TOXROS - Chemical and toxicological characterization of reactive atmospheric species
Del 2: Populasjonsundersøkelser
Segundo a análise geral do questionário dirigido aos pais das crianças do estudo, podemos destacar como respostas positivas mais relevantes as que foram registradas nas seguintes perguntas: número 1, com 10,5% (9); número 2, com 22,1% (19); número 3, com 12,8% (11); número 4, com 17,4% (15); número 7, com 20,9% (18); número 10, com 12,8% (11); número 11, com 15,1% (13); número 12, com 10,5% (9); número 14, com 37,2% (32); e número 15, com 44,2% (38) (Tabela 9).
Tabela 9: Distribuição percentual das respostas positivas e negativas.
Resultados Variáveis
Não ( n - %) Sim (n - %)
Tem problema para ouvir 77 89,5% 9 10,5%
Apresenta resfriados ou otites freqüentes 67 77,9% 19 22,1% Necessário repetir várias vezes uma frase, pois tem
dificuldades para ouvir 75 87,2% 11 12,8%
Apresenta alguma deficiência (visual, mental,
motora,...) 84 97,7% 2 2,3%
Apresenta um olhar vago e distrai-se com facilidade 71 82,6% 15 17,4% Tem dificuldade em compreender palavras normais
para sua idade 82 95,3%
4 4,7% Diz “o quê?” várias vezes por dia 68 79,1% 18 20,9%
Apresenta algum problema de fala 81 94,2% 5 5,8%
Apresenta algum atraso na linguagem 83 96,5% 3 3,5%
Não tem motivação para aprender 75 87,2% 11 12,8%
Apresenta desempenho escolar abaixo do esperado 73 84,9% 13 15,1% Apresentou mudança brusca no desempenho escolar 77 89,5% 9 10,5%
Está constantemente cansado 82 95,3% 4 4,7%
Costuma falar muito alto 54 62,8% 32 37,2%
Costuma aumentar volume do rádio, TV,... 48 55,8% 38 44,2% Procura pistas visuais no rosto dos falantes 83 96,5% 3 3,5%
Na primeira questão, 77 pais (89,54%) relataram que seus filhos não apresentavam problemas para ouvir e 9 (10,46%) observavam que as crianças tinham sim alguma dificuldade de audição. No grupo das crianças com audição dentro dos padrões de normalidade, 86,04% dos pais (74) relataram que elas não apresentavam dificuldade na audição e 8,14% (7) afirmaram que seus filhos possuíam alguma dificuldade. No grupo das crianças com alteração auditiva, somente 2,32% (2) dos pais desconfiavam de alguma dificuldade na audição e 3,5% (3) negaram essa dificuldade (Tabela 10).
Tabela 10: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre as dificuldades auditivas dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Você acha que seu filho tem
algum problema para ouvir?” Normal Perda auditiva
Total Não 74 86,04% 3 3,5% 75 89,54% Sim 7 8,14% 2 2,32% 11 10,46% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Quando foram questionados sobre a necessidade de seus filhos receberem repetidas informações, 11,62% (10) dos pais de crianças com audição normal confirmaram essa necessidade e 82,56% (71) a negaram. Do grupo de estudantes com alteração auditiva, somente um dos pais (1,17%) confirmou essa necessidade, e 4 (4,65%) a negaram (Tabela 11).
Tabela 11 - Distribuição percentual sobre a percepção dos pais em relação à necessidade dos seus filhos em receber a mesma informação inúmeras vezes.
Variáveis Diagnóstico auditivo “É necessário repetir várias vezes
uma frase, pois costuma não entender o que lhe é dito? Tem dificuldade para compreender o que
lhe é dito?”
Normal Perda auditiva Total
Não 71 82,56% 4 4,65% 75 87,2
Sim 10 11,62% 1 1,17% 11 12,8
Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Em relação à saúde dessas crianças, 19,77% (19) dos responsáveis afirmaram que elas apresentavam recorrentes resfriados ou otites e 74,41% (64) negaram esse tipo de ocorrência. Das crianças com alteração auditiva, 2,33 % (2) dos pais confirmaram e 3,48% (3) negaram essa recorrência (Tabela 12).
Tabela 12: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre presença de resfriados ou otites frequentes.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho apresenta resfriados ou
otites frequentes?” Normal Perda auditiva
Total Não 64 74,41% 3 3,48% 67 77,9% Sim 17 19,77% 2 2,33% 19 22,1 Total: 81 94,18% 5 5,81% 86 100%
No quesito de presença de deficiêcia (motora, visual, mental), a visual foi confirmada por 2 pais (2,33%) e negada por 79 pais (91,86%) daqueles com audição dentro da normalidade. Nenhum responsável pela criança com alteração auditiva respondeu afirmativamente nesse item (Tabela 13).
Tabela 13: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre a presença algum tipo de deficiência nos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho apresenta alguma
deficiência? (visual, mental, motora...)” Normal Perda auditiva
Total Não 79 91,86% 5 5,82% 84 97,68% Sim 2 2,32% 0 --- 2 2,32% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Quando questionados sobre a possibilidade de a criança apresentar olhar vago e se distrair com facilidade, 76,74% (66) dos pais dos estudantes com audição normal negaram e 17,4% (15) afirmaram que seus filhos apresentavam essas condutas. Nenhum dos pais e/ou responsáveis das crainças com perda auditiva responderam afirmativamente nesse item (Tabela 14).
Tabela 14: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre presença de distração constante nos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Apresenta um olhar vago e distrai-se
com facilidade?” Normal auditivaPerda
Total Não 66 76,74% 5 5,82% 71 82,66% Sim 15 17,44% 0 --- 15 17,44% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Com relação à possibilidade de os estudantes avaliados apresentarem dificuldade em compreender palavras que seriam normais para sua idade e escolaridade, no grupo de crianças com audição normal, somente 3 (3,48%) responsáveis observavam essa dificuldade e 78 (90,69%) não a observavam. Do grupo de crianças com alteração auditiva, somente 1 (1,17%) pai respondeu afirmativamente nesse item e 4 (4,65%), negativamente (Tabela 15).
Tabela 15: Distribuição percentual sobre a percepção dos pais sobre a presença de dificuldade em compreenção de palavras dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Apresenta dificuldade em
compreender palavras que seriam
normais para sua idade e escolaridade?” Normal
Perda auditiva Total Não 78 90,69% 4 4,65% 82 95,3% Sim 3 3,48% 1 1,17% 4 4,7% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Em relação à questão: “[Seu filho] Costuma dizer “o quê?” várias vezes por dia?”, 68 (79,1%) pais e/ou responsáveis responderam negativamente, enquanto 20,9% (18) afirmativamente. Dos pais de crianças com perda auditiva, somente um (1,17%) respondeu afirmativamente a essa questão e 4 (4,65%) negaram essa ocorrência (Tabela 16).
Tabela 16: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre o costume auditivo dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Costuma dizer “o quê”,
várias
vezes por dia?” Normal auditivaPerda
Total Não 64 80,3% 4 4,65% 68 79,1% Sim 17 19,7% 1 1,17% 18 20,9% Total: 81 100% 5 5,82% 86 100%
Quando questionados sobre se a criança apresentava algum problema de fala, 5,82% (5) dos pais responderam afirmativamente, e 94,18% (81), negativamente. Dos 5 alunos com perda auditiva, 1 (1,17%) foi descrito pelos responsáveis como tendo problema de fala e 4 (4,65%) como não apresentando alterações nesse aspecto (Tabela 17).
Tabela 17: Distribuição percentual da percepção dos pais em relação aos seus filhos apresentarem problemas de fala.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho apresenta algum problema
de fala?” Normal auditivaPerda
Total Não 77 89,53% 4 4,65% 81 94,18% Sim 4 4,65% 1 1,17% 5 5,82% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
No caso de possível atraso de linguagem nessas crianças, 3,48% (3) dos pais confirmaram essa hipótese, e 96,52% (83) a negaram. Nenhuma criança com alteração auditiva foi definida como tendo atraso de linguagem (Tabela 18).
Tabela 18: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre a apresenta de atraso na linguagem.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho apresenta algum
atraso na linguagem?” Normal auditivaPerda
Total Não 78 90,7% 5 5,82% 83 96,52% Sim 3 3,48% 0 --- 3 3,48% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Em relação à motivação para aprender, 75 (87,2%) pais afirmaram que os estudantes não apresentavam essa motivação e 11 (12,8%) relataram que seus filhos possuíam essa característica. Somente um responsável (1,17%) por uma criança com alteração auditiva relatou que ela demonstrava motivação para o aprendizado e 4 (4,65%) negaram (Tabela 19).
Tabela 19: Distribuição percentual sobre a percepção dos pais se seu filho não apresenta motivação para aprender.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Você acha que seu filho não tem
motivação para aprender?” Normal Perda auditiva
Total Não 71 82,55% 4 4,65% 75 87,2% Sim 10 11,63% 1 1,17% 11 12,8% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Quando questionados sobre o desempenho escolar dos estudantes deste estudo, 13 (15,11%) pais afirmaram que seus filhos apresentavam desempenho abaixo do esperado para a sua idade e escolaridade e 73 (84,8%) relataram que suas crianças não tinham
esse problema. Dos 5 pais do grupo de alunos com perda auditiva, 1 (1,17%) afirmou que seu filho vinha apresentando problemas no desempenho escolar e 4 (4,65%) não observavam dificuldades nesse aspecto (Tabela 20 ).
Tabela 20: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre o baixo desempenho escolar.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Apresenta desempenho escolar abaixo
do esperado para sua idade e
escolaridade?” Normal auditivaPerda
Total Não 69 80,23% 4 4,65% 73 84,9% Sim 12 13,95% 1 1,17% 13 15,1% Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Na questão: “Seu filho apresentou mudança brusca no desempenho escolar?”, 77 (89,5%) pais responderam negativamente e 9 (10,47%), afirmativamente. Todos os 5 (5,81%) responsáveis por alunos com alteração auditiva responderam essa questão negativamente (Tabela 21).
Tabela 21: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre a mudança brusca no desempenho escolar dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho apresentou
mudança brusca no
desempenho escolar?” Normal auditivaPerda
Total Não 72 83,72% 5 5,81% 77 89,5% Sim 9 10,47% 0 --- 9 10,47% Total: 81 94,18% 5 5,81% 86 100%
No que se refere a cansaço constante por parte da criança, apenas 4 pais (4,7%) observavam essa característica em seus filhos e 82 (95,3%) responderam negativamente. Das crianças com alteração auditiva, somente 1 (1,17%) pai respondeu afirmativamente a essa questão e 4 (4,65%) negaram. (Tabela 22).
Tabela 22: Distribuição percentual sobre a percepção dos pais em relação à freqüência de cansasso dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho está
constantemente cansado?” Normal Perda auditiva Total
Não 78 90,7% 4 4,65% 82 95,3%
Sim 3 3,48% 1 1,17% 4 4,7%
Total: 81 94,18% 5 5,82% 86 100%
Em relação ao volume de fala das crianças do estudo, 32 pais (37,2%) afirmaram que elas costumam falar muito alto e 54 (62,8%) não relataram essa característica. Dos 5 pais de crianças com alteração auditiva, 3 (3,48%) responderam afirmativamente a essa questão e 2 (2,33%) negaram (Tabela 23).
Tabela 23: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre o costume vocal dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho costuma falar muito alto?” Normal Perda
auditiva Total Não 52 60,46% 2 2,33% 54 62,8% Sim 29 35,8% 3 3,48% 32 37,2% Total: 81 94,18% 5 5,81% 86 100%
Na análise da questão: “Seu filho costuma aumentar o volume do rádio, TV?”, observou-se que 44,2% (38) dos pais responderam afirmativamente, enquanto 55,8% (48), negativamente. Dois (2,33%) dos responsáveis pelas crianças com alteração auditiva (total 5) relataram que elas aumentam o volume de aparelhos como rádio e TV e 3,48% (3) não praticam essa ação (Tabela 24).
Tabela 24: Distribuição percentual da percepção dos pais sobre o costume de intensidade do volume do rádio e TV dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Seu filho costuma aumentar
volume do rádio, TV?” Normal auditivaPerda Total Não 45 52,32% 3 3,48% 48 55,8% Sim 36 41,86% 2 2,33% 38 44,2% Total: 76 94,18% 5 5,81% 86 100%
Em 96,5% (83) dos questionários, os pais responderam negativamente à pergunta: “Procura pistas visuais no rosto do falante?” e afirmados em 3,5% (3). Nenhum pai de criança com alteração auditiva respondeu sim neste item (Tabela 25).
Tabela 25: Distribuição percentual sobre a percepção dos pais em relação a necessidade de procurar pistas visuais no rosto do falante por parte dos seus filhos.
Variáveis Diagnóstico auditivo “Procura pistas visuais no
rosto do falante?” Normal Perda auditiva Total
Não 78 90,69% 5 5,81% 83 96,5%
Sim 3 3,48% 0 --- 3 3,5%
Por fim, a Extensão do Teste Exato de Fisher foi utilizada para verificar a associação entre as percepções dos pais acerca dos filhos e o diagnóstico auditivo. Não houve associação estatisticamente significante entre as respostas dos questionários e o diagnóstico auditivo (p-valor > 0,05 em todas as situações) (Tabela 26).
Tabela 26: Análise estatística relacionando questionário com o diagnóstico auditivo.
VARIÁVEIS P-VALOR
(aproximado)
Tem problema para ouvir 0,1613
Apresenta resfriados ou otites freqüentes 0,3272
Necessário repetir várias vezes uma frase, pois tem dificuldades para
ouvir 0,1137
Apresenta alguma deficiência (visual, mental, motora,...) 1,0000 Apresenta um olhar vago e distrai-se com facilidade 0,5092 Tem dificuldade em compreender palavras normais para sua idade 0,0648
Diz “o quê?” várias vezes por dia 0,5720
Apresenta algum problema de fala 0,4695
Apresenta algum atraso na linguagem 1,0000
Não tem motivação para aprender 0,3757
Apresenta desempenho escolar abaixo do esperado 0,4681 Apresentou mudança brusca no desempenho escolar 0,6902
Está constantemente cansado 0,3958
Costuma falar muito alto 0,1684
Costuma aumentar volume do rádio, TV,... 1,0000
Este capítulo visa analisar os resultados deste estudo e correlacioná-los com a literatura sobre o tema.
No ano de 2000, Olusanya et al. ressaltaram a necessidade de implantar a triagem auditiva em escolares, despertando o interesse de outros pesquisadores, como os aqui citados. Essa implantação tinha como objetivo firmar a importância desse procedimento para o aprendizado, como referido por Ferreira (2004).
Porém, como se verá a seguir, a falta de padronização da avaliação/triagem auditiva em escolares vem dificultando a análise dos critérios de normalidade e o levantamento do índice de alterações auditivas desse público. Alguns pesquisadores já se preocupavam com essa padronização, no sentido de aperfeiçoar os programas de triagem auditiva e assim favorecer a prevenção, o diagnóstico e a reabilitação de patologias auditivas em escolares, como referido por Olusanya (2001) e Westerberg et at. (2005).
Há, de fato, a necessidade de elaborar um protocolo simples, prático e eficaz para o diagnóstico da deficiência auditiva, o que poderia auxiliar na detecção de possíveis patologias, como destacado por Vaz et al. (2002) e Olusanya e Okolo (2004).
Na presente pesquisa, o otorrinolaringologista realizou avaliação otoscópica nas crianças selecionadas, a fim de identificar alterações que impedissem os outros procedimentos, como audiometria ou imitanciometria, como foi descrito no capítulo Métodos.
De acordo com os resultados, 76,16% das orelhas não apresentaram alteração nessa avaliação médica, e 23,84% apresentaram alteração total ou parcial, necessitando de limpeza do meato acústico externo para realização dos outros exames. Esses dados estão de acordo com a pesquisa realizada por Corona et al. (2006), em que também foi feita avaliação otoscópica, sendo encontrado o mesmo resultado.
Em contrapartida, nos estudos de Araújo et al. (2002), Brunetto (2003) e Ciciliano et al. (2002) encontramos índices inferiores de alterações. Vale ressaltar que os sujeitos dos dois últimos estudos citados foram avaliados por meio da meatoscopia realizada pelo fonoaudiólogo, o que difere da otoscopia, realizada pelo otorrinolaringologista. Como ambos os procedimentos - meatoscopia e otoscopia - observam a necessidade de limpeza do meato acústico externo para a realização da avaliação audiológica, deveriam ser padronizados pelos dois profissionais, para se ter um consenso de opiniões, o que ainda não ocorre, como é possível constatar na literatura da área.
Quanto à presença ou não de alterações auditivas, observamos que 94,77% das crianças avaliadas apresentaram audição dentro do padrão de normalidade e 5,23%, alterações auditivas. Esse achado vai ao encontro dos estudos de Ramos et al. (2001) e de Ciciliano et al. (2002), nos quais o índice de alterações auditivas também foi bem inferior, se comparado aos achados de normalidade da audição.
Ainda com relação a esse aspecto, os resultados deste estudo não se assemelharam aos de Krueger e Ferguson (2002), Araújo et al. (2002), Lacerda et al. (2002), Skarzynsky, et. al (2003), Westerberg et al. (2005), Corona et al. (2006) e Santos (2006), nos quais o
número de sujeitos com alteração na audiometria diversificado, o que pode ser explicado em função dos critérios estabelecidos como normalidade. Em alguns desses estudos, o limiar utilizado como critério de normalidade foi de 15 dB, e em outros, de 35dB. Essa diferença de limiares se justifica pelo método aplicado, sendo que alguns desses autores realizaram apenas triagem auditiva, enquanto outros pesquisaram o limiar mínimo de audibilidade, como ocorreu no presente estudo.
Na avaliação timpanométrica aqui realizada, como já demonstrado nos resultados, 94,77% de crianças apresentaram timpanometria dentro dos padrões de normalidade e 5,23% apresentaram alterações timpanométricas. Das cinco crianças com alterações, duas apresentaram curvas tipo “B” bilateral, duas apresentaram curvas tipo “C” bilateral e uma, curva tipo “C” unilateral à esquerda. Esses achados estão de acordo com o estudo de Araujo et al. (2002), Krueger e Ferguson (2002). Já os estudos de Costa (1999); Ramos et al. (2001) e Corona et al. (2006) apresentaram dados superiores de alteração, se comparados ao do presente estudo. Essa diferença pode ter ocorrido devido ao padrão diferenciado utilizado como normalidade2 ou à época de coleta da pesquisa3. Existe, porém, uma concordância em relação ao predomínio do tipo de alterações timpanométricas em todos os estudos, que sugere o pico de máxima admitância deslocado para as pressões negativas, conhecida como curva timpanométrica tipo “C”.
2 Algumas pesquisas utilizaram como normalidade na timpanometria variação da pressão de +50mmH2O a -100mmH2O enquanto outras utilizaram de + 90 a -150mmH2O. Na maioria das pesquisas não foi definido esse parâmetro.
Todas as alterações encontradas no presente estudo foram de origem condutiva, o que está de acordo com todas as pesquisas referidas. Aita et al. (2002) e Lacerda et al. (2002) já chamavam atenção para essas alterações temporárias, geralmente causadas por otites, que, na maioria das vezes, se apresentam silenciosas, dificultando a detecção dessa alteração. Concordando com essa afirmação, Vieira, Santos (2001); Vaz et al. (2002); Santos, Schochat (2003); Olusanya, Okolo (2004) relataram que essas alterações temporárias podem acarretar problemas no desenvolvimento acadêmico dessas crianças. As habilidades de detectar sons, prestar atenção, discriminar, localizar e memorizar são necessárias para o aprendizado, sendo que, quando afetadas, podem levar a dificuldades no desenvolvimento da linguagem, da cognição, social, emocional e educacional.
Como referido por Araújo et al. (2004), também os otorrinolaringologistas têm demonstrado interesse em pesquisar e realizar levantamentos de possíveis alterações temporárias em escolares, pois esses especialistas recebem frequentemente crianças com queixas e sintomas otológicos e rinológicos, que podem afetar a qualidade de vida e a produtividade escolar.
Na relação entre alterações auditivas e idade, observamos no presente estudo uma incidência maior dessas alterações em crianças com idade inferior (6 anos). Esses achados são compatíveis com os dados do estudo de Ramos et al. (2001), que relataram predomínio de alterações auditivas na faixa etária de 4 a 6 anos. Nessa fase, em que estão iniciando a escolaridade, as crianças que apresentam alteração auditiva, mas não são diagnosticadas, podem ser tratadas como desatentas, apresentando dificuldades de
fala e aprendizagem, segundo Brunetto (2003); Vieira, Santos (2001); Rio, Bosch (1997).
Importante ressaltar que, da população aqui estudada, nenhuma criança retornou para reavaliação e acompanhamento otorrinolaringológico, como proposto no método. Diversas pesquisas com triagem auditiva em escolares apresentaram essa mesma dificuldade, não conseguindo definir, portanto, o número exato de alterações auditivas em relação ao total de crianças avaliadas inicialmente e encerrando os trabalhos como avaliação de triagem ou apresentando resultados parciais. Esse problema também foi encontrado por Skarzynsky, et. al (2003), sendo que, nesse estudo, somente 29% de sujeitos compareceram para uma nova avaliação e receberam um diagnóstico.
Com relação aos métodos utilizados para a identificação das alterações auditivas dos escolares, a avaliação/triagem auditiva por tons puros e as medidas de imitância acústica pareceram ser mais eficazes, corroborando assim com os achados de Barret (1999).
Relacionando as informações obtidas no questionário dirigido aos pais com as avaliações audiométricas e timpanométricas realizadas nas crianças deste estudo, podemos constatar que, após a aplicação do teste estatístico, não ocorreu significância em nenhuma das respostas do questionário. Isso pode ser explicado pela pequena amostra da população ou pela forma como o questionário foi aplicado, não contando em todos os casos com a presença da pesquisadora, como explicado no capítulo Métodos. Assim, os pais podem não ter compreendido o objetivo das perguntas, prejudicando a análise.
Importante ressaltar, ainda, que esse questionário foi elaborado para uso da triagem auditiva, sendo utilizado como complemento de avaliação. A maioria das pesquisas que utilizaram o questionário como proposta para triagem/avaliação auditiva tinha como objetivo analisar a eficácia desse procedimento e correlacioná-lo com os testes diponíveis para a detecção precoce das deficiências auditivas, como encontramos em Hind et al. (1999), Olsanya (2001), Lacerda et al. (2002), Brunetto (2003) e Valente (2006).
Contudo, vale enfatizar que, ao correlacionar os dados do questionário desta pesquisa aos achados audiológicos, percebe-se o quanto é importante estar atento ao comportamento auditivo e à realização de triagem e/ou avaliação audiométrica na faixa etária aqui em foco, para observar possíveis distúrbios auditivos e/ou de aprendizagem.
No questionário dirigido aos pais proposto neste estudo, podemos destacar índices elevados de respostas positivas em itens como: necessidade de as crianças aumentarem o volume da TV e rádio e de falar alto; ocorrência de resfriados e otites freqüentes; solicitação por parte das crianças para que o interlocutor repita informações com freqüência; presença de alterações no desempenho escolar ou problemas para ouvir. Esses achados vão ao encontro dos relatados por Brunetto (2003); Santos, Schochat (2003); e Vieira, Santos (2001) que ressaltaram o fato de apresentarem dificuldade para localizar e discriminar a fonte sonora, memorizar, manter a atenção e seguir seqüências de instruções, as crianças com alterações auditivas podem ser caracterizadas, na fase de iniciação escolar, como distraídas e com dificuldades de aprendizagem.
Por outro lado, o fato dos pais das crianças diagnosticados com alterações audiológicas terem indicado que seus filhos não apresentavam esse tipo de problema pode ser explicado pelo tipo de alteração encontrado nessa população. Segundo Aita et al. (2002) e Lacerda et al. (2002), alterações condutivas não são normalmente percebidas nem pelas crianças e nem pelos responsáveis.
Nessa medida, é essencial preparar os docentes para atuar de forma preventiva na saúde auditiva de seus alunos, disseminando conhecimento a respeito de distúrbios auditivos e suas conseqüências para o aprendizado, o que pode ajudar no diagnóstico, como definido por Ribas (1999) e Sebastião (2001).
Além do atraso no desempenho acadêmico, essas alterações auditivas podem interferir no desempenho psíquico e social do indivíduo, como relatado por Coimbra (2005); Northern, Downs (2005) e Valente (2006). Por isso, a necessidade de elaboração de um questionário que não só apresente questões relacionadas à audição, mas também que aborde aspectos relacionados à vida social e econômica da criança.
Os autores citados neste estudo são unânimes em apontar as limitações do uso do questionário na avaliação auditiva. Mas, mesmo assim, quando bem elaborado e aplicado, ele pode ser uma opção mais acsessível para a triagem em escolares e ajudar na identificação daqueles que apresentam alterações auditivas. Portanto, seria um procedimento coadjuvante nos programas de saúde auditiva escolar. Mas, para comprovar sua eficácia, ainda são necessários muitos estudos.
De fato, a condição custo/benefício do uso do questionário poderia ser mais aproveitada, desde que observados aspectos como elaboração e aplicação adequada desse procedimento.
Se analisarmos o questionário de forma isolada, talvez não tenhamos grandes benefícios quanto aos aspectos relacionados à audição. O ideal é que dados coletados que se relacionem com o ponto de vista socioeconômico e cultural sejam integrados às questões de educação e sáude, para podemos caracterizar a população escolar do nosso