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Policy

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2. Literature Review

7.2 Policy

Após o apuramento dos indicadores de partilha de conhecimento tácito, pretende-se apurar em que medida existe intenção e disponibilidade por parte do entrevistado para a adoção de esforços que conduzam a organização a uma maior partilha de conhecimento tácito. A este respeito, importa referir o contributo de Hendricks (1999), que defende que em sentido literal e estrito, o conhecimento não pode ser partilhado como uma mercadoria que passa livremente das mãos de uma pessoa para outra; ao invés disto, Boer et al (2002) alerta o facto de que a partilha de conhecimento deve ser entendida como um processo que envolve pelo menos dois atores, onde o principio e o fim não estão claramente definidos. Para Hendricks (1999), o interveniente em posse do conhecimento dá aval ao processo de partilha, pelo meio de externalizações, que podem ser mais ou menos conscientes, sendo que o outro interveniente conduz um ato de internalização do que lhe está a ser transmitido. De acordo com Rêgo et al. (2012), quando uma pessoa é abordada para partilhar o que sabe, pede-se que ela invista o seu tempo e dedicação, normalmente sem qualquer recompensa ou reconhecimento, o que já foi confirmado que é o que se verifica no presente estudo. Assim, importa aferir se existe na organização em estudo a intenção e a disponibilidade necessária para que ocorra o referido processo de partilha de conhecimento tácito.

Neste seguimento, e em relação aos facilitadores em estudo, é possível apurar que a maior parte dos entrevistados reconhece ter intensão e disponibilidade para a partilha de conhecimento tácito, sendo que apenas E2 (OLIVEIRA DO HOSPITAL), E7 (GUARDA e E8 (MIRANDA DO CORVO) demonstram não ter essa intenção e disponibilidade. As razões que estes entrevistados apontam centram-se no privilégio que dão ao relacionamento com os elementos das posições hierárquicas superior, como sejam os elementos do quadro de comando e das chefias, o receio de ultrapassarem as competências que são próprias dos quadros intermédios da organização, o receio da excessiva competição interna, quer entre quem aprende como entre quem ensina e o fato de terem já existido experiências parecidas que foram mal sucedidas. Assim, de acordo com E2 (OLIVEIRA DO HOSPITAL) e E7 (GUARDA):

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“Isso de alguma forma faz-se, pode é ser com uma menor intensidade do que aquela que a pergunta subentende. (…) Com qualquer Chefe ou Sub Chefe, não tenho problema nenhum. Eu tenho meu staff que são os meus dois colegas ajudantes de comando. (…) O truque e a dica funcionam junto dos voluntários, mas apenas para os manter motivados, e aqui o truque é muito simples: andar sempre em cima deles.”. E2 (OLIVEIRA DO HOSPITAL)

“Se não for assim, perdemos a estrutura para baixo. Porque ou existe o corpo de bombeiros com o comandante e os bombeiros e não tenho chefias ou hierarquias e então fazia eu isso, mas se eu tenho o 2º comandante, 2 adjuntos, 6 chefes, o nosso papel é estar aqui para os apoiar naquilo que eles necessitarem, nessa situação da tutoria que lhe dei, o elemento do comando que é responsável da formação era o tutor daquele chefe. Mas o adjunto de comando não falava com os estagiários, quem falava era o chefe. Nos seis chefes, tenho seis pessoas diferentes e a função do elemento de comando é perceber se a mensagem que passou ao chefe para ele replicar pela estrutura abaixo, se essa mensagem passou como se queria ou se ficou deturpada pelo caminho. Partilharia primeiro com os elementos de comando.”. E7 (GUARDA)

Já E8 (MIRANDA DO CORVO) enfatiza experiências passadas sem sucesso e demonstra receio na excessiva competitividade interna que processos de tutoria ou de acompanhamento mais individualizado poderiam promover, e destaca que existem aspetos da sua atividade enquanto comandante que não devem passar para o conhecimento dos bombeiros de nível hierárquico abaixo do seu:

“Não. (…) Temos aqui uma coisa que não está a funcionar e que são os tutores. Todos os estagiários têm uma parte probatória, que têm de ter um tutor, e isso ninguém está a cumprir com essa parte, porque não faz sentido. Nós fazemos a parte probatória dos estagiários, porque depois de um ano de formação tem de haver um período de 6 meses onde cada um desses elementos tem de ter um tutor, nós temos isso mas é só no papel, porque isso até poderia levar a algum revanchismo, como sendo um elemento ser responsável por um estagiário e o meu tem de ser melhor do que o outro, o que levava a uma disputa de poder. Há coisas que sabemos, que são para nós e que não devem passar para baixo de uma determinada posição hierárquica. Há pequenas coisa que se devem manter nossas, porque senão não existia o comandante.”. E8 (MIRANDA DO CORVO)

Contudo, a maior parte dos entrevistados reconhece ter disponibilidade e intenção de partilhar o conhecimento tácito, sendo que a este respeito destacamos os contributos de E4 (GÓIS) e de E6 (PENELA), que apresentam os seus argumentos e dão exemplos:

“Sim. Tomara eu ter a possibilidade de servir de tutor à generalidade dos meus bombeiros, e depois, colocá-los a praticar aquilo que pudessem aprender comigo. Diariamente, se eu passar e vir algo que eles não estão a fazer ou se vir algo que eles possam fazer para melhorar, é algo que eu faço, um trabalho de correção, até de elogio, se for o caso. Acho que é

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esse o meu papel, o de ir melhorando o dia a dia aqui da rapaziada. (…) Faz hoje oito dias, fiz duas reuniões gerais, aqui e na nossa delegação de Alvares, porque estamos em alerta vermelho e não podia estar a trazer o pessoal da delegação que fica a 35 km para o quartel sede aqui em Góis, e nessas reuniões, partilhei com todos os bombeiros, aqueles que são alguns aspetos, algumas questões, aquilo que são as formas de organizar o dispositivo, e inclusivamente algumas medidas que estou a pensar tomar. Partilhei isso com todos e tive o cuidado de receber os seus contributos. Depois, na decisão, aí já é diferente, já tem de ser em ambiente restrito e obviamente que aqui, a este nível da decisão, é o comando que têm um nível de conhecimento superior aos restantes bombeiros. Agora, quando eu estou a partilhar com o corpo de bombeiros, partilho com todos sem exceção.”. E4 (GÓIS)

“Eu aceito que algum elemento da minha organização colabore comigo, mas não para estar ali parado a olhar para mim. Eu, a ver, aprendo alguma coisa, mas envolvendo-o nas tarefas de certeza que os resultados são melhores. Normalmente nestas coisas, o ato de decidir é algo solitário e eu tenho que decidir e decido, mas eu tenho dificuldades nalgumas coisas e, portanto, nunca há uma relação em que um só ensina e o outro só aprende.”. E6 (PENELA)

“Nós vamos vivendo, vamos adquirindo um conjunto de saberes e para mim é muito importante isso. Isto tem muito a ver com quem ocupa as posições cimeiras da hierarquia dos bombeiros e se olhar para os Bombeiros, para alguém que já está a alguns anos no comando, se olhar para o CB, aquilo está tudo muito alinhado com a liderança. A questão de poder partilhar estas coisas acaba até por ser um pouco de vaidade que acaba por se ter.”. E6 (PENELA)

Relativamente aos indicadores em análise, importa por último destacar o testemunho de E5 (LORIGA), que afirma perentoriamente que o futuro do seu CB passa por esta partilha de conhecimento entre si e os seus elementos, assumindo-se como o principal impulsionador da partilha de conhecimento no seio desta organização:

“Sim. Isso é obrigatório numa casa destas, porque senão, não temos futuro. Tenho aqui uma bombeira de 3ª classe que trabalha diretamente comigo no meu gabinete. Porque eu não estou cá todos os dias, sou voluntário há 25 anos, e, se não houver ninguém aqui dentro que realmente possa entender como se faz, eu levo tudo atrás de mim, e isso não tem lógica nenhuma.”. E5 (LORIGA)

E5 (LORIGA) afirma ainda a sua disponibilidade para colaborar com qualquer subordinado da sua organização, por forma a contribuir para a otimização das tarefas diárias destes:

“Tudo. Há uma coisa que normalmente me cabe a mim que é a questão dos orçamentos, e que eu faço questão que essa rapariga (bombeira de 3ª classe que apoia o Comandante), como o meu adjunto e segundo

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comandante, estejam eles também presentes para dizerem a sua opinião e no geral, conversamos.”. E5 (LORIGA)

Sobre a disponibilidade para partilhar novas ideias com qualquer subordinado, E5 (LORIGA) afirma que para além de concordar, pratica-o:

“Eu, quando quero falar com os bombeiros, chamo-os e falo com todos, (…), portanto, a questão de partilhar com qualquer subordinado acontece e sou eu mesmo que incuto isso.”. E5 (LORIGA)

Desta forma, da análise da prevalência dos facilitadores intenção e disponibilidade à partilha de conhecimento tácito no seio dos CBs, e de acordo com os testemunhos dos entrevistados, é possível perceber que, tendencialmente, existe um ambiente favorável ao incremento desta partilha, pois foi possível percecionar, na maioria dos CBs, a prevalência destes facilitadores, conforme tabela 3.

Tabela 3. Prevalência dos facilitadores intenção e disponibilidade à partilha de conhecimento tácito no seio dos CB, e de acordo com os testemunhos dos entrevistados. 3

Brasfemes Anadia Oliveira

Hospital Góis Loriga Penela Guarda

Miranda Corvo Facilitadores V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a V erific a- se N ão se v eri fic a Intenção X X X X X X X X Disponibilidade X X X X X X X X

Fonte: Elaboração própria do autor

Legenda:

X – Verifica-se / Não se verifica o indicador no respetivo CB __ - favorável à partilha de conhecimento tácito

__ - desfavorável à partilha de conhecimento tácito

Assim, constata-se que, ainda que da análise dos indicadores se conclua que, tendencialmente não ocorra partilha de conhecimento tácito no seio dos CBs, é agora possível perceber que da parte dos comandantes destas organizações, tendencialmente, existe disponibilidade e intenção para que essa partilha, de futuro, possa vir a acontecer. Contudo, essa disponibilidade e intenção não se verificam nos CBs de Oliveira do Hospital, Guarda e Miranda do Corvo, CBs onde já tinha sido constatada a não existência de partilha de conhecimento tácito, através da análise dos indicadores. Conclui-se, portanto, que nestes 3 CBs, o cenário de não existência de partilha de conhecimento tácito é agravado pela ausência dos facilitadores em estudo. Importa ainda referir que os facilitadores equacionados para este estudo, ou se verificam em conjunto (Brasfemes, Anadia, Góis, Loriga, Penela), ou não se verificam de todo (Oliveira do Hospital, Guarda e Miranda do Corvo), não havendo nenhum caso em que um se verifique e o outro não.

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