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5. Metodología

5.4. Técnicas de recogida de datos:

5.4.4. Observación participante

Lomanco e Silva (2013) destacam que a atual política de Educação Integral, objeto de análise nesta pesquisa, aponta para novas relações entre os atores

envolvidos no processo educativo; educar passa a ser tarefa de toda a sociedade (famílias, escolas, comunidade, etc.), por meio de ações intencionais e intersetoriais que compreendam as diversas áreas do conhecimento e do desenvolvimento humano.

Assim, a proposta da política de educação em tempo integral prevê que sejam executadas ações que promovam a articulação da escola com a comunidade:

A relação entre escola e comunidade é um pressuposto da concepção de Educação Integral, o qual entende a cidade como um amplo espaço educativo com vários lugares e sujeitos. Sendo assim, a escola deve construir estratégicas a fim de envolver a comunidade no planejamento e na execução de ações, buscando resultados que contribuam na relação escola-comunidade (MINAS GERAIS, 2017, p.15).

O projeto em análise traz, entre os seus objetivos propostos pela SEE, a noção de que “envolver a família na educação integral é imprescindível para o processo educativo dos estudantes, pois assegura que as ações promovidas pela escola alcancem maior desenvolvimento” (MINAS GERAIS, 2017, p.15).

Na entrevista, buscou-se analisar a participação das famílias no projeto; foi perguntado aos entrevistados se as famílias se envolvem com o projeto. A primeira entrevistada, a vice-diretora, relata que “não, os nossos pais não têm muita esta preocupação até porque os alunos estão em risco social”. Os professores e supervisora também fizeram relatos sobre a participação das famílias; relataram que

Não, a participação dos pais aqui é muito pouca, eles não querem saber o que o menino está desenvolvendo, aprendendo, só se conversa em casa, porque diretamente com professores e direção. Somente deixa os alunos na porta da escola e pega no final da aula (PROFESSOR A).

É convidado. A gente elabora os projetos e convida a família para estar vindo, né, mas é só quando tem alguma coisa pra escola toda é que a família vem , para o tempo integral, para a educação integral, não né (PROFESSOR D).

A família matricula os alunos, deixam os mesmos aqui, como um lugar para eles ficarem, e não se preocupam, em dar assistência, em saber como está sendo desenvolvido o projeto, então um dos desafios é esse também (SUPERVISORA).

Ainda com relação ao envolvimento das famílias/pais, os professores destacaram que a participação dos pais é restrita aos eventos escolares que

envolvem toda a escola e com a gestão da escola em conversas individuais, embora na fala dos entrevistados não fique evidente se há o estabelecimento de alguma proposta de participação das famílias no projeto. Moll (2012) destaca que a efetivação da atual proposta de educação integral implica em “baixar os muros da escola e colocá-la em diálogo com o que está em seu entorno em termos de políticas públicas, equipamentos públicos, atores sociais, saberes e práticas culturais” (MOLL, 2012, p. 142).Nesse sentido, é importante que a escola pense a relação da escola/família, refletindo sobre os espaços de participação das famílias na tomada de decisões. É importante ressaltar que, atualmente, os espaços de participação da comunidade na escola ficam restritas a: (I) reuniões convocadas pela gestão da escola para entrega de resultados bimestrais e conversa sobre os projetos da escola; (II) comunicados emitidos pela gestão da escola e (III) a representação da comunidade no Colegiado Escolar. Percebe-se que esses espaços que a escola tem para os pais e comunidade têm um caráter bem mais informativo do que participativo e deliberativo. Além disso, não há nenhum espaço específico para a participação estabelecido para as famílias de alunos que são atendidos no tempo integral. Nesse sentido, é importante reconhecer a importância da participação ativa da comunidade como agente corresponsável pelas ações na escola, em especial no tempo integral.

A falta de apoio das famílias foi apontada pelos membros da gestão e também pelos professores como um desafio a ser refletido. A proposta do projeto analisado é de que seja desenvolvido um trabalho coletivo, e na perspectiva da SEE “envolver as famílias é aspecto fundamental para o processo educativo dos estudantes, pois assegura que as ações promovidas pela escola alcancem maior desenvolvimento (MINAS GERAIS, 2017, p. 13). Para tanto, as escolas devem estimular as famílias a participarem de todo o processo educacional (MINAS GERAIS, 2017, p. 13). De acordo com os professores, os pais não se envolvem com o projeto, os professores relatam a falta de incentivo das famílias, que, na visão dos mesmos, não dão a devida importância ao projeto, o veem como espaço para deixarem seus filhos enquanto trabalham, por isso esses alunos têm tantas faltas.

A proposta de Educação Integral do PME é de que sejam criadas comunidades de aprendizagem, que a comunidade em que a escola encontra-se inserida seja percebida como possibilidade de aprendizagem, que a cidade seja

vista como uma “grande sala de aula” que tem potencial ampliar as aprendizagens dos educandos.

Fazer do município, uma comunidade de aprendizagem exige, em primeiro lugar, um olhar diferente, que fortaleça o propósito comum – de todos, os órgãos governamentais e dos não-governamentais, bem como dos movimentos sociais – de educar a si mesmos e educar as crianças, adolescentes e jovens (BRASIL, 2011, p. 11).

No contexto escolar analisado, ainda não há uma comunidade de aprendizagem, a escola ainda não estabeleceu parcerias nesse sentido, o que acaba por reduzir os espaços e atores, restringindo a empreitada pela formação dos alunos somente aos educadores e ao ambiente escolar. A educação em tempo integral, como salienta Lomanaco e Silva (2013), não é um compromisso só da escola, mas das famílias e sociedade; para isso, é preciso uma nova organização educativa “em conexão com todo o município, na oferta de ações intencionais e intersetoriais que envolvam as várias áreas do saber e do desenvolvimento humano e social” (LOMANACO; SILVA, 2013, p. 65). Assim, é importante que a gestão da escola se atente sobre a importância da criação de uma comunidade de aprendizagem para, assim, ampliar o universo de referências desses alunos com ações intencionais e intersetoriais que venham a contribuir para a formação dos estudantes em suas múltiplas dimensões.