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KAPITTEL 4: POLITISK REPRESJON

4.2 REPRESSIVE KONTROLLMETODER

4.2.3 Politivold

Nas ciências sociais utiliza‑se usualmente de três grandes tipos de técnicas de recolha de dados, que visam analisar e refletir sobre as investigações qualitativas são estas a entrevista, a observação e a análise documental.

Fazer perguntas é normalmente aceite como uma forma rentável (frequentemente a única) e de obter informação sobre comportamentos e experiências passadas, motivações, crenças, valores e atitudes, enfim, um conjunto de variáveis do foro subjetivo não diretamente mensuráveis (Foddy, 1993, p. 1).

A entrevista permite‑nos um acesso ao sujeito na medida em que poderá ser questionado sobre as suas ações, ideias ou até mesmo projetos, bem como permite uma compreensão dos caminhos escolhidos pelo mesmo que, de uma forma ou outra, o tornam o indivíduo que é hoje. A entrevista apresenta uma intenção que poderá recair na exploração de um tema, objetivos e/ou dimensões, que bem estruturado visa caracterizar o seu objeto de estudo, neste caso, o indivíduo. Como diriam os autores Poirier, Clapier‑Valladon e Raybaut (1995):

A entrevista tem por fim, aqui, recolher o saber específico de que o narrador é portador. O entrevistador deve ter a preocupação, por um lado, de recensear todas as informações em profundidade e, por outro lado, restituir a própria singularidade do discurso (1995, p. 45).

39 estruturação, quer por entrevistas estruturadas quer por entrevistas não‑estruturadas. Os mesmos também referem que as entrevistas qualitativas podem ser abertas, ou seja, centradas por tópicos ou então regidas por questões gerais, desta forma, há uma maior recolha de dados, que poderá conter grande riqueza de informação. De acordo com Ketele e Roegiers (1999) é através de conversas, quer individuais quer de grupo, que a entrevista funcionará como um meio de recolha de informação na qual será analisada a sua “validade e fiabilidade” (p. 18).

Patton (1990) apresenta‑nos três tipos de entrevistas: entrevista não‑estruturada, entrevista semiestruturada ou semidiretiva e entrevista estruturada; estas mesmas variam entre as totalmente informais ou de conversação e as altamente estruturadas e fechadas.

A entrevista não‑estruturada não apresenta guião, implica o respeito pela visão do entrevistado; o diálogo entre ambos é escasso, pois o entrevistador tem um papel mais passivo e este tipo de entrevistas dirige‑se mais para estudos exploratórios. A entrevista semiestruturada ou semidiretiva já é acompanhada por um guião que poderá conter um conjunto de tópicos/temas ou mesmo perguntas a abordar na entrevista. Porém, ao contrário da entrevista não‑estruturada, dá liberdade ao entrevistado para falar, contudo é imperativo que o entrevistador controle a entrevista e não permita ao entrevistado fugir do tema – a vantagem desta entrevista reside na abordagem dos temas com mais liberdade. Desta forma, a entrevista estruturada consiste numa abordagem de temas e/ou questões previamente determinadas, consideradas importantes para os objetivos do trabalho, há uma estrutura concisa e ordenada.

A escolha do tipo de entrevista a aplicar depende do tipo de questões a realizar, do tema de estudo e principalmente do objetivo inerente ao estudo – “o que se pretende saber?” Perante esta pergunta foi‑nos relativamente fácil escolher uma tipologia de entrevista, a semidiretiva, porque teria um guião que nos encaminharia. Porém, dado a especificidade do tema, a entrevista semidiretiva foi acompanhada por outra técnica de recolha informativa: a conversa informal, que ocorreu antes e depois das entrevistas, redigidas e apresentadas através das notas de campo. Ambas as escolhas foram ponderadas, também segundo os autores Matalon e Ghiglione (1997), pois os autores referem a necessidade de utilizar questões na entrevista, dado que necessitam inferir, tomar conhecimento, compreender, por exemplo, os factos, as opiniões, as motivações, os valores, as atitudes e as preferências do entrevistado – perante uma visão hermenêutica, permitiu compreender o contexto no qual decorre o estudo sob o olhar do técnico. Assim, a entrevista e a conversa informal permitiram‑nos recolher a informação desejada, através do diálogo e de questões de uma forma mais direta, em que houve uma interação com os entrevistados, bem como a visualização e o registo das suas reações. As conversas informais, também, sem qualquer guião e apenas com um tópico exploratório, permitiram‑nos ter acesso

40 a uma informação menos condicionada e que serviu de complemento a perguntas não exploradas profundamente.

Moreira (2007) aborda a entrevista como “seguramente a técnica mais utilizada na investigação social” (p. 203). De certa forma, foi este autor e os anteriormente referidos que serviram de base para escolher a entrevista como técnica, tendo um complemento de recolha adicional, a conversa informal. O autor continua a explicar que é por ser “tão próxima da arte da conversação. Na verdade, a conversação, praticada ou presenciada, em situações habituais da vida quotidiana, pressupõe um ponto de referência constante” (p. 203). Assim, o ponto de referência será o tema da conversa e, como tal, no nosso estudo foi aplicado a entrevista semidiretiva. As entrevistas tiveram um guião encaminhador, elemento essencial quando o entrevistador é inexperiente (como é o caso), e as conversas informais que complementaram as entrevistas. Portanto, ambas técnicas foram aplicadas no nosso Estudo de Caso como processo privilegiado de recolha de informação.

Posto isto, nas técnicas usadas pelo entrevistador elaborou‑se numa série de perguntas‑guia, relativamente abertas, sem que obedecessem necessariamente a uma ordem ou a um esquema determinado. Este tipo de entrevista permitiu que houvesse uma reformulação de perguntas ou mesmo a hipótese de questionar o entrevistado sobre assuntos ou temas não previstos e/ou emergentes, anotando‑os no guião. O entrevistador apenas encaminhou a entrevista orientando o entrevistado para o objetivo pressuposto do estudo em mãos. Quando necessário, de outra forma, foi facilitado o discurso aberto face às perguntas apresentadas ao entrevistado.

No que concerne as conversas informais, apenas nos guiámos num tópico e conversámos com o nosso entrevistado. Tivemos também o cuidado de manter o mesmo tópico da nossa conversa e entrevista; explorámos os assuntos que foram surgindo, não de forma exaustiva, apenas e conforme a nossa necessidade em saber mais sobre o assunto. A conversa informal, que apenas foi aplicada a algumas entrevistadas, na qual abordámos os assuntos que nos interessou aprofundar, enriquecendo assim o nosso Estudo de Caso.

O passo seguinte da nossa recolha de informação foi enquadrá‑la num contexto mais abrangente. Há um processo de análise que passa por desconstruir a informação para a encaixar e reconstruir numa perspetiva analítica, uma desconstrução que resultou numa construção de significado. Foi esse o nosso objetivo em usarmos a entrevista e a conversa, inquirir o entrevistado de modo a que nos relatasse o seu contexto: “a singularidade que é considerada, não numa perspetiva de diagnóstico ou terapêutica, mas como reveladora de um certo vivido social” (Poirier, Clapier‑Valladon & Raybaut, 1995, p. 45).

41 2.4.2. A aplicação das técnicas escolhidas

Tal como referido anteriormente, a entrevista semidiretiva teve como recurso o uso de guião. O guião utilizado conteve questões de resposta aberta para que o entrevistador pudesse não só adequar as perguntas face ao entrevistado, como também a possibilidade de descartar algumas perguntas ou também elaborar novas questões conforme a informação recolhida. Em consonância com Moreira (2007) “ao longo da entrevista podem ir surgindo temas ou subtemas não previstos, que se revelem importantes ou pertinentes” (p. 204). O autor realça que “alguns entrevistados têm mais coisas a contar” (p. 204) – nesta perspetiva, é essencial que o entrevistador esteja preparado e que consiga adequar o seu guião no decorrer da entrevista, resultando numa boa e rica aquisição de dados; o guião aberto dá azo a que haja quer diálogo quer perguntas geradoras de diálogo, possibilitando uma maior recolha de informação. Desta forma e seguindo este molde, as perguntas abertas, ou perguntas semidiretas com guião aberto, permitiram não só uma resposta sem condicionalismos, o que não ocorre com perguntas fechadas, como também permitiu uma resposta mais desenvolvida. Dado que, como referido pelo autor: “a utilização de perguntas abertas repousa na presunção de que elas são relevantes para os inquiridos e de que estes podem fornecer respostas corretas no quadro de uma situação de pergunta‑resposta” (Foddy, 1993, p. 145) – assim, tivemos não só o acesso à informação pretendida como também à visão do inquirido. Esta técnica enriqueceu o processo hermenêutico do nosso Estudo de Caso e da nossa investigação.

Em relação à condução da entrevista, considerámos alguns aspetos importantes, que relacionados com as entrevistas e conversas informais, foram cuidadosamente pensados e repensados. Uma das preocupações maiores foi a distração do entrevistado pelo gravador, como também a possível distração se o entrevistador registasse ou escrevesse muitas notas, podendo assim condicionar a entrevista. Numa tentativa de colmatar essas condicionantes, inicialmente fizemos uma contextualização sem expor muito o propósito da nossa investigação. Segundo Ketele e Roegiers (1999) referem que poderia existir a manipulação dos dados, embora não fosse um aspeto negativo, dado que é necessário para orientar a nossa investigação. Os autores mencionam que “uma entrevista será manipulada a partir do momento que o entrevistador quer conduzir o seu interlocutor para um terreno preciso. Só os relatos de vida totalmente abertos . . . podem apresentar as características de uma situação não manipulada.” (p. 177) Desta maneira, o acesso à informação emergente foi registado e a informação que retém o ponto de vista do entrevistado e a sua visão face ao mundo e ao seu contexto, foi respeitada através da pouca intervenção do entrevistador. Privilegiámos ouvir sem

42 muito intervir, apenas conduzimos a entrevista.

No total foram feitas sete entrevistas durante os meses de novembro e dezembro de 2015 e janeiro de 2016, uma à gestora e seis às voluntárias do gabinete de Faro, registámos também Notas de Campo (p. 224) resultantes de quatro conversas informais, que na sua maioria serviram para melhor compreender alguns dos tópicos que não foram explorados nas entrevistas.

As Notas de Campo tornaram‑se um dos elementos enriquecedores da presente investigação social. Estas resultaram da observação e de anotações por parte do investigador, existindo uma preocupação em anotar informações antes, durante e depois do encontro entre o investigador e o informante. As notas de campo, segundo Burgess (1997), “consistem num registo contínuo de situações, acontecimentos e conversas nas quais o investigador participa” (p. 182). Estas, segundo o autor e em uníssono com Schwalbe e Wolkomir (2002), mencionam a riqueza de dados e a importância que as notas de campo têm na investigação.

A entrevistadora fez‑se acompanhar de gravador, guião e bloco de apontamentos que serviu como ferramenta para tirar notas (notas de campo) e conduzir a entrevista. As notas serviram para registar as informações ou todos os elementos que não ficariam registados na transcrição após a entrevista, dado que uma das muitas limitações de uma gravação áudio é não registar o tom de voz, gestos ou expressões – assim recorreremos às notas de campo como recurso complementar à nossa investigação. Os autores Bogdan e Biklen (1994) referem estes apontamentos como “notas de campo” (p. 150), pois consideram importante registar os acontecimentos e detalhes que não captados pelo gravador, dado que as entrevistas gravadas não captam o "cheiro, a visão, as impressões e os comentários extra, ditos antes e depois da entrevista”. Desta forma, as “notas de campo” servem para registar todo o contexto da entrevista e auxiliar o entrevistador, posteriormente, no aferimento dos dados recolhidos, principalmente, após feita a sua transcrição para melhor analisarmos e melhor tratarmos os dados obtidos na mesma.

Em relação à técnica de entrevista, para Foddy (1993), o entrevistador define que tipo de informação pretende adquirir e que entrevistado poderá facultar ou disponibilizar essa informação. Assim e nessa perspetiva, decidimos usar a entrevista semidiretiva para obtermos a informação pretendida e posteriormente analisá‑la.

Segundo Schwalbe e Wolkomir (2002), temos de ter o cuidado de refletir sobre a entrevista feita para que haja um novo olhar, como que um reavaliar, do trabalho elaborado. Os autores sugerem perguntas orientadoras (self‑posed questions) para auxiliar o entrevistador a relembrar e focar certos elementos importantes que possam ter passado despercebidos. Sugerem também uma reflexão sobre o trabalho do entrevistador, evitando possíveis

43 confrontos para que não se perca a aquisição de dados e de ilações na compreensão e análise da entrevista.

Por fim, tendo todo este processo em consideração, as informações obtidas através das entrevistas/conversas informais e das notas de campo foram analisadas através da técnica de análise de conteúdo. O principal objetivo é refletir, analisar e discutir os resultados obtidos de modo a satisfazer os objetivos gerais e específicos desta investigação.