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“Politianalysen”

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Segundo Oatley e Jenkins (2002:40) as reflexões sobre as emoções podem ser encontradas em alguns dos documentos escritos mais antigos. Por exemplo, Aristóteles que viveu de 322 a 384 (Antes da Era Comum) lançou algumas das fundações da Psicologia das Emoções europeia e americana. A sua perspectiva mais fundamental consistia em que as emoções estão ligadas à acção e que derivam daquilo em que acreditamos. Para Aristóteles, a sua preocupação com as emoções consistia no facto de que falar é um assunto pessoal. Quando se fala para persuadir, tem de se saber alguma coisa acerca da pessoa para quem se fala, acerca dos seus valores e acerca dos seus efeitos que esse discurso pode ter sobre ela. Para Aristóteles, as emoções são todos aqueles sentimentos que mudam as pessoas de forma a afectar os seus julgamentos e são também assistidas pela dor ou pelo prazer. Esses são a ira, a piedade, o medo e outros, com os seus opostos. A ira, segundo o autor, pode ser entendida como um impulso, acompanhado pela dor, para vingança conspícua por uma atitude desrespeitosa dirigida sem justificação em relação àquilo que nos preocupa ou em relação ao que preocupa os nossos amigos. No século XVII, surge René Descartes que é conhecido como o fundador da filosofia moderna. No livro que escreveu em 1649, intitulado por Paixões da Alma o autor estabeleceu aquilo que é hoje considerado a base actual neurofisiológica, nele é descrito o corpo como um tipo de máquina, foram feitas as distinções entre nervos sensoriais e motores, indica ainda a forma como a memória pode operar e analisar o modo como os reflexos funcionam mas fala sobretudo de emoções.

Descartes, por sua vez, numa primeira parte, analisou as emoções em relação às suas bases neurofisiológicas; na segunda, define a seu ver quais as seis emoções fundamentais: o espanto, o desejo, a alegria, o amor, o ódio e a tristeza bem como examina os seus aspectos corporais; por último, demonstra como estas seis emoções se combinam para originarem inúmeras emoções distintas, tais como, o desdém, o orgulho, a esperança, o medo, o ciúme, o remorso, a inveja, entre tantas outras. Perante isto, constata-se que para Descartes a natureza das emoções prende-se com o aspecto meditativo de nós mesmos, vulgarmente designado por alma, à nossa parte pensante.

Em suma, a ideia fértil de Descartes desencadeia o pensamento de que tal como as percepções nos dizem o que é importante no mundo exterior, da mesma maneira que a fome e a dor nos acusam acontecimentos importantes no corpo, as emoções revelam- nos o que é importante nas nossas almas (e/ou nosso eu real). No entanto, para Descartes, as emoções não podem ser inteiramente controladas pelo raciocínio, mas podem ser reguladas pelos pensamentos, especialmente pelos pensamentos que são verdadeiros. Como se verificou, Descartes não se identifica com a ideia de Aristóteles, mas no entanto aceita a sua ideia de que as emoções, embora nos aconteçam, dependem do modo como avaliamos os eventos. A intensidade e os efeitos delas sobre nós são afectados pela forma como pensamos acerca destes eventos e das suas implicações. A ideia de Descartes, é de que somos equipados pela nossa composição biológica, de emoções que são funcionais, mas que podem, por vezes, ser disfuncionais. Darwin, James e Freud lançaram as fundações para psicologia, a psiquiatria e a biologia como um todo, bem como para o entendimento das emoções. Pode considerar-se que este primeiro grupo estabeleceu a compreensão das emoções na tradição das ciências biológicas e sociais. Charles Darwin, a figura central na biologia moderna, foi também um dos fundadores da psicologia. Em 1872, publicou o livro mais importante sobre

emoções jamais escrito – The Expression of the emotions in Man and Animals e anteriormente em Da Origem das Espécies publicado em 1859 Darwin havia descrito como os seres vivos se adaptam ao seu meio ambiente. Darwin iniciou as suas próprias observações acerca das emoções em 1838. Interessou-se nessa época por expressões emocionais como prova possível da evolução da espécie humana, a continuidade do comportamento humano com o de outros animais e as bases físicas da mente. Observou de forma desenfreada as expressões emocionais dos animais, dos humanos adultos e crianças. Darwin mostrava-se cada mais interessado quer no normal quer no anormal e conseguiu através da ajuda de um director de um grande asilo de doentes psiquiátricos proceder a observação dos utentes ali internados. Darwin defendia a ideia que as expressões emocionais eram como partes vestigiais dos nossos corpos, por exemplo Darwin ligou expressões como o chorar à infância, defendia que era um vestígio dos gritos na infância; chegou mesmo a descrever cuidadosamente os gritos nos bebés e produziu um argumento para a função de fechar os olhos e da secreção das lágrimas para ajudar a protegê-lo quando isto ocorria.

Para Darwin as emoções possuem uma qualidade primitiva, constituem-se como elos com o nosso passado – como espécie quer com a nossa própria história individual (Oatley e Jenkins, 2002:41).

Relativamente a William James, em 1884 defendeu que a ideia de senso comum, de que quando sentimos uma emoção isso nos impele a um determinado tipo de actividade está bastante errada. James sublinhou a personificação das emoções, incluindo a ideia de que os sintomas corporais podem contribuir para a intensidade com que são sentidas. O ponto principal das sensações corporais, segundo esta teoria, é o conjunto de mudanças realizadas pelo sistema nervoso autónomo, a parte do sistema nervoso referente aos órgãos internos, incluindo o coração, os vasos sanguíneos, o

estômago, as glândulas sudoríferas, para este investigador as mudanças dos movimentos e das articulações contribuem para as alterações corporais sentidas. Atender às sensações corporais é, para muitas pessoas, um passo importante ao processo de redução do stresse e do controlo da ansiedade. James chamou emoções grosseiras aquelas que estão associadas a distúrbios corporais, e também propôs que as emoções dão “cor e claro” à vivência. Sem estes efeitos da emoção, tudo seria “cinzento”. Por sua vez, Sigmund Freud criou uma teoria sobre os efeitos emocionais, ele postulava que determinados eventos, normalmente de tipo sexual, podiam ser tão prejudiciais que deixariam marcas psicológicas que poderiam afectar o sujeito durante o resto da sua vida. Freud demonstrou que as emoções nem sempre são simples. Frequentemente, são sentidas de forma obscura ou com efeitos que não compreendemos. Algumas emoções e os respectivos significados tornam-se cada vez mais claros apenas quando os exprimimos ou ao conversar acerca deles com outra pessoa ou reflectindo sobre eles. Quando as emoções se tornam profundamente perturbadoras ou incapacitantes, são designados por sintomas. Estes conservam as suas bases emocionais, embora sejam frequentemente mais intensos e mais duradouros do que as emoções comuns. São, em parte, anormais no facto de quem os sofre os experimenta como inapropriados, incapacitantes, por vezes incompreensíveis. Para compreender as emoções, o trabalho de Freud deu início à ideia de que, deliberada ou involuntariamente, a mente parece prevenir-se contra emoções desagradáveis. Freud designou a estes processos mecanismos de defesa e a sua filha Anna Freud desenvolveu a ideia, por outro lado, os investigadores que expandiram o trabalho de Freud sobre o tratamento de eventos emocionalmente tensos incluíram termos como “lidar com o evento” e “com as emoções que produz”. Para George Eliot “se os nossos planos só em parte são conseguidos, se somos incapazes de prever os resultados de todos os nossos actos, se

não há um destino a guiar-nos em direcção ao inevitável, se vivemos num tempo em que nem todos acreditam na orientação divina ou interpretam tal orientação segundo formas muito diferentes, como podemos encontrar o nosso caminho na vida?” (s.d., cit. por Oatley e Jenkins, 2002: 42). A resposta é que as nossas emoções podem agir como uma espécie de bússola e são também o meio principal através do qual cada uma afecta as outras. No livro intitulado por Middlemarch, o autor explora alguns factos fundamentais sobre as emoções, na medida em que o autor defende que compreendemos as nossas próprias emoções de forma bastante diferente da das outras pessoas. Destaque para Erving Goffman que disse que a frase de Shakeaspeare: “«Todo o mundo é um palco» não se tratava de uma metáfora, pois segundo o autor, “fazemos literalmente apresentações dramáticas de nós mesmos aos outros e criamos a realidade social em que vivemos como uma espécie de actuação. A partir de tais actuações, criam-se mundos morais, nele obtemos o nosso próprio eu e, deles, outros obtêm o seu sentido de quem nós somos”(Oatley & Jenkins, 2002: 54). Estas actuações prosseguem estes últimos autores “são vistas por nós próprios e pelos outros como boas ou más de acordo com o seu tipo, como correctas, incorrectas ou parcialmente correctas. Convidam a comentário dos outros – incluindo a sugestão de modificações, a culpa e ao elogio. Por outras palavras, as regras distintivas no seio de cada membrana fornecem mundos morais que são o objecto de muitas das nossas conversas”(Oatley & Jenkins, 2002:54). Na perspectiva de Gofman sobre as emoções, o autor defende que

“para além de termos uma actuação mais ou menos boa, podemos perguntar-nos qual a força do nosso envolvimento num papel. Como refere o autor, “os jogos são divertidos porque são interacções sociais em que podemos facilmente empenhar-nos totalmente. (…). Mas em grande parte da vida pode haver um conflito interior: podemos seguir as regras,

representar o guião, mas nos comprometermos. Podemos preferir outra coisa qualquer. Nessa altura sucedem alguns dos aspectos dolorosos e insatisfatórios da nossa vida” (Oatley e Jenkins, 2002:55).

Canavarro, Vaz Serra, Firmino e Ramalheira (1993:85) defendem que “algumas famílias, atravessam o seu ciclo de vida, defrontando-se com acontecimentos de vida indutores de stresse (normativos e inesperados) sem que nenhum dos seus membros apresente perturbações emocionais e receba, por isso, tratamento psiquiátrico ou psicoterapêutico, sendo assim consideradas «famílias funcionais»”.

Outras, contudo não o conseguem fazer, acabando por um ou vários dos seus membros apresentar perturbações emocionais e receber apoio psicoterapêutico, sendo desta maneira consideradas como «famílias disfuncionais»”.

A família, enquanto unidade, reage às influências do meio ambiente em que vive. Patrício (1996:118, cit. por Silva, 1999) afirma que “a família é uma unidade que necessita de cuidados de saúde, dentro de padrões socioculturais próprios, sem se perder de vista a individualidade de cada um dos seus membros”. A Organização Mundial de Saúde ao adoptar a Classificação Internacional das Enfermidades, sugeriu múltiplas hipóteses causais a respeito das enfermidades psiquiátricas. Actualmente, tem vindo a desenvolver-se uma tendência que integra diferentes modelos, uma vez que todos parecem desempenhar um papel parcial. As alterações bioquímicas dos neurotransmissores, as alterações psicológicas, as alterações das relações familiares e das relações sociais, constituem um conjunto de modificações causais. Especificamente, no caso da Esquizofrenia, as alterações das relações intrafamiliares assumem um papel muito importante na causalidade das doenças mentais (Saraceno, 1993, cit. por Moreno & Alencastre, 2004). Para este autor, os recursos do contexto do paciente, ou seja, as características básicas do meio onde está inserido o paciente, influem sobre a evolução e

as possibilidades de êxito da intervenção, através de nível de patologia dos familiares, solidariedade e/ou hostilidade dos familiares e vizinhos, estatuto social da família e o nível da (des)agregação social do meio onde vive o portador (Saraceno, 1993, cit. por Moreno & Alencastre, 2004). Assim, não se deve falar em medidas terapêuticas, sem levar em consideração o contexto familiar, psicológico e social do doente mental, que comumente tem sofrido ruptura no relacionamento com a família, os vizinhos e a comunidade. É sabido que no início da doença, a família apresenta uma certa relutância em procurar ajuda médica e só o faz, quando tornasse insuportável a convivência familiar. As manifestações da doença mental causam tais transtornos diversos aos familiares que a solução que arranjam para preservarem alguma saúde mental no agregado familiar é o internamento do seu parente. Durante décadas, as famílias vêm sendo desconsideradas nos processos terapêuticos e do cuidado prestado ao ser portador de doença mental, limitando-se estes aos profissionais de saúde. Como resultado, possivelmente, houve um aumento do sofrimento familiar e abandono por parte da família do seu familiar doente, principalmente daqueles que se encontravam numa condição mais grave e mais debilitada.

Como referido anteriormente, a presença de um familiar doente em casa pressupõe que a família tenha que refazer seus planos de vida e redefinir, quase que integralmente, seus objectivos, o que dificulta ainda mais essa convivência. Há que destacar, também, que a provável dificuldade sócio-económica e o estigma da loucura podem comprometer, mais ainda, a percepção da família em relação ao seu familiar doente, como um ser que sofre e que precisa ser confortado (Saraceno, 1993, cit. por Moreno & Alencastre, 2004).

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