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A formação e capacitação dos professores foi uma sugestão fortemente indicada pela maioria dos entrevistados. A supervisora destacou que seria importante o “melhoramento nas práticas docentes” e a supervisora ainda sugere: “acho que deveria ter capacitação pelo menos duas vezes ao ano”.

O professor D destaca a dificuldade da realização de encontros, mas aponta, como sugestão, que durante as reuniões que já ocorrem na escola os mesmos reservem parte desse tempo em outro local para discussão das ações específicas do tempo integral

Às vezes com a falta de tempo que nós ficamos, né, professor que trabalha em duas escolas e o tempo é corrido, tentar até mesmo no dia das reuniões que já acontece, tá separando é.... Esses professores das oficinas pelos mesmos aí uns trinta minutos, é né, elaborando esses projetos, vendo que pode ser feito, catando as ideias (PROFESSOR D).

A concepção de educação em tempo integral, enquanto Educação Integral, segundo Coelho (1997), exige do professor constante atualização e o desenvolvimento de três papeis, a saber: de docente, pesquisador e agente capaz de intervir na realidade de modo a favorecer a aproximação do mundo da escola do contexto do aluno. A concepção de educação integral em tempo integral exige repensar a prática pedagógica; assim, a formação continuada dos professores constitui um fator importante para a implementação do projeto de educação integral, sugestão importante que será incorporada ao PAE.

Outra possibilidade foi relatada pelo professor A, que seria a elaboração de uma matriz de referência para a Educação integral.

Está fazendo às vezes uma matriz curricular específica pro projeto, porque os alunos é, apesar dos alunos do tempo integral estarem inseridos no ensino regular, eles têm um perfil diferente dos... do geral dos alunos do tempo regular. Esses alunos, né, do tempo integral, estão né, assim em vulnerabilidade social, correndo risco de vida, de às vezes tá na rua, as vezes a família, né, esses meninos são mais carentes, as vezes não tem nem o que comer em casa, então deveria, né, estar implementando é...além dos conteúdos, uma matriz curricular específica para o projeto (PROFESSOR A).

Essa sugestão, portanto, pode ser pensada do ponto de vista do planejamento e alinhamento de ações entre os profissionais da educação integral e o PPP da escola, elaboração do planejamento anual e diário dos profissionais da educação integral tendo em vista propósitos comuns, já que a elaboração de uma matriz curricular para a educação integral compete à SEE.

Outro aspecto relacionado ao currículo refere-se a uma reflexão sobre a concepção de educação integral dos educadores e sua relação com o lazer. Nesse sentido, é importante refletir que o lazer tem como propósito contribuir para a

formação ampliada é de suma importância para o desenvolvimento sociocultural e humano destes discentes. A vice-diretora sugere a “exploração de lazer e cultura principalmente de nosso município”. Como já destacado, é importante pensar as finalidades pedagógicas da “exploração deste lazer” como foi citado pela entrevistada.

O desenvolvimento de projetos interdisciplinares foi sugestão aponta pelos professores nas discussões do grupo focal.

Essas sugestões que eu disse anteriormente às vezes não depende só da gente, uma sugestão que depende nós professores...acho que deveria ser feito mais projetos, igual aquele projeto que a gente citou, Ninguém é igual a ninguém, foi um projeto que deu muito certo, então, falta também a gente tá fazendo mais esses projetos, né, e é isso(PROFESSOR A).

É mais projetos é inter.... interdisciplinares, e as vezes com a falta de tempo que nós ficamos, né, professor que trabalha em duas escolas e o tempo é corrido, tentar até mesmo no dia das reuniões que já acontece, estar separando é... esses professores das oficinas pelos mesmos aí uns trinta minutos, é né, elaborando esses projetos, vendo que pode ser feito, catando as ideias (PROFESSOR D).

Os professores destacaram que consideram importante o desenvolvimento de projetos interdisciplinares e ressaltaram a importância de se reunirem para a elaboração desses projetos. O desenvolvimento de projetos interdisciplinares no contexto da educação integral leva a uma reflexão sobre o trabalho por projetos. Segundo Moura (2010), o trabalho por projetos proporciona ao educando uma visão globalizante, uma aprendizagem significativa. Isso demanda mudanças nas concepções de ensino-aprendizagem, consequentemente na postura docente.

Em se tratando dos conteúdos, a pedagogia de projetos é vista pelo seu caráter de potencializar a interdisciplinaridade. Isto de fato pode ocorrer, pois o trabalho com projetos permite romper com as fronteiras disciplinares, favorecendo o estabelecimento de elos entre as diferentes áreas de conhecimento numa situação contextualizada da aprendizagem (MOURA, 2010, p.3).

Assim, o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, sugestão dada pelos professores, poderia ser pensada sob a ótica de um trabalho por projetos na escola, proporcionando aos alunos uma visão mais global e rompendo com as fronteiras entre as disciplinas, No entanto, essa proposição não é tarefa fácil, já que a atual configuração do PNME dificulta esse trabalho, pois as escolas não contam com

mediadores e facilitadores de todos os campos do conhecimento, somente em Cultura e Arte, Esporte e Acompanhamento Pedagógico (Matemática e Língua Portuguesa).

Sendo assim, o desenvolvimento de projetos coletivos entre dois ou mais professores torna-se a ação propositiva mais viável para os profissionais da Educação Integral. Nesse sentido, é preciso refletir sobre a formação continuada dos profissionais envolvidos na educação integral, que, notadamente, é um espaço potente para que os sujeitos envolvidos no processo de implementação do tempo integral reflitam sobre suas práticas e ações e, a partir de então, tragam intencionalidades para suas práticas pedagógicas. Conforme destacado por Cavaliere (2007), o projeto de formação integral das escolas de tempo integral implica em ações que contribuem para formação integral do aluno, sendo uma possibilidade, a construção de espaços de experiências e reflexões, não apenas vinculadas aos conteúdos, mas uma ampliação de horas na escola que possibilitem outra qualidade de experiências escolares.