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Politisk fløy med begge ordførervervene

7.2 T ESTING AV HETEROGENITET

7.2.2 Politisk fløy med begge ordførervervene

Pudemos observar que, de maneira geral, problemas se apresentaram no desenvolvimento das aulas e alguns foram mais recorrentes que outros. O Quadro 5 apresenta alguns dos problemas identificados nesta etapa.

49 Grand Theft Auto (GTA) é uma série s de jogos de computador e videogame destinado ao público

adulto.

Quadro 5 - Problemas identificados na observação. Problemas identificados na observação

Alunos não completarem uma atividade Atividades diferenciadas qualquer Castigo

Demanda dos alunos por muita atenção do professor Dificuldades de realização da atividade

Dificuldades de compreensão do conteúdo pelos alunos Dificuldades de utilização do recurso

Falta de habilidade dos alunos para uso do computador Indisciplina

Professor não conhecer o funcionamento do recurso Problema de recurso

Tempo da atividade

Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 2017.

Consideramos necessário darmos atenção a todos esses pontos identificados, pois todos podem ser capazes de fazer com que uma aula com TIC não ocorra de maneira adequada e que o professor se sinta desmotivado.

O problema dos alunos não completarem uma atividade é que, no caso em questão, o professor não percebeu que o aluno não havia completado a atividade antes de passar para outra. Neste caso, o aluno não conseguiu aproveitar a atividade no laboratório como um recurso capaz de auxiliar seu processo de aprendizagem de determinado conteúdo.

Uma questão importante a ser discutida sobre esta problemática é que, como Tardif e Lessard (2014) apontam, um dos dilemas do trabalho docente é conciliar o tempo da escola com o tempo do aluno. Segundo os autores “a escola e as classes são regidas por um tempo administrativo independente dos indivíduos, da aprendizagem” (TARDIF; LESSARD, 2014, p.80), no entanto, o processo de aprendizagem de cada aluno é algo que se relaciona intimamente com o indivíduo e suas vivências, o que significa que ele não pode ser imposto e que cada um aprende em seu ritmo. Neste sentido, o problema dos alunos não completarem uma atividade nos parece estar relacionado com a Barreira da falta de formação pedagógica do professor para uso das TIC (JONES, 2004), pois consideramos que quando não há este tipo formação, ou este não foi realizado de maneira adequada, os professores podem não perceber as possibilidades pedagógicas do uso dessas novas

ferramentas tecnológicas e podem acabar (re)produzindo um contexto de ensino que proporciona pouca ou nenhuma autonomia a seus alunos.

Já o problema do professor não oferecer aos alunos com dificuldades de aprendizagem atividades diferenciadas e escolhidas com base em suas necessidades, mas sim atividades diferenciadas quaisquer, se choca com a ideia de que as TIC podem ser aproveitadas para auxiliar justamente os alunos que mais precisam. Nestes contextos, em que não há a reflexão do objetivo pedagógico do uso de determinado recurso tecnológico, os alunos perdem a oportunidade de aprender e o professore perde a oportunidade de proporcionar aos seus alunos atividades que potencializem o processo de aprendizagem.

A este respeito, acreditamos que há fortes indícios de que a Barreira da não percepção dos benefícios do uso das TIC (JONES, 2004) se fez presente nas atitudes citadas anteriormente. Isto porque, embora o professor esteja utilizando os recursos, não os concebem como ferramentas potencialmente ricas para estimular a aprendizagem de seus alunos.

Consideramos também que deixar um aluno sem fazer atividades no laboratório informática como forma de castigo é algo injustificável já que, se a função da prática pedagógica é auxiliar os alunos em seu processo de aprendizagem, não é coerente impedi-los de realizar atividades de aprendizagem. Sabemos que isso ocorre, pois o professore sabe que as atividades com as TIC são prazerosas para os alunos. Podemos enquadrar este tipo de ação no que Tardif e Lessard (2014) caracterizam como coerção, que consiste em condutas punitivas reais ou simbólicas desenvolvidas pelos professores na interação com os alunos. Além disso, podemos considerar que há nessas ações, novamente, a ocorrência da Barreira da não percepção dos benefícios do uso das TIC (JONES, 2004), visto que acreditamos que se o professor considerasse a oportunidade de levar os alunos para o laboratório de informática como algo importante para o desenvolvimento dos conteúdos curriculares e para sua apreensão, ele não impediria que um aluno ficasse sem usufruir desses recursos como maneira de puni-lo por mau comportamento.

O problema dos alunos demandarem muita atenção do professor pode fazer com que a aula no laboratório seja algo extremamente cansativo e desgastante para os professores. Acreditamos que a função das TIC na educação é, justamente, possibilitar maior autonomia dos alunos e não menor. Podemos supor que este problema ocorreu, em grande parte, por causa de falhas no planejamento do

professor, visto que, conhecer as características, demandas e dificuldades de sua turma é essencial para uma boa aula, mas conhecer o recurso e identificar suas possíveis falhas, também é essencial quando se trabalha com as TIC.

Identificamos nesta situação uma barreira que não fora focalizada por Jones (2004) em seu levantamento, que é a da falta de planejamento do professor. Acreditamos que esta pode possuir diversos fatores relacionados, como a falta de tempo do professor, sua falta de habilidade, mas, principalmente, a falta da compreensão da importância do planejamento para a prática pedagógica, com ou sem as TIC. O planejamento é algo bastante discutido durante os cursos de formação inicial e podemos considerá-lo como uma maneira de desenvolver e aplicar os saberes curriculares (TARDIF, 2017). É durante o planejamento que o professor deve considerar as características de sua turma e de seus alunos, as atividades anteriores e posteriores, a natureza da matéria a ser trabalhada, as atividades de ensino e os recursos e as obrigações necessários (TARDIF; LESSARD, 2014).

No entanto, não devemos esquecer que o trabalho docente é um trabalho dinâmico e interativo, o que significa que a demanda da atenção dos professores pelos alunos é algo natural e esperado.

Já as dificuldades dos alunos em realizar as atividades geralmente estão relacionadas com a pouca orientação do professor quanto a que ações executarem e em qual ordem. No geral, dentro desta categoria, os alunos demandam atenção do professor com questões como: qual atividade escolher entre as disponíveis nos sites; qual o objetivo da atividade; o que fazer durante a atividade; e o que fazer quando terminarem a atividade. Nesta questão, novamente consideramos a existência de uma Barreira relaciona ao planejamento do professor, visto que os fins e objetivos da aula e das tarefas não são apresentados claramente aos alunos.

As dificuldades de compreensão do conteúdo, como a própria denominação sugere, dizem respeito às dúvidas sobre o conteúdo curricular proposto na atividade. Podemos compreender que os alunos possuírem algumas dúvidas em algum momento é algo aceitável, entretanto, se a maioria dos alunos tiverem dúvidas na maior parte do tempo, isto indica que a escolha do recurso não é adequada para a etapa do processo de aprendizagem no qual eles se encontram. Novamente, o problema que se evidencia pode ser a falta de planejamento do

professor, que sugere que não houve um momento de reflexão sobre os conhecimentos prévios dos alunos.

Dificuldades de utilização do recurso, no entanto, estavam relacionadas com problemas na escolha destes por parte do professor. Um recurso pode ter problemas de diversos tipos e não ser adequado para o ensino, neste sentido, aspectos relacionados com as questões de usabilidade são de extrema importância para que se faça a escolha de recursos capazes de potencializar a aprendizagem dos alunos. Alguns problemas relacionados a estes se revelavam presentes nas dificuldades dos alunos de compreenderem e dominar o layout de determinado recurso ou de compreenderem e significarem as figuras apresentadas. Essas dificuldades revelavam a existência de barreiras relacionadas à falta de formação pedagógica (JONES, 2004), visto que os professores muitas vezes não souberam como escolher os recursos com as características mais adequadas às necessidades de sua turma. Estas dificuldades também se relacionam com o problema do uso de softwares inapropriados (JONES, 2004), pois, no geral, os problemas estavam relacionados a designs de softwares e configurações aparentemente não pensados para o uso por crianças.

De maneira semelhante se apresentaram os problemas de recurso, entretanto estes também estavam ligados a características do mesmo que atrapalhavam no processo de aprendizagem. Nesta categoria pudemos encontrar recursos que ofereciam elementos como: contagem de tempo para a realização da atividade, o que acabava desmotivando os alunos; problemas técnicos de funcionamento; e a possibilidade de se conseguir burlar a atividade e obter as respostas, como quando o recurso apresentava a resposta logo abaixo ou se conseguia resolver uma atividade apenas por tentativa e erro. São barreiras nestas situações: a falta de formação pedagógica (JONES, 2004), que faz com que o professor tenha dificuldades para selecionar os recursos a serem utilizados; softwares inapropriados (JONES, 2004), que ocasiona problemas de funcionamento; e falta de planejamento do professor, evidenciada quando, por exemplo, encontramos as respostas das atividades na própria atividade, demonstrando que o professor não avaliou o recurso previamente.

Os problemas relacionados com o tempo de atividade também estavam relacionados com falhas na escolha do recurso, visto que o professor deveria estimar quanto tempo sua turma levaria para realizar determinada atividade

e propor atividades que ocupassem todo o tempo disponível no laboratório de informática com atividades pedagógicas. Evidenciamos, no entanto, que quando os professores não levavam este aspecto em consideração, os alunos que teriam aproximadamente cinquenta minutos de aula disponíveis, muitas vezes, terminavam rapidamente a atividade proposta e ficavam repetindo a mesma atividade ou em atividades com pouco ou nenhum caráter pedagógico. Consideramos nestes casos, a ocorrência, novamente, da barreira da falta planejamento do professor, pois quando este é realizado, o professor consegue mensurar aproximadamente a duração das atividades a serem propostas.

Não conhecer o funcionamento do recurso é um daqueles problemas graves que observamos nas práticas dos professores. Sabemos que, muitas vezes, os professores não possuem tempo disponível para explorar os recursos disponíveis na Internet, mas utilizar um recurso que você não conhece, é um erro que dificulta a implementação de boas práticas pedagógicas com as TIC. Nestas situações, novamente, nos deparamos com barreiras relacionadas à falta de planejamento do professor e, além desta, a da não percepção dos benefícios do uso das TIC no contexto educacional, visto que está implícita nestas ações, a mensagem de que o tipo e as características do recurso são pouco relevantes em sua prática docente.

Já as dificuldades relacionadas à falta de habilidade dos alunos no uso das TIC, mas especificamente relacionadas com o computador, podem atrapalhar o desenvolvimento da aula e estão muito mais relacionadas com os alunos. Diferentemente do que se imagina, nem todas as crianças são habilidosas com os recursos das TIC, principalmente se isso não fizer parte de suas vivências. Em quase todas as aulas algum aluno solicitava ajuda para resolver problemas como: fechar uma janela; abrir uma janela; colocar o navegador na página inicial; colocar na página da atividade; voltar na página da atividade; maximizar uma janela; abrir o navegador; usar o teclado; ou usar o mouse.

Constatamos, por meio da observação desta dificuldade dos alunos, a indicação de outra barreira não discutida por Jones (2004), que é a da falta de habilidade dos alunos para o uso das TIC. Diferentemente do que é discutido e suposto, as crianças e os jovens não possuem, necessariamente, mais habilidade para o manuseio das TIC que os adultos ou os mais velhos. A aprendizagem das técnicas e habilidades para o uso destes recursos não é algo nato, mas sim, algo construído através das vivências individuais de cada pessoa.

Uma maneira de se proporcionar aos alunos o desenvolvimento de uma capacidade para manusear e lidar com as TIC é por meio da alfabetização digital, que engloba “o conhecimento do uso do teclado, do mouse, da forma de ligar a máquina, do uso dos diversos aplicativos e de todos os recursos inerentes ao computador e à Internet” (ARAÚJO; FRADE, 2007, p. 32). Acreditamos que a alfabetização digital pode potencializar o desenvolvimento de uma postura autônoma dos alunos no desenvolvimento das atividades com as TIC, o que poderia diminuir a carga da demanda de atenção exigida ao professor e aumentar o sentimento de independência e de êxito por parte dos próprios alunos.

Por fim, a indisciplina é um grave problema que se apresentou durante as observações. Ela é também um tema bastante complexo e que pode estar relacionado com diversos aspectos como a postura do professor em sua prática, com as vivências e experiências do aluno, ou com a proposição e o desenvolvimento das atividades propriamente ditas.

Devemos lembrar que o objeto do trabalho docente é constituído pelas relações entre os seus agentes, o que faz com que os alunos sejam capazes de resistir ou participar das ações das práticas educativas (TARDIF; LESSARD, 2014). Neste sentido, o professor não consegue obrigar seus alunos a aprenderem algo ou a manterem o interesse de estar na sala de aula, mas eles podem sim, persuadi-los (TARDIF; LESSARD, 2014) e propor estratégias para que as atividades propostas sejam interessantes e motivadores. Uma maneira de se tentar fazer com que isso ocorra é por meio da formação pedagógica, que pode formar os professores para que eles consigam ampliar suas possibilidades pedagógicas de uso das TIC.

Em síntese, a análise das observações das aulas nos possibilitou começar a identificar a existências das barreiras para a implementação de práticas docentes que de fato auxiliem no processo de aprendizagem dos alunos. As barreiras que encontramos nesta etapa de análise foram: a falta de formação pedagógica, a não percepção dos benefícios do uso das TIC, a falta de planejamento das aulas, a utilização de softwares inapropriados, e a falta de habilidade dos alunos para o uso das TIC. O Quadro 6 pontua quais as barreiras identificadas nesta parte da análise.

Quadro 6 - Barreiras Identificadas nas observações. Barreiras identificadas nas observações

Falta de habilidade dos alunos no uso das TIC Falta de planejamento das aulas

Falta de formação pedagógica

Não percepção dos benefícios do uso das TIC Uso de softwares inapropriados

Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 2017.

Após apontarmos estas primeiras barreiras presentas nas práticas de professores dos anos iniciais na utilização das TIC, a próxima seção será destinada à descrição e discussão da segunda fonte de coleta de dados, o livro de registro de atividade.