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A presente pesquisa teve por objetivo a investigação de bactérias patogênicas, no esgoto bruto e no efluente das lagoas de polimento, L1 e L3, utilizando-se a técnica da PCR, e quantificação das mesmas por FISH, após a identificação por PCR. Além disso, foi feita a quantificação de Escherichia coli pelo método de FISH e a comparação com os resultados obtidos pelo Substrato Cromogênico – Colilert®. Também se avaliaram as condições ambientais através do monitoramento de parâmetros físicos e químicos, para verificar a possível influência desses parâmetros na ocorrência e no decaimento de bactérias patogênicas nas lagoas.

Quanto ao primeiro objetivo específico - investigar a ocorrência das bactérias

Escherichia coli, Salmonella spp., Salmonella enterica (ser) Typhimurium, Shigella

dysenteriae, Shigella spp., Helicobacter pylori, Enterococcus spp., Staphylococcus

aureus, Yersinia enterocolitica e Campylobacter jejuni, ao longo do sistema UASB - LP

por meio da técnica PCR, conclui-se que:

� Todas as bactérias, exceto H. pylori, S. Aureus e Y. enterocolitica, foram detectadas em pelo menos duas unidades do sistema de tratamento.

� O fato de que um gênero ou espécie tenha se mostrado positivo em uma determinada coleta e negativo em outra pode ter sido em virtude das variações ocorridas entre coletas. O fato de que o gênero Salmonella tenha sido positivo nas lagoas e negativo no esgoto bruto não foi totalmente entendido e não foi possível se chegar a uma conclusão definitiva. Um conjunto de fatores físicos, químicos, ambientais e da própria natureza das bactérias, associados, pode ter propiciado as variações encontradas nos resultados. � Além de E. coli, outros gêneros ou espécies, a exemplo de Campylobacter jejuni, poderiam ser avaliados na rotina, principalmente quando se optar por fazer o reúso de efluentes tratados na agricultura, sobretudo por aspersão, uma vez que diferentes gêneros de bactérias patogênicas podem apresentar doses infectantes muito baixas. Quanto ao segundo objetivo específico, de quantificar as bactérias patogênicas detectadas por PCR no esgoto bruto, na lagoa 1 e na lagoa 3, utilizando-se a técnica de FISH, conclui-se que:

� De maneira geral não se verificou um decaimento no número de células bacterianas desde o EB até a L3 como uma regra. Observou-se que para E. coli ocorreu decaimento entre o EB e a L1, mas não se verificou decaimento entre as L1 e L3. Para Salmonella spp. ocorreu decaimento entre o EB e a L1, mas ao contrário, da L1 para a L3 observou- se um ligeiro aumento médio de células. Para Enterococcus observou-se decaimento do EB para a L1, e uma pequena diminuição do número de células quantificadas entre a L1 e L3. Para Campylobacter spp. verificou-se a ocorrência de decaimento entre o EB e a L1, e um pequeno aumento entre a L1 e L3.

Quanto ao terceiro objetivo específico, comparação dos métodos Colilert® (NMP/100mL) e FISH (cel/100mL) na quantificação de E. coli, tem-se que a avaliação da intensidade do sinal da sonda deve ser feita antes do seu uso efetivo nas amostras para garantir a qualidade do sinal fluorescente. As técnicas Colilert® e FISH utilizadas na quantificação de E. coli apresentaram resultados diferentes, sobretudo na lagoa 3. Para o EB, verificou-se uma equivalência nas quantificações de E. coli entre as duas técnicas, sendo que em três das seis coletas realizadas, a quantificação com o Colilert® foi maior que com o FISH. Para a L1, foram verificadas diferenças de quantificações entre as coletas, com valores mais elevados para E. coli quando se utilizou a técnica FISH. Para a L3 foram verificados valores muito divergentes nas quantificações de E.

coli utilizando-se Colilert® e FISH. Com a técnica FISH os valores permaneceram da

ordem de 106 cel/100mL , enquanto que para o Colilert® permaneceram da ordem de

103 cel/100mL. Conclui-se que uma conjunção de fatores pode ter ocasionado o

aumento na quantificação de E. coli com a técnica de FISH, em relação ao Colilert®, nas lagoas.

� Considera-se que, até o momento, o método Substrato Cromogênico/Colilert®, para se quantificar E. coli em amostras de esgotos, ainda deve ser o mais usado na rotina do monitoramento de E. coli até que os resultados encontrados no presente trabalho possam ser mais investigados e corroborados por outros pesquisadores. No entanto, no caso de análise para reúso do efluente tratado, há necessidade de complementar a análise de coliformes por uma investigação mais detalhada da presença e quantidade de microrganismos patogênicos.

Quanto ao quarto objetivo específico, avaliação das condições ambientais do sistema através do monitoramento dos parâmetros físicos, químicos e E. coli rotineiros, pode-se dizer que os parâmetros não se alteraram expressivamente. Isto sugere que, excetuando- se o pH, OD e temperatura, que tradicionalmente controlam o decaimento de bactérias patogênicas em sistemas de lagoas, e possivelmente a vazão, os parâmetros DBO, DQO e SST, nesta pesquisa, não interferiram no decaimento dos organismos patogênicos nas unidades.

� De forma global observa-se que avaliar a qualidade microbiológica do tratamento dos esgotos com base somente no grupo coliforme, centrados em E. coli, pode ser insuficiente, pois outros gêneros e espécies patogênicas podem estar presentes nos esgotos, a exemplo de Campylobacter jejuni, como verificado na presente pesquisa. � O fato de que algumas reações da PCR se mostraram negativas para alguns gêneros pode não significar a total ausência de determinado microrganismo na amostra, e sim que ele poderia estar presente na amostra, porém em baixa concentração, não detectável pela técnica.

� Quando se utilizou a técnica de FISH para quantificação de E. coli e de outros gêneros de bactérias entéricas patogênicas, conclui-se que estas podem estar presentes nos esgotos brutos e tratados em concentrações maiores do que as que têm sido verificadas utilizando-se somente os métodos de cultivo para a quantificação. Esta observação poderia incorrer em riscos à saúde humana e dos animais, devido à baixa dose infectante que determinados grupos podem apresentar.

� O decaimento de microrganismos patogênicos em lagoas de polimento pode ser influenciado por outros fatores ambientais (influência de chuvas, por exemplo) além dos parâmetros tradicionais como pH, OD e temperatura, que são os principais responsáveis pelo decaimento de bactérias patogênicas em lagoas de polimento rasas.

� Quanto à técnica da PCR, esta se constituiu em uma ferramenta totalmente aplicável à pesquisa de bactérias patogênicas em amostras de esgotos brutos e tratados. Já para a técnica de FISH, embora tenha se mostrado difícil para se quantificar especialmente E.

que ocorre nas lagoas. É possível que seu uso, com maior frequência, e também com o emprego de sondas mais sensíveis, sua utilização na rotina torne-se fácil e rápida.