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E. DISCUSSION

3. D ISCUSSION OF THE PROJECT ON ITR

2.3. Bibliography specific to Mayotte

A presença de músicos e professores na cidade, nas primeiras décadas da vida londrinense, criou o ambiente para a viabilização de espaços para o ensino musical. Essas

pessoas incentivaram o estudo e o desenvolvimento da música, graças a sua disponibilidade em trabalhar e se aperfeiçoar em prol da educação musical.

Como a tendência tradicional de ensino na época era centrada no professor, que tinha a responsabilidade de transmitir saberes e conhecimentos, durante o processo de aprendizagem, tornava-se primordial ao professor de música, aprimorar-se em sua formação. Essa tendência de ensino foi analisada no primeiro capítulo sobre a educação musical dos Conservatórios.

Nos programas de apresentações do Conservatório Musical Mãe de Deus, datados de 1954, há a relação dos integrantes do seu corpo docente. Entre eles, um professor formado em Paris, Antônio de Franclieu. Este professor parece ter dinamizado o ambiente cultural da cidade, pois consta na relação do Conselho Artístico da Sociedade de Cultura Artística de Londrina (SCAL).

Irmã Anadir Santini122, membro do Instituto das Irmãs de Maria e uma das primeiras alunas dos anos 50 desse Conservatório, informou que estudou teoria e solfejo com uma professora chamada Carmem Benassi, também registrada no Museu Histórico de Londrina como professora particular de acordeão na cidade. No programa de formatura do Conservatório de 1963, ela está na relação de professores desse estabelecimento (CRÔNICAS, [1966?]).

Imagem 30 – Grupo de alunos da profª.Carmem Benassi em 1959 (Acervo do MHL)

Observa-se que os Conservatórios estavam atentos aos profissionais da cidade, convidando-os a fazerem parte de seu corpo docente. Havia, paralelamente a esses estabelecimentos, o ensino instrumental em residências particulares dos músicos locais123.

Por volta de 1955, Terezinha de Almeida Pena, que na época era estudante de piano no Conservatório Musical de Londrina, com idade entre 17 e 18 anos, mas com grau avançado de técnica instrumental, foi convidada pela diretora do Conservatório Musical Mãe de Deus, Ir. Maria Wilfried, a dar aulas para as alunas internas.

Grande parte dos profissionais que foram contratados, mais tarde, por esse estabelecimento tinha a formação musical completa em Conservatórios, especialmente do Estado paulista. Porém, de acordo com seus currículos, a maioria tinha pouca escolaridade, pois não havia relação entre a formação musical e o nível de escolarização, tampouco se exigia qualquer certificado neste sentido. Era necessário somente o conhecimento da leitura e escrita da língua portuguesa e noções básicas de matemática para ingressar nos estabelecimentos oficializados. Esta era uma realidade da época, em que não se vinculava a formação geral com a formação musical, que era autônoma e reconhecida. Tal situação é mudada com a Lei de Diretrizes e Bases de 1961, que foi analisada no primeiro capítulo, que exige, a partir desse ano, uma vinculação dos estudos formais de música com o nível de escolaridade, demandando a existência de conhecimentos integrados.

Eram professores do Conservatório Musical Mãe de Deus na época, de acordo com o livro da secretaria do Colégio Mãe de Deus: Irmã Maria Wilfried, Therezinha Henriqueta de Almeida, Carmelina Palma, Margarida Maria Felizola Soares, João Batista Pinto, Déa Cristino, Consuelo Martins de Luigi, Hildalea Gaidzankian, Lídia Marques da Costa Branco, Sebastião de Alcântara e Silva e Antônio Geraldo Delorenzo, cujos currículos constam do Anexo 12.

123 A presença de professores particulares na cidade está descrita no anterior, quando é enfocado o ambiente

Imagem 31 – Professores do CM Mãe de Deus124 nos anos 60 (Acervo de Corrêa)

Segundo depoimento de Corrêa (2008), o professor Delorenzo, que veio de São Paulo para dar aulas aos alunos do curso superior de piano, inseriu uma outra visão de como se executar as peças musicais, trazendo o entendimento do contexto em que foi elaborada, sua estrutura harmônica, produzindo uma diferenciação na interpretação, além de trazer técnicas avançadas de execução. O trabalho de especialização de Maria Aparecia de Miranda intitulado “Um Toque Mágico – Delorenzo, Uma Vida Dedicada ao Piano” (2003), descreve a trajetória desse professor pela cidade de Londrina com depoimentos de seus ex-alunos. Foi quase unânime o testemunho de que ele despertou o gosto e o prazer em tocar piano, associado à curiosidade pelo instrumento, pela história da música, pelos estilos e pelos diversos compositores. As lembranças são de um professor competente, determinado e que trouxe novos conhecimentos da técnica pianística, alcançando para seus alunos diversos prêmios em concursos nacionais.

Não media esforços para conseguir que seus alunos atingissem aquele elevado grau de aperfeiçoamento e desempenho técnico e artístico a que se propunha. Para isso tinha uma paciência impressionante. Não se deixava abater pelas dificuldades. Sabia adaptar-se à índole de cada um. Era otimista e incentivador (depoimento de Lílian de Almeida Farinha, participante da

124 A imagem foi feita por volta de 1967/68 e mostra o prof. Sebastião de Alcântara, Ir. Maria Wilfried, Shirley

Guedes (professora de acordeão), Ir. Anadir, Carmem Palma, Déa Cristino, Margarida Felizola, e Lucilena Corrêa.

primeira turma de formandos da Faculdade de Música Mãe de Deus apud MIRANDA, 2003, p.46).

Graças ao professor Delorenzo, a Música tomou corpo, fincou raízes e se solidificou em Londrina. Estudar com o Delorenzo significou uma forte abertura e interesse para os conhecimentos musicais, assim como uma perspectiva de competição na área pianística em concursos nacionais [...] A sua ida para Londrina foi um marco para o futuro musical do município. Hoje temos dentro da Universidade grandes mestres que saíram do berço intelectual e sensível de Delorenzo. A efervescência musical de Londrina é comentada em grandes meios musicais do país. Um município de referência nacional cujo embrião surgiu, sem dúvida, das mãos deste grande músico e professor (depoimento de Alex Sandra Grossi Moretti, concertista e professora de piano da Escola Municipal de São Paulo, graduada pela Faculdade de Música Mãe de Deus, apud MIRANDA, 2003, p.49).

Pela necessidade de se ter professores experientes no ensino musical exigido para a formação de um curso superior, o Conservatório Musical Mãe de Deus contrata professores de fora da cidade para lecionarem nesse novo curso. Este fato gerou um intercâmbio de novas técnicas e metodologias, abrindo possibilidades de desenvolvimento musical dos estudantes londrinenses.

O Conservatório Musical Filadélfia teve como diretora a professora Carmelina Palma. Em 1955, as atividades musicais do Instituto Filadélfia, depois Colégio Londrinense, ganharam mais uma professora de piano, Terezinha de Almeida que, na época, ainda não havia terminado seu curso de música.

Antes de eu me formar fui convidada para trabalhar no antigo [Colégio] Londrinense, pela diretora da escola de música de lá, a dona Carmem Palma, que já estava lecionando neste local, mas não sei por quanto tempo. Não era uma escola de música [reconhecida], era uma escola interna deste Colégio, não era um conservatório [oficializado]. Ali eu trabalhei por cinco anos, juntamente com a dona Carmem (depoimento de PENA, 2008).

Veio o violinista Hélio Engholm, a pianista Regina e Humberto Cantony, que ensinava matérias teóricas, todos os três graduados.

Tinham vindo professores de São Paulo como o professor Hélio Engholm, que dava teoria musical e violino, e por sinal, era ótimo violinista; Humberto Cantony dava coral e matérias complementares; e a professora Regina (não

me lembro seu sobrenome) que dava piano. Ela morreu cedo com câncer (depoimento de SABÓIA, 2008).

O corpo docente do Conservatório Musical de Londrina foi formado, primeiramente, por suas diretoras e fundadoras. Eram elas as pianistas Betty Weffort Veiga, formada no Estado de São Paulo e membro ativo da Sociedade de Cultura Artística de Londrina, Maria Luiza Machado, Elza Pinho de Brito e Lídia Costa Branco, cujo currículo está na relação dos docentes do Conservatório Musical Mãe de Deus, por ter lecionado também lá.

Destacou-se como professora de acordeão, na cidade, Evelina Swenson Grandis (1918 – 1985) pelo seu empenho, nível avançado de execução instrumental e formação acadêmica. Era professora normalista e também formada em piano pela Academia Brasileira de Artes (SP), mas seu interesse foi para o acordeão, instrumento que estava em ascensão na época. Casou-se com o médico e farmacêutico Dr. Eduardo Grandis, que se mudou para Londrina em 1946, a fim de integrar o grupo de profissionais do recém-inaugurado Hospital Evangélico (LEPRI, 2005). Depois de lecionar no Grupo Escolar Hugo Simas, Evelina passa a dar aulas particulares de acordeão em sua residência, quando é convidada a lecionar no Conservatório Musical de Londrina, no ano de sua instalação. Segundo Lepri (2005), a partir daí “o ensino de acordeão adquiriu uma nova identidade, atraindo uma legião de alunos e seguidores” (p.19). A mesma autora também relata que “nessa tarefa, elevando a música através de suas apresentações, projeta Londrina no cenário nacional e angaria alunos das diversas regiões, não só do Paraná como também de São Paulo e Mato Grosso” (p.45). Formou conjuntos com seus alunos de acordeão que tocavam peças clássicas e populares, com arranjos criados por ela, apresentavam-se nas mais diversas ocasiões, em várias cidades do Estado, tornando esse instrumento um dos mais procurados no Conservatório Musical de Londrina, além do piano, que já era hegemônico. Trouxe para Londrina acordeonistas conhecidos, como Mário Genari Filho, em 1955, compositor e exímio acordeonista de São Paulo e Mário Mascarenhas em 1961, conhecido por seus livros didáticos, além de outros (LEPRI, 2005).

No CML, também se destaca a bailarina Bianca Tonini, que iniciou o curso de dança clássica nesse local. Ela havia estudado no Scala de Milão e era diretora de uma escola de balé em São Paulo, juntamente com sua mãe, Maria Melo Tonini. Esta era professora no Teatro Municipal de São Paulo e conhecida internacionalmente por suas estadias em escolas de dança européias e detentora de prêmios em vários concursos (CML, [1970? a]).

Em 1955, o corpo docente do CML é ampliado e oferecidos cursos de piano com as professoras Elza Pinho de Brito, Ruth Lemos, Betty W. Veiga, que tinham como assistentes Lea Leal e Wilma S. de Oliveira, como também o curso de acordeão com Evelina S. Grandis, cuja assistente era Lecy Garcia. Em 1956, integram também o corpo docente, a professora Carmelina Palma, cuja atuação e currículo foram descritos e Maria Aparecida M. Frigeri, recém-formada em teoria musical pelo Conservatório. Registra-se, ainda, o ingresso do professor Sebastião de Alcântara, cuja atuação foi amplamente analisada no capítulo anterior, como um dos professores pioneiros na cidade, da ex-formanda Maria Eneida Medina Fabiano, além de duas novas professoras no Jardim de Infância: Ruth Martins e Nelly Garcia.

Em 1957, para dar as aulas de violino, entra a professora Mary Ericson e mais duas assistentes no piano: Magdalena Rausch e Beatriz Noronha Silva. Verifica-se um crescente número de docentes nesse período no Conservatório, fruto de uma movimentada circulação de alunos no estabelecimento, gerando também constantes promoções artísticas.

Passam a fazer parte do corpo docente, em 1962, o maestro Andréa Nuzzi, que se tornou conhecido por ter composto o Hino a Londrina, e sua esposa, a cantora lírica Ermy D’Aprile. O CML convida, no mesmo ano, para ser professora do Conservatório, a pianista Maria Luisa Rodrigues, diplomada nesse mesmo estabelecimento no ano anterior, tendo sido considerada como uma de suas melhores pianistas. Iniciara seus estudos com Carmelina Palma em 1954, provavelmente no Conservatório Musical Filadélfia, pois era onde Carmelina lecionava na época, e cinco anos depois passa a ser orientada por Ruth Lemos, ganhando medalhas de “Honra ao Mérito” pelo seu desempenho. Foi considerada como uma das melhores instrumentistas clássicas da “Capital do Café”, de acordo com o jornalista Walmor M. Macarini da Surcusal de “O Estado”, em artigo intitulado “Londrina também gosta de arte” publicado pelo Jornal Estado do Paraná em 17 de novembro de 1963 (apud CML, [1970? b]).

O corpo docente do Conservatório Musical Carlos Gomes foi formado por seus diretores Terezinha de Almeida Pena, cuja formação já foi citada, e Adelino Castoldi, ambos formados pelo Conservatório Musical de Londrina. São contratados mais professores, alguns anos depois, para atender a uma crescente demanda de alunos inscritos. Lecionou a professora e pianista Maria Luiza Magalhães, que dava teoria e solfejo, e a professora Irene Ziober (uma das formandas da primeira turma da Faculdade de Música Mãe de Deus) que ensinava história da música e folclore, e que permaneceu por trinta anos no estabelecimento. Também integrava o corpo docente deste Conservatório o pianista Marco Antônio de Almeida, que

lecionou harmonia e pedagogia, e Pedro Romanini, que ensinava violão clássico enquanto era estudante de acordeão no Conservatório.

No Conservatório Dramático e Musical do Paraná participaram do corpo docente o professor Nilton Bernardes de Souza, lecionando acordeão e violão clássico, formado em Curitiba, mas morador da cidade; a professora Consuelo (seu sobrenome não foi localizado) que dava aulas de piano e que era “pianista virtuose”, segundo Souza (depoimento, 2008) e Joaquim (também não foi localizado seu sobrenome) professor não formado, que lecionava violão popular, considerado um curso inédito em Conservatório. “Havia aula de violão popular, o que não ocorria nos outros Conservatórios, pois privilegiavam as músicas clássicas, até proibindo, às vezes, dar músicas populares cantadas” (depoimento de ROMANINI, 2008). No depoimento de Pena, em seu Conservatório Musical Carlos Gomes já teria havido o curso de violão popular, mas provavelmente não permaneceu por muito tempo, e talvez por isso não tenha sido percebido por seus freqüentadores.

Veio um professor da Praga (capital da Tchecoslováquia) chamado Leonide (seu sobrenome não foi localizado), que tocava muito bem piano. “Faziam uma propaganda desse professor na Rádio, divulgavam bastante, porque de fato ele era muito bom” (depoimento de ROMANINI, 2008).

A atuação dos professores, seus níveis de formação e empenho foram, juntamente com outros fatores, construtores dos rumos da história que se seguiu ao desenvolvimento do ensino musical em Londrina.