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Neste ponto, especificamente, o autor revela seu continuum gramatical ipsis verbis

412 – Servir-me-ei, para o presente trabalho, dos dados fornecidos por Carlos Pereira (p. 244)

Assim, deixa o autor da Gramática Expositiva ser a voz de seu texto e diz que certos verbos, ao mesmo tempo que indicam ação, encerram ideias que podem indicar, respectivamente:  Aumento  Diminuição  Frequência  Princípio  Imitação

Portanto, as cinco espécies de verbos são as mesmas encontradas na página 170 da obra de E. Carlos Pereira, confirmando o continuum de NMA no que diz respeito à Gramática Expositiva112.

D – Pronome (capítulos XVI e XVIII)

Uma das grandes preocupações de NMA em relação aos conteúdos gramaticais era o modo como eles eram organizados. Questão crucial para ele, uma vez que se dispunha a romper com os gramáticos anteriores em relação a esse assunto.

Em sua proposta metodológica, o descontinuum se fazia necessário por conta de o autor considerar que, do modo como as gramáticas anteriores propunham e organizavam os assuntos, havia grandes erros de método: indo da partição da matéria gramatical até a forma de apresentação da mesma (entenda-se: organização dos assuntos por tópicos numerados, conversas com o leitor, índice de abreviaturas, questionários, títulos temáticos nas páginas, índice alfabético e analítico).

Um exemplo disso está exatamente na classe que verificaremos neste momento,

112 Molina (op. cit.: p. 400) diz que Pacheco da Silva e Lameira de Andrade provavelmente inspiraram E.

Carlos Pereira, uma vez que para esses autores os verbos, quanto à significação, classificavam-se em: incoativos, imitativos, frequentativos, iterativos, perifrásticos, terminativos, pronominais. (grifos da autora).

pois, para o autor, a classe pronome não poderia ser ensinada antes dos verbos e nem depois, mas inserida em meio à classe dos verbos.

Logo, feitas as considerações iniciais acerca dessa querela (no capítulo XV – verbo), o autor assim se refere aos pronomes113

297 – Os pronomes dividem-se em duas classes: pronomes

substantivos e pronomes adjetivos (p. 157).

Os pronomes substantivos, comumente denominados pessoais, “são os quê, ao mesmo tempo que substituem o nome de um ser, põem esse nome em relação com a pessoa gramatical” (p. 157)

Definição bem semelhante à de Sotero dos Reis (op. cit. p. 6)

Pronome pessoal é, como o está dizendo a fôrça dos termos, o que se poe em logar do nome, do sujeito, indicando ao mesmo tempo a pessôa grammatical dêste, ou o papel que elle representa no discurso.

Na sequência, faz nova divisão dos pronomes pessoais: retos e oblíquos. Fato importante: confirmando seu apego à base latina, diz que caso114 é o que determina os pronomes retos e oblíquos.

Quanto aos pronomes adjetivos, apresentam a mesma propriedade dos adjetivos determinativos, diferenciando-se apenas na questão da substituição e do acompanhamento. Ou seja, em um exemplo como Aquele homem é bom, temos a palavra aquele desempenhando o papel de adjetivo determinativo, pois modifica o substantivo homem. Já no exemplo, Aquele é bom, temos a palavra aquele desempenhando o papel de pronome adjetivo, pois substitui a palavra homem.

Por fim, divide os pronomes adjetivos em:

 Articulares  Demonstrativos

 Conjuntivos ou relativos  Interrogativos

113 Os pronomes e os advérbios são as duas únicas categorias gramaticais, das oito apresentadas, não

definidas pelo autor. Prefere iniciar o assunto dizendo que elas são subdivididas em outras subcategorias.

114 Essas muitas inserções de NMA pelo latim são facilmente explicadas pelo fato de o autor ter sido,

também, professor de latim e autor de uma Gramática Latina (ainda hoje editada. Cf. nota de rodapé 102). Lembrando: caso é o modo de indicarmos a função da palavra na proposição. Dividido em:

 Possessivos

 Indefinidos

Um ponto metodologicamente relevante no capítulo dos pronomes está no modo como NMA trabalha suas explanações, pois são muitos os exemplos construídos por meio de análises esquemáticas. Segundo ele, a visualização colabora para o bom aprendizado da matéria e é chamada de lógica. Tanto é importante que, no questionário de verificação do capítulo, uma das proposições é:

12. Analise, logicamente, as palavras grifadas da oração: eu fiz o que pediste (p. 166)

Assim, temos, a título de exemplo, o seguinte modelo esquemático (p. 163):

Este caminho não é o por que passamos ontem predicado complemento

nominal circunstancial de lugar

E – Advérbio (capítulo XXVII)

Assim como a classe dos pronomes, a classe dos advérbios não apresenta definição, mas subdivisões e, por isso, diz que se trata do “estudo das palavras inflexíveis” (p. 247).

Ex professo, o assunto é tratado com muita minúcia pelo autor, assim como as explicações e os exemplos. São muitas as notas e observações a respeito das dez divisões propostas. Informa o autor (p. 248):

Assim considerados, os advérbios dividem-se em advérbios de: 1- LUGAR 2- TEMPO 3- MODO 4- QUANTIDADE 5- ORDEM 6- AFIRMAÇÃO 7- DÚVIDA 8- NEGAÇÃO 9- DESIGNAÇÃO 10- INTERROGAÇÃO

Fundamental dizer que, para cada item, há explanações bastante acuradas. Importante, também, dizer que, diferentemente de E. Carlos Pereira e Sotero dos Reis, por exemplo, há um descontinuum no que diz respeito à afirmação de que os advérbios quando empregados no papel de adjetivo são suscetíveis à flexão de grau. Isso se deve ao fato de não encontrarmos, na Metódica, tal afirmação.

Todavia, em E. Carlos Pereira (1) e Sotero dos Reis (2), respectivamente, temos:

(1) Muitos adverbios são susceptiveis dos graus dos adjectivos (op. cit.: p. 121)

(2) O adverbio em cuja composição entra o adjectivo qualificativo, ou que d’elle se fórma, admitte também gráos (op. cit.: p. 164)

Por fim, vale destacar que NMA cita Carneiro Ribeiro para dizer que se apropriou literalmente da lista de locuções adverbiais (aproximadamente 155) por considerá-la de grande valia

Aquí traslado as « amostras ›› de locuções adverbiais portuguesas, que Carneiro Ribeiro nos oferece (...) essa lista deve pelo aluno ser estudada e recordada, pois seu conhecimento e aplicação muito influem na boa linguagem (p. 253)

Vejamos:

Tabela 4: Locuções Adverbiais