uma visão oriunda, principalmente, dos clientes/pacientes potenciais para o tratamento de Fonoaudiologia bem como daqueles que buscam a graduação em Fono- audiologia. Vale ressaltar, entretanto, que a interpretação dada, pelos diversos stakeholders, a
essa assistência, é diferente – ainda que vários deles qualifiquem a profissão deste mesmo modo.
“O fonoaudiólogo é um profissional que se formou num curso longo, numa faculda- de, curso superior e que ajuda você em tudo o que diz respeito à sua fala, ao som e a musculatura da sua língua, face. Vai te ajudar na fala, no som e na comunicação. (Depoimento de cliente/paciente potencial para o tratamento de Fonoaudiologia) “O Fono ele vai cuidar da sua comunicação e alimentação, basicamente”. (Depoi- mento de estudante de curso de Fonoaudiologia)
“É um profissional que ajuda as pessoas a melhorar a dicção, a fala”. (Depoimento de cliente/paciente potencial para o tratamento de Fonoaudiologia)
O fonoaudiólogo, como o profissional responsável pelo cuidar e acolher (estilo auxiliador para a relação fonoaudiólogo/cliente), aparece ilustrado por meio da FIG. 12.
“A esperança
no olhar de cada paciente e a vontade, de cada vez mais, cuidar“.
FIGURA 12 - Dimensão cognitiva da imagem: imagem de uma postura de ajuda do fonoaudiólogo Fonte: Dados da pesquisa.
A FIG. 13 também ilustra o perfil de ajuda supracitado: o paciente que pede socorro/ajuda. Além disso, o paciente é representado em posição de inferioridade à Fonoaudióloga - repre- sentada em posição de superioridade (tamanho maior).
FIGURA 13 - Dimensão cognitiva da imagem: profissional de ajuda Fonte: Dados da pesquisa.
Desenho desenvolvido por cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia.
Por outro lado, é diferente a percepção daqueles que já vivenciaram o atendimento por um fonoaudiólogo. Em geral, consideram de relevante valor a atuação, no tratamento, do pacien- te/cliente.
“Olha, é de fundamental importância. Acho que 90% é do paciente. Se ele não tiver disciplina, se ele não tiver objetivo, não tiver meta, sabe, não tiver... não for persis- tente, não acontece nada. Pode ser o fonoaudiólogo melhor do mundo, mas se o pa- ciente não for pró-ativo, participar, se automotivar, não vai acontecer nada não”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia) “Nós temos um papel fundamental, porque.... igual ao que te falei: se nós não fizer- mos os exercícios propostos, não vai adiantar nada. Tem que ter compromisso de fa- zer aquilo lá...”. (Depoimento de cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia) “Comprometimento com o tratamento. Disciplina é a palavra”. (Depoimento de cli- ente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Importantíssimo, porque tem que trabalhar o profissional com a família. A parte dos exercícios tem que ser feita com disciplina, pelos familiares, pela pessoa que vai fazer aquela... a bateria de exercícios com a criança, porque depois não se pode res- ponsabilizar o profissional”. (Depoimento de cliente/paciente que interrompeu o tra- tamento de Fonoaudiologia)
“Em porcentagem digamos... o papel dele representa assim, 70 ou 80%. Depende mais dele. Depende mais dele, porque o profissional só te direciona”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Envolvimento, persistência e atividade/disciplina”. (Depoimento de clien- te/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
A Fonoaudiologia – vista como profissão solucionadora de problemas, como guia de orienta- ção e como assistencial – é o guia motivador para a busca, pelos futuros clientes/pacientes, para o tratamento com o fonoaudiólogo. Esse guia motivador pode ser observado pelos dese- nhos e repetidos termos “solução”, “auxílio”, “orientação” e “ajuda” apresentados nas decla- rações.
“Eu sentia muita dor. Cura. Parar de sentir dor [...]”. (Depoimento de clien- te/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Eu queria melhorar a minha voz. Eu gosto de ser professora; não queria me afastar da sala de aula. Não quero. Eu quero continuar dando aula. Eu preciso da voz pra is- so. Buscar a melhora da minha qualidade vocal”. (Depoimento de cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia)
“Uma melhora. Uma melhora, uma busca no tratamento para o problema que eu es- tava tendo, ficando muito rouca e com dificuldade de falar”. (Depoimento de clien- te/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
“[...] Colocasse as palavras com clareza pra que todos entendessem e também, não só de forma oral, mas também na forma escrita, porque o erro oral acarretava um er- ro na escrita também. Estava buscando soluções aos problemas”. (Depoimento de cliente/paciente que interrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
As declarações abaixo ilustram o vínculo entre o guia motivador para a busca do curso de graduação em Fonoaudiologia e a imagem da profissão (associada à imagem de solucionadora de problemas, à de guia de orientações e à de assistência).
“Porque eu gosto dessa relação com o terapeuta-paciente... Ajudar nas dificuldades que o paciente tem”. (Depoimento de Conselho Federal e Regional de Fonoaudiolo- gia)
“Eu gosto de cuidar de gente”. (Depoimento de estudante de curso de Fonoaudiolo- gia)
“Eu me realizei muito por isso, porque eu via como uma profissão que ajuda muito as pessoas”. (Depoimento de fonoaudiólogo não atuante)
“Nossa vou poder fazer muita coisa, no sentido de ajudar”. (Depoimento de fonoau- diólogo atuante)
Neste estudo, os stakeholders, das variadas categorias analisadas, apresentaram um conheci- mento não muito amplo, também, no tocante ao exercício do fonoaudiólogo em seus diversos campos de trabalho, e no que se refere às atividades desse profissional – uma vez que a voz e a fala são significativamente os campos mais destacados. Essa carência no conhecimento dos
stakeholders pode ser observada logo abaixo:
“Ele identifica problemas da fala, troca de letras, faz avaliação... porque minha filha mesmo teve na escolinha, essa troca de erres, e trata também essa questão da rou- quidão, essa qualidade da voz dos profissionais”. (Depoimento de cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia)
“[...] Esse tratamento que eu fiz. Então assim, se ele é capaz de orientar um paciente para usar a voz de forma adequada; para evitar problemas na corda vocal [...]”. (De- poimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Ué, voz, que eu sei... postura, dicção. [...]”. (Depoimento de cliente/paciente que in- terrompeu o tratamento de Fonoaudiologia)
“Como eu falei, meu conhecimento é restrito, mas essa questão da impostação da voz, do tom de voz, dos cuidados que deve ter pra gente que é profissional da voz, né? [...]”. (Depoimento de professor de escola de ensino fundamental e médio) “A linguagem, a expressão da fala, expressar”. (Depoimento de cliente/paciente em tratamento de Fonoaudiologia)
“Eu entendo que o fonoaudiólogo trabalha com a questão da comunicação, da voz, da dicção”. (Depoimento de cliente/paciente que concluiu o tratamento de Fonoau-